sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O Império Colonial Português de Charles Ralph Boxer

Texto de 1969 que tem o título original de The Portuguese Seaborne Empire, do historiador inglês Charles Ralph Boxer ou C.R. Boxer, como costuma figurar.
O texto inicia com: O Ouro da Guiné e o Prestes João (1415 – 1499). Período que se inicia com a conquista de Ceuta na África e se estende até o regresso de Vasco da Gama em julho de 1499. Além dos relatos sobres as expedições Vikings que chegaram a América do Norte através da Islândia e de algumas galegas italianas que poderiam ter chegado as ilhas da Madeira e dos Açores. O historiador relata que estas viagens não obtiveram um prosseguimento sistemático. Este prosseguimento só foi estabelecido depois dos portugueses dobrarem o Cabo da Boa Esperança e chegar a costa do Mar da China e dos espanhóis conquistar o mesmo objetivo através da Patagônia e das Filipinas. E tem como motivações fatores comerciais, econômicos, religiosos, estratégicos e políticos. E destacado a importância de Portugal ter sido um reino unido primeiro do que os demais da Europa, o que facilitou a iniciativa expansão marítima. De início buscando o ouro na Guiné e o combate aos mulçumanos. Essa motivação religiosa fica clara nas bulas papais que autorizavam o rei português a converter pagãos na sua expansão. Além de proibir a interferência do outras nações.
A navegação pela costa ocidental da África, conta Boxer, utilizava os navios como bases flutuantes, a primeira feitoria em terra foi em Arguim, (na atual Mauritânia) em 1445.
Em 1488 é relatada a façanha de Bartolomeu Dias que ultrapassa o cabo da Boa Esperança. Vasco da Gama só completaria o caminho para as índias pela primeira vez nove anos depois de Bartolomeu Dias conquistar sua façanha, pois internamente D. João II recebia críticas por investir em um empreendimento tão caro e distante. A partir de então o monopólio do comércio das mercadorias de luxo asiáticas passa a ser comandado por Portugal.

A segunda parte é chamada de: A navegação e as Especiarias nos mares da Ásia. Citando o historiador indiano K. M. Panikkar (pág 61), Boxer concorda que o período de 1498 a 1945 pode ser chamado de período Vasco da Gama da História Asiática, onde apenas nações européias detinham o poder marítimo do oceano índico. Em Ormuz (Irã) e Malaca (Malásia) era onde Portugal mantinha suas relações de comércio com as índias. Nota-se que o mar da China se encontra além desta região. Uma outra facilidade citada pelo autor é que os povos do Egito, da Pérsia e de Vijayanagar não possuíam navios armados. Sendo assim facilmente derrotados pelos navios portugueses.
A domínio português começou do ocidente para o oriente, a partir da ilha de Goa, (costa de Moçambique), em 1510. Em 1515 foi conquistado o poro de Ormuz (Irã), Cheando a Malaca (Malásia). Ao tentar levar seu domínio para o mar da China foram derrotados em 1521 e 1522.
Os primeiros problemas começaram a acontecer na expansão asiática. O número de homens adultos em Portugal era insuficiente para uma expansão tão grande, e apesar de uma grande frota de navios, aproximadamente 300, era insuficiente para uma extensão marítima tão vasta. holandeses e ingleses já começavam a navegar os mares do índico no início do século XVII, pois já reuniam tecnologia suficiente e não aceitavam o monopólio de Portugal. Em 1575 Portugal perde o controle de Ternate. A partir de então Portugal vai perdendo o controle total do mar Índico, mas é compensado pelo início do comércio com chineses e japoneses.

O Brasil nos quadros do antigo sistema colonial. de Fernando Novais

O autor começa demonstrando o início da expansão marítima portuguesa pelas ilhas atlânticas no litoral note da áfrica. Primeiramente a ocupação só tinha como objetivo a exploração das novas colônias, ainda sem a intenção de ocupá-las. Essa busca por novas rotas de comércio se deu pela monopolização do comércio com as índias pelos venezianos e mulçumanos.
Novais ressalta que o principal fator que contribuiu para a expansão marítima foi a unificação dos estados europeus. Primeira mente Portugal, seguido de Espanha, paises Baixos, França, Inglaterra.
Fica claro que a monopolização do comércio da colônia com a metrópole é a mais importante e marcante característica do sistema colonial português sobre o Brasil. Monopolização, esta, que era utilizada pó todas as outras metrópoles sobre suas colônias. Não se tratando de uma característica particular entre o Brasil e Portugal.
Os produtos colônias que chegavam a metrópole reforçava o poderio financeiro da classe burguesa de Portugal. Pois os preços eram forçados para baixo até o limite, proporcionando grandes lucros para os exploradores.

História Econômica do Brasil de Caio Prado Junior.

Neste livro Caio Prado Junior traça um grande painel da formação econômica do estado brasileiro. Seria muito presunçoso de parte de qualquer um, realizar um resenha simples de um texto tão denso e completo como este apresentado pelo geógrafo, historiador, escritor e professo paulista. Pretendo apenas revelar em linhas gerais do que se trata esse livro, importante e fundamental, para historiadores, professores e pessoas que de uma forma geral se interessam por tão vasto e importante assunto.
Partindo desde as primeiras características da sociedade portuguesa histórica e geograficamente analisadas, passando pelo início da colonização da África até os primeiros anos na costa brasileira. Caio Prado, minuciosamente demonstra as primeiras extrações de Pau Brasil do nosso território. Até a sua decadência e início da atividade agrária. Onde a cana de açúcar assume um importante papel na economia da colônia e da metrópole. Ainda dento deste contexto, o autor ao deixa de esmiuçar as atividades complementares como a agricultura de subsistência que mantinha a importância na alimentação diferenciada dos colonos.
Após o fim da dominação da coroa espanhola sobre a coroa portuguesa, a restauração do trono português trouxe novos incentivos a exploração da colônia brasileira, onde logo se descobre grandes jazidas de pedras preciosas no cento sul do Brasil. Ms ao fim do século XVIII as pedras pedem valor no mercado europeu e as jazidas brasileiras estão praticamente esgotadas e a pecuária vem tomar este espaço na linha de frente da economia brasileira.
A principio se estabelecendo no nordeste a pecuária se estabelece mais fortemente no sul do Brasil. Depois de uma grande explanação sobre a volta da agricultura a economia brasileira onde o autor relata a cultura do algodão e da volta da cana de açúcar. Caio Prado chega ao ciclo do café. Que encontra boa aceitação no mercado internacional e é o principal produto da economia brasileira.
Depois de mais uma extensa e importante explanação sobre a situação econômica do Brasil no momento da vinda da corte de Portugal para o Rio de Janeiro. Caio Prado relata a abertura dos portos brasileiros para o comércio internacional iniciando assim uma nova fase de progresso para o País.
Veio, então, a abolição da escravatura. Toda a força de trabalho do Brasil estava nas mãos dos escravos e uma nova realidade deveria ser encarada pelo País.
Com o início da república o Brasil enfrenta um serio problema financeiro, onde a moeda cai de valor e é necessária a emissão de muita moeda gerando uma crise financeira. Com os empréstimos contraídos no exterior, principalmente na Inglaterra. A cultua cafeeira que tinha papel de destaque na economia brasileira começa a perder espaço com a concorrência internacional e acaba definitivamente com a queda da bolsa de Nova Iorque em 1929. A borracha brasileira que teve uma produção significativa também despenca internacionalmente depois que Países africanos iniciam suas produções a custos muito menores. Ainda antes da industrialização o autor relata as produções de cacau e de açúcar neste mesmo período.
Já no período da industrialização o Brasil fica prejudicado pois não possuía reservas energéticas suficientes para manter o setor, apesar de ter uma boa reserva de matéria prima. E o início da industrialização se dá com a industria têxtil.
Depois de uma crítica ao sistema imperialista, Caio Prado relata que o Brasil criou um mercado de consumo interno para poder participar dos avanços da economia mundial. Depois da crise da segunda guerra mundial o Brasil segue procurando melhores opções para participar do mercado mundial. Mesmo que ainda preso a velhos mecanismos da economia anterior, o País ainda que mergulhado em dívidas, vai se modernizando e se industrializando. Caio Prado Junior aproveita para criticar duramente o imperialismo e a dominação econômica dos Países desenvolvidos sobre o Brasil.

Formação Econômica do Brasil Cap. VIII Capitalização e Nível de Renda da Colônia Açucareira de Celso Furtado.

CAPITALIZAÇÃO E NÍVEL DE RENDA NA COLÔNIA AÇUCAREIRA


O autor inicia relatando que o governo português investe inicialmente na produção de açúcar no Brasil. A mão de obra utilizada era a indígena escava. Os negros africanos só viriam depois que a empresa já estava estabelecida. Negócio prosperou e a quota de produção foi vinte vezes maior do que a esperada. Isso ao fim do século XVI.
Ao analisar os custos da produção do açúcar no País, Celso Furtado revela que cerca de 90% da renda gerada pela produção, permanecia na mão do dono do engenho. Boa parte destes lucros era gasto com importação de artigos de luxo europeus.
A produção do açúcar ra ao intensa que chegou a se duplicada a cada dois anos, devido ao forte retorno de capital. Capital que ao permanecia na colônia.

FLUXO DE RENDA E CRESCIMENTO

O primeiro investimento feito pelos donos de engenhos é na forma de pagamentos ao exterior com a importação de equipamentos, materiais de construção e mão de obra.
O autor rebate a comparação do sistema açucareiro com o feudalismo, já que o açúcar era totalmente voltado para a exportação. Também explica que a produção do açúcar foi regulada para evitar um colapso nos preços pois as terras e o mercado consumidor possibilitavam uma expansão maior do que a ocorreu de fato. Isso entre as metades dos séculos XVI e XVII.
O autor termina o capitulo explicando que os custos fixos do engenho de açúcar permitia que a estrutura suportasse retrocessos, até seculares e retomasse com plena vitalidade depois.

PROJEÇÃO DE ECONOMIA AÇUCAREIRA : A PECUÁRIA.

A grande ocupação e movimentação financeira da empresa de açúcar justificou a existência de outras atividades econômicas, entre elas a pecuária. Já que a carne fazia parte da dieta alimentar de senhores e escravos. O governo português proibiu a criação de gado no litoral, que era fundamentalmente utilizado para o cultivo de cana. Criou-se então, duas atividades independentes, já que os senhores de engenho não diversificavam seus empreendimentos. Paralelamente, no nordeste, a pecuária contribuiu para a ocupação do interior.
A mão de obra utilizada inicialmente foi a indígena que se adaptou bem ao trabalho. A criação de gado dependia diretamente da expansão da cultura canavieira. No século XVII a expansão nordestina levou a criação para o interior. A exploração mineira do século XVIII levou a pecuária para o sul do Brasil
A economia criatória era um mercado muito pequeno comparado ao da açucareira e basicamente era, apenas, de subsistência.


A FORMAÇÃO DO COMPLEXO ECONÔMICO NORDESTINO

A lenta redução da atividade açucareira que se iniciou na segunda metade do século XVII ocasionou uma fuga de mão de obra para o setor pecuário, que dispunha de muitas terras no interior.
Essa fuga populacional do litoral para o interior, foi caracterizada como involução, onde a expansão da pecuária, reflete apenas, a expansão da atividade de subsistência.


CONTRAÇÃO ECONÔMICA E EXPANSÃO TERRITORIAL

O controle da bacia amazônica foi intensificado a partir do século XVI, quando a coroa portuguesa e espanhola unidas, defenderam as terras do nordeste das invasões holandesas, francesas e inglesas.
A ocupação foi bastante difícil. A colônia do maranhão viveu dificuldades pois estava isolada e o cultivo da cana não apresentou resultados positivos e ainda agravados pela baixa do mercado internacional.
A busca por escravos indígenas levou os colonos do maranhão ao Pará, onde dominaram técnicas de explorar os bens da floresta e com a ajuda dos jesuítas, terem a cooperação dos índios.
No sul, São Vicente vivia a queda da produção do açúcar e segue na direção da bacia do Pata com a fundação da colônia de Sacramento em 1680, onde o comércio de couro permitiu a expansão para o sul do País.

Fichamento do texto Memórias do Cativeiro

Memórias do cativeiro é um projeto do Laboratório de História Oral e Imagem da UFF. Que arquiva entrevistas produzidas em projetos de história envolvendo camponeses ou negros, nascidos ainda nas primeiras décadas do século passado e portadores de uma memória de escravidão do setor cafeeiro no Brasil.
As entrevistas foram realizadas de diversas maneiras que ao final foram catalogadas e mantiveram seus formatos originais.
Dos diversos textos produzidos após as entrevistas, foi verificada uma semelhança ente os diversos depoentes. Emergiu uma consciência coletiva dos escravos do sudeste cafeeiro do Brasil, um Etnotexto.


“relatos orais e escritos, podem ser tomados como narrativas portadoras de formas
próprias de expressão, que podem ser utilizadas pelo historiador como fontes para pesquisa”


A produção historiográfica e a produção oral da história não são completamente diferentes, as questões sociais influenciam na produção das duas fontes. Sendo que a produção oral deve se avaliada em qual contexto se encontra o depoente e qual a sua relação com o entrevistador.
Ao contrario dos registros históricos foi possível perceber que nas entrevistas os depoentes utilizavam o termo “cativo” e “cativeiro”, para designar “escravo” e “escravidão”. Essa é uma diferenciação importante que foi revelada através dos etnotextos.
As gerações familiares eram marcantes na época da escravatura. Eram três grandes grupos. Os africanos, os nascidos escravos e os livres.

A CONSTRUÇÃO DAS CHAVES TEMÁTICAS.

O tempo de cativeiro é a primeira chave temática encontrada nas entrevistas realizadas. Era o tempo que raramente havia acontecido com eles e sim com seus pais ou avôs. O primeiro corte de período observado é a memória da África. Depois viia os Laços de Família, em que alguns negros mantinham relações com a casa grande e recebiam algum benefício por isso.
O etnotexto permitiu identificar que alguns negros eram beneficiados por ações dos senhores e estes ficavam marcados na memória dos entrevistados. Já os torturados geralmente não pertenciam a família dos entrevistados.


MEMÓRIA COLETIVA E ENQUADRAMENTO SOCIAL

O real enquadramento só veio, para os depoentes, na Era Vargas, onde a liberdade social, finalmente foi alcançada.
As políticas sociais do estado novo abraçaram a maioria destes relatantes que foram testemunhas da melhora de condições sociais e comparavam com as péssimas condições vividas por seus pais e avós.
Os relatos dos depoentes constroem uma identidade coletiva que atravessa os tempos, formam uma consciência e demonstram uma tradição familiar. Especificando, assim, o que foi a história de vida e de seus antepassados através dos tempos de escravidão, libertação e colocação social.

Fichamento do livro Introdução a História de Marc Bloch.


Fichamento do livro Introdução a História de Marc Bloch.

·       O termo “História” é utilizado a mais de dois mil anos e mesmo tratando-se de um termo antigo e envelhecido.  Ele mantém-se em uso desde então. Já possuiu muitos significados, pois a evolução das ciências é inevitável e seria uma perda de tempo para os cientistas ficar modificando etimologicamente a palavra.
·       Diferente de outros estudiosos, o historiador precisa encontrar o seu objetivo e o seu ponto de partida particular ao observar um fenômeno histórico ou científico. E esse ponto de partida é muito diferente de um biólogo ou de um físico, que abordam os fenômenos com suas ações particulares de suas ciências.
·       O historiador tem um ponto de partida diferente até de outro historiador, pois ele interpreta o fenômeno de forma particular.
·       A História é a ciência do passado. Essa afirmação não pode ser aceita. Pois não se pode estudar o passado sem uma delimitação.  Evidentemente, no início dos estudos históricos, os fatos eram narrados apenas de forma a serem registrados por acontecerem em um mesmo momento, sem nenhuma outra forma mais crítica ou metodológica de estudo dos fatos.
·       O que diferencia a história que interessa ao historiador, dos outros fatos estudados por outras ciências é a presença do ser humano. O que define o campo de atuação da história são as modificações causadas pela atuação dos seres humanos.
·       Para o historiador não basta apenas contar os anos que determinados fatos duraram ou em épocas eles ocorreram. Precisa-se mais do que isso. É necessário interpretar e entender em que a influências dos homens modificou o contexto dos fatos.
·        Todo fato histórico que pode ser estudado tem a sua origem. Por tanto, identificar essas origens é fundamental para começar a entender o fato histórico. Mas deve-se atentar para que fique definido o que é a origem e o que é o fato. Já que o fato em si é um produto da atualidade em que lê se encontra e não dos eu passado, isto é, da sua origem.
·       Não é possível determinar o quanto de passado ou de presente se deve usar para determinar certo fato histórico. O historiador deve se vale de suas impressões pessoais para medir e dosar o quando de passado e o quanto de presente se deve utilizar em seu trabalho.
·       Compreender o presente se utilizando o passado. Através do estudo da evolução social do homem. O que se transformou em seus hábitos e costumes. E quanto isso modificou a sociedade através dos tempos.

A Observação Histórica.

·       Conhecer o passado é só pode ser feito de forma indireta, pois não vivenciamos os fatos históricos do passado.
·       Para reconstruir o passado é necessário cercar-se de todas as fontes possíveis, tanto orais, quanto materiais. Só assim o historiador pode se aproximar ao máximo do tempo passado.  
·       O passado é, por definição, um fato que não se modifica. Mas o conhecimento do passado é algo que está em constante progresso.
·       Os testemunhos são importantes para o historiador. Que deve atenta para o quanto próximo do fato este testemunho está.
·       A necessidade de escolher é necessária, mas deve ser flexível, no meio do caminho muitos novos aspectos devem aparecer e o historiados deve esta pronto para utilizá-lo. Sem que se perca em uma eterna aventura.

A Crítica

·       Um texto deve ser coerente com sua época e lugar deve-se verificar se as narrações são verdadeira e se as fontes não foram falsificadas.
·       Quando se trabalha com fontes já estudadas deve-se atentar para que nenhum pesquisador anterior tenha alterado esta fonte.
·       Deve-se atentar para os testemunhos falsificados, como cartas atribuídas a alguém.
·       Não basta só dar conta dos enganos e preciso saber também os motivos que levaram as falsificações. Ou que induziam ao erro.
·       Validar a possibilidade de um acontecimento é medir as oportunidades que ele tem de se produzir.

A Análise Histórica

·       Contar a história como ela é ou foi é um exercício de passividade que deve ser evitado pelo historiador.
·         O que domina e ilumina o trabalho do historiador e a compreenção dos fatos.
·       É importante distinguir instituições, sistemas políticos, crenças, costumes isoladamente e em conjunto, A nomenclatura e um aspecto muito importante e relevante na análise histórica.
·       O historiador trabalha exclusivamente com palavras de seu País. E os obstáculos produzidos pela necessidade de tradução é mais um elemento que deve ser observado pelo historiador. 
·       Um cuidado deve ser tomado. O corte de tempo cada vez menor não é certeza de se obter os melhores resultados. Os meses, anos ou décadas podem traduzir melhores resultados.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Dia do Historiador 19/08

AMO A HISTÓRIA. SE NÃO AMASSE, NÃO SERIA HISTORIADOR. FAZER A VIDA EM
DUAS: CONSAGRAR UMA À PROFISSÃO, CUMPRIDA SEM AMOR; RESERVAR OUTRA A
SATISFAÇÃO DAS NECESSIDADES PROFUNDAS – ALGO DE ABOMINÁVEL QUANDO A
PROFISSÃO QUE SE ESCOLHEU É UMA PROFISSÃO DE INTELIGÊNCIA. AMO A
HISTÓRIA E É POR ISSO QUE ESTOU FELIZ POR VOS FALAR, HOJE, DAQUILO QUE
AMO” – LUCIEN FEBVRE

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O NOME DA ROSA (Der Name Der Rose )

FAFIMA - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Macaé
Leitura e Produção de Textos. Professor Luiz.
Alunos: ..................................





O NOME DA ROSA


Título original: Der Name Der Rose
Gênero:Ficção
Duração:02 hs 10 min
Lançamento:1986
Estúdio:Cristaldifilm / France 3 Cinéma / Les Films Ariane / Neue Constantin Film / Zweites Deutsches Fernsehen
Distribuidora:20th Century Fox Film Corporation
Direção: Jean-Jacques Annaud
Roteiro:Andrew Birkin, Gérard Brach, Howard Franklin e Alain Godard, baseado em livro de Humberto Eco




1 – Introdução.
Este trabalho pretende informar e analisar a obra cinematográfica “O Nome da Rosa”, filme dirigido por Jean-Jacques Annaud em 1986 que tem o nome original de “The Name of the Rose” uma produção conjunta de Itália, França e Alemanha com a duração de 130 minutos. Jean-Jacques é francês. Antes do lançamento desta obra o diretor já havia sido premiado com o melhor filme no Prêmio César, premiação do cinema francês, por A Guerra do Fogo de 1981. E melhor diretor por O Urso de 1980 e pelo mesmo A Guerra do Fogo. E como melhor filme estrangeiro ganhou em 1986 com O Nome da Rosa.
Filme baseado na Obra Literária Der Name Der Rose de Umberto Eco, lançada em 1980. E que só viria a ser lançada no Brasil em 1995 pela editora Record.
Um resumo do enredo do filme foi apresentado em sala de aula. Nesta apresentação o grupo de trabalho aproveitou a oportunidade para além de cumprir uma determinação dada pelo professor, aprimorar seus conhecimentos de cinema e ambientar-se a proposta da graduação em que estamos cursando, que é lecionar a matéria do curso escolhido. Foi para todos os integrantes uma excelente oportunidade de falar e se expressar em público. A dramatização foi encarada como desafio para muitos do grupo que nunca tiveram esta oportunidade. A opção por não utilizar recursos de mídia ou algum tipo de suporte cenográfico foi proposital, pois assim estaríamos nos aproximando ainda mais com a realidade profissional que encontraremos no dia a dia da nossa profissão.

2 – Método de trabalho.
O grupo foi formado basicamente por alunos de diversos cursos, todos eles no primeiro semestre de estudo, que haviam ingressado na Faculdade após o início regular das aulas. Ou não estavam presentes no dia da definição dos grupos e seus temas. Quando o Professor Luis Guaraci foi informado que havia alguns alunos que não pertenciam a grupo algum, o professor determinou o estes alunos formassem um grupo e trabalhassem com o filme título deste trabalho. Foi para todos um desafio a mais, pois não nos conhecíamos e pertencíamos a cursos diferentes. Onde horários e rotinas não coincidiam, mas com a certeza de que esse tipo de desafio apareceria muitas vezes em nossas carreiras, nos organizamos e iniciamos o trabalho.
Visando não prejudicar ou favorecer alguém definimos o número de personagens principais de acordo com o numero de componentes do grupo. Realizamos um sorteio para definir quem interpretaria qual personagem. Copias do filme foram feitas e distribuídas a cada componente do grupo. Os integrantes estudaram seus personagens e destacaram quais as cenas eram as mais importantes. Feito este trabalho individual, o grupo passou a se reunir em partes ou por completo para definir como seria o desenrolar da apresentação. Na véspera da aula foi realizada uma reunião geral, que se repetiu no dia da apresentação, tudo ensaiado e definido, foi realizada a apresentação que se viu em sala de aula.

3 – O filme.
Ambientado na última semana de novembro de 1327, em um mosteiro isolado ao norte da Itália. Após uma morte que causou muito incomodo no mosteiro beneditino, um monge franciscano William de Baskerville é chamado para ajudar nas investigações. Consigo Willian trás seu noviço Adso de Melk, filho de um rico comerciante que o entregou para que William cuida-se de sua educação. Um elemento que diferencia este mosteiro dos demais é que ele é conhecido por possuir uma vasta biblioteca, onde podem ser encontrados livros raros e livros não aceitos pela Igreja Católica, que dominava a sociedade da época.
Inicialmente William iria participar de um conclave, onde seria debatida a pobreza da Igreja e de clero. Mas como a morte recente de um irmão causava um grande transtorno na vida do mosteiro, o Abade resolve pedir ajuda a William, evitando assim que a Inquisição assumisse o caso. A designação de Abade teve início na Síria, por volta do século IV. Era a designação do responsável pela Abadia; isto é; uma comunidade monástica cristã.
William inicia suas investigações e aos poucos vai esclarecendo que as mortes não são de responsabilidade do diabo. E que existe um mistério no mosteiro, onde logo ele iria desvendar quem era o responsável pela morte. Durante suas investigações William e contestado pelo guia espiritual do mosteiro, chamado de reverendo Jorge, um monge idoso e já cego. A postura radical de Jorge e sua convicção a respeito da fé é um grande desafio para William. Jorge e o bibliotecário do mosteiro procuram dificultar ao máximo as investigações de William.
O mistério começa a ser revelado quando William e Adso encontram Salvatore um herege convertido que pertencia a ordem dos Dulcinitas. Hereges são pessoas que não compartilham da idéia de algum grupo religioso ortodoxo ou algum de algum sistema filosófico. Vale ressaltar que segundo Georges Duby, historiador francês especializado em Idade Média, uma pessoa se torna herege por determinação de alguma autoridade ortodoxa ou fundamentalista, ele é antes de tudo um herético aos olhos dos outros. Já os Dolcenitas era uma ordem que ao contrário de São Francisco de Assis, buscavam a destruição da riqueza e não o amor pela pobreza.
Salvatore se torna uma importante testemunha, que leva William a descobrir que era um livro envenenado que havia sido lido por todos que já haviam morrido. O livro era escondido pro Jorge, pois se tratava de um livro escrito por Aristóteles, filósofo grego aluno de Platão, onde o riso era valorizado.
Quando William tem tudo solucionado e se prepara para contar a todos no mosterio um novo personagem surge, é Bernardo Gui.
Bernardus Guidonis, francês, foi uma figura histórica é real. Nasceu em 1261. Foi noviço e logo se tornou um decano. Sua capacidade o levou a ser nomeado Grande Inquisidor de Toulouse. Foi elevado a bispo pelo Papa João XXII. Bernardo foi historiador e agiógrafo, que eram os responsáveis por traduzir as intenções de Deus e instruir as pessoas das vontades de Deus. Bernardo escreveu Liber Sententiarum Inquisitionis ("Livro das Sentenças da Inquisição"). O guia dos inquisidores da Igreja Católica.
Bernardo prende Salvatore e uma mulher do povo, sob a acusação de satanismo. E desta forma impões sua vontade, dizendo que satã está por detrás das mortes no mosteiro. Impedindo assim que William divulgasse a verdade. Para o julgamento dos hereges Bernardo convoca o Abade e William. William contesta o veredicto de Bernardo. Furioso Bernardo condena os dois hereges à fogueira e prende William para ter sua sentença confirmada pelo Papa Clemente.
A inquisição foi oficialmente criada em 1233 pelo Papa Gregório IX. A pena de ser queimado na fogueira era a pena mais grave, haviam as punições de penitência, multa, confisco de bens e prisão. Em 1965 a inquisição romana mudou de nome e hoje é conhecida como Congregação para Doutrina da Fé.
Durante a aplicação da pena, a população manifesta uma revolta e amedrontado, Bernardo Gui foge. Enquanto isso William e Jorge travam uma luta intelectual na biblioteca, onde Jorge tenta envenenar William. O resultado é um grande incêndio, onde a maior parte das obras se perde. Jorge morre ao mesmo tempo em que Bernardo. Um queimado e o segundo em um acidente de carruagem durante a fuga, onde a população terminou de completar a sina do Inquisidor.
O filme termina com William e Adso deixando o mosteiro. Adso ainda é tentado a ficar com a mulher que ele encontra poucas vezes durante sua estada no mosteiro.

4 – Apresentações teóricas individuais.
Concluída a apresentação em sala de aula, restou ao grupo apresentar a parte escrita proposta pelo professor. Mais uma vez decidimos que seguiríamos a linha proposta desde o início do trabalho. Cada componente do grupo desenvolveu seu personagem nas páginas que seguem em anexo a este trabalho.

Politereftalato de etileno, soluções simples ao alcance de todos.

Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé





Grupo de pesquisa:
Bruno – História
Patrícia – História.
Lorena – História.
Patrícia – Pedagogia.
Adriana - Pedagogia.
Maíra - Pedagogia.






Projeto de Pesquisa Científica.
Título: Politereftalato de etileno, soluções simples ao alcance de todos.
Matéria: Metodologia Cientifica e pesquisa em Educação.
Professora: Sônia.








Macaé/RJ
Junho de 2010.




Resumo
Este projeto de pesquisa apresenta um estudo referente a necessidade e as possibilidades de incremento na reciclagem, reutilização e reaproveitamento do Politereftalato de Etileno, material que compõe as conhecidas garrafas PET.



Justificativa
Segundo a ADIPET (Associação Brasileira da Indústria do PET). Somente 55% das garrafas PETs são recicladas. A estimativa é que a garrafa leve cerca de 500 anos para ser absorvida pelo meio ambiente. Segundo a própria ADIPET para a reciclagem de uma garrafa só é consumida 3% da energia necessária para se fabricar uma nova. E segundo a COMLURB (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) do Rio de Janeiro. As garrafas são responsáveis por 1,4% do total de lixo recolhido na cidade.

Objetivo
Aprimorar o processo de coleta, aumentando a quantidade de embalagens reaproveitadas e diminuindo o espaço necessário para depósito de lixo nas cidades.

Relevância
Em primeiro plano o projeto de pesquisa aqui exposto, tem a fundamental importância de melhorar o reaproveitamento das garrafas PET. Os atuais níveis de reaproveitamento e reciclagem deste produto esta em torno de 55% do material produzido pela indústria brasileira. Índice que não é tão insignificante quando comparado com outros materiais recicláveis. Como o vidro quem tem índice de 47%, o papelão de 43%, embalagens longa vida 26%, metal e aço 46%. O índice de reciclagem de garrafas PET só é superado pelo alumínio que reclica 96% do que produz. Estes índices foram fornecidos pela ABRAE (Associação Brasileira de Reciclagem).
Estes índices ruins colaboram para uma não formação cultural de reciclagem na sociedade. O que pode, em um futuro de curto prazo, colaborar para a piora dos índices de reciclagem do nosso objeto de pesquisa. Esta preocupação se torna ainda mais importante quando estabelecemos que a falta de cultura de reciclagem, tanto na sociedade, quanto na indústria responsável pela produção e do sistema responsável pela reutilização, ocasionaram uma significativa piora do padrão de vida da sociedade.
A melhora dos níveis de aproveitamento das garrafas PET implica também, na elevação dos níveis de empregabilidade, pois incrementando o ciclo de reciclagem do produto, necessariamente teremos um aumento na demanda por mão de obra, o que tira da fila de desemprego um número proporcional de profissionais a medida que a coleta, processamento, transformação e recolocação no mercado do produto aumenta.
Outro fator importante que será diretamente afetado é a redução do consumo de energia na indústria. Pois somente a fração de 3% da energia necessária para produzir uma garrafa nova é utilizada para reciclar uma garrafa usada. Considerando-se que a produção anual de garrafas PET no Brasil esta em torno de 2 bilhões de unidades por ano. Temos então uma quantidade expressiva de economia de recursos naturais.
Podemos destacar também, que, com a devida formação e orientação de novos agentes de propagação da cultura de reciclagem, podemos incentivar projetos acadêmicos ou industriais, que visam desenvolver novas tecnologias necessárias para o constante desenvolvimento de técnicas operacionais de reaproveitamento e reciclagem.

Publico Alvo:
Empresários, consumidores e estudantes.

Cronograma
Visita aos centros de reciclagem, debates com o comunidade e meios de comunicação e promoção junto a comunidade acadêmica de projetos de reciclagem.

Base Teórica
As fibras das garrafas PETs são de alta versatilidade, podendo ser utilizadas em diversos segmentos da industria, comércio e nas residências.

Avaliação:
Projeção de resultados. Mudança de hábitos de consumo e produção.

Referências Bibliográficas
Sites, revistas e livros consultados.
ABRAE (Associação Brasileira de Reciclagem).
ABIPET, Associação Brasileira da Indústria do PET.
REIS, Martha. Perigo: lixo tecnológico. Nova Escola. Abril: São Paulo.

Anexos:
(avaliar necessidade )

Resenha Crítica do texto: Sobre a memória das cidades de Maurício de Almeida Abreu, do Departamento de Geografia da UFRJ

Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História








Bruno Botelho Horta
Primeiro Período








Resenha Crítica do texto: Sobre a memória das cidades de Maurício de Almeida Abreu, do Departamento de Geografia da UFRJ








Macaé/RJ
Junho de 2010.

O autor Maurício de Almeida Abreu é professor titular do programa da graduação e pós-graduação em Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e mestrado e doutorado na Universidade de Ohio (EUA).
De início o autor revela que depois de um longo período na história do Brasil, onde o novo era extremamente valorizado, um novo discurso está invadindo o pensamento urbano. É a restauração, preservação ou revalorização dos vestígios do passado.
Esta observação é importante e significativa, pois revela uma mudança no pensamento comum que por muitas vezes fica imperceptível ao morador dos centros urbanos do Brasil. Sendo até mais popular e menos erudito do que o autor, valho-me de uma frase até comum mas que pode resumir bem o assunto tratado: Só damos valor ao que perdemos. E o sentido de valor que podemos tratar aqui é bem mais amplo do que ter uma simples consideração ou importância pessoal. O valor atinge aspectos culturais, humanos e até econômicos.
O autor segue e direciona seu texto subdividindo-o em 3 eixos: um de natureza geral, outro que busca a conceituação e por fim o que discute o papel da geografia neste cenário.
No primeiro eixo temos: A valorização atual do passado. Citando o francês Jacques Le Goff, um especialista em idade média, que ressaltou o período do iluminismo, onde todo um passado de grande imobilidade humana, devido a hegemonia da igreja, era deixado para trás. Os novos pensadores acreditavam em um futuro brilhante para a humanidade que passaria a conduzir seu próprio caminho. Le Goff segue alertando que este futuro maravilhoso nunca veio e que mesmo renegando o passado o homem moderno, que é o pruduto daquele pensamento iluminista, se tornou , apesar de inegáveis progressos, um ser que se auto destrói, destrói seu meio ambiente, falha na construção da nova sociedade e faz o futuro um lugar incerto e temeroso.
O também francês Bernard Lepeti diz que os momentos de transição são momentos de perda da concordância dos tempos.
Concordo que vivemos um momento de transição é que não sabemos onde esta explosão de novas tecnologias que são quase que imediatamente superadas por novíssimas técnicas, irão nos levar. Fica em aberto se esta tendência a valorização da memória do passado perdurará por muito tempo ou logo será relegada, devido ao turbilhão de novidades que assola o homem moderno a cada segundo. Mas seguimos analisando a obra de Maurício de Almeida Abreu.
A busca de “Memória Urbana” no Brasil. A fundação das grandes cidades brasileiras como Rio de Janeiro em 1565, São Paulo em 1554, Olinda em 1537, Salvador 1549 e Ouro Preto 1711, apesar de serem cidades com mais de quatrocentos anos, nada ou muito pouco guardam de seu passado históricos. Encontramos nestas cidades prédios e obras públicas com cerca de cento e cinqüenta ou cem anos, mas do passado com cerca de quatro séculos nada restou. As duas ultimas cidades citadas Salvador e Ouro Preto são as que ainda preservam um pouco mais deste passado distante, mas não por cultura do povo que as habita mas sim por um decadência financeira que atingiu estas cidades.
Estes fatos são bastantes compreendidos pois a modernização, a melhora da qualidade de vida e a tendência que as sociedades urbanas tem de seguir modelos mais avançados. Como eram modelos as cidades européias. Levaram a população dos centros urbanos e transformar seu espaço de uma forma modernizadora. Ter um cidade e seus habitantes utilizando recursos modernos era sinônimo de desenvolvimento e a sociedade na queria ser considerada ultrapassada. Salvador deixou de ser a capital do País e Ouro Preto perdeu força na exploração das minas. Isto foi fundamental para que o dinheiro não circulasse nestas cidades como circulavam nas outras grandes cidades, criando assim uma estagnação do crescimento e conseqüente destruição do passado urbano.
Voltando ao autor ele relata que hoje existe uma grande preocupação em preservar/recuperar/restaurar o que ficou das paisagens urbanas nas cidades. Os governos, em todas as esferas, vem investindo e estimulando esta preservação. Cria secretarias especializadas em patrimônio histórico e contrata firmas especializadas em restaurações para resgatar este passado. Além de tombar patrimônios considerados históricos.
Acredito que estas medidas surjam mais por pressões não governamentais, do que pela livre iniciativa dos governos em preservar a memória urbana.
A memória individual. O autor recorre a definições e pensamentos de Milton Santos e do o belga Georges Poulet, onde cita o escritor Mareei Prost. Define que a memória individual tem aspectos que remontam um passado vivido e resgatado em forma de memórias pessoais. Onde o personagem reconstrói fatos e lugares vividos por ele em seu passado, além das memórias adquiridas através de contos e relatos de outras pessoas mais velhas que contavam histórias de seu passado. O autor alerta que essas memórias são pessoais e podem conter distorções ocasionadas pela pessoalidade das informações que são passadas.
Primeiro não tenho certeza se o pensamento de um belga, baseada nas idéias de um francês, pode representar ou tentar representar o pensamento individual de brasileiros, que vivem sobre aspectos muito diferentes e por vezes contrários. Como nas relações de dominação da Europa sobre a América do Sul como um todo. E ainda percebo falhas de precisão e de aprofundamento das questões históricas. Falta precisão, pois confiar em fontes tão subjetivas é extremamente difícil, quando a intenção e resgatar um passado importante e representativo. E falta aprofundamento, pois um passado de mais de quatrocentos anos, se perde facilmente quando retroagimos gerações para buscar um passado oral.
A memória coletiva. Citando o sociólogo francês Maurice Halbwachs que diz que a memória coletiva envolve a memória individual mas não se confunde com elas. A memória coletiva é um conjunto de lembranças construídas socialmente que transcendem o indivíduo. Ela tem caráter contínuo e só retém aquilo que interessa ao grupo, portanto nem tudo é preservado. Quando determinado interesse vai sendo deixado para trás ele deve ser registrado, para que não se perca no tempo e deixe de existir.
O pensamento do autor e a sua fonte de referencia são bastante claros, mas deixam de ter lógica. No momento que a memória coletiva vai deixando de Aldo um determinado assunto ou fato, alguém se encarrega de registrá-lo para que ele não se perca. Mas partindo do princípio que uma pessoa vai registrar uma memória coletiva, ela imediatamente deixa de ser coletiva para representar o pensamento individual de quem a escreveu.
Memória e história. A memória seja coletiva ou individual e sempre seletiva, pois as pessoas só guardam aquilo que querem lembrar. Já a história é objetiva, nunca terá a objetivação total, mas chega muito mais perto do que a memória. A história é registro, distanciamento, problematização, crítica e reflexão.
Aqui o autor consegue ser direto e define uma questão importante. A memória das cidades não é construída pela memória de seus habitantes e sim pela história do lugar. Assim fugimos das subjetividades e das distorções que até então estavam caracterizando o texto.
A memória das cidades. Aqui o autor define dois conceitos o de “memória urbana” é trata das lembranças do modo de vida urbano da cidade. E a “memória da cidade” onde há uma base material, um lugar, traços arquitetônicos.
Aqui o autor é claro e preciso a memória urbana, trata dos aspectos individuais e sócias que o indivíduo possui na cidade. Já a memória da cidade são os aspecto que existem de forma física nas cidades.
Geografia e memória. Neste longo e conclusivo eixo o autor incorpora o sentido geográfico que falta ao texto. Cita Milton Santos que diferencia a história urbana da historia da cidade. O urbano é o abstrato, o geral, já a cidade é o particular, o concreto. A história de uma cidade não dispensa a análise da dimensão única, idiográfica, do lugar. Se abandonarmos essa dimensão poderemos até recuperar o urbano, mas não a cidade e muito menos a história da cidade. Não basta analisar a atuação dos processos sociais no espaço. Temos que dae conta também do espaço onde eles atuaram.
Com essa base geográfica o autor consegue definir de que forma devemos pensar ao analisar a memória da cidade. Depois de descrever todos os aspectos sociais e históricos das relações sócias, a geografia com seu estudo de base, pode fechar o conceito de memória, trazendo as definições de formação do lugar enquanto espaço antes desocupado, depois rural, loteado e por fim urbanizado.