terça-feira, 17 de agosto de 2010

A Guitarra Brasileira e Seus Significados.


Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História








Bruno Botelho Horta
Primeiro Período








A Guitarra Brasileira e Seus Significados.
Matéria: História e Fontes Visuais.
Professor: Rodolfo Maia.








Macaé/RJ
Junho de 2010.


Resumo
       
O artigo tem por objetivo mostrar que o termo “violão” é uma expressão típica da língua portuguesa. Já o termo guitarra que no Brasil é conhecido como um instrumento elétrico, é o termo mais utilizado em diversos idiomas pelo mundo. O radical “guitar” é encontrado tanto no inglês, como no alemão, italiano, francês e espanhol.
Após a identificação do termo e sua origem, o artigo chega ao surgimento e desenvolvimento da guitarra elétrica. Revela seus primeiros fabricantes e utilizadores.
     Trazendo o contexto para o Brasil, é mostrado que o instrumento é mais bem recebido no rock and roll. Segue então um paralelo entre o que acontecia na política e na cultura das décadas de 60, 70 e 80 no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos. É demonstrado como o instrumento influenciou a cultura das sociedades da época e como no Brasil o contexto político não permitiu que a cultura do País acompanhasse o desenvolvimento da cultura internacional.


A origem do termo “guitarra”
a gutarraaaaaHá mais de dois mil anos antes de cristo já é possível identificar na antiga Babilônia, gravado em placas de barros, figuras seminuas tocando instrumentos musicais muito semelhantes ao atual violão.


Rapaz com guitarra, Ramon Bayeu ( 1746- 1793 )
            Passando pela harpa que foi acrescida de um braço no antigo Egito, pela Europa medieval do século IV onde podemos encontrar a Teorba, que seria a predecessora do Alaúde. Que foi criado na Itália no fim do século XVI. Neste período o instrumento recebeu curvas laterais para ficar mais anatômico e ficou conhecida como Guitarra Latina. Instrumento muito admirado e popular na Europa medieval. Popularidade conquistada pelos trovadores, que eram músicos itinerantes e que com suas viagens pelo continente enriqueceram a cultura da Europa. É importante destacar que até alguns reis se tornaram trovadores ou pelo menos assim ficaram conhecidos. Como Dom Dinis de Portugal (1279-1325).
            A guitarra e seus predecessores, isto necessariamente incluindo seus músicos, estão desde os primeiros registros associados ao lazer e a diversão. As figuras seminuas relatadas ha vinte séculos antes de cristo transmitem, inegavelmente, um sentimento de descontração e lazer. Com certa dose de erotismo e sedução. Os trovadores, músicos viajantes europeus, levavam junto com eles a distração e o entretenimento, quase em uma turnê que as grandes bandas e músicos realizam hoje em dia.
            A fascinação pelos trovadores era grande, impressionaram homens, mulheres, crianças e Reis. Assistir a um músico no exercício de seu instrumento é quase que se transportar para o lugar do próprio músico e inconscientemente desejar a admiração que ele recebe de todos. Neste sentimento até reis desejaram ser músicos e a história contou que Don Dinis e Afonso X de Castela e Leão (1221-1284).
           

A diferença entre violão e guitarra.


Álvaro Arroso. Guitarrista Português no Encontro de Guitarra portuguesa em Coimbra.
[DSC02212.JPG]          A guitarra que se espalha pela Europa vai sendo caracterizada em cada idioma como em inglês (Guitar), francês (Guitare), alemão (Gitarre), italiano (Chitarra), espanhol (Guitarra). Chegando a cultura de Portugal a guitarra encontra um instrumento muito semelhante: a tradicional viola portuguesa. E por se tratar de um instrumento maior do que o tradicional português recebeu o nome de violão (aumentativo de viola).



A guitarra elétrica.
A primeira utilização da guitarra elétrica foi como é de se esperar, uma adaptação. Com a necessidade de atingir melhores resultados tanto de volume quanto de timbres musicais. A amplificação do som da guitarra acústica foi feita colocando um microfone dentro da caixa de madeira da guitarra acústica. Que mais tarde seria substituído pelo microfone de contato, também conhecido como captador.


George Beauchamp em 1923
Rare Zemaitis resonator made for Ronnie Lane. Now owned by Keith Smart, Zemaitis Club Chairman  O responsável pela evolução de guitarra foi o músico George Beauchamp, ele estava inconformado pelo baixo volume de seu instrumento, já que nos conjuntos da época os naipes de metais tinham uma sonoridade muito maior e o único instrumento de corda que se equiparava em volume era o banjo. Mas guitarrista convicto em 1920 George procurou o lutier John Dopyera. Dá idéia inconformista de George e o talento para instrumentos de John nasceu a Ressonator Guitar (Guitarra de ressonância). Algumas peças de metal foram acopladas ao corpo da guitarra acústica, produzindo um efeito maior e com um volume bem superior a guitarra acústica. Esse recurso foi fruto do inconformismo de George. Um pequeno passo para o futuro de um instrumento que revolucionaria o mundo. O responsável pela confecção das peças de metal era o engenheiro Adolph Rickenbacker, um suíço radicado nos Estados Unidos.


Ressonator Guitar feita por Keith Smart

Enquanto isso no Brasil as paradas de sucesso musicais eram dominadas por samba e marchinhas de carnaval. Enquanto na Europa e Estados Unidos estas inovações já eram usadas no Jazz e no Blues.


A Frying Pan de Rickenbacker
Frying pan guitar Rickenbacker que passou a gostar de trabalhar com instrumentos musicais fundou em 1931 a Ro-Pat-In Corporation. Passando a fabricar a “Frying Pan” (Frigideira Voadora). Que já possuía captadores magnéticos no corpo da guitarra, este modelo e considerado por muitos como a primeira guitarra elétrica.
EM 1934 o nome da companhia muda para Electro Strings Instruments Corporation e os instrumentos saem com a marca de "Rickenbacker Electros".


Rickenbacker Logo
O mundo vivia um momento político muito importante e delicado, Adolf Hitler assumia o poder na Alemanha, Mao Tse-Tung inicia a sua Grande Marcha na China, Getúlio Vargas assume como presidente do Brasil, juntamente com uma nova constituinte. O cenário musical brasileiro seguia o mesmo, com o velho samba e marchinhas de carnaval dominando um novo canal de comunicação, o rádio, que se tornou o eletrodoméstico mais importante das famílias brasileiras.
A impressão que se passa é que o Brasil e os músicos brasileiros não se interessam pelas inovações musicais, continuavam ouvindo o mesmo estilo de música por 35 anos, sem renovação, sem ousadias ou experimentalismos. Artistas como Francisco Alves, Ary Barroso e Lamartine Babo eram os que padronizavam o gosto musical do brasileiro.


Lamartine Babo e sua orquestra. Na década de 30




Em 1936 a Gibson desenvolve um captador e o instala na sua guitarra ES-150. O “ES” significa Spanish Guitar. Justamente para diferenciar a guitarra acústica da “nova” elétrica.




ES-150





Fender Broadcaster 1948
Immagine Em 1940 Leo Fender inicia o desenvolvimento de uma guitarra elétrica com corpo sólido. Em 1948 ele se une a George Fullerton e lançam o modelo Broadcaster, que é conhecido até os dias de hoje como Telecaster. Apesar disto eles não foram os pioneiros. Lester William Polfus, também conhecido como Lês Paul e o próprio Rickenbacker, já estavam com estudos e protótipos em desenvolvimento. Lês Paul chegou a levar seu modelo para fabrica de guitarras acústicas Gibson, mas foi rejeitado.    

A guitarra elétrica no Brasil.


Osmar Macedo em 1950
         1942 é o ano mais importante da história da guitarra elétrica no Brasil. Mas enganam-se os que pensam que este ano marcou a apresentação de um grande artista ou o sucesso nacional de uma importante música popular. O ano refere-se a adaptação que Dodô e Osmar precisaram fazer para superar a dissonância de seus cavaquinhos durante as apresentações em Salvador. Fixando o braço de um cavaquinho em um pedaço de jacarandá e utilizando improvisados captadores, eles inventaram o “Pau Elétrico”.  Que passou a ser utilizado nas apresentações dos músicos nas festas de carnaval. É importante ressaltar que a folia em Salvador do final dos anos 30 e início dos anos 40 era embalada ao som de chorinhos, boleros e paso-doble. Friamente analisando a invenção dos músicos e a representatividade para a cultura musical da época foi praticamente nenhuma, pois o reconhecimento da mídia só viria em 1974 quando eles gravam seu primeiro disco “Jubileu de Prata”.


Os Incríveis – The Cleveres (1964)
            Mas foi Vitório Quintillo, em São Paulo, o primeiro Luthier a construir uma guitarra no Brasil. Vitório trabalhava na fábrica de instrumentos “Del Vecchio”. Depois montou seu atelier em casa e passou a atender guitarristas com suas guitarras artesanais. Com o rock americano em alta e as guitarras elétricas em pleno destaque mundial o ano de 1963 é marcado por um lançamento de grande sucesso “Encontro com The Clevers da banda The Clevers.
Que mais tarde se tornaria Os Incríveis. Com uma formação que depois ficaria consagrada no rock: Baixo, Bateria, Guitarra Base, Guitarra Solo, Teclado e Voz. De 1963 a 1965 lançaram diversos LPs e compactos, marcando definitivamente a entrada da guitarra elétrica na cultura e no mercado brasileiro. É importante perceber que a capa do disco aqui ilustrada já demonstra uma postura rebelde e bem humorada. O guitarrista no canto superior esquerdo brinca com seu instrumento com se o mesmo fosse um violino, instrumento considerado erudito e conservador, enquanto o outro guitarrista, logo embaixo, assume uma postura que remete a Elvis Presley, considerado o Rei do Rock. Os demais componentes procuram pses que claramente demonstram o não conformismo com o padrão reinante e o desejo de uma vida com mais liberdade.  
            É importante ressaltar que em 1964 Roberto Carlos Estourava com “É proibido fumar” e já havia lançado um disco com forte presença do Rock “Splish Splash, onde as guitarras eram executadas pela banda Renato e Seus Blue Caps. A maior diferença entre os The Clevers e Roberto Carlos era a intensidade e freqüência de seus trabalhos. Enquanto a banda fazia excursões pela América do Sul e gravava intensamente. Roberto permanecia com aparições isoladas e produzindo um disco por ano. Comparando as capas fica evidente a postura tradicional e conservadora de um artista que produzia o mesmo tipo de música, mas que por ser uma carreira solo e não um grupo musical, fica valorizada a imagem de um artista e que, neste caso, não toca nenhum instrumento.
            Ainda podemos citar artistas como Golden Boys, Jerry Adriani, Os Mutantes e Caetano Veloso, que fizeram da guitarra seu instrumento de expressão artística a cultural.


Jair Rodrigues, Elis Regina, Gilberto Gil e Edu Lobo.
            Em contrapartida um movimento liderado por Elis Regina e Jair Rodrigues intitulado “Passeata contra as Guitarras Elétricas” em 17 de Junho de 1967, chegou a colocar em debate a desvalorização da cultura brasileira e a super valorização da cultura americana (Estados Unidos), tendo um fundo nacionalista. Foi uma briga de ideologias em que sabemos muito bem quem saiu vitorioso. Já que estes mesmos músicos depois se renderiam ao valor e importância do instrumento.


            Enquanto isso os Beatles ganhavam os Estados Unidos e iniciava o processo que os tornariam uma das mais importantes bandas do mundo.     

Os modelos de guitarra.
Os modelos de guitarras são muitos e ter a pretensão de fechar uma lista perfeita com os mais representativos modelos de guitarra do mundo, seria, no mínimo, uma prepotência de minha parte. Para representar nesta pequena lista ilustrada de guitarras, utilizei o critério de tempo no mercado comercial e por qual músico o modelo se fez popular. Já o critério para escolher os músicos (guitarristas), utilizei o critério de popularidade e reconhecimento pela obra já composta e gravada.





Stratocaster, desenhada por Leo Fender e produzida até os dias de hoje, se imortalizou por ser a guitarra usada por Jimi Hendrix. No Brasil Sergio Dias dos Mutantes é fã do modelo.






Telecaster. Também desenha por Leo Fender, tinha o objetivo de ser uma guitarra mais simples e propícia para a produção em massa. Seu projeto é de 1948. Rick Sambora do Bom Jovi é um exemplo de utilizador do modelo







Mockingbird. Fabricada pela B.C. Rich. É reconhecida pelo seu desenho arrojado e muito utilizadas por guitarristas de Heavy Metal. Como Slash – Ex Guns N Roses.




Explorer. Desenhada pela tradicional fábrica Gibson, foi um modelo que fugiu do tradicional desenho do fabricante. Mas caiu no gosto de artistas que produzem um som mais pesado como James Hetfield do Metallica.



Flying V. Foi a primeira guitarra Gibson com linhas mais modernas, isso em 1957. Inicialmente não teve uma boa receptividade, mas dez anos após seu lançamento e já fora de linha, foi utilizada por músicos que queriam um visual mais arrojado, como Albert King.
Firebird. Lançada pela Gibson para que a marca não perdesse o seu caráter tradicional. Chegou ao mercado em 1963. Por ser um modelo caro de se fabricar e tendo os concorrentes da Fender com vendas superiores o modelo foi abandonado em 1965. Mas seu desenho ainda agrada a músicos como Dave Grhol e Eric Clapron



As técnicas dos guitarristas.
As técnicas aqui descritas também, como nos modelos, está longe de ser um conceito fechado entre os principais guitarristas do mundo. Técnicas são descobertas a cada nova investida no mercado musical. Estilos são criados por músicos de extrema competência e logo incorporados por outros músicos e fundidos e associados a outros tantos estilos e técnicas já existentes. Descrevo aqui um breve resumo que pode servir como pinto de partida para quem deseja informações mais completas do assunto.




Alavancadas. Apertando a alavanca contra o corpo da guitarra. O efeito produzido é como se a nota executada estivesse tremendo.














Diving Bomb. Utilizando a alavanca para cima e rapidamente puxando pra baixo e ao mesmo tempo utilizando harmônicos no braço da guitarra o som produzido se assemelha a uma bomba caindo.






Drop C. É uma mudança de afinação na guitarra, onde todas as cordas são afinadas um tom abaixo do normal









Feedback. São os sons agudos parecidos com gritos que alguns guitarristas executam, tocando com o dedo que não segura a palheta na corda solta.






Harmônicos. É a utilização do dedo tocando levemente a corda depois de ser paletada. O som produzido é semelhante ao feedback.






Palm Mute. Após a utilização de algum acorde ou nota o guitarrista encosta levemente a base da palma da mão nas cordas, perto da ponte. Técnica também conhecida como abafamento.



Riff. É uma progressão de notas ou acordes. Que formam a base de uma estrutura musical. Geralmente repetidos para caracterizar uma determinada música. Muita das veses as musica ficam famosas por seus riffs como Iron Man do Black Sabbath e Smoke on The Water do Deep Purple.



Shred. É o termo utilizado para quem executa as notas de forma rápida e virtuosa. Utilizando muita técnica e estudo do instrumento. Para muitos puro exibicionismo, mas na verdade demonstra todo o conhecimento do músico.






Slide Guitar. Consiste na utilização de um tubo de metal encaixado no dedo, para tocar as cordas do braço da guitarra. Originalmente foi utilizada uma garrafa. Certamente por ser o objeto mais “próximo” do guitarrista. Inicialmente utilizada no Blues essa técnica rapidamente foi abraçada pelos guitarristas de rock e Jazz. 




 

Sweep Picking. Nesta técnica a palheta se move como uma vassoura e em harmonia com os movimentos da mão que está no braço da guitarra. O efeito produzido é fluído e rico em detalhes e sonoridade.







Tapping. É a utilização de uma ou até mesmo as duas mãos do guitarrista para martelar as cordas. O efeito produzido é de continuidade e geralmente é utilizada essa técnica com grande velocidade.  












O símbolo de uma geração.
 Jimi Hendrix. Se o nome herói pode ser usado para um músico marginal, no sentido de estar fora do grande esquema reinante na mídia, independente e principalmente, confiante nas idéias que tem. Esse título deve ser dado à James Marshall Hendrix, considerado por quase todos, retirando apenas um punhado de radicais que mais parecem querer aparecer as custas de seus comentários bombásticos, do que realmente ter um atitude crítica inteligente sobre os grandes nomes da música, como o maior guitarrista de todos os tempos.  

Jimi Hendrix Hey Joe album coverAté 1966, Jimi era um musico desconhecido. Tocava em bailes, bandas e qualquer um que o pagasse, até que Chas Chamdler, baixista da famosa banda The Animals, reconheceu seu talento e o levou para Inglaterra. Parecia que queriam domar a fera, arrumaram um grupo para ele o Jimi Hendrix Experience, onde seus parceiros de banda nem foram escolhidos por ele. Mas Jimi tinha sua personalidade e musicalmente não abriu concessões. Foram os produtores do The Who que colocaram Jimi em um estúdio para gravar seu primeiro Single (pequeno disco em tamanho e que só tinha uma ou duas músicas, equivalente ao antigo compacto no Brasil).  


Capa do Single de 1967



Caetano Veloso em 1967
Caetano Alegria, AlegriaDeste registro saiu Hey Joe que imediatamente alcançou o Top 10 britânico e encabeçou uma lista de sucessos tais como Purple Haze e The Wind Cries Mary. Mas na verdade não eram as letras e nem as harmonias das músicas que se destacavam tão pouco eram estes lançamentos que impressionavam. A grande explosão que acontecia na carreira do guitarrista eram seus shows. Apresentações devastadoras na execução de sua guitarra.
         Paralelamente no Brasil, neste mesmo ano de 1967, Roberto Carlos lançava seu álbum e filme “Em ritmo de Aventura” que por mais estrondoso sucesso que fez, mostrou que tecnicamente a indústria fonográfica brasileira ainda estava na idade da pedra, em comparação a qualidade técnica das produções internacionais.  

Caetano Veloso lançava Alegria, Alegria que apesar de utilizar uma guitarra em sua gravação, o instrumento ficava em segundo plano, compondo uma pequena harmonia ao fundo da canção. Nas gravações do já citado disco de Roberto Carlos, a precariedade de gravação e inconsistência da técnica utilizada pelo guitarrista (infelizmente a ficha técnica não consta o nome do músico, mas provavelmente algum musico do Renato e Seus Blue Caps), demonstra que o instrumento até então estava sendo subutilizado pela grande mídia. Seria medo da rebeldia? Na Europa artistas com fama de drogados, alcoólatras e sexualmente livres, eram os maiores expoentes com suas guitarras na mão. Certamente não era essa “subversão” que os governantes do Brasil queriam para sua juventude. Marechal Castello Branco acabava de assumir o poder, na revolução de 1964, estava passando o poder para o já eleito pelo Congresso Nacional, Marechal Costa e Silva, um militar ainda mais radical e linha dura que Castello Branco, junto com Costa e Silva vinha o AI-5 e o Brasil mergulha em um período controverso e nebuloso da sua história. Imaginar um “Jimi Hendrix” brasileiro neste período seria realmente muito difícil.
             Voltando a carreira do nosso herói ou seria anti-herói. Jimi passa uma fase inquieta e maravilhosa musicalmente. Grava os maiores clássicos da história do rock e protagoniza os maiores festivais do mundo com performances históricas. Passando por Woodstock em 1969 e pelo Festival da Ilha de Wight em 1970. Poucos meses depois foi encontrado morto (18/09/1970), sufocado pelo próprio vômito nos eu quarto de hotel.
            No Brasil o ano de 1970 tinha o General Médici como presidente, onde os chamados anos de chumbo continuavam apesar de alguns avanços econômicos. A repressão ainda era grande e as liberdades artísticas muito restritas. No cenário rock do Brasil, os anos 70 que viriam a ser muito criticados pela falta de criatividade, na verdade se tornavam o berço de uma grande virada que viriam nos anos 80. Os artistas da década de 70 não tinham a mídia para expandir suas idéias e expressões. Os nossos guitarristas já tinham um maior acesso ao que acontecia nos Estados Unidos e na Europa. Ainda não conseguiam importar equipamentos e instrumentos, mas já sabiam qual era a estética que dominava a cultura no exterior. Excelente exemplo de absorção desta cultura foi a banda brasileira  



28.09.1968 III Festival Internacional da Canção.
Os Mutantes, que para muitos é considerada a primeira banda de rock do Brasil. Prefiro não chegar a esta definição, pois a banda começou de forma muito tímida e sem nenhum reconhecimento da mídia de 64 a 68. Associaram-se a nomes como Ronie Von e a artistas da Jovem Guarda, movimento considerado comportado e que não comprometia a política dirigida dos generais. Tocavam e cantavam o amor e a vida urbana. Protestos e contra cultura só viriam mais tarde. Tanto que no primeiro disco de 68 é bastante dominado pela temática da MPB com alguma influencia dos Beatles. A banda foi considerada uma das percussoras do tropicalismo, movimento que não tinha qualquer direcionamento político ou de protesto. Portanto ainda nesta época a guitarra não incomodava ninguém.         
            Somente na virada da década é que temos um marco no rock nacional a banda lança A Divina Comédia ou Ando Meio desligado.     





A alma do Rock and Roll.
    
      Paralelamente a toda esta evolução da guitarra elétrica, um estilo musical cresceu tão meteoricamente quanto o instrumento. O Rock and Roll ganhava força. Utilizando uma ou duas guitarras, o estilo se apropriou deste instrumento, fazendo-o de seu símbolo e do seu som sua voz. Considerado de início, por fim dos anos 40, como um Country mais acelerado, o estilo logo ganhou pernas próprias através do guitarrista e cantor Chuck Berry. Chuck foi um fazedor de sucessos e de polêmicas, retratando bem a essência de um astro do rock. Chuck chegou a levar uma índia de 14 anso pela qual se apaixonou para trabalhar com ele em sua casa noturna. A polícia que descobriu tudo, prendeu Chuck no auge do sucesso por cinco anos, desde então sua carreira nunca mais foi a mesma.  


Ronda de Nora Ney
      No Brasil o rock n roll jega no mesmo ano. 1955 a diva da fossa Nora Ney, grava uma versão em português para Rock Around The Clock, de Bill Haley. O ritmo original não foi preservado, Nora Ney remodelou a música para um Fox Trot. Outros artistas, temendo por ter seus lugares ameaçados por esse ritmo que ganhava o mundo, resolveram abraçar a “causa” do Rock n Roll. Desta forma Cauby Peixoto lança em 1957 o disco Rock na Roll em Copacabana. Além de Celly Campello e suas versões para músicas italianas e Ronnie Cord (Ronaldo Cordovil), preparam o mercado nacional para a jovem guarda de Roberto Carlos.  Como se poder notar ninguém realmente rompia as regras da sociedade e desafiava o sistema governamental. Ninguém no Brasil realmente penetrou na alma do Rock and Roll e decidiu que ninguém controlaria sua vida a não ser ele mesmo. No Brasil tivemos alguns artistas que, praticando outro estilo musical, resolveram ou foram impelidos a utilizar o rock para que a juventude não corresse riscos. Já que nosso regime militar era duro e não media atos para controlar o povo, não apareceu um roqueiro brasileiro que realmente desafiasse o sistema. Ficamos então entregues ao romantismo roqueiro da nossa jovem guarda.
      E a afinidade entre o rock e a guitarra evoluiu com o passar dos anos na década de 60. Ainda de forma calma e pacífica o grande expoente do início da década de 60 foram os Beach Boys, com guitarras havaianas e adocicadas agradaram em cheio o público americano e europeu.  Nesta foto de 1964 percebe-se claramente a intenção de mostrar as duas guitarras que faziam a base musical do grupo. Para deixar um claro paralelo, volto a ressaltar que no Brasil os grupos que se utilizavam de guitarras mais populares e representativos eram os The Cleveres e um pouco mais tarde os Mutantes. Exemplos de verdadeira revolução surgiam a todo instante fora do Brasil. Na Inglaterra os Beatles já davam entrevistas bombásticas, falando de nova sociedade e de liberdade de agir e de se expressar. Os Rolling Stones surgiam com o comportamento contestador de seus membros. E o Brasil ainda no mesmo passo.
      O The Who trazia o Hard Rock, estilo mais pesado e vigoroso, para as paradas de sucesso, ao mesmo tempo em que os Beatles gravavam Sgt Peppers e falavam abertamente de LSD. No Brasil o maior evento da música foi o III Festival Internacional da Canção, que de internacional não tinha nada, onde o velho representava o novo, artistas como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé e Nara Leão, eram eleitos os reis do Iê Iê Iê. Era o Hard Rock do The Who na Inglaterra e Nara Leão com o disco Vento de Maio e o sucesso A Praça, no Brasil. A guitarra revolucionava no exterior e no Brasil se adequava ao que a sociedade e o governo queriam.


Led Zeppelin em 1968
      Na mesma balada vieram o já citado Jimi Hendrix (1967), Pink Floyd e a psicodelia de The Pipers At The Gates Of Dawn (1967), Led Zeppelin (1968), culminando no Woodstock de 1969.


Paulinho da Viola em 1968
      Enquanto no Teatro Record, em novembro de 1969 no V Festival de Música Popular Brasileira, Paulinho da Viola ganhava o primeiro lugar com Sinal Fechado e em segundo lugar ficava Agnaldo Rayol com a música Clarisse. Ainda tivemos Vanusa em terceiro lugar, com Originais do Samba em quarto e Maria Odete em quinto. As guitarras brasileiras estavam definitivamente fora da mídia. Não vendiam discos, não venciam festivais, isso  quando participavam e não influenciavam os jovens. Parecia tudo perfeito.





Sex Pistols - 1977
      A década de 70 começa e a alma do rock é cada vez mais forte e influente no mundo. A guitarra é o instrumento mais popular entre os meninos adolescentes e nem tanto mais assim. O número de bandas independentes se multiplica e as gravadoras estão de olho nessa importante fonte de receita. Vou até me privar de citar um grande numero de bandas de rock representativas no cenário internacional. Segue uma pequena amostra do que acontecia nos EUA e Europa. Black Sabbath, primeiro disco em 1970. Destaque para o impressionante guitarrista Tony Iommi. Kiss, primeiro disco em 1974, com duas guitarras potentes e muita maquiagem. Um ano depois o primeiro disco do Queen um novo movimento surgia o Glan Rock. Imediatamente depois a guitarra grita para o mundo “Faça Você Mesmo” e os Ramones lançam seu primeiro disco. E o mercado novamente mudava. O ouvinte de rock o amante da guitarra, agora podia comprar a sua própria guitarra e montar a sua banda. E o Sex Pistols decretam a vitória do proletariado sobre a burguesia com o álbum “Nevermind The Bollocks” que estrei como TOP  1, na parada da conceituada Billboard.
      O rock no Brasil reflete em muitos aspectos o que acontecia na Europa e Estados Unidos da década de 70, mas faltava o mais importante aspecto, a popularidade. As rádios não tocavam, os discos não eram gravados e as muitas bandas ficavam restritas a seus diminutos públicos e muitas nasceram e morreram na obscuridade. Basta ler este lista com nomes que trabalhavam no cenário rock Brasil dos anos 70: AERO BLUES ( Celso Blues Boy), BACAMARTE (Jane Duboc), BARCA DO SOL (Ritchie), BIXO DA SEDA (Vinícius Cantuária), MADE IN BRAZIL, PATRULHA DO ESPAÇO, SOM IMAGINÁRIO (Wagner Tisso), VÍMANA (Lulu Santos).
      Podemos dizer que o rock e as guitarras estavam lá, mas ninguém os ouvia.   
     


Casa das Máquinas - 1977
      Inevitavelmente os anos 80 começam no fervor do punk que domina a Europa e os EUA. Mas os rapazes crescem ninguém é adolescente para sempre. Muitos destes rapazes americanos e europeus, cresceram, trabalharam, ganharam dinheiro, constituíram família e agora são responsáveis cidadãos com deveres a cumprir e algum tempo para o lazer. Mesmo sem deixar de existir a rebeldia perde a força os jovens crescem e os novos jovens chegam. O discurso político tem que ser inteligente e as angústias que se vive em uma época em que o capitalismo trava uma fria batalha ideológica com o socialismo, fazem os adultos buscarem novas referencias e seus filhos seguirem seus caminhos. EUA e Europa apontam ainda na direção do rock e ainda no som das guitarras.  


Bono Vox (U2) - 1981
Em outubro de 1980 o mundo vê BOY da banda irlandesa U2. Em abril deste mesmo ano o R.E.M (Rapid Eyes Moviment), sobe no palco pela primeira vez na cidade de Athens, EUA. As bandas tem a mesma formação, guitarra, baixo, bateria e voz. David Evans (The Edge) do U2 e Peter Buck do R.E.M serão os ícones internacionais da guitarra neste período. Novos ícones, novas propostas, novos sons. Fora do Brasil a guitarra evolui com as linhas melódicas e limpas desdes dois personagens. Sem relegar o surgimento do Thrash Metal e a supervalorização do Tradicional Heavy Metal, ams a sensibilidade sempre vendeu muito mais que a brutalidade, por isso seguiremos a carreira inicial destes dois ícones, sem desmerecer os excelentes trabalhos de Deve Murray e Adrian Smith (Iron Maiden), Fast Eddie (Motörhead), Dave Mustaine (Metallica e Megadeath) entre outros.
      1980 não é um ano de referência para o rock Brasil. Os atores estavam lá, mas as luzes não se acendiam sobre eles. O País continuava com sua tradição de festivais e a MPB dominava a mídia. Ney Matogrosso, Alceu Valença, Bay Consuelo, Marina, entre outros velhos medalhões da música nacional ainda se encarregavam de deixar tudo “arrumadinho”. 1981 acende uma luz no rock nacional.



O MPB Shell daquele ano recebe 60 mil inscrições. 30 Músicas são pré selecionadas e 12 vão para a TV concorrer ao prêmio de melhor canção. E dentre elas está “Perdidos na Selva”  da extranha banda de nome Gang 90 e as Absurdetes. A música não ganha nenhum prêmio mas entra no LP do festival e mostra que o joven culto e bem informado pode produzir boa música.
     


Julio Barroso (Gang 90) - 1981

Em 1982 o R.E.M. assina seu primeiro contrato profissional e a banda estoura entre os universitários americanos. O U2 está excursionando seu segundo álgum (October) e é reconhecido por suas lera politico-religiosas. No Brasil a juventude intelectualizada entra em sintonia com o movimento cultural que aconteçe fora do País e de guitarra na mão começa a pensar. Um grupo de teatro leva suas idéias para o rock e o sucesso foi estrondoso. O primeiro mega sucesso do rock brasileiro depois de mais de uma década de ostracismo. A Blitz, depois de alguns shows no recém inaugurado Circo Voador no Rio de Janeiro, lança o compacto “Voce não soube me amar”.
     


Blitz em 1982
Ricardo Barreto, guitarrista e compositor foi o autor junto com Evandro Mesquita da maioria dos sucessos da banda. Sucessos em todas as rádios e televisões do País a Blitz não demora a lançar seu primeiro LP As Aventuras da Blitz.


O Guitarrista The Edge em 1983
      1983 marca a carreira das bandas de forma fundamental. O U2 lança War que contém a música que seria executada para sempre em qualquer apresentação da banda “Sunday Bloody Sunday” e o U2 passa a ser uma banda com o mundo a seus pés. R.E.M. Lança Murmur que é aclamado o álbum do ano na categoria rock, batendo na disputa, o própri War do U2 e Trhiller de Michael Jackson. A música “Radio Free  Europa” lança  abanda mundialmente. No Brasil a Blitz é considerada a maior banda do País e compre muito bem papel de abrir o mercado para as novas caras do rock brasileiro. É neste mesmo ano que a Legião Urbana toca no circo voador e é chamada para assinar seu priemiro contrato. A Legião Urbana se tornaria a mairo banda de rock que o Brasil conheceu. Dado Villa Lobos é o guitarrista da banda e assim como Peter Buck e The Edge, tem um estlilo limpo e melodioso, sem perder a força que uma canção rock precisa ter.


     
Caixa de texto: Legião Urbana - 1983Todos viriam a conhecer a força destas bandas a partir de então. Em 1984 o U2 lança The Unforgettable Fire, com produção do consagrado Brian Eno. E se torna a maior banda do mundo em sua época. O R.E.M grava em onze dias o álbum Reckoninge entre em uma turnê que vai enmendando em mais um álgum e depois em mais uma turnê até Out Of Time de 1991 quando a banda assume o posto de maior banda do mundo. Janeiro de 1985 marca o lançamento do primeiro disco da Legião Urbana que não parou mais até 1997 quando o líder Renato Russo veio a falecer. O álbum “As Quatro estações” de 1989 consolida a banda como a maior banda de Rock do Brasil.
       Assim se fez, se faz e será feita a história do rock. Com suas guitarras inventivas e emocionantes, continuará mechendo com o emocional e o racinal de uma juventude que busca mudanças e afirmação social. A guitarra continuará mudando cortes de cabelo dos jovens e nem tão jovens assim. Será a responssável por ditar modas e fazer a sociedade pensar. Continuará chocando e divertindo seus admiradores e detratores. Benditos sejam aqueles que inventaram, criaram e modernizaram a guitarra, pois graças a eles, muitos de nós poderam expresar seus sentimentos, protestos e amores. O Homem modificou a guitarra, mas ela fez muito mais por ele do que ele pode perceber.



Bibliografia

ABZ do Rock Brasileiro (Marcelo Dolabela, 1987)
Enciclopédia do Rock (Editora Somtrês, sem data)
Livro Negro do Rock (Leopoldo Rey e Gilles Philipe, Ed.Somtrês, s/data)
História do Rock (Roberto Muggiati, Ed.Somtrês, s/data)
Enciclopédia do Rock Progressivo (Leonardo Nahoum, 1984)

Principais períodos da história da filosofia.


Principais períodos da história da filosofia.

A filosofia ajuda ao homem a enfrentar os novos problemas oferecendo caminhos, respostas e novas perguntas para manter um diálogo permanente da sociedade e seu tempo.

FILOSOFIA ANTIGA
Do século VI a.C. ao VI d. C. Engloba dos filósofos pré socráticos aos helenistas.


FILOSFIA PATRISTICA
                Inicio com as epístolas de São Paulo e o evangelho  de São João. Término no século VIII.
                Foi praticada pelos primeiros padres que defendiam o cristianismo dos ataques morais e teóricos dos pagãos. Tendo Santo Agostinho como um dos seus principais defensores. Foi responsável por introduzir a idéia de consciência moral e livre arbítrio.  
                Havia três posições principais
1 – Razão e fé irreconciliáveis, com a fé superior a razão.
2 – Fé e razão conciliáveis, com a fé superior a razão.
3 – Razão é fé irreconciliáveis, mas cada um ocupando seu espaço e não se misturando.


FILOSOFIA MEDIEVAL
                Do século VIII ao XIV. Também conhecida com o nome de escolástica, onde as escolas foram introduzidas na Europa e a igreja cristã dominava politicamente o continente.
                Foi o estabelecimento da filosofia cristã, onde surgiu a teologia. O poder dos reis era subordinado a autoridade da igreja.
                São Tomaz de Aquino foi um dos representantes desta fase.

FILOSOFIA DA RENASCENÇA.
                Do século XIV ao XVI. Marcada pela redescoberta de Platão e Aristóteles, além de novas obras descobertas destes autores. Com três linhas de pensamento.  
                1 – Proveniente de Platão, se destaca a idéia da natureza como uma grande ser vivo e que o homem pode agir dentro dela como um Deus.
                2 – Originária dos pensadores florentinos, que defendiam ideais republicanos e combatiam o totalitarismo da igreja. Desejavam o renascimento político que havia antes do império eclesiástico.
                3 – Propõe o homem como artífice do seu próprio destino. Tanto no campo dos conhecimentos como no da política ou das artes.

                Neste período ocorreram as expansões marítimas e também a reforma protestante. Ocasionando a contra reforma da igreja e o avanço da inquisição. Maquiavel foi um dos principais representantes.


FILOSOFIA MODERNA
                Do século XVII ao XVIII. Conhecido como Grande Racionalismo Clássico, tinha três grandes mudanças.
1 – Parte do início que tem o próprio homem como ponto de partida. O homem deve primeiro conhecer a sua capacidade de conhecer.
2 – Tudo o que pode ser conhecido, deve poder ser conceituado, isto é a racionalização das idéias.
3 – A realidade é um sistema racional de mecanismos físicos. Onde a estrutura é sempre matemática. Galileu foi um dos expoentes.

Predomina nesse período a idéia da conquista técnica e científica, onde tudo é explicado por mecânica e matemática.


FILOSOFIA D ILUSTRAÇÃO OU ILUMINISMO.

                Do século XVIII ao Início do XIX.  Chamado de idade das luzes, por isso, Iluminismo.
                Pela razão o homem pode conquistar a liberdade e a felicidade. A razão é capaz da evolução e do progresso e o homem é um ser perfeito.


FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA
                Do meado do século XIX até os dias de hoje. É o período mais difícil de se definir pois todos os modos de pensamento vão surgindo diante dos homens para serem analisados.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Nx Zero - Sete Chaves (2009)


















Quarto disco da banda, Sete chaves é lançado em outro de 2009.

01 Vertigem - 0:39
Uma pequena vinheta com guitarra bem calminha.


02 Só Rezo - 3:56
Usando como introdução a vinheta anterior, a banda engata uma música mais pesada e como não podia deixar de ser, muito bem gravada. A bateria é pesadona e a letra nem é tão chorosa quanto muitos esperavam.

03 Espero A Minha Vez - 4:13
Baladinha previsível, utilizando piano e violão como base. Letra de rimas pobres e completamente descartável. Nada de novo.

04 Insubstituivel - 3:37
O som fica mais limpo, talvez seja assim que a banda funcione melhor. O refrão é que fica mais sujo com guitarras distorcidas, mas realmente é nas partes mais limpas da musica que o som funciona melhor.

05 Interludio - 0:36
Mais uma vinheta com uma base de teclado. Calminha também.

06 Zerar E Recomeçar - 3:40
Seguindo a mesma fórmula a banda canta a letra sobre uma base limpa e calminha. No refrão entram as guitarras distorcidas e o vocalista grita, grita e grita.

07 Mais Álem - 3:33
Seguindo uma formula matemática, vem mais uma balada, com teclados e arranjo de cordas. Letras adolescentes que vão agradar em cheio aos novos pre adolescentes ou aos velhos adolescentes que não cresceram musicalmente.

08 Confidencial - 2:55
Interessante é que as musicas estão até curtinhas. Essa musica se aproxima mais do som que a Pitty vem fazendo. Até agora a mais criativa do disco, quem sabe até da história da banda.

09 Como Se Fosse Ontem - 3:08
Depois de uma música até razoável, voltamos a velha fórmula. Gritos durante o refrão....

10 Perto De Você (Roots) - 2:46
E a entediante montanha russa da banda continua. Minha esperança de uma mudança ficou na oitava música.

11 Tudo Em Seu Lugar - 2:50
Não sei se a banda imita o Charlie Brow Jr. ou se é o CBJ que vem imitando o NX Zero. Só sei que essa enfadonha balada tem muito do CBJ, o atual CBJ para deixar claro.

12 Subliminar - 3:39
"Swing, balanço, Funk é o nosso som na praça" ...  O som começa swingado, até interessante, pareceia uma aposta da banda um um novo som, mas acaba se tornando uma mistura insosa com o velho som da banda.

13 Vicio - 2:38
Na batida do já citado CBJ a banda segue previsível.

14 Sem Saida - 2:49
Mudando o canal do emulador chegamos ao Strokes. A única surpresa do disco foi ele não ter terminado com um vinheta.




quinta-feira, 1 de outubro de 2009



Setimo disco e dez anos de carreira um esperado lançamento do ano de 2009. vamos conferir.

01 10 minutos - 3:47. Alguns chamaram de Tango eletrônico, ams eu chamo de POP de qualidade. Com primor técnico de garvação e produção Ana abre o disco de forma impecável. Imperdível. Não sei se todos vão reaprar mas achei a voz um pouquinho mais baixa que o normal. Mas a interpretação está certeira, como sempre.

02 Dentro - 4:27. Balada típica da mpb e da carreira da cantora. Emocional erecheada de cordas, sem perdar a intenção pop e as letras sentimentais no melhor sentido da palavra.

03 Tá rindo é? - 4:03 Todos sabem que ana Carolina gosta e toca muito bem um pandeiro e um samba não iria faltar no disco. Só que esse samba é um misto de Pop e MPB. Com uma excelente letra moderna e urbana o disco segue sem cometer nenhum deslise até agora. Aqui particularmente achei a musica empolgante e com um refrão muito alegre, apesar de falar de problemas e na busca por uam rotina menos estressante. " Aminha oração é bem curta pro santo não entediar" ...   muito bom.

04 Entre olhares (The Way You’re Looking at Me) - 3:26  Musica leve e gostosa de se ouvir. Um balanço elegante e que envolve o ouvinte. mas justamente aqui vem a primeira escorregada do disco. Nesta música temos a participação de John Legend. A recente moda de brasileiras gravarem com artistas americanos acabou chegando a Ana Carolina. Totalmente dispenssável a participação.

05 Era - 4:41 balada densa, soturna e fecahda. Ana deixa a voz bem grave e coloca uma música muito diferente no meio do disco. O clima é bem sinistro e não funciona dentro da intenção do disco até aqui.

06 8 estorias - 4:20 A música logo de início nos remete a antiga "Garganta". Na letra muitos nomes de mulheres. Ana realmente fechou o clima do disco. Apesar de não ser tão fechada quanto a música anterior, aqui as cordas de violoncelos e violinos continuam graves, mas um acodeão da um clima interessante e a musica se torna interessante, bem tensa, mas aciam de tudo boa.

07 Resta - 5:49 Linda balada que só Ana com seu estilo inconfundível sabe compor. aqui a participação da italiana Chiara Civello não fica deslocada, pois a música é romântica a lingua italiana soa muito bem nestas ocasiões.

08 Torpedo 3:54 Mais um sanba com boa mpb e o disco fica novamente claro e alegre. É a musica mais despretenciosa do disco.

09 Traição - 4:43 Balada com o piano de Daniel Jobim, pareçe que estamos em um piano bar clássico dequeles filmes de hotéis e romances hollywoodianos.  A participação da americana Esperanza Spalding cantando em um bom português só acrescenta positivamente a música. Belo disco de Ana Carolina

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Charlie Brown Jr. - Camisa 10 Joga Bola Até Na Chuva - 2009


Décimo disco da banda. Neste a banda cnta com a produção de Rick Bonadio. Vamos conferir.

01 Dona do Meu Pensamento. A primeira música do Cd parece mostrar que a banda não apresenta novidades. Com letra melosa e som no melhor estilo "Malhação" a banda fica bem comportada nesta música. Infelismente até o solo e previsível simles e bem comportado (Isso pra não dizer ruim).

02 Me Encontra. Essa música já está nas rádios e nas TVs. Continuando a não apresentar novidades no som a banda segue na mesma batida. Com uma base de violão a musica segue comportadinha.

03 Só os Loucos Sabem. Baixando ainda mais a pegada da banda, está música é só violão e voz. Na letra nenhuma novidade. Inclusive as letras de chrão levam a uma aproximação com o EMO.

04 Inabalavelmente. Um reggae moderno, com elementos de guitarras distorcidas e letra quilometrica. Não sei se esperava muito deste disco, mas estou me decepcionando a cada musica.

05 Só Existe o Agora. Ums om mais alegre a com uma letra mais discontraida a banda acerta a primeira musica "realmente" nova do disco.

06 Só Pra Vadiar. O disco vai ficando mais alegre e menos preocupado em falar só de amor adolescente. Boa levada e guitarra bem trabalhada. O disco vai se acertando.

07 Puro Sangue. Já estava demorando para pintar aquele RAP imenso que Chorão acha que sabe fazer. Ninguém vai cantar junto, ninguém vai querer aprender a tocar. E pra falar a verdade tem muita letra de RAP melhor por ai.

08 O Dom, a Inteligência e a Voz. O rock volta e o narcisismo também. na verdade o disco já vai deixando o ouvinte chateado pela falta de criatividade.

09 Os Cortes. O som mais pesado do disco até aqui. Rápida e com bom arranjo, pena que é longa demais.

10 Uma Só Vida Pra Viver, Tenho Sede Nela Eu Vou. Tradicional viajem musical de chorão, musica e letras enormes. Criatividade bem curta.

11 Viver Dias de Sol. O som é o mesmo do disco todo. Rock pessoal e narcisista de Chorão, uma pena. A banda até é bem competente na execusão das musicas mas ainda falta muito em criatividade.

12 Comigo Ninguém Tira Onda. Uma leve brisa de criatividade sopra no disco. bom rock. Criativo e competente a musica agrada logo de cara.

13 Bomba Sonica. Pra fechar um pouco mais do mesmo de sempre. Que venha logo o décimo primeiro disco.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Toni Garrido - Todo meu Canto (2009)


01 Perfume da Nega - 3:11
A primeira música do disco remete a Soul Music. Bem dançante, mas o som parece datado dos anos 80. Letra despretensiosa bem no estilo Tim Maia.

02 Todos os Amigos Perto de Mim 3:30
O som fica mais moderno e lembra imediatamente o Cidade Negra, acho até que a comparação é inevitável, já que todos que ouvirem o disco vai buscar a sonoridade do Cidade Negra. Um reggae moderno, mas de muito bom gosto. Boa musica.

03 Fim de Semana Good Time 3:35
A musica começa com Toni apresentando MC Sapão. Péssimo sinal. E logo vem um funk meloso bem ruim, ruim mesmo. Ainda mais quando o dito Mc dá uma "palhinha".

04 Tudo Que Você Podia Ser 3:56
O disco vai seguindo um som dançante, por vezes moderno, por vezes retrô. Nesta música, um cover de Lô Borges, que tomou uma forma dançante Toni erra mais uma vez. Boa letra com uma batida manjada e incompatível para a boa melodia original.

05 Inocente ou Culpado ( Fuck Machine) 3:33
Um som ao estilo James Brown, inclusive na referência "Sex machine". O disco vai seguindo a linha black music, mas totalmente eletrônico. Até agora o disco é tecnicamente bem gravado, mas não tem alma. No fim da música então fica uma salada intragável, guitarras, percussão de samba tudo misturado na batida funk. Muito ruim.

06 Barra Pesada 4:10
Não sei se Toni está atirando em todas as direções ou está completamente perdido. Batida pop onde as letras pouco importam. Uma pena. Só uma citação desta letra “Se você não vem pro show / O show não tem você" ....SIC....

07 Me Libertei
Canção mais tranqüila e com uma letra em tom de desabafo. Boa canção que dá um descanso ao ouvido, depois de tanta batida dance.

08 Rimas da Saudade ( Tanta Saudade)
O disco dá uma baixada nas RPMs e essa batida agrada bastante, com a participação do Rapper portugues Boss AC.

09 Os Nerds 4:16
Batida pop sim, mas agradável. O som é despretensioso e não exagera nos complementos eletrônicos. Toni parece que vai achando o tom certo para o disco. Ainda que esse som remeta a Lulu Santos.

10 Trevo de Quatro Folhas 4:05
Boa música. Leve, agradável e com boa letra. Já começo a gostar desta segunda parte do disco. Um pop leve e que cumpre bem o papel que se presta, valeu Toni.

11 Anúncio de Jornal 4:02
O disco segue na mesma boa batida, agora com mais instrumentos tocados de verdade. O bom arranjo da música em perfeita sintonia com o vocal de Toni ficaram excelentes, melhor música do disco.

12 Grande Amor 4:17
Voltando ao reggae Toni continua fazendo bonito nesta segunda metade do disco. Reggae lento e com boa mensagem. Toni caprichou na produção.

13 Minhas Lágrimas 3:16
Acompanhado por muitas cordas, Toni fecha o disco de forma inesperada. Em uma mistura de regional e erudito o ouvinte se surpreende. Mesmo com o vocal inspirado o ouvinte sente que a música está deslocada no disco, mas em se tratando de ser a última faixa vale a experiência.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Titãs - Sacos Plásticos - 2009



Décimo oitavo disco da carreira da banda, que hoje se assume como quinteto.

01 Amor por Dinheiro - 2:30
Sonoridade moderna. Os Titãs parecem querer mostrar que não pararam no tempo. O som é rock não há dúvidas, as letras são boas e críticas como quase sempre. Mas o som é moderno sem ser emo, já que o disco é produzido pelo Bonadio.

02 Antes de Você - 3:22
Seguindo a tendência dos últimos discos vem uma música romântica, um pop rock que já está até em novela. Tem guitarra, baixo, teclado e bateria, é rock mais é pop. E o refrão vai pegar com certeza.

03 Sacos Plásticos - 3:06
Barulhinhos eletrônicos dão um susto no ouvinte. Mas logo se segue uma batida popinha que disfarça uma letra estranha e diferente. Tenho certeza que a letra merecia uma música melhor.

04 Porque eu Sei que é Amor. - 3:16
Pop rock romântico em que a banda vem investindo nos últimos discos. Tem até o seu valor, mas não lembra em nada a banda contestadora e de fortes opiniões de alguns, saudosos, anos atrás. Não é ruim para o publico jovem de hoje. Mas eu detestei.

05 A Estrada - 3:03
Não é aquele Hit do Cidade Negra regravado. Graças a Deus. Mais próximo do rock que a banda fez em álbuns anteriores, como o excelente Domingo de 1995. A banda mostra que quando quer consegue fazer um som próprio e longe dos modismos de hoje, boa música.

06 Agora eu Vou Sonhar - 3:30
Bastante swingada, mas ainda tem a cara da banda. O disco vai melhorando apesar de pequenas modernidades. A banda não perde o foco no rock e o disco fica interessante.

07 Quanto Tempo - 3:21
Um reggae no meio do disco. Bem feito, limpo e de bom gosto. A banda sempre gostou deste tropicalismo e mesmo fora do contexto do disco até aqui a banda agrada.

08 Deixa eu Sangrar 3:35
O disco retoma a intenção pop rock. Violões limpinhos em uma balada que mira na galera mais nova e deve acertar em cheio. Tema até solo de violino.

09 Problema 3:53
Pop rock rasteiro e do mais vagabundo que se pode ser produzido hoje em dia. Piorado pela letra vazia. Lamentável. Valeu Bonadio.

10 Não Espere Perfeição 2:44
Impressionante como a banda consegue variar tanto. Depois de uma música muito ruim
o disco trás este bom rock característico da banda. Guitarras com bom timbre e letras bacanas.

11 Quem Vai Salvar Você do Mundo? 3:25
Boa música. Fácil de gostar, guitarras limpas, piano e letra bem pessoal. A banda aprendeu a fazer música pra os jovens de hoje.

12 Múmias - 3:49
Batida eletronica que faz lembrar aquela música do DeFalla "melo da popozuda"
Nem a letra salvou. Uma merda.

13 Deixa eu entrar - 2:48
Pra limpar o ouvido a banda solta um forte rock. Que alívio! Só pode ser a banda experimentando de tudo neste disco. Bem, pelo menos quando resolver fazer rock o fazem muito bem.

14 Nem Mais Uma Palavra 4:00
Agora um reggae raiz. Bem feito e com boa letra dentro do estilo. O disco fecha de forma estranha, mas até que bem agradável.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Nando Reis - Drês - 2009




Quinto disco da carreira do eterno ex Titãs.






01 Hi, Dri - 3:45
Com uma enganosa introdução que remete aos Beatles, Nando logo solta um bom rock com fortes guitarras e abre muito bem o disco. Digo até que a música chega a empolgar com suas paradas de guitarra e ótimos solos.

02 Ainda não Passou - 3:16
A boa pegada de violão que marca muito dos discos anteriores está nesta faixa, a voz emocional de Nando está muito bacana. Música gravada para Dri que conheceu recentemente, segundo o proprio Nando.

03 Drês - 4:16
Nando Reis surpreende e agrada. Uma voz posta de forma mais forte e um som que faz lembrar o bom rock dos anos 70. Guitarras marcadas por fortes riffs e letra que foge da atual chatice do mercado rock brasileiro. Muito Bom!!

04 Conta - 4:42
Aliviando o peso dos arranjos mas sem perder o bom sentido do rock, Nando canta a perda da sua mãe. Triste e bonito.

05 Só Pra So - 3:25
Nando não deixa de perder seu estilo, os rock acústicos sempre foram muito presentes e aqui ele aparece novamente. Nesta música feita apra sua filha Sofía. É a menos inspirada até aqui.

06 Mosaico Abstrato 2 - 4:38
Boa música que injeta um som novo no chato rock brasileiro atual. Boas guitarras que já se fazem presente desde o início do disco. Valeu Nando.

07 Pra Você Guardei o Amor - 5:43
Com a participação de Ana Cañas, uma voz nova da mpb. Música feita de violão e voz. Ficou muito grande, nesta Nando deu mole.

08 Livre Como um Deus - 5:11
As guitarras voltam ao disco e inspiradas como sempre, belo solo de introdução. E Nando recoloca o clima do disco lá em cima. Fico realmente surpreso de como Nando colocou um bom disco de rock em um mercado dominado pelo emocore. Até agora o disco é muito bom e como diz a própria letra desta música "Erros e acertos são filhos do mesmo Pai."

09 Driamante - 2:39
Música leve e de alto astral. Com o mesmo pique rock do disco. É mais uma boa mùsica do disco. Nando disse que todo o disco foi composto para a mesma pessoa. Que seja sempre assim!

10 Hoje eu te Pedi em Casamento - 3:19
Apesar da criativa melodia a música não tem a mesma força das outras do disco. É até bom para dar uma descançada no ouvido. Mas a música está muito longe de ser ruim.

11 Mil Galáxias - 3:33
Rock n Roll até ingênuo. Mais uma bola fora do disco, ainda bem que foram poucas. O ritmo pop-rock-bobinho ficou muito estranho dentro deste bom disco, que pelo jeito vai terminando menos inspirado.

12 Baby, eu Queria - 2:58
Balada, tranquila e sentimental bem no estilo de Nando. O disco fecha bem e fica a certeza que Nando está tomando um rumo muito interessante na carreira. Gostei bastante do disco, os pequnos deslizes passam batidos.