Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Terceiro Período - História
Macaé/RJ
Junho de 2011.
O QUE É UM SISTEMA OPERACIONAL?
Sistema operacional é o programa responsável para gerenciar as funções do processador, da placa mãe, da memória, as informações de entrada e saída , o disco rígido e outros dispositivos. O sistema operacional é o suporte básico que todos os outros programas irão usar para funcionarem e interagirem com o usuário.
Alguns exemplos de sistemas operacionais são:
1970 - O Unix é desenvolvido nos Bell Labs por Dennis Ritchie e Kenneth Thomson.
1984 - O Apple introduz o Macintosh como o System 1.0 que seria chamada MacOS eventualmente.
1985 - A Microsoft desenvolve o Windows 1.0.
1990 - A Microsoft introduz o Windows 3.0
1995 - Microsoft introduz o Windows 95, previamente conhecido com 'Chicago'
Atualmente temos exemplos como o Wndows XP, Linux e o já anunciado Windows 8.
O que é um software de sistema?
O software de sistema gerência todos os componentes de um computador, quer sejam em software ou hardware. Eles trabalham individualmente componentes do computador ou gerencia esses componentes em grupos. Esses softwares também gerenciam outros softwares que exercem funções associadas ao programa principal. Através de uma interface simples e agradável permite a manipulação dos recursos do sistema. A gestão dos recursos também é importante na garantia de fiabilidade, segurança e de desempenho do computador.
Software de aplicativo
Software aplicativo (ou aplicativo ou ainda aplicação) é um programa de computador que tem por objetivo o desempenho de tarefas práticas, em geral ligadas ao processamento de dados, como o trabalho em escritório ou em empresas. Tem como foco o usuário. A sua natureza é, portanto, diferente da de outros tipos de software, como sistemas operacionais e ferramentas a eles ligadas onde o utilizador, por vezes não tem a visualização e nem a operação das tarefas que estão sendo executados
Windows Explorer - finalidade e funcionamento
O programa, que faz parte do sistema operacional Windows em todas as suas versões, gerencia arquivos e pastas do Windows. É usado para a copiar, excluir, organizar, movimentar e realizar todas as atividades que envolvam os arquivos, podendo também ser utilizado para a instalação de programas.
Representado por uma pasta amarela com uma lupa por cima seu arquivo é Explorer.exe. Para encontrar esse programa, clique no botão "Iniciar", em seguida, em Programas e em Acessórios, lá estará o Windows Explorer. Ou pode ser utilizado o atalho com as teclas “Windows” + E.
O programa exibe todos os arquivos permitidos pelo sistema e organiza todo o material que se encontra no disco rígido. Organizado de forma intuitiva e de fácil entendimento, ele permite edições de nomes de forma muito simples, bastando apenas utilizar a opção renomear, ao clicar no botão direito do mouse e sobre o arquivo. Este mesmo clique possibilita outras diversas funções, como: Copiar, enviar ou excluir.
Outro recurso bastante utilizado é ao clicar e segurar o botão esquerdo do mouse sobre o arquivo e possível arrastar o mesmo para qualquer lugar desejado pelo usuário, podendo move-lo ou copiá-lo.
A janela do Explorer tem uma Barra de menu, no lado superior, acompanhada ou não de barras de ferramentas. Para chegar às funções do programa, acessam-se vários submenus, por meio de:
terça-feira, 14 de junho de 2011
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Fichamento do livro Maurice Dobby e Outros. A Transição do Feudalismo para o Capitalismo
"feudalismo", que tem sentidos diferentes para historiadores marxistas e alguns não marxistas.
Marx, ao escrever sobre "feudalismo", utilizava o termo para descrever toda uma ordem social cuja principal característica era o domínio do resto da sociedade, principalmente dos camponeses, por uma aristocracia militar proprietária de terras.
Seu enfoque na maneira específica pela qual o trabalho do produtor direto, retirado o necessário para suas necessidades de subsistência, transformava-se na renda da classe dominante. Quer sob a forma de trabalho direto ou renda em espécie ou dinheiro. Esta relação é chamada "servidão".
Desde então, historiadores não marxistas apuraram o sentido do termo, de modo que ele não mais descreve uma ordem social completa, mas certas relações específicas no interior da classe medieval dominante.
Os feudos eram ocupados pelos vassalos em troca de serviço militar nas hostes do senhor, comparecimento à corte de jurisdição do senhor, aconselhamento e assistência ao senhor. Tomado nesse sentido refinado, feudalismo tem pouco a ver com as relações entre senhores e camponeses.
Uma crítica
Paul Sweezy
Paul Sweezy
Paul Malor Sweezy (Larchmont, Nova York, 10 de abril de 1910 - 27 de fevereiro de 2004) economista marxista "o mais importante intelectual marxista do país", segundo publicado pelo New York Times em seu obituário e fundador da revista Monthly Review junto com Leo Huberman, a mais importante revista marxista dos EUA.
Dobb (Maurice Herbert Dobb 24 de julho de 1900 - 17 de agosto de 1976 foi um britânico marxista economista e professor 1924-1959 e 1959-1976 na Universidade de Cambridge e membro do Trinity College, Cambridge 1948-1976.) define o feudalismo como sendo "virtualmente idêntico com o que usualmente se entende por servidão: uma obrigação imposta ao produtor pela força, independentemente de sua vontade, no sentido de cumprir certas exigências econômicas de um senhor, quer sob a forma de serviços a serem prestadas ou de tributos a serem pagos em dinheiro ou espécie.
Parece-me que esta definição é falha, ao não identificar um sistema de produção. Alguma forma de servidão pode existir em sistemas que nada têm de feudal; e mesmo como relação dominante de produção, a servidão tem estado associada com diferentes formas de organização econômica em diferentes épocas e em diferentes regiões.
O que está implícito é que os mercados na maioria são locais, e que o comércio a longa distância, ainda que não necessariamente ausente, não desempenha papel decisivo nos objetivos ou métodos de produção.
Um elemento de instabilidade é encontrado no crescimento populacional. A estrutura da senhoria limita o número de produtores que é capaz de empregar e o número de consumidores que pode sustentar, e o inerente conservadorismo do sistema inibe a expansão generalizada. Isso não significa, é claro, que o crescimento é impossível, mas apenas que ele sempre é inferior ao aumento da população.
Essa população excedente, porém, conquanto contribua para a instabilidade e insegurança, não exerce nenhuma influência criadora ou revolucionária sobre a sociedade feudal. Podemos concluir, então, que o feudalismo europeu ocidental, apesar da instabilidade e insegurança crônicas, foi um sistema com forte tendência em favor da manutenção de certos métodos e relações de produção.
Dobb resume da seguinte maneira a explicação comumente aceita sobre o declínio do feudalismo: "Economia natural" e "economia de troca" são duas ordens econômicas que não podem misturar-se, e a presença desta, dizem-nos, é suficiente para causar a desintegração da primeira.
Em outras palavras, de acordo com a teoria de Dobb a causa fundamental do colapso do feudalismo foi a super exploração da força de trabalho: os servos desertaram das propriedades senhoriais en masse, e os que permaneceram eram muito poucos e demasiadamente sobrecarregados para permitir que o sistema se mantivesse na sua antiga base.
Dobb se esquece de citar que as cidades em rápido crescimento — a oferecerem, como o faziam, liberdade de emprego e melhoria de posição social — agiram como potentes ímãs para a população rural oprimida. E os próprios burgueses, necessitando de maiores contingentes de mão-de-obra e de mais soldados para fortalecer seu poderio militar, tudo fizeram para facilitar a evasão dos servos à jurisdição de seus amos.
Resumindo as críticas da teoria de Dobb sobre o declínio do feudalismo: não tendo analisado as leis e tendências do feudalismo europeu ocidental, engana-se ao tomar como tendências imanentes certos desenvolvimentos históricos que de fato só podem ser explicados como produto de causas externas ao sistema.
O que se seguiu ao feudalismo na Europa Ocidental?
Segundo a cronologia de Dobb — que provavelmente ninguém porá em dúvida — o feudalismo europeu ocidental entrou num período de crise aguda no século XIV e daí por diante se desintegrou, com maior ou menor rapidez em diferentes regiões.
No que tange à transição do feudalismo para o capitalismo, todavia, este é um erro grave. Como a anterior declaração de Dobb enfatiza o feudalismo na Europa ocidental já estava moribundo, senão realmente morto, antes do nascimento do capitalismo. Segue-se que o período intermediário não foi uma simples mistura de feudalismo e capitalismo: os elementos predominantes não eram nem feudais nem capitalistas.
Chamarei o sistema que prevaleceu na Europa ocidental durante os séculos XV e XVI simplesmente de "produção pré-capitalista de mercadorias" para significar que foi o crescimento da produção de mercadorias o que primeiro solapou o feudalismo e que, um pouco mais tarde, depois desse trabalho de destruição se encontrar praticamente concluído, preparou o terreno para o desenvolvimento do capitalismo.
Uma réplica
Maurice Dobb
Em primeiro lugar, não estou certo de que Sweezy rejeite minha definição de feudalismo ou apenas a considere incompleta.
Essa definição, segundo ele, assenta na virtual identificação do feudalismo com servidão — se se entende pela última não apenas a prestação de serviços compulsórios, mas a exploração do produtor mediante coação direta político-legal.
O foco de atenção na interpretação feita por Sweezy do processo histórico (Para ele, "a característica crucial do feudalismo", por exemplo, é "ser um sistema de produção para uso").
É certo, naturalmente, que em contraste com a economia capitalista a sociedade feudal era extremamente estável e inerte. Mas isto não quer dizer que o feudalismo não tivesse no seu interior nenhuma tendência para a mudança.
Ninguém está sugerindo que a luta de classes dos camponeses contra os senhores deu origem, de maneira simples e direta, ao capitalismo. O que ela fez foi modificar a dependência do pequeno modo de produção em relação à suserania feudal e, com o tempo, libertar o pequeno produtor da exploração feudal.
Absolutamente, não nego que o crescimento das cidades mercantis e do comércio desempenhou importante papel na aceleração da desintegração do antigo modo de produção. O que afirmo é que o comércio exerceu sua influência na medida em que acentuou os conflitos internos no antigo modo de produção.
A transição da apropriação coercitiva do trabalho excedente pelos proprietários para o uso de trabalho assalariado livre deve ter dependido da existência de oferta de trabalho barato. Para mim este foi um fator mais importante do que a proximidade dos mercados na determinação da sobrevivência ou dissolução das antigas relações sociais.
Concordo inteiramente com Sweezy em considerar a sociedade econômica na Europa ocidental entre o século XIV e o final do século XVI como complexa e transitória, no sentido de que as formas econômicas antigas estavam em processo de rápida desintegração enquanto as novas apareciam, simultaneamente.
Uma contribuição para o debate
Kohachiro Takahashi
Os Studies de Dobb, ainda que não se restrinjam ao desenvolvimento do capitalismo inglês, não dão a devida atenção aos trabalhos franceses e alemães, que certamente não se encontram em nível inferior aos ingleses.
Tanto os Studies de Dobb quanto a crítica de Sweezy começam com definições conceituais gerais de feudalismo e capitalismo, que não são mera questão de terminologia, mas envolvem métodos de análise histórica.
Dobb, rejeitando os conceitos tradicionais correntes entre historiadores "burgueses", procura a essência da economia feudal nas relações entre os produtores diretos (artesãos e camponeses cultivadores) e seus senhores feudais. Este enfoque caracteriza o feudalismo como um modo de produção, é crucial para a definição de feudalismo dada por Dobb, e em geral coincide com o conceito de servidão.
Sweezy critica a identificação feita por Dobb de feudalismo com servidão. Sweezy nega que a servidão constitua uma categoria histórica em separado. Todavia, não indica o que constitui a forma de existência específica da força de trabalho própria ao feudalismo como modo de produção.
Minha opinião é a seguinte: Ao considerarmos os modos de produção antigo, feudal e burguês moderno como os principais estágios da história econômica, a primeira coisa a considerar deve ser sempre a forma de existência social de produção. Ora, certamente as formas (tipos) básicas de trabalho são a escravidão,
a servidão e o trabalho assalariado livre; e positivamente está errado, como uma concepção geral, separar a servidão do feudalismo. A questão da transição do feudalismo para o capitalismo não é apenas uma transformação em formas de instituições econômicas e sociais. O problema fundamental deve ser a mudança na forma de existência social da força de trabalho.
Muito importante é a ênfase posta por Dobb no fato de que o capitalismo surgiu do pequeno modo de produção, o qual alcançou sua independência e ao mesmo tempo promoveu sua diferenciação social a partir do seu próprio interior. A tese de Dobb apresenta a questão histórica em duas fases: primeiro, a pequena produção estabeleceu-se gradualmente como base sólida da sociedade feudal; depois, essa produção em pequena escala, em consequência do aumento da produtividade, fugiu às restrições feudais, e chegou à sua própria desintegração, criando assim as relações capitalistas
Algumas observações
Georges Lefebvre
Por outro lado, não se pode sustentar que a estrutura social do campo, no período de que tratamos, só pode ser definida em termos de servidão, pois continuavam a existir várias categorias de proprietários livres, vilãos emancipados e proprietários alodiais (semi livres).
Se o senhor aumentava suas exigências, como sustenta Dobb, isso se devia em parte ao fato de que sua progenitura multiplicava o número dos que usufruíam seus rendimentos; se os camponeses fugiam, isso se devia em parte a que se tinham tornado demasiado numerosos para se sustentarem com suas terras.
Uma sinopse do debate
Giuliano Procacci
O mais controverso problema na polêmica entre Dobb e Sweezy refere-se à validade das teses de Pirenne sobre o papel desempenhado pelo comércio, em suas várias formas, no desenvolvimento e decadência da sociedade feudal. São bem conhecidos os pontos de vista do historiador belga sobre a matéria: acreditava ele que a corrente comercial que se estabelecera durante o Império Romano na bacia mediterrânea fora interrompida no século VII, quando os invasores árabes e Império Franco, Maomé e Carlos Magno, deram fim a essa tradicional unidade geográfica. O renascimento econômico da Europa no século XI foi causado, então,
Segundo ele, exatamente pelo ressurgimento do comércio internacional. Devemos então concluir que esse comércio e esse tipo especial de capital que ele criou foram a força motriz no desenvolvimento da sociedade feudal a que deram origem. Assim, também o declínio da sociedade feudal e sua substituição pela sociedade capitalista devem ser uma função direta da sorte do comércio e do capital comercial.
Recordemos as objeções factuais levantadas em sucessivos comentários às críticas de Sweezy. Tanto Dobb como Hilton reiteraram que o desenvolvimento e a decadência do feudalismo resultaram de elementos que operavam no seu interior.
Marx, ao escrever sobre "feudalismo", utilizava o termo para descrever toda uma ordem social cuja principal característica era o domínio do resto da sociedade, principalmente dos camponeses, por uma aristocracia militar proprietária de terras.
Seu enfoque na maneira específica pela qual o trabalho do produtor direto, retirado o necessário para suas necessidades de subsistência, transformava-se na renda da classe dominante. Quer sob a forma de trabalho direto ou renda em espécie ou dinheiro. Esta relação é chamada "servidão".
Desde então, historiadores não marxistas apuraram o sentido do termo, de modo que ele não mais descreve uma ordem social completa, mas certas relações específicas no interior da classe medieval dominante.
Os feudos eram ocupados pelos vassalos em troca de serviço militar nas hostes do senhor, comparecimento à corte de jurisdição do senhor, aconselhamento e assistência ao senhor. Tomado nesse sentido refinado, feudalismo tem pouco a ver com as relações entre senhores e camponeses.
Uma crítica
Paul Sweezy
Paul Sweezy
Paul Malor Sweezy (Larchmont, Nova York, 10 de abril de 1910 - 27 de fevereiro de 2004) economista marxista "o mais importante intelectual marxista do país", segundo publicado pelo New York Times em seu obituário e fundador da revista Monthly Review junto com Leo Huberman, a mais importante revista marxista dos EUA.
Dobb (Maurice Herbert Dobb 24 de julho de 1900 - 17 de agosto de 1976 foi um britânico marxista economista e professor 1924-1959 e 1959-1976 na Universidade de Cambridge e membro do Trinity College, Cambridge 1948-1976.) define o feudalismo como sendo "virtualmente idêntico com o que usualmente se entende por servidão: uma obrigação imposta ao produtor pela força, independentemente de sua vontade, no sentido de cumprir certas exigências econômicas de um senhor, quer sob a forma de serviços a serem prestadas ou de tributos a serem pagos em dinheiro ou espécie.
Parece-me que esta definição é falha, ao não identificar um sistema de produção. Alguma forma de servidão pode existir em sistemas que nada têm de feudal; e mesmo como relação dominante de produção, a servidão tem estado associada com diferentes formas de organização econômica em diferentes épocas e em diferentes regiões.
O que está implícito é que os mercados na maioria são locais, e que o comércio a longa distância, ainda que não necessariamente ausente, não desempenha papel decisivo nos objetivos ou métodos de produção.
Um elemento de instabilidade é encontrado no crescimento populacional. A estrutura da senhoria limita o número de produtores que é capaz de empregar e o número de consumidores que pode sustentar, e o inerente conservadorismo do sistema inibe a expansão generalizada. Isso não significa, é claro, que o crescimento é impossível, mas apenas que ele sempre é inferior ao aumento da população.
Essa população excedente, porém, conquanto contribua para a instabilidade e insegurança, não exerce nenhuma influência criadora ou revolucionária sobre a sociedade feudal. Podemos concluir, então, que o feudalismo europeu ocidental, apesar da instabilidade e insegurança crônicas, foi um sistema com forte tendência em favor da manutenção de certos métodos e relações de produção.
Dobb resume da seguinte maneira a explicação comumente aceita sobre o declínio do feudalismo: "Economia natural" e "economia de troca" são duas ordens econômicas que não podem misturar-se, e a presença desta, dizem-nos, é suficiente para causar a desintegração da primeira.
Em outras palavras, de acordo com a teoria de Dobb a causa fundamental do colapso do feudalismo foi a super exploração da força de trabalho: os servos desertaram das propriedades senhoriais en masse, e os que permaneceram eram muito poucos e demasiadamente sobrecarregados para permitir que o sistema se mantivesse na sua antiga base.
Dobb se esquece de citar que as cidades em rápido crescimento — a oferecerem, como o faziam, liberdade de emprego e melhoria de posição social — agiram como potentes ímãs para a população rural oprimida. E os próprios burgueses, necessitando de maiores contingentes de mão-de-obra e de mais soldados para fortalecer seu poderio militar, tudo fizeram para facilitar a evasão dos servos à jurisdição de seus amos.
Resumindo as críticas da teoria de Dobb sobre o declínio do feudalismo: não tendo analisado as leis e tendências do feudalismo europeu ocidental, engana-se ao tomar como tendências imanentes certos desenvolvimentos históricos que de fato só podem ser explicados como produto de causas externas ao sistema.
O que se seguiu ao feudalismo na Europa Ocidental?
Segundo a cronologia de Dobb — que provavelmente ninguém porá em dúvida — o feudalismo europeu ocidental entrou num período de crise aguda no século XIV e daí por diante se desintegrou, com maior ou menor rapidez em diferentes regiões.
No que tange à transição do feudalismo para o capitalismo, todavia, este é um erro grave. Como a anterior declaração de Dobb enfatiza o feudalismo na Europa ocidental já estava moribundo, senão realmente morto, antes do nascimento do capitalismo. Segue-se que o período intermediário não foi uma simples mistura de feudalismo e capitalismo: os elementos predominantes não eram nem feudais nem capitalistas.
Chamarei o sistema que prevaleceu na Europa ocidental durante os séculos XV e XVI simplesmente de "produção pré-capitalista de mercadorias" para significar que foi o crescimento da produção de mercadorias o que primeiro solapou o feudalismo e que, um pouco mais tarde, depois desse trabalho de destruição se encontrar praticamente concluído, preparou o terreno para o desenvolvimento do capitalismo.
Uma réplica
Maurice Dobb
Em primeiro lugar, não estou certo de que Sweezy rejeite minha definição de feudalismo ou apenas a considere incompleta.
Essa definição, segundo ele, assenta na virtual identificação do feudalismo com servidão — se se entende pela última não apenas a prestação de serviços compulsórios, mas a exploração do produtor mediante coação direta político-legal.
O foco de atenção na interpretação feita por Sweezy do processo histórico (Para ele, "a característica crucial do feudalismo", por exemplo, é "ser um sistema de produção para uso").
É certo, naturalmente, que em contraste com a economia capitalista a sociedade feudal era extremamente estável e inerte. Mas isto não quer dizer que o feudalismo não tivesse no seu interior nenhuma tendência para a mudança.
Ninguém está sugerindo que a luta de classes dos camponeses contra os senhores deu origem, de maneira simples e direta, ao capitalismo. O que ela fez foi modificar a dependência do pequeno modo de produção em relação à suserania feudal e, com o tempo, libertar o pequeno produtor da exploração feudal.
Absolutamente, não nego que o crescimento das cidades mercantis e do comércio desempenhou importante papel na aceleração da desintegração do antigo modo de produção. O que afirmo é que o comércio exerceu sua influência na medida em que acentuou os conflitos internos no antigo modo de produção.
A transição da apropriação coercitiva do trabalho excedente pelos proprietários para o uso de trabalho assalariado livre deve ter dependido da existência de oferta de trabalho barato. Para mim este foi um fator mais importante do que a proximidade dos mercados na determinação da sobrevivência ou dissolução das antigas relações sociais.
Concordo inteiramente com Sweezy em considerar a sociedade econômica na Europa ocidental entre o século XIV e o final do século XVI como complexa e transitória, no sentido de que as formas econômicas antigas estavam em processo de rápida desintegração enquanto as novas apareciam, simultaneamente.
Uma contribuição para o debate
Kohachiro Takahashi
Os Studies de Dobb, ainda que não se restrinjam ao desenvolvimento do capitalismo inglês, não dão a devida atenção aos trabalhos franceses e alemães, que certamente não se encontram em nível inferior aos ingleses.
Tanto os Studies de Dobb quanto a crítica de Sweezy começam com definições conceituais gerais de feudalismo e capitalismo, que não são mera questão de terminologia, mas envolvem métodos de análise histórica.
Dobb, rejeitando os conceitos tradicionais correntes entre historiadores "burgueses", procura a essência da economia feudal nas relações entre os produtores diretos (artesãos e camponeses cultivadores) e seus senhores feudais. Este enfoque caracteriza o feudalismo como um modo de produção, é crucial para a definição de feudalismo dada por Dobb, e em geral coincide com o conceito de servidão.
Sweezy critica a identificação feita por Dobb de feudalismo com servidão. Sweezy nega que a servidão constitua uma categoria histórica em separado. Todavia, não indica o que constitui a forma de existência específica da força de trabalho própria ao feudalismo como modo de produção.
Minha opinião é a seguinte: Ao considerarmos os modos de produção antigo, feudal e burguês moderno como os principais estágios da história econômica, a primeira coisa a considerar deve ser sempre a forma de existência social de produção. Ora, certamente as formas (tipos) básicas de trabalho são a escravidão,
a servidão e o trabalho assalariado livre; e positivamente está errado, como uma concepção geral, separar a servidão do feudalismo. A questão da transição do feudalismo para o capitalismo não é apenas uma transformação em formas de instituições econômicas e sociais. O problema fundamental deve ser a mudança na forma de existência social da força de trabalho.
Muito importante é a ênfase posta por Dobb no fato de que o capitalismo surgiu do pequeno modo de produção, o qual alcançou sua independência e ao mesmo tempo promoveu sua diferenciação social a partir do seu próprio interior. A tese de Dobb apresenta a questão histórica em duas fases: primeiro, a pequena produção estabeleceu-se gradualmente como base sólida da sociedade feudal; depois, essa produção em pequena escala, em consequência do aumento da produtividade, fugiu às restrições feudais, e chegou à sua própria desintegração, criando assim as relações capitalistas
Algumas observações
Georges Lefebvre
Por outro lado, não se pode sustentar que a estrutura social do campo, no período de que tratamos, só pode ser definida em termos de servidão, pois continuavam a existir várias categorias de proprietários livres, vilãos emancipados e proprietários alodiais (semi livres).
Se o senhor aumentava suas exigências, como sustenta Dobb, isso se devia em parte ao fato de que sua progenitura multiplicava o número dos que usufruíam seus rendimentos; se os camponeses fugiam, isso se devia em parte a que se tinham tornado demasiado numerosos para se sustentarem com suas terras.
Uma sinopse do debate
Giuliano Procacci
O mais controverso problema na polêmica entre Dobb e Sweezy refere-se à validade das teses de Pirenne sobre o papel desempenhado pelo comércio, em suas várias formas, no desenvolvimento e decadência da sociedade feudal. São bem conhecidos os pontos de vista do historiador belga sobre a matéria: acreditava ele que a corrente comercial que se estabelecera durante o Império Romano na bacia mediterrânea fora interrompida no século VII, quando os invasores árabes e Império Franco, Maomé e Carlos Magno, deram fim a essa tradicional unidade geográfica. O renascimento econômico da Europa no século XI foi causado, então,
Segundo ele, exatamente pelo ressurgimento do comércio internacional. Devemos então concluir que esse comércio e esse tipo especial de capital que ele criou foram a força motriz no desenvolvimento da sociedade feudal a que deram origem. Assim, também o declínio da sociedade feudal e sua substituição pela sociedade capitalista devem ser uma função direta da sorte do comércio e do capital comercial.
Recordemos as objeções factuais levantadas em sucessivos comentários às críticas de Sweezy. Tanto Dobb como Hilton reiteraram que o desenvolvimento e a decadência do feudalismo resultaram de elementos que operavam no seu interior.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Para onde Vai A Educação – Jean Piaget. Uma Análise de Bruno Horta.
Para onde Vai A Educação – Jean Piaget
I – Parte Retrospectiva
Nos últimos anos um grande avanço nas políticas governamentais para educação, tem aumentando consideravelmente o acesso de todas as camadas da população, aos vários níveis de ensino, principalmente ao nível superior. Esta justiça que é realizada, não ocorre somente por políticas publicas ligada diretamente a educação. Avanços sociais e econômicos possibilitam uma elevação no nível de renda da população e as exigências de um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, impulsionam os trabalhadores a buscar sua instrução e qualificação para não serem superados em seus campos de trabalho ou para alcançarem novos patamares em níveis maiores de remuneração. Todos esses elementos apontam para o aumento do quadro de alunos em sala de aula, mas em nenhum destes fatores políticas de capacitação, aumento e valorização dos profissionais de ensino é mencionado de forma significativa.
II – Parte Prospectiva
Dentre os vários campos do estudo acessíveis aos alunos podemos facilmente constatar que alguns têm uma maior propensão aos estudos matemáticos, quando outros já possuem está propensão a estudos dirigidos a arte ou a estudos linguísticos. Mas o que Piaget conseguiu comprovar em seus estudos no Centro Internacional de Epistemologia Genética foi que todos os alunos possuem a mesma capacidade de iniciativa e compreensão, devendo apenas a forma que os conhecimentos que eles possuem maior dificuldade são repassados é quem devem ser reestruturados e transformados em seus modos de ensino.
Piaget valoriza, fundamentalmente, os aspectos qualitativos em detrimento dos quantitativos. Sua principal argumentação é de que os alunos devam ser orientados no sentido de transformar as verdades que são transmitidas em novas verdades transformadas por cada aluno e não totalmente transformada, já que pode ocasionar o risco de modificação fundamental da verdade, ao menos que esta verdade seja reconstruída de forma particular e ainda verdadeira, para o aluno.
São esses métodos ativos propostos por Piaget que pode beneficiar os estudos em geral. Compreender, reconstruir e reinventar. Moldar os indivíduos para que produzam e criem e não apenas repitam.
B – Questões de Ordem Geral.
Um importante alerta é dado por Piaget neste capítulo quando ele afirma que a principal questão em todas as propostas de reforma pedagógica passa pela preparação do professor. É totalmente inútil preparar belos programas de educação, identificar a praticar teorias educacionais, se não ocorrer uma valorização social do professor, tanto dos docentes primários quando os do ensino secundário. Defendendo uma formação universitária para os docentes de todos os níveis escolares.
Toda Pessoa Tem Direito a Educação
Neste capítulo Piaget destaca o papel social na formação do indivíduo. Essa diversidade social que todos os indivíduos se encontram é fundamental para a formação educacional, pois como cada um tem uma história social diferente, eles certamente, reagirão de forma diferente aos saberes que são transmitidos.
A Educação Deve Ser Gratuita
Piaget parte do princípio de que se o ensino de primeiro grau deve ser obrigatório e um direito de todas as pessoas. Não faria sentido se esse ensino não fosse público, oferecido de forma gratuita. E seguindo essa linha de pensamento podemos admitir que seguir nos estudos, alcançando os níveis médios e superiores, também é um direito universal do ser humano. Não imaginamos um direto pela metade. O direito a educação não pode deixar de existir em certo momento ou certa fase da vida escolar. E por se tratar de um direito não é possível imaginá-lo sem ser gratuito.
A Aplicação Prática nas Aulas de História.
Com o desenvolvimento dos recursos tecnológicos e humanos a História é uma disciplina, que ainda no nível escolar fundamental, pode contribuir para uma melhor formação do ser humano e contribuir para que os paradigmas da educação tradicional sejam desfeitos.
Os novos recursos que a tecnologia nos permite utilizar pode contribuir para a visualização de fatos históricos através de suas representações. Quadros, estátuas, mapas e fotografias podem instantaneamente apresentar ao aluno uma boa representação do assunto tratado em sala de aula. Os recursos de mídia como filmes, documentários, sites e entrevistas aproximam de forma ainda mais intensa os alunos não só a história, mas também a quem produz ou já produziu a história.
O desenvolvimento de recursos humanos também contribuiu para facilitar o acesso às informações históricas. Novos pesquisadores, congressos e universidades contribuíram para o desenvolvimento do pensamento, da análise dos fatos por um ponto de vista múltiplo e não mais apenas a história oficial ou a do vencedor.
Portando as aulas de história podem atingir o objetivo mais importante da “nova educação”, elas podem estimular o pensamento e a capacidade de refletir sobre os fatos. Apropriando-se destas novas ferramentas os estudantes podem além de interpretar fatos, podem produzir suas verdades com fundamentação válida e desta forma transformar a verdade na sua própria verdade, sem que isso distorça ou corrompa os fatos.
I – Parte Retrospectiva
Nos últimos anos um grande avanço nas políticas governamentais para educação, tem aumentando consideravelmente o acesso de todas as camadas da população, aos vários níveis de ensino, principalmente ao nível superior. Esta justiça que é realizada, não ocorre somente por políticas publicas ligada diretamente a educação. Avanços sociais e econômicos possibilitam uma elevação no nível de renda da população e as exigências de um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, impulsionam os trabalhadores a buscar sua instrução e qualificação para não serem superados em seus campos de trabalho ou para alcançarem novos patamares em níveis maiores de remuneração. Todos esses elementos apontam para o aumento do quadro de alunos em sala de aula, mas em nenhum destes fatores políticas de capacitação, aumento e valorização dos profissionais de ensino é mencionado de forma significativa.
II – Parte Prospectiva
Dentre os vários campos do estudo acessíveis aos alunos podemos facilmente constatar que alguns têm uma maior propensão aos estudos matemáticos, quando outros já possuem está propensão a estudos dirigidos a arte ou a estudos linguísticos. Mas o que Piaget conseguiu comprovar em seus estudos no Centro Internacional de Epistemologia Genética foi que todos os alunos possuem a mesma capacidade de iniciativa e compreensão, devendo apenas a forma que os conhecimentos que eles possuem maior dificuldade são repassados é quem devem ser reestruturados e transformados em seus modos de ensino.
Piaget valoriza, fundamentalmente, os aspectos qualitativos em detrimento dos quantitativos. Sua principal argumentação é de que os alunos devam ser orientados no sentido de transformar as verdades que são transmitidas em novas verdades transformadas por cada aluno e não totalmente transformada, já que pode ocasionar o risco de modificação fundamental da verdade, ao menos que esta verdade seja reconstruída de forma particular e ainda verdadeira, para o aluno.
São esses métodos ativos propostos por Piaget que pode beneficiar os estudos em geral. Compreender, reconstruir e reinventar. Moldar os indivíduos para que produzam e criem e não apenas repitam.
B – Questões de Ordem Geral.
Um importante alerta é dado por Piaget neste capítulo quando ele afirma que a principal questão em todas as propostas de reforma pedagógica passa pela preparação do professor. É totalmente inútil preparar belos programas de educação, identificar a praticar teorias educacionais, se não ocorrer uma valorização social do professor, tanto dos docentes primários quando os do ensino secundário. Defendendo uma formação universitária para os docentes de todos os níveis escolares.
Toda Pessoa Tem Direito a Educação
Neste capítulo Piaget destaca o papel social na formação do indivíduo. Essa diversidade social que todos os indivíduos se encontram é fundamental para a formação educacional, pois como cada um tem uma história social diferente, eles certamente, reagirão de forma diferente aos saberes que são transmitidos.
A Educação Deve Ser Gratuita
Piaget parte do princípio de que se o ensino de primeiro grau deve ser obrigatório e um direito de todas as pessoas. Não faria sentido se esse ensino não fosse público, oferecido de forma gratuita. E seguindo essa linha de pensamento podemos admitir que seguir nos estudos, alcançando os níveis médios e superiores, também é um direito universal do ser humano. Não imaginamos um direto pela metade. O direito a educação não pode deixar de existir em certo momento ou certa fase da vida escolar. E por se tratar de um direito não é possível imaginá-lo sem ser gratuito.
A Aplicação Prática nas Aulas de História.
Com o desenvolvimento dos recursos tecnológicos e humanos a História é uma disciplina, que ainda no nível escolar fundamental, pode contribuir para uma melhor formação do ser humano e contribuir para que os paradigmas da educação tradicional sejam desfeitos.
Os novos recursos que a tecnologia nos permite utilizar pode contribuir para a visualização de fatos históricos através de suas representações. Quadros, estátuas, mapas e fotografias podem instantaneamente apresentar ao aluno uma boa representação do assunto tratado em sala de aula. Os recursos de mídia como filmes, documentários, sites e entrevistas aproximam de forma ainda mais intensa os alunos não só a história, mas também a quem produz ou já produziu a história.
O desenvolvimento de recursos humanos também contribuiu para facilitar o acesso às informações históricas. Novos pesquisadores, congressos e universidades contribuíram para o desenvolvimento do pensamento, da análise dos fatos por um ponto de vista múltiplo e não mais apenas a história oficial ou a do vencedor.
Portando as aulas de história podem atingir o objetivo mais importante da “nova educação”, elas podem estimular o pensamento e a capacidade de refletir sobre os fatos. Apropriando-se destas novas ferramentas os estudantes podem além de interpretar fatos, podem produzir suas verdades com fundamentação válida e desta forma transformar a verdade na sua própria verdade, sem que isso distorça ou corrompa os fatos.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
História Geral - Período Moderno
1 – Análise crítica do texto de Norbert Elias
Para compreendermos a formação de um Estado Nacional, primeiro precisamos ter estabelecido e definido o conceito de “Estado Nacional”. Um povo com costumes semelhantes, com traços raciais em comum, que possuam os mesmos valores e se identifiquem como iguais, são algumas das características que podem formam uma Nação. E quando estas pessoas, isto é, este povo se reúne em um território comum, estabelece suas leis de convívio e se harmonizam na defesa de interesses comuns, pode-se definir que existe, ali, um Estado Nacional. Um território habitado e defendido por um povo de objetivos e características comuns. E que estabelecem entre si um governo para comandar e decidir as ações para o bem comum. Se bem que o conceito de “bem comum” é uma nova questão a ser debatida, mas que não cabe nesta análise crítica do fragmento do texto de Norbert Elias.
E nesse natural estabelecimento de um grupo para dirigir a Nação, forma-se uma primeira elite, o primeiro seguimento social diferenciado que tem por missão defender os interesses nacionais. Manutenção ou ampliação do território, acúmulo de bens e o fim dos conflitos internos. E a primeira necessidade deste grupo é justamente se manter na elite, legitimar sua chegada ao poder, defender seus próprios interesses, garantir que depois de ter alcançado esse “status” social, eles ali permaneçam. É a partir de então que o conceito monopolizador se intensifica.
Monopolizar é centralizar, é tornar um ponto central como o único capaz de tomar todas as decisões. É restringir a um só núcleo ou há uma só pessoa todas as medidas a serem tomadas no interesse do bem comum. Foi com esse objetivo que a elite que alcançou esse poder iniciou medidas de se perpetuar e expandir essa condição.
A primeira condição para se manter como detentor do monopólio do poder no Estado Nacional é se legitimando no poder e das mais variadas possibilidades para essa legitimação tais como: a herança, a descendência, a compra, a antiguidade, entre outras a mais direta é a força, a conquista, o domínio. E só se domina pela força utilizando as armas. O governante que se estabelecia no poder proibia o homem comum de possuir armas. Esta regalia fica restrita aos militares e membros dos exércitos reais. Ter a posse de todas as armas garantia mais do que a permanência no poder, mas também a certeza de que nenhum outro homem ameaçaria o poder estabelecido. Esta prática foi comum para os reinos da Francia, da Bretanha e da Germânia.
Por conseqüência os custos militares eram altos e a autoridade central, seja ela qual for não produzia riquezas. Suas posses vinham de impostos cobrados do homem comum. O aparelhamento do exército ou de algum outro órgão que o valha era custoso para o governante que, assim, não possuía outra forma de adquirir riqueza que não seja a de aumentar os impostos. Este circulo de exploração e opressão montado pelo governo central subjugou completamente a sociedade que não participava do poder e quem não era militar. Deixando-a em uma situação frágil, sendo ao mesmo tempo dependente e explorada por seu governante.
A dependência, na verdade, era mútua. Primeiro porque os homens não conseguiriam organizar sua sociedade ou sua Nação, sem outros homens que assumissem funções do controle e consequentemente estabelecendo um governo. Mas um governo não consegue se estabelecer sem um suporte popular, mesmo que não seja um governo nos moldes democráticos que conhecemos hoje, os governantes necessitavam manter algum elo com seu povo. O que caracteriza o período que estudamos é que este elo se estabelecia por força, opressão, dependência financeira, proteção, propriedades, objetivos comuns ou laços históricos/étnicos. Na faceta econômica governante e governados estavam ainda mais dependentes entre si, pois os governados não possuíam capacidade de se governarem e nem de se protegerem militarmente. Já o governo organizado e recolhedor de impostos, possuía estrutura militar e fiscalizadora suficiente para proteger a nação e garantir o recolhimento de impostos.
O inevitável crescimento de Estado levou a uma maior estrutura governamental, pois as decisões necessitavam respostas cada vez mais complexas e mais urgentes. Com isso o poder central iniciou uma delegação de poderes a outros membros que anteriormente não pertenciam ao governo, estes indivíduos que passaram a utilizar o poder público tornaram-se parte do Estado e de uma nova classe que emergia e dividia o poder, a burguesia. Ela surge da necessidade de maior organização do Estado, mas sua principal característica é de que ela não quer tomar o poder estabelecido, mas sim participar dele.
2- Peculiaridade do Estado Absolutista.
As primárias trocas realizadas durante o período feudal foram gradualmente se intensificando, modernizando e adquirindo uma complexidade que levariam ao uso da moeda como instrumento facilitador das trocas. Assim o capitalismo dava os seus primeiros passos na sociedade feudal. E a principal característica do surgimento deste capitalismo, como pode ser o surgimento do capitalismo em qualquer época ou lugar, é o aumento da riqueza circulante. O capitalismo surge quando a sociedade passa a produzir mais, a importar e a exportar mais, quando a sociedade cresce vegetativamente e esses novos membros passam a produzir para a sociedade. E foi esse crescimento que a sociedade feudal européia experimentou, trazendo consigo a nova experiência do capitalismo.
A capitalização do Estado feudal fez surgir uma nova organização social e política. Com a necessidade de delegar as tarefas de organização e manutenção do Estado, que já não cabiam mais nas mãos de somente um soberano, uma nova classe social ascende dentro do poder estabelecido. A burguesia surge para dividir com o clero as atenções da nobreza. E esse novo equilíbrio trazido por esta nova classe estabeleceu uma nova política e uma nova econômia. A burguesia trazia o capital tão necessário para a sustentação do reino, o clero contribuía na organização política e intelectual e foi na sua parcela de contribuição política que o clero foi obrigado a ceder espaço. Os “novos ricos” da burguesia compravam e conquistavam sue espaço, rivalizando com o clero e não com a nobreza que apesar de ter seu papel diminuído com a ascensão da burguesia ainda eram sustentados pelo rei que mantinha o equilíbrio social entre nobres, cleros e burgueses. Equilíbrio que sustentava o soberano através das políticas administradas. Políticas estas de concessões e suspensões para todos os lados, equilibrando as classes, acorrentando-as ao seu limitado espaço e garantindo a soberania do rei.
3 – Teoria tridimensional de Braudel
Com o capitalismo já funcionando na prática, mesmo sem ser reconhecido por este nome ou estudado por teóricos contemporâneos dos séculos XIV e XV. Este sistema era a principal característica do mercado europeu quando estudamos o comercio das regiões interna e externamente. Isto é, nos seus movimentos comerciais e políticos internos ou nas suas relações com outros mercados, muitas das vezes estrangeiros, mas que mesmo a distância era fundamental para o equilíbrio das economias domésticas. Foi partindo desta realidade que Braudel formulou seus conceitos de Econômia-Mundo e Econômia-Mundial.
Braudel dá mais importância a Econômia-Mundo do que para a Econômia-Mundial, pois a mundial evolve a totalidade dos mercados, pouco produtiva é a análise de um mercado tão extenso e que muitas vezes coexistem sem se interligarem. Já a Econômia-Mundo se restringe a uma parte deste todo, a uma região que consegue formar um todo econômico que se fecha e se completa. Esta região possui limites geográficos que se modificam, expandindo-se ou contraindo-se lentamente na medida em que o centro econômico, geralmente uma cidade, modifica suas relações e seu funcionamento.
Este centro da Econômia-Mundo é representado por uma cidade, que converge todos os fluxos políticos e econômicos da região. Isso não significa que cidades menores ou da periferia não realizassem uma “pequena econômia de mercado”, onde seus agentes econômicos efetuavam transações financeiras ou trocas, mesmo que rudimentares, mas a realização final das transações econômicas eram inevitavelmente concluídas nestas cidades.
4 –O Humanismo
Um dos pontos responsáveis pelo surgimento deste movimento social e cultural chamado Humanismo foi a emergente burguesia. Essa nova classe social que não era nobre, nem pertencente ao clero e já se destacava do povo, pois era formada de comerciantes e artesãos que acumulavam riqueza e já possuíam capital para investir em seus próprios empreendimentos. Foram esses homens que iniciaram uma modificação no pensamento até então voltado pra a figura de Deus como o centro do universo (Teocentrismo), passando a se descobrir como um ser capaz de construir seu próprio futuro, um futuro que este homem escolheu, um futuro humano, o Humanismo. Mas é importante ressaltar que não ocorreu uma negação aos valores religiosos, tão pouco a exclusão de Deus da vida dos humanistas. Os valores religiosos permaneciam integrados a esta nova visão antropocêntrica.
Uma abertura para movimentos culturais e artísticos que não girassem apenas em torno de temas religiosos teve início e uma rápida evolução. A arquitetura, como obra de arte e não mais integrada a temas religiosos, a escultura como obra única e não em um contexto religioso e a pintura humana com seus retratos, auto-retratos e encomendas são alguns dos destaques desta abertura.
A sociedade passa a consumir obras de arte como demonstração de riqueza, poder e influência. E estes ricos consumidores de arte são elementos que interessam aos nobres. Afinal um governante (rei) quer ao seu lado pessoas influentes e principalmente pessoas que são as donas do capital circulante no reino. Se o rei não tem esses pessoas ao seu lado, pode inesperadamente, ter essas pessoas contra ele. Por tanto foi conveniente abrir espaço na corte para quem não era nobre, mas possuía dinheiro e influencia na sociedade. Assim uma nova organização social e política se constrói. E se estabelece.
Importante movimento humano também no campo da literatura e do teatro. Interessante ressaltar uma das características desta nova forma de escrever quando o assunto é relacionado ao amor. Esse tema que antes era idealizado passa a ser abordado de forma real, com seus defeitos e qualidades, com seus gozos e desgostos. Nesse inevitável fortalecimento do movimento humanista até os reis se valem desta modificação para estabelecerem e consolidares o seu poder. A corte portuguesa, por exemplo, estabelece e figura do escritor-mor. Responsável por registrar a vida do rei, exaltá-lo e assim manter o seu “status” de líder com as graças divinas.
As mudanças na vida da sociedade foram intensas e se observou a maior circulação de dinheiro e uma possibilidade, ainda que limitada, de mudança de classe social. As navegações trouxeram uma nova forma de comércio e oportunidades para novas divisões políticas. A expansão do reino somado as terras das colônias recém descobertas e no início de sua exploração eram a abertura de possibilidades que estimulava os investimentos econômicos e políticos.
Para compreendermos a formação de um Estado Nacional, primeiro precisamos ter estabelecido e definido o conceito de “Estado Nacional”. Um povo com costumes semelhantes, com traços raciais em comum, que possuam os mesmos valores e se identifiquem como iguais, são algumas das características que podem formam uma Nação. E quando estas pessoas, isto é, este povo se reúne em um território comum, estabelece suas leis de convívio e se harmonizam na defesa de interesses comuns, pode-se definir que existe, ali, um Estado Nacional. Um território habitado e defendido por um povo de objetivos e características comuns. E que estabelecem entre si um governo para comandar e decidir as ações para o bem comum. Se bem que o conceito de “bem comum” é uma nova questão a ser debatida, mas que não cabe nesta análise crítica do fragmento do texto de Norbert Elias.
E nesse natural estabelecimento de um grupo para dirigir a Nação, forma-se uma primeira elite, o primeiro seguimento social diferenciado que tem por missão defender os interesses nacionais. Manutenção ou ampliação do território, acúmulo de bens e o fim dos conflitos internos. E a primeira necessidade deste grupo é justamente se manter na elite, legitimar sua chegada ao poder, defender seus próprios interesses, garantir que depois de ter alcançado esse “status” social, eles ali permaneçam. É a partir de então que o conceito monopolizador se intensifica.
Monopolizar é centralizar, é tornar um ponto central como o único capaz de tomar todas as decisões. É restringir a um só núcleo ou há uma só pessoa todas as medidas a serem tomadas no interesse do bem comum. Foi com esse objetivo que a elite que alcançou esse poder iniciou medidas de se perpetuar e expandir essa condição.
A primeira condição para se manter como detentor do monopólio do poder no Estado Nacional é se legitimando no poder e das mais variadas possibilidades para essa legitimação tais como: a herança, a descendência, a compra, a antiguidade, entre outras a mais direta é a força, a conquista, o domínio. E só se domina pela força utilizando as armas. O governante que se estabelecia no poder proibia o homem comum de possuir armas. Esta regalia fica restrita aos militares e membros dos exércitos reais. Ter a posse de todas as armas garantia mais do que a permanência no poder, mas também a certeza de que nenhum outro homem ameaçaria o poder estabelecido. Esta prática foi comum para os reinos da Francia, da Bretanha e da Germânia.
Por conseqüência os custos militares eram altos e a autoridade central, seja ela qual for não produzia riquezas. Suas posses vinham de impostos cobrados do homem comum. O aparelhamento do exército ou de algum outro órgão que o valha era custoso para o governante que, assim, não possuía outra forma de adquirir riqueza que não seja a de aumentar os impostos. Este circulo de exploração e opressão montado pelo governo central subjugou completamente a sociedade que não participava do poder e quem não era militar. Deixando-a em uma situação frágil, sendo ao mesmo tempo dependente e explorada por seu governante.
A dependência, na verdade, era mútua. Primeiro porque os homens não conseguiriam organizar sua sociedade ou sua Nação, sem outros homens que assumissem funções do controle e consequentemente estabelecendo um governo. Mas um governo não consegue se estabelecer sem um suporte popular, mesmo que não seja um governo nos moldes democráticos que conhecemos hoje, os governantes necessitavam manter algum elo com seu povo. O que caracteriza o período que estudamos é que este elo se estabelecia por força, opressão, dependência financeira, proteção, propriedades, objetivos comuns ou laços históricos/étnicos. Na faceta econômica governante e governados estavam ainda mais dependentes entre si, pois os governados não possuíam capacidade de se governarem e nem de se protegerem militarmente. Já o governo organizado e recolhedor de impostos, possuía estrutura militar e fiscalizadora suficiente para proteger a nação e garantir o recolhimento de impostos.
O inevitável crescimento de Estado levou a uma maior estrutura governamental, pois as decisões necessitavam respostas cada vez mais complexas e mais urgentes. Com isso o poder central iniciou uma delegação de poderes a outros membros que anteriormente não pertenciam ao governo, estes indivíduos que passaram a utilizar o poder público tornaram-se parte do Estado e de uma nova classe que emergia e dividia o poder, a burguesia. Ela surge da necessidade de maior organização do Estado, mas sua principal característica é de que ela não quer tomar o poder estabelecido, mas sim participar dele.
2- Peculiaridade do Estado Absolutista.
As primárias trocas realizadas durante o período feudal foram gradualmente se intensificando, modernizando e adquirindo uma complexidade que levariam ao uso da moeda como instrumento facilitador das trocas. Assim o capitalismo dava os seus primeiros passos na sociedade feudal. E a principal característica do surgimento deste capitalismo, como pode ser o surgimento do capitalismo em qualquer época ou lugar, é o aumento da riqueza circulante. O capitalismo surge quando a sociedade passa a produzir mais, a importar e a exportar mais, quando a sociedade cresce vegetativamente e esses novos membros passam a produzir para a sociedade. E foi esse crescimento que a sociedade feudal européia experimentou, trazendo consigo a nova experiência do capitalismo.
A capitalização do Estado feudal fez surgir uma nova organização social e política. Com a necessidade de delegar as tarefas de organização e manutenção do Estado, que já não cabiam mais nas mãos de somente um soberano, uma nova classe social ascende dentro do poder estabelecido. A burguesia surge para dividir com o clero as atenções da nobreza. E esse novo equilíbrio trazido por esta nova classe estabeleceu uma nova política e uma nova econômia. A burguesia trazia o capital tão necessário para a sustentação do reino, o clero contribuía na organização política e intelectual e foi na sua parcela de contribuição política que o clero foi obrigado a ceder espaço. Os “novos ricos” da burguesia compravam e conquistavam sue espaço, rivalizando com o clero e não com a nobreza que apesar de ter seu papel diminuído com a ascensão da burguesia ainda eram sustentados pelo rei que mantinha o equilíbrio social entre nobres, cleros e burgueses. Equilíbrio que sustentava o soberano através das políticas administradas. Políticas estas de concessões e suspensões para todos os lados, equilibrando as classes, acorrentando-as ao seu limitado espaço e garantindo a soberania do rei.
3 – Teoria tridimensional de Braudel
Com o capitalismo já funcionando na prática, mesmo sem ser reconhecido por este nome ou estudado por teóricos contemporâneos dos séculos XIV e XV. Este sistema era a principal característica do mercado europeu quando estudamos o comercio das regiões interna e externamente. Isto é, nos seus movimentos comerciais e políticos internos ou nas suas relações com outros mercados, muitas das vezes estrangeiros, mas que mesmo a distância era fundamental para o equilíbrio das economias domésticas. Foi partindo desta realidade que Braudel formulou seus conceitos de Econômia-Mundo e Econômia-Mundial.
Braudel dá mais importância a Econômia-Mundo do que para a Econômia-Mundial, pois a mundial evolve a totalidade dos mercados, pouco produtiva é a análise de um mercado tão extenso e que muitas vezes coexistem sem se interligarem. Já a Econômia-Mundo se restringe a uma parte deste todo, a uma região que consegue formar um todo econômico que se fecha e se completa. Esta região possui limites geográficos que se modificam, expandindo-se ou contraindo-se lentamente na medida em que o centro econômico, geralmente uma cidade, modifica suas relações e seu funcionamento.
Este centro da Econômia-Mundo é representado por uma cidade, que converge todos os fluxos políticos e econômicos da região. Isso não significa que cidades menores ou da periferia não realizassem uma “pequena econômia de mercado”, onde seus agentes econômicos efetuavam transações financeiras ou trocas, mesmo que rudimentares, mas a realização final das transações econômicas eram inevitavelmente concluídas nestas cidades.
4 –O Humanismo
Um dos pontos responsáveis pelo surgimento deste movimento social e cultural chamado Humanismo foi a emergente burguesia. Essa nova classe social que não era nobre, nem pertencente ao clero e já se destacava do povo, pois era formada de comerciantes e artesãos que acumulavam riqueza e já possuíam capital para investir em seus próprios empreendimentos. Foram esses homens que iniciaram uma modificação no pensamento até então voltado pra a figura de Deus como o centro do universo (Teocentrismo), passando a se descobrir como um ser capaz de construir seu próprio futuro, um futuro que este homem escolheu, um futuro humano, o Humanismo. Mas é importante ressaltar que não ocorreu uma negação aos valores religiosos, tão pouco a exclusão de Deus da vida dos humanistas. Os valores religiosos permaneciam integrados a esta nova visão antropocêntrica.
Uma abertura para movimentos culturais e artísticos que não girassem apenas em torno de temas religiosos teve início e uma rápida evolução. A arquitetura, como obra de arte e não mais integrada a temas religiosos, a escultura como obra única e não em um contexto religioso e a pintura humana com seus retratos, auto-retratos e encomendas são alguns dos destaques desta abertura.
A sociedade passa a consumir obras de arte como demonstração de riqueza, poder e influência. E estes ricos consumidores de arte são elementos que interessam aos nobres. Afinal um governante (rei) quer ao seu lado pessoas influentes e principalmente pessoas que são as donas do capital circulante no reino. Se o rei não tem esses pessoas ao seu lado, pode inesperadamente, ter essas pessoas contra ele. Por tanto foi conveniente abrir espaço na corte para quem não era nobre, mas possuía dinheiro e influencia na sociedade. Assim uma nova organização social e política se constrói. E se estabelece.
Importante movimento humano também no campo da literatura e do teatro. Interessante ressaltar uma das características desta nova forma de escrever quando o assunto é relacionado ao amor. Esse tema que antes era idealizado passa a ser abordado de forma real, com seus defeitos e qualidades, com seus gozos e desgostos. Nesse inevitável fortalecimento do movimento humanista até os reis se valem desta modificação para estabelecerem e consolidares o seu poder. A corte portuguesa, por exemplo, estabelece e figura do escritor-mor. Responsável por registrar a vida do rei, exaltá-lo e assim manter o seu “status” de líder com as graças divinas.
As mudanças na vida da sociedade foram intensas e se observou a maior circulação de dinheiro e uma possibilidade, ainda que limitada, de mudança de classe social. As navegações trouxeram uma nova forma de comércio e oportunidades para novas divisões políticas. A expansão do reino somado as terras das colônias recém descobertas e no início de sua exploração eram a abertura de possibilidades que estimulava os investimentos econômicos e políticos.
quarta-feira, 16 de março de 2011
Sobre a Sociogênese do Estado. Feudalização e Formação do Estado
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Terceiro Período
Sobre a Sociogênese do Estado
Feudalização e Formação do Estado
Matéria: História Moderna
Professor: Victor Temprone
Macaé/RJ
Março de 2011.
A coroa real e o governante desempenharam papeis muito diversos durante o desenvolvimento da civilização ocidental. O monarca, diferentemente do que muitos possam imaginar, não possuía um poder completo e dominador sobre todo o seu reino. As diversas regiões pelas quais ele era formado possuíam seus governantes próprios, que por muitas vezes possuíam terras, vassalos e poder maiores que o rei estabelecido. Exemplo disto foi Luís VI que precisou de três expedições para subjugar a casa de Orleans e vinte anos para as casas de Rochefort, ferté-Alais e Puiset. A casa dos Capetos foi a vencedora e unificou momentaneamente o reino, mas caso ela não obtivesse sucesso, certamente uma outra casa subjugaria as demais.
Os Estados iniciaram sua formação a medida que as relações econômicas deixaram de ser realizadas a base de troca e a moeda passou a dominar as relações comerciais. Junto a isso se intensificou o processo centralizador com os impérios conquistando territórios e anexando as terras que já possuíam. Algumas das importantes medidas centralizadoras praticas pelo Estado era a proibição do uso de armas pelos indivíduos e a tributação da propriedade ou das rendas. Desta forma o Estado arrecadava impostos e se fortalecia para continuar no poder.
Com a expansão de suas terras, o aumento do numero de vassalos e o crescimento do império. A pequena estrutura do suserano não conseguia mais administrar todas as tarefas. Com isso o poder teve que ser delegado a outros governantes ou a uma iniciante burocracia real. Esses servidores monopolistas foram justamente os primeiros a iniciarem a descentralização do poder e a criar uma nova estrutura social. Essa classe chamada de burguesa não quer assumir o poder monopolista e sim participar e receber parte de seus bônus e benefícios. E a classe burguesa consegue se estabelecer dentro do poder monopolista de forma que o mesmo não pode mais administrar todas as suas tarefas sem essa nova classe.
Outro fator que determinava o soberano de uma região eram as guerras, vencedores anexavam os territórios dos vencidos e assim ampliavam seu poder monopolista. Mas outras formas ainda contribuíram para a mudança do poder nas terras europeias, como os casamentos e as compras e vendas.
Caso que merece uma análise particular foi a guerra entra a Francia e a Inglaterra. Mesmo sendo sistematicamente derrotado em quase todas as batalhas Luís VI não teve o seu território invadido pelos ingleses e com isso intensificou uma luta interna para dominar os senhores feudais menores e ampliar a sua base de poder.
A tendência centralizadora foi confrontada por uma força de sentido oposta e obviamente descentralizadora. Impulsionada pela maior circulação de moeda a classe burguesa ampliava gradativamente a sua importância dentro do reino, assumindo funções sociais de grande importância para a própria manutenção do reino.
Foi esta nova organização social: Família real, nobreza, clero e burgueses em geral. Que tornaram a ascensão de pessoas que não estavam ligadas a nenhuma destas classes uma oportunidade praticamente impossível de acontecer.
Importante salientar que durante a formação desta nova classe social, a burguesia, as lutas pelo poder entre os feudos continuavam. Enquanto os econômicos e militarmente mais organizados se estabeleciam no poder. Estes lentos movimentos vão formando a nova organização do império e as lutas chegam ao fim, dando ao poder econômico as novas ferramentas de dominação.
Com o desenvolvimento das sociedades da época as funções estavam cada vez mais complexas e divididas por vários setores da população que tem acesso ao poder em qualquer que seja a escala que se encontra. Esta rede de dependência incluía até o soberano, seja qual for o título que ostentasse. Por lei e por direito a sociedade ainda era monopolista, mas de fato a sociedade já havia quebrado esse monopólio e a fragmentação que se instaurou, passou a ser o modelo autossustentável do reino.
Foi a formação de órgão centrais, isto é, da burocratização e aparelhamento do Estado. E ainda da maior importância da moeda circulando no comercio e não mais a posse de terras como determinação de que tem o poder, que o Estado, em sua principal característica de órgão principal e centralizador, passou a caracterizar a história da civilização ocidental.
Essa relação social causou a curiosa interdependência não só entre os agentes dominantes da sociedade, mas evidenciou, também, a interdependência entre adversários sociais. Os vencedores perceberam que não poderiam aniquilar os vencidos, sob pena de também ruírem. Pois o equilíbrio já era uma necessidade não somente comercial, mas também, social. Afinal ninguém pode dominar o que não existe. A aniquilação dos perdedores destitui, rui e transforma vencedores novos em competidores entre si.
Foi a partir deste necessário equilíbrio que se formou o chamado “Mecanismo Régio”. Que era o poder de conciliar e moderar que o governante exercia. Conciliar e moderar as politicas sociais e econômicas entre nobres e burgueses que naquele momento disputavam espaço na corte em busca de reconhecimento e de salários altos como agentes do reino. Uma classe não poderia destruir a outra, pois os mecanismos de interdependência eram claros e era os mesmos que mantinham s sociedade funcionando, portanto coube ao rei articular entre estes dois grupos para que os mesmos e o próprio governo real permaneçam dominantes.
Já nos séculos XVI e XVII a nobreza já havia perdido as suas funções de administração e de judicatura para as classes organizadas da burguesia. Restava apenas recorrer ao soberano para não serem excluídos de vez da sociedade. E ciente de seu papel conciliador os soberanos socorreram os nobres para que não perdessem seu status social.
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Terceiro Período
Sobre a Sociogênese do Estado
Feudalização e Formação do Estado
Matéria: História Moderna
Professor: Victor Temprone
Macaé/RJ
Março de 2011.
A coroa real e o governante desempenharam papeis muito diversos durante o desenvolvimento da civilização ocidental. O monarca, diferentemente do que muitos possam imaginar, não possuía um poder completo e dominador sobre todo o seu reino. As diversas regiões pelas quais ele era formado possuíam seus governantes próprios, que por muitas vezes possuíam terras, vassalos e poder maiores que o rei estabelecido. Exemplo disto foi Luís VI que precisou de três expedições para subjugar a casa de Orleans e vinte anos para as casas de Rochefort, ferté-Alais e Puiset. A casa dos Capetos foi a vencedora e unificou momentaneamente o reino, mas caso ela não obtivesse sucesso, certamente uma outra casa subjugaria as demais.
Os Estados iniciaram sua formação a medida que as relações econômicas deixaram de ser realizadas a base de troca e a moeda passou a dominar as relações comerciais. Junto a isso se intensificou o processo centralizador com os impérios conquistando territórios e anexando as terras que já possuíam. Algumas das importantes medidas centralizadoras praticas pelo Estado era a proibição do uso de armas pelos indivíduos e a tributação da propriedade ou das rendas. Desta forma o Estado arrecadava impostos e se fortalecia para continuar no poder.
Com a expansão de suas terras, o aumento do numero de vassalos e o crescimento do império. A pequena estrutura do suserano não conseguia mais administrar todas as tarefas. Com isso o poder teve que ser delegado a outros governantes ou a uma iniciante burocracia real. Esses servidores monopolistas foram justamente os primeiros a iniciarem a descentralização do poder e a criar uma nova estrutura social. Essa classe chamada de burguesa não quer assumir o poder monopolista e sim participar e receber parte de seus bônus e benefícios. E a classe burguesa consegue se estabelecer dentro do poder monopolista de forma que o mesmo não pode mais administrar todas as suas tarefas sem essa nova classe.
Outro fator que determinava o soberano de uma região eram as guerras, vencedores anexavam os territórios dos vencidos e assim ampliavam seu poder monopolista. Mas outras formas ainda contribuíram para a mudança do poder nas terras europeias, como os casamentos e as compras e vendas.
Caso que merece uma análise particular foi a guerra entra a Francia e a Inglaterra. Mesmo sendo sistematicamente derrotado em quase todas as batalhas Luís VI não teve o seu território invadido pelos ingleses e com isso intensificou uma luta interna para dominar os senhores feudais menores e ampliar a sua base de poder.
A tendência centralizadora foi confrontada por uma força de sentido oposta e obviamente descentralizadora. Impulsionada pela maior circulação de moeda a classe burguesa ampliava gradativamente a sua importância dentro do reino, assumindo funções sociais de grande importância para a própria manutenção do reino.
Foi esta nova organização social: Família real, nobreza, clero e burgueses em geral. Que tornaram a ascensão de pessoas que não estavam ligadas a nenhuma destas classes uma oportunidade praticamente impossível de acontecer.
Importante salientar que durante a formação desta nova classe social, a burguesia, as lutas pelo poder entre os feudos continuavam. Enquanto os econômicos e militarmente mais organizados se estabeleciam no poder. Estes lentos movimentos vão formando a nova organização do império e as lutas chegam ao fim, dando ao poder econômico as novas ferramentas de dominação.
Com o desenvolvimento das sociedades da época as funções estavam cada vez mais complexas e divididas por vários setores da população que tem acesso ao poder em qualquer que seja a escala que se encontra. Esta rede de dependência incluía até o soberano, seja qual for o título que ostentasse. Por lei e por direito a sociedade ainda era monopolista, mas de fato a sociedade já havia quebrado esse monopólio e a fragmentação que se instaurou, passou a ser o modelo autossustentável do reino.
Foi a formação de órgão centrais, isto é, da burocratização e aparelhamento do Estado. E ainda da maior importância da moeda circulando no comercio e não mais a posse de terras como determinação de que tem o poder, que o Estado, em sua principal característica de órgão principal e centralizador, passou a caracterizar a história da civilização ocidental.
Essa relação social causou a curiosa interdependência não só entre os agentes dominantes da sociedade, mas evidenciou, também, a interdependência entre adversários sociais. Os vencedores perceberam que não poderiam aniquilar os vencidos, sob pena de também ruírem. Pois o equilíbrio já era uma necessidade não somente comercial, mas também, social. Afinal ninguém pode dominar o que não existe. A aniquilação dos perdedores destitui, rui e transforma vencedores novos em competidores entre si.
Foi a partir deste necessário equilíbrio que se formou o chamado “Mecanismo Régio”. Que era o poder de conciliar e moderar que o governante exercia. Conciliar e moderar as politicas sociais e econômicas entre nobres e burgueses que naquele momento disputavam espaço na corte em busca de reconhecimento e de salários altos como agentes do reino. Uma classe não poderia destruir a outra, pois os mecanismos de interdependência eram claros e era os mesmos que mantinham s sociedade funcionando, portanto coube ao rei articular entre estes dois grupos para que os mesmos e o próprio governo real permaneçam dominantes.
Já nos séculos XVI e XVII a nobreza já havia perdido as suas funções de administração e de judicatura para as classes organizadas da burguesia. Restava apenas recorrer ao soberano para não serem excluídos de vez da sociedade. E ciente de seu papel conciliador os soberanos socorreram os nobres para que não perdessem seu status social.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Brasil de Getúlio Vargas a Castelo Branco ( 1930 – 1964)
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Segundo Período
Brasil de Getúlio Vargas a Castelo Branco
( 1930 – 1964)
De Thomas E. Skidmore
Matéria: História do Brasil república
Professor: Victor
Macaé/RJ
Outubro de 2010.
Governo Transitório (1954 – 1956)
A posse de Café Filho após o suicídio de Vargas demonstrava a chegada ao poder de um vice presidente publicamente rompido com o ex presidente. Uma troca de comando representava a possibilidade dos antivarguistas chegarem ao poder. De uma forma não muito marcante, realmente, Café Filho entregou alguns ministérios aos Udenistas, mas o expurgo total dos varguistas, como era esperado, não aconteceu. Café filho teve um profundo senso democrático e como poucos udenistas não se deixou levar pelo poder e tentar a sua “perpetuação” na cadeira presidencial. Café filho declarou desde o início que seu governo não representava mais que uma transição pra as eleições que se aproximavam. E quem em outubro de 1955 a população decidiria quem seria o novo presidente.
Inicia da corrida presidencial O PDS logo em fevereiro realiza sua convenção e confirma o nome de Juscelino Kubitschek, governador de Minas gerais, eleito por voto direto e ex prefeito de Belo Horizonte indicado por Vargas. Esta candidatura representava os Varguistas. Enquanto a oposição se fragmentava entre vários nomes e não possuíam um nome nacional para enfrentar Juscelino. A confirmação de João Goulart como vice na chapa de Juscelino só acendeu ainda mais o combate da oposição.
Nomes como Etelvino Lins, lançado e depois retirado, Ademar de Barros, Juarez Távora e Carlos Lacerda só demonstravam que a os udenistas e demais partidos de direita dividiriam seus votos e não seriam capazes de Vencer a chapa do PDS-PTB.
Carlos Lacerda, desesperado por já visualizar a derrota eleitoral, representou tudo que há de mais antidemocrático, autoritário e individualista que se possa admitir em uma disputa eleitoral. Fez diversas acusações infundadas, utilizou-se de seu jornal para combater Juscelino e forjou documentos para incriminar a candidatura concorrente.
Importante citar a declaração de João Agripino na página 186 na convenção udenista em julho de 1955. “ livre - era liberdade para corromper e roubar, e ele sugeria que seria melhor viver limpo num cárcere do que livre nessa podridão”.
O discurso era surpreendentemente diferente, o PSD-PTB falava de aceleração da industrialização e a UDN falava em equilíbrio. Quem mais garantia o cumprimento de mandato de Café filho e o normal prosseguimento do processo político era o ministro da guerra General Lott, ferrenho defensor da legalidade e mais que isso representa um seguimento oficial e armado e quem tem em seus comandados sua força política e administrativa. Dificilmente alguém se atreveria a ter Lott como um inimigo.
O processo eleitoral se cumpre e como esperado Juscelino vence com 36% dos votos. Este relativo baixo percentual e duramente combatido pela a direita derrotada, principalmente por Carlos Lacerda que depois de muita pressão teve sua reivindicação negada pela justiça eleitoral. Depois de ter a “sua carta Brandi” desmascarada por uma sindicância militar, nele Juscelino era acusado de comprar armas de Perón na argentina para armar milícias operárias.
Mais uma tentativa de golpe foi articulada pelo General Mamede que tenta incitar uma revolta dos jovens oficiais. Indignado e buscando a punição, que no momento estava fora de seu alcance, Lott se desentende com o presidente em exercício, Carlos Luz presidente da Câmara, já que café Filho tinha problemas no coração. Lott renúncia e no dia seguinte 11 de novembro suas tropas ocupam os prédios públicos no Rio de Janeiro e depõe Luz, que foge para São Paulo no cruzador Tamandaré, junto com parte do seu ministério. Na fuga as baterias costeiras chegam a disparar contra o navio.
Imediatamente o congresso entra e sessão e dá posse a Nereu Ramos, presidente do senado, retirando o poder presidencial de Luz. No dia 21 de novembro Café Filho se diz recuperado e anuncia sua volta a presidência, certamente em apoio aos udenistas depostos por Lott. O general novamente movimenta as suas tropas e ameaça novamente com a mesma movimentação do dia 11 anterior. Com essa força marcante de Lott o clima tenso se estabiliza. Lacerda se auto exila em Cuba e Juscelino Toma posse cumprindo a vontade do povo garantida pelo General Lott.
Anos de Confiança (1956-1960)
Depois de assumir a presidência em condições muito adversas o governo de Juscelino se destaca pela evolução econômica do Brasil. Que em média cresceu na ordem de 7% ao ano. Sua política extremamente particular ficou conhecida como Nacionalismo Desenvolvimentista, onde procura equacionar as críticas da oposição e levar adiante o seu plano de metas. Os créditos foram liberados e políticas de incentivo ao capital produtivo foram amplamente implementadas no País. Notadamente a agricultura fica em segundo plano, pois Juscelino investia na produção de energia e no aparelhamento industrial do Brasil.
O símbolo maior do governo de Juscelino foi a construção da Brasília, que quando solicitada ao Congresso, foi rapidamente aprovada, quase quem em tom de jocosa provocação e desdém. Mas como é sabido, Juscelino empenhou-se em transformou a cidade no maior símbolo de seu governo.
Em sua política conciliatória deu consideráveis aumentos ao salário dos trabalhadores, comprou porta aviões para marinha, anistiou revoltosos. Mas estrategicamente controlou sindicatos e fechou jornais de oposição.
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Segundo Período
Brasil de Getúlio Vargas a Castelo Branco
( 1930 – 1964)
De Thomas E. Skidmore
Matéria: História do Brasil república
Professor: Victor
Macaé/RJ
Outubro de 2010.
Governo Transitório (1954 – 1956)
A posse de Café Filho após o suicídio de Vargas demonstrava a chegada ao poder de um vice presidente publicamente rompido com o ex presidente. Uma troca de comando representava a possibilidade dos antivarguistas chegarem ao poder. De uma forma não muito marcante, realmente, Café Filho entregou alguns ministérios aos Udenistas, mas o expurgo total dos varguistas, como era esperado, não aconteceu. Café filho teve um profundo senso democrático e como poucos udenistas não se deixou levar pelo poder e tentar a sua “perpetuação” na cadeira presidencial. Café filho declarou desde o início que seu governo não representava mais que uma transição pra as eleições que se aproximavam. E quem em outubro de 1955 a população decidiria quem seria o novo presidente.
Inicia da corrida presidencial O PDS logo em fevereiro realiza sua convenção e confirma o nome de Juscelino Kubitschek, governador de Minas gerais, eleito por voto direto e ex prefeito de Belo Horizonte indicado por Vargas. Esta candidatura representava os Varguistas. Enquanto a oposição se fragmentava entre vários nomes e não possuíam um nome nacional para enfrentar Juscelino. A confirmação de João Goulart como vice na chapa de Juscelino só acendeu ainda mais o combate da oposição.
Nomes como Etelvino Lins, lançado e depois retirado, Ademar de Barros, Juarez Távora e Carlos Lacerda só demonstravam que a os udenistas e demais partidos de direita dividiriam seus votos e não seriam capazes de Vencer a chapa do PDS-PTB.
Carlos Lacerda, desesperado por já visualizar a derrota eleitoral, representou tudo que há de mais antidemocrático, autoritário e individualista que se possa admitir em uma disputa eleitoral. Fez diversas acusações infundadas, utilizou-se de seu jornal para combater Juscelino e forjou documentos para incriminar a candidatura concorrente.
Importante citar a declaração de João Agripino na página 186 na convenção udenista em julho de 1955. “ livre - era liberdade para corromper e roubar, e ele sugeria que seria melhor viver limpo num cárcere do que livre nessa podridão”.
O discurso era surpreendentemente diferente, o PSD-PTB falava de aceleração da industrialização e a UDN falava em equilíbrio. Quem mais garantia o cumprimento de mandato de Café filho e o normal prosseguimento do processo político era o ministro da guerra General Lott, ferrenho defensor da legalidade e mais que isso representa um seguimento oficial e armado e quem tem em seus comandados sua força política e administrativa. Dificilmente alguém se atreveria a ter Lott como um inimigo.
O processo eleitoral se cumpre e como esperado Juscelino vence com 36% dos votos. Este relativo baixo percentual e duramente combatido pela a direita derrotada, principalmente por Carlos Lacerda que depois de muita pressão teve sua reivindicação negada pela justiça eleitoral. Depois de ter a “sua carta Brandi” desmascarada por uma sindicância militar, nele Juscelino era acusado de comprar armas de Perón na argentina para armar milícias operárias.
Mais uma tentativa de golpe foi articulada pelo General Mamede que tenta incitar uma revolta dos jovens oficiais. Indignado e buscando a punição, que no momento estava fora de seu alcance, Lott se desentende com o presidente em exercício, Carlos Luz presidente da Câmara, já que café Filho tinha problemas no coração. Lott renúncia e no dia seguinte 11 de novembro suas tropas ocupam os prédios públicos no Rio de Janeiro e depõe Luz, que foge para São Paulo no cruzador Tamandaré, junto com parte do seu ministério. Na fuga as baterias costeiras chegam a disparar contra o navio.
Imediatamente o congresso entra e sessão e dá posse a Nereu Ramos, presidente do senado, retirando o poder presidencial de Luz. No dia 21 de novembro Café Filho se diz recuperado e anuncia sua volta a presidência, certamente em apoio aos udenistas depostos por Lott. O general novamente movimenta as suas tropas e ameaça novamente com a mesma movimentação do dia 11 anterior. Com essa força marcante de Lott o clima tenso se estabiliza. Lacerda se auto exila em Cuba e Juscelino Toma posse cumprindo a vontade do povo garantida pelo General Lott.
Anos de Confiança (1956-1960)
Depois de assumir a presidência em condições muito adversas o governo de Juscelino se destaca pela evolução econômica do Brasil. Que em média cresceu na ordem de 7% ao ano. Sua política extremamente particular ficou conhecida como Nacionalismo Desenvolvimentista, onde procura equacionar as críticas da oposição e levar adiante o seu plano de metas. Os créditos foram liberados e políticas de incentivo ao capital produtivo foram amplamente implementadas no País. Notadamente a agricultura fica em segundo plano, pois Juscelino investia na produção de energia e no aparelhamento industrial do Brasil.
O símbolo maior do governo de Juscelino foi a construção da Brasília, que quando solicitada ao Congresso, foi rapidamente aprovada, quase quem em tom de jocosa provocação e desdém. Mas como é sabido, Juscelino empenhou-se em transformou a cidade no maior símbolo de seu governo.
Em sua política conciliatória deu consideráveis aumentos ao salário dos trabalhadores, comprou porta aviões para marinha, anistiou revoltosos. Mas estrategicamente controlou sindicatos e fechou jornais de oposição.
A Economia Política Brasileira De Guido Mantega
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Segundo Período
A Economia Política Brasileira
De Guido Mantega
Matéria: História do Brasil república
Professor: Victor
Macaé/RJ
Outubro de 2010.
O Pensamento CEPAL.
Neste texto Guido Mantega traça alguns aspectos do que foi a CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina). Onde já atuaram Celso Furtado, Maria da Conceição Tavares, Fernando Henrique Cardoso, Carlos Lessa e José Serra. Guido destaca que são poucos os trabalhos brasileiros que fazem referência a uma comissão que muito influenciou a política econômica dos anos 50 no Brasil.
A CEPAL Surge no final dos anos 40 em um pensamento conjunto das nações Sul Americanas tentando fugir da condição de colônia e terceiro mundo e participar das economias mais avançadas dos Países mais desenvolvidos. Essa comissão tinha como principal objetivo explicar os motivos do atraso econômico e propor as medidas para que a correção seja feita.
Contrário ao pensamento de Paul Samuelson que acreditava que os Países que produzem os produtos primários acabariam levando vantagem sobre os industrializados. A CEPAL comprovou que os centros desenvolvidos são os responsáveis por determinar de que forma o mercado internacional vai se comportar. Por possuir uma estrutura mais forte economicamente e uma classe trabalhadora melhor organizada, são os Países desenvolvidos que estipulam os preços dos seus produtos que invariavelmente são mais caros que os produtos oriundos dos Países que fornecem gêneros primários.
Um fator que explica essa diferença é que os consumidores do centro destinam um capital cada vez menor para a despesa com alimentação já que dispões de uma alimentação razoável. Outro fator é a mão de obra qualificada e organizada do centro que eleva o preço dos produtos industrializados, muito diferente da periferia com mão de obra barata e sem qualificação, contribuindo para o barateamento dos produtos a serem exportados.
A solução proposta é uma política que mantenha os investimentos no local de produção desenvolvendo a indústria e promovendo uma reforma agrária. O capital estrangeiro pode até ser utilizado, mas de forma que atenda as necessidades de investimento na produção de bens duráveis. Aumentando assim a renda nacional. A CEPAL chega até a determinar especificamente que este capital estrangeiro não seja investido em forma de privatização ou parceria nos setores de transporte ferroviário, energia e setores do serviço público ou de segurança. Este capital deve ser investido em indústrias de transformação que gera acúmulo de renda, melhoria salarial e desenvolvimento nacional.
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Segundo Período
A Economia Política Brasileira
De Guido Mantega
Matéria: História do Brasil república
Professor: Victor
Macaé/RJ
Outubro de 2010.
O Pensamento CEPAL.
Neste texto Guido Mantega traça alguns aspectos do que foi a CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina). Onde já atuaram Celso Furtado, Maria da Conceição Tavares, Fernando Henrique Cardoso, Carlos Lessa e José Serra. Guido destaca que são poucos os trabalhos brasileiros que fazem referência a uma comissão que muito influenciou a política econômica dos anos 50 no Brasil.
A CEPAL Surge no final dos anos 40 em um pensamento conjunto das nações Sul Americanas tentando fugir da condição de colônia e terceiro mundo e participar das economias mais avançadas dos Países mais desenvolvidos. Essa comissão tinha como principal objetivo explicar os motivos do atraso econômico e propor as medidas para que a correção seja feita.
Contrário ao pensamento de Paul Samuelson que acreditava que os Países que produzem os produtos primários acabariam levando vantagem sobre os industrializados. A CEPAL comprovou que os centros desenvolvidos são os responsáveis por determinar de que forma o mercado internacional vai se comportar. Por possuir uma estrutura mais forte economicamente e uma classe trabalhadora melhor organizada, são os Países desenvolvidos que estipulam os preços dos seus produtos que invariavelmente são mais caros que os produtos oriundos dos Países que fornecem gêneros primários.
Um fator que explica essa diferença é que os consumidores do centro destinam um capital cada vez menor para a despesa com alimentação já que dispões de uma alimentação razoável. Outro fator é a mão de obra qualificada e organizada do centro que eleva o preço dos produtos industrializados, muito diferente da periferia com mão de obra barata e sem qualificação, contribuindo para o barateamento dos produtos a serem exportados.
A solução proposta é uma política que mantenha os investimentos no local de produção desenvolvendo a indústria e promovendo uma reforma agrária. O capital estrangeiro pode até ser utilizado, mas de forma que atenda as necessidades de investimento na produção de bens duráveis. Aumentando assim a renda nacional. A CEPAL chega até a determinar especificamente que este capital estrangeiro não seja investido em forma de privatização ou parceria nos setores de transporte ferroviário, energia e setores do serviço público ou de segurança. Este capital deve ser investido em indústrias de transformação que gera acúmulo de renda, melhoria salarial e desenvolvimento nacional.
A Guerra Civil Brasileira De Stanley E. Hilton
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Segundo Período
A Guerra Civil Brasileira
De Stanley E. Hilton
Matéria: História do Brasil República
Professor: Victor
Macaé/RJ
Outubro de 2010.
Transportados para julho de 1932 chegamos ao estado de São Paulo que ansiando por voltar ao poder prepara uma luta armada contra o governo Vargas. Já que a revolução de 32 foi feita tirando do poder o Partido Republicano Paulista. Um fato da época da revolução contribuiu muito para o descontentamento dos paulistas, foi à nomeação de João Alberto, totalmente desconhecido dos paulistas, como interventor do Estado. João Alberto logo se indispôs com a elite paulista. As relações entre paulistas e o governo federal foram se desgastando até o ponto de todos os paulistas pedirem demissão em massa dos cargos públicos. Logo depois o manifesto da Liga de Defesa Paulista que pregava a revolta armada, impossibilitou qualquer diálogo entre as partes. Coma ineficácia de um interventor cível em São Paulo, foi a partir de 1931 que os paulistas começaram a direcionar seus ataques diretamente a Vargas. Uma suposta falta de habilidade de Vargas no caso paulista pode até ser cogitada, mas deve ser levado em consideração o ideal de Vargas por uma união nacional sem bairrismos em busca de um País unido e forte. Em São Paulo as forças antes contrárias se unem e formam a aliança Liberal, pregando a reconstitucinalização do Brasil e a volta da autonomia de São Paulo. Vargas nomeia novo interventor paulista e civil que logo monta um secretariado de conformidade com as exigências da Aliança Liberal. Vargas já havia marcado as eleições e a aparente calma restabelecida no Estado tem seus dias contados segundo General Aranha.
Já com a dissidência do Rio Grande do Sul e com o apoio de Figueiredo na capital os paulistas já possuíam um plano de ataque a sede do governo paulista. A essa altura já com apoio de alguns militares do sul de Minas. Lideranças gaúchas garantiam o apoio aos paulistas na revolta armada, mas o chefe da brigada militar do Rio Grande do Sul, não era um constitucionalista. Flores logo aceita as garantias de Getúlio e descarta uma luta armada contra a Guanabara. Isso não foi o suficiente para deter o impulso armamentista e revoltoso de Klinger. Mas o governo já preparava seu contra ataque e em 8 de julho de 32 prende diversos conspiradores . Klinger é reformado, o que agita o Mato Grosso, mas não de forma decisiva. Em Minas Olegário Maciel continuava alinhado com Vargas e os paulistas cada vez mais isolados.
Após uma reunião presidida por Figueiredo as 11:00 do dia 09 de julho a revolução se inicia, logo algumas centenas de posições governamentais são tomadas na capital de São Paulo. As 21:00 A cidade estava sobre controle dos constitucionalistas. Vargas confirma a lealdade de Minas e do Rio Grande do Sul. E em menos de 24 horas todos os estados declaram apoio a Vargas, isolando São Paulo. O fim da revolta era só mais uma questão de tempo.
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Segundo Período
A Guerra Civil Brasileira
De Stanley E. Hilton
Matéria: História do Brasil República
Professor: Victor
Macaé/RJ
Outubro de 2010.
Transportados para julho de 1932 chegamos ao estado de São Paulo que ansiando por voltar ao poder prepara uma luta armada contra o governo Vargas. Já que a revolução de 32 foi feita tirando do poder o Partido Republicano Paulista. Um fato da época da revolução contribuiu muito para o descontentamento dos paulistas, foi à nomeação de João Alberto, totalmente desconhecido dos paulistas, como interventor do Estado. João Alberto logo se indispôs com a elite paulista. As relações entre paulistas e o governo federal foram se desgastando até o ponto de todos os paulistas pedirem demissão em massa dos cargos públicos. Logo depois o manifesto da Liga de Defesa Paulista que pregava a revolta armada, impossibilitou qualquer diálogo entre as partes. Coma ineficácia de um interventor cível em São Paulo, foi a partir de 1931 que os paulistas começaram a direcionar seus ataques diretamente a Vargas. Uma suposta falta de habilidade de Vargas no caso paulista pode até ser cogitada, mas deve ser levado em consideração o ideal de Vargas por uma união nacional sem bairrismos em busca de um País unido e forte. Em São Paulo as forças antes contrárias se unem e formam a aliança Liberal, pregando a reconstitucinalização do Brasil e a volta da autonomia de São Paulo. Vargas nomeia novo interventor paulista e civil que logo monta um secretariado de conformidade com as exigências da Aliança Liberal. Vargas já havia marcado as eleições e a aparente calma restabelecida no Estado tem seus dias contados segundo General Aranha.
Já com a dissidência do Rio Grande do Sul e com o apoio de Figueiredo na capital os paulistas já possuíam um plano de ataque a sede do governo paulista. A essa altura já com apoio de alguns militares do sul de Minas. Lideranças gaúchas garantiam o apoio aos paulistas na revolta armada, mas o chefe da brigada militar do Rio Grande do Sul, não era um constitucionalista. Flores logo aceita as garantias de Getúlio e descarta uma luta armada contra a Guanabara. Isso não foi o suficiente para deter o impulso armamentista e revoltoso de Klinger. Mas o governo já preparava seu contra ataque e em 8 de julho de 32 prende diversos conspiradores . Klinger é reformado, o que agita o Mato Grosso, mas não de forma decisiva. Em Minas Olegário Maciel continuava alinhado com Vargas e os paulistas cada vez mais isolados.
Após uma reunião presidida por Figueiredo as 11:00 do dia 09 de julho a revolução se inicia, logo algumas centenas de posições governamentais são tomadas na capital de São Paulo. As 21:00 A cidade estava sobre controle dos constitucionalistas. Vargas confirma a lealdade de Minas e do Rio Grande do Sul. E em menos de 24 horas todos os estados declaram apoio a Vargas, isolando São Paulo. O fim da revolta era só mais uma questão de tempo.
Sindicalismo e Classe Operária. Matéria: História de Brasil República
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Segundo Período
Sindicalismo e Classe Operária.
Matéria: História de Brasil República
Professor: Victor
Macaé/RJ
Outubro de 2010.
O texto inicia com uma definição de sindicalismo. Que não é apenas um reflexo dos trabalhadores e sim um canal de reivindicação e proposição de mudanças. Foi a partir de 1930 que o estado iniciou uma apropriação das funções do sindicato. Culminando em uma integração ao governo depois de 1937. Nota-se que em 1937 Getúlio se apropria do poder e inicia uma política dura contra a oposição e os sindicados ficam sob controle do governo para, assim, evitar protestos e reivindicações que poderiam desestabilizar o governo.
Inegavelmente o governo provisório de 1930 trouxe reconhecimento e benefícios ao trabalhador, principalmente por criar o Ministério do Trabalho, órgão que estabeleceu normas que beneficiavam os trabalhadores em geral. Os sindicatos tinham a função de negociar diretamente com o governo, mas só teriam direito a essa negociação os sindicatos que fossem reconhecidos pelo Ministério do Trabalho. Ra essa a forma de Vargas, apesar de garantir benefício, manter a classe trabalhadora sob sua vigilância.
A transformação do meio sindical na década de 1930 aconteceu de forma lenta, mas fundamentalmente pelas transformações da sociedade da época, o movimento do homem saindo do campo e indo para a cidade, a nova classe proletariada que emergia junto com a industrialização mudavam a cara da sociedade e conseqüentemente as relações trabalhistas.
A vida sindical passou a ser uma constante no meio trabalhista. Os empregados que mesmo antes de 1930 já se associavam, mas não tinham poder de negociação com patrões e governo, passaram a se reconhecidos e a participar de negociações em beneficio dos trabalhadores. Esse segmento obteve tanta expressão e participação dos trabalhadores que foi “capitalisticamente” criado o imposto sindical em 1940.
O ato final e definitivo foi a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), lançada em 1943 por Getúlio Vargas.
Ao fim do Estado Novo a constituição que foi implantada já garantia o direito de greve, com muitas limitações, mas já era um avanço. A estrutura sindical de forma ampla continuou a mesma, apesar da nova constituição. E neste período que o sindicalista descobre que mais do que servir a classe trabalhadora ele poderia, também, representar essa classe e os sindicados descobrem sua vertente política. Mas as atividades sindicais declinam e só se restabelecem em 1951 no retorno da Vargas a presidência.
A partir de então o sindicalismo entre de vez na vida política do País. A organização dos sindicatos conseguem deflagrar greves gerais como as de 5 de julho de 1962 e a de 15 de novembro de 1962.
A crescente organização dos sindicatos e a articulação mantida entre eles, levou a criação do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) em 1962, onde sindicados de classes distintas reuniam-se para fortalecer suas ações.
Mas como em todo processo político as decisões não eram unânimes e descontes com o CGT formaram o Movimento Sindical Democrático com base de direita, já que o CGT era de base comunistas. Ainda criou-se uma terceira via a União Sindical dos Trabalhadores, formada pela dissidências dos pólos anteriores. Mas o golpe de 1964 colocou essas centrais na ilegalidade. E pouco mexeu na estudura sindical de base classista.
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Segundo Período
Sindicalismo e Classe Operária.
Matéria: História de Brasil República
Professor: Victor
Macaé/RJ
Outubro de 2010.
O texto inicia com uma definição de sindicalismo. Que não é apenas um reflexo dos trabalhadores e sim um canal de reivindicação e proposição de mudanças. Foi a partir de 1930 que o estado iniciou uma apropriação das funções do sindicato. Culminando em uma integração ao governo depois de 1937. Nota-se que em 1937 Getúlio se apropria do poder e inicia uma política dura contra a oposição e os sindicados ficam sob controle do governo para, assim, evitar protestos e reivindicações que poderiam desestabilizar o governo.
Inegavelmente o governo provisório de 1930 trouxe reconhecimento e benefícios ao trabalhador, principalmente por criar o Ministério do Trabalho, órgão que estabeleceu normas que beneficiavam os trabalhadores em geral. Os sindicatos tinham a função de negociar diretamente com o governo, mas só teriam direito a essa negociação os sindicatos que fossem reconhecidos pelo Ministério do Trabalho. Ra essa a forma de Vargas, apesar de garantir benefício, manter a classe trabalhadora sob sua vigilância.
A transformação do meio sindical na década de 1930 aconteceu de forma lenta, mas fundamentalmente pelas transformações da sociedade da época, o movimento do homem saindo do campo e indo para a cidade, a nova classe proletariada que emergia junto com a industrialização mudavam a cara da sociedade e conseqüentemente as relações trabalhistas.
A vida sindical passou a ser uma constante no meio trabalhista. Os empregados que mesmo antes de 1930 já se associavam, mas não tinham poder de negociação com patrões e governo, passaram a se reconhecidos e a participar de negociações em beneficio dos trabalhadores. Esse segmento obteve tanta expressão e participação dos trabalhadores que foi “capitalisticamente” criado o imposto sindical em 1940.
O ato final e definitivo foi a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), lançada em 1943 por Getúlio Vargas.
Ao fim do Estado Novo a constituição que foi implantada já garantia o direito de greve, com muitas limitações, mas já era um avanço. A estrutura sindical de forma ampla continuou a mesma, apesar da nova constituição. E neste período que o sindicalista descobre que mais do que servir a classe trabalhadora ele poderia, também, representar essa classe e os sindicados descobrem sua vertente política. Mas as atividades sindicais declinam e só se restabelecem em 1951 no retorno da Vargas a presidência.
A partir de então o sindicalismo entre de vez na vida política do País. A organização dos sindicatos conseguem deflagrar greves gerais como as de 5 de julho de 1962 e a de 15 de novembro de 1962.
A crescente organização dos sindicatos e a articulação mantida entre eles, levou a criação do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) em 1962, onde sindicados de classes distintas reuniam-se para fortalecer suas ações.
Mas como em todo processo político as decisões não eram unânimes e descontes com o CGT formaram o Movimento Sindical Democrático com base de direita, já que o CGT era de base comunistas. Ainda criou-se uma terceira via a União Sindical dos Trabalhadores, formada pela dissidências dos pólos anteriores. Mas o golpe de 1964 colocou essas centrais na ilegalidade. E pouco mexeu na estudura sindical de base classista.
O Imaginário Trabalhista Getulismo, PTB e Cultura Popular 1945-1964 De: Jorge Ferreira
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Segundo Período
O Imaginário Trabalhista
Getulismo, PTB e Cultura Popular 1945-1964
De: Jorge Ferreira
Matéria: História do Brasil República
Professor: Victor
Macaé/RJ
Novembro de 2010.
1 – Quando os trabalhadores “querem”: Política e cidadania na transição democrática.
No segundo semestre de 1944 o Estado Novo já demonstra o “cansaço” de seu sistema. Mas é em janeiro de 1945 que as manifestações de oposição são expostas de forma mais contundente, os jornais já criticavam Vargas abertamente e o movimento estudantil ganha força de oposição chegando a patrocinar comícios públicos contra o ditador Vargas. Mas essas atitudes não ficaram sem resposta popular, getulistas de classe baixa saem em defesa de Vargas, frustrando muitas manifestações ditas populares. Uma vertente política passa a dominar esse momento de transição o Queremismo, onde a democracia é reivindicada, mas o ditador é estimado e desejado a permanecer no poder.
O Queremismo se espalha pelo País. De um lado a UDN reunia a oposição representada pela direita e a extrema direita, do outro lado com um discreto apoio oficial, a população beneficiada pelas leis trabalhistas e o empresariado simpático a Vargas lançava cada vez mais alto e longe o “Queremos Getúlio” o queremismo.
A oposição de direita oficializa em 7 de abril de 1945 a União Democrática Nacional (UDN). Que mais do que a candidatura do Brigadeiro Eduardo Gomes era uma reunião de oposicionistas a Getúlio. Oposicionistas de todos os estilos e de todas as filosofias, militares e intelectuais, donos de jornais e fazendeiros. E como esse partido era composto da elite financeira do Brasil, uma forte campanha na imprensa foi realizada em favor do brigadeiro, mas nas camadas mais pobres e dos trabalhadores era o nome de Vargas que surgia espontaneamente.
O imaginário trabalhista referido no título deste texto começa a se manifestar quando o queremismo se organiza politicamente com comitês e comícios. A oposição mistifica a adoração por Getúlio como coisas sobrenaturais, citando eventos praticados por Pais-de-Santo e jogando na imprensa uma grande sombra sobre as práticas dos queremistas. Já os partidários de Getúlio mitificam o ditador, atribuindo a eles qualidades de um ser ideal, perfeito, digno de ser adorado e imitado.
Foi em 20 de agosto de 1945 que o Largo da Carioca no Rio de Janeiro presenciou a maior manifestação de apoio do queremismo. A oposição estava com sérios problemas, pois, apesar de todos os ataques, a população a cada dia adorava mais a Getúlio. O apoio crescia tanto que levou o PSD e o PTB a apoiarem Vargas, mas ao fim do prazo de descompatibilização, Vargas permaneceu na Presidência, deixando claro que não concorreria. Caía o Estado Novo, mas crescia o prestígio de Vargas.
Depois de todas as pressões para que Vargas convocasse uma assembléia constituinte e somente a partir dela seja marcada uma nova eleição presidencial. Pressão que culminou na Assembléia Geral do Povo Brasileiro, ato realizado simultânea mente em todo o Brasil, exigindo de Getúlio, aqui já aclamado como herói do povo, que tomasse estas providencias. Em discurso neste mesmo dia 3 de outubro Vargas revela que não pretende se candidatar e que pretende descansar. Os trabalhadores são encorajados a entrarem nas fileiras do PTB.
Em 29 de outubro Vargas nomeia seu irmão Benjamim para chefe da polícia do Distrito Federal, foi o ato que faltava para desencadear o golpe militar contra Vargas. Liderados por Góis Monteiro e Eurico Dutra e ainda com apoio do DOPS, Getúlio foi deposto e presidente do STF assumiu a presidência até as eleições. Vargas se retira para São Borja e Eduardo Gomes é o virtual vencedor das eleições. Mas o articulador Hugo Borghi consegue reverter um discurso de Eduardo Gomes e joga a população trabalhadora contra o General. Atendendo aos apelos de Borghi, Vargas declara apoio ao PDS de Dutra, desta forma, revertendo à situação e fazendo de Dutra o ganhador das eleições.
3 – O Carnaval da tristeza: os motins urbanos do 24 de agosto.
A manhã de 24 de agosto surpreendeu a todos com a notícia do suicídio do presidente Vargas. O último ato de Vargas foi o suficiente para impedir um golpe militar, suficiente não pelo ato em si, mas por desencadear uma onda de protestos e um sentimento de revolta na população que desarticulou a oposição de intenção golpista.
A UDN e as forças armadas atacavam sistematicamente o governo de Getúlio que já havia perdido todo o espaço de manobra para garantir sua governabilidade. E a apenas 41 dias da eleição Vargas percebeu que seria deposto, pois eram justamente as eleições que os militares e a oposição queriam evitar. Mas o suicídio de Vargas impediu esse golpe.
A conseqüência popular foi muito forte. Mesmo com a prisão de mais de 50 lideres sindicais que apoiavam e eram apoiados por Vargas. Uma multidão tomou conta do centro do Rio. Destruiu comitês da oposição, faixas e cartazes. Depredaram veículos de comunicação, como a fachada da radio Globo e só puderam ser contidos, mas não dispersados pela polícia especial.
Do velório a despedida no aeroporto Santos Dummont a multidão que a cada momento só crescia, amotino-se contra a base da aeronáutica, onde disparos de arma do fogo foram feitos contra a multidão. Refugiados na Cinelândia o povo foi novamente incitado a lutar contra a oposição, somente a chegada da “Polícia de Getúlio” a Polícia Especial que a multidão foi convencida a voltar para casa e evitar em massacre proporcionado pelo exercito que já se aproximava do local.
Em Porto Alegre a mesma revolta popular teve caminhos diferentes. Primeiro pelos ataques serem direcionados não somente a adversários políticos diretos de Vargas, mas também a símbolos representativos do governa Norte Americano, embaixada e empresas foram atacadas e destruídas. O Governador primo de Vargas propositalmente demorou a solicitar ajuda ao exercito, só o fazendo quando a cidade em um todo estava ameaçada.
Já em menor escala os protestos em São Paulo limitaram-se a uma greve geral. Casos violentos só foram registrados contra as empresas que se recusaram a fechar suas portas e acompanhar o movimento grevista. Em Belo Horizonte símbolos Norte Americanos foram atacados e destruídos, além da propaganda oposicionista. Por todo o nordeste principalmente nas capitais houve uma grande manifestação de pesar. Prejudicada pela distancia geográfica dos acontecimentos as manifestações não tiveram a intensidade registrada nos estados do sul e do sudeste.
Restava ao PTB assumir a bandeira de defensor trabalhista e social e iniciar uma onda de propostas cada vez mais ousadas e reformistas mobilizando trabalhadores, sindicalistas, estudantes e militares.
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Segundo Período
O Imaginário Trabalhista
Getulismo, PTB e Cultura Popular 1945-1964
De: Jorge Ferreira
Matéria: História do Brasil República
Professor: Victor
Macaé/RJ
Novembro de 2010.
1 – Quando os trabalhadores “querem”: Política e cidadania na transição democrática.
No segundo semestre de 1944 o Estado Novo já demonstra o “cansaço” de seu sistema. Mas é em janeiro de 1945 que as manifestações de oposição são expostas de forma mais contundente, os jornais já criticavam Vargas abertamente e o movimento estudantil ganha força de oposição chegando a patrocinar comícios públicos contra o ditador Vargas. Mas essas atitudes não ficaram sem resposta popular, getulistas de classe baixa saem em defesa de Vargas, frustrando muitas manifestações ditas populares. Uma vertente política passa a dominar esse momento de transição o Queremismo, onde a democracia é reivindicada, mas o ditador é estimado e desejado a permanecer no poder.
O Queremismo se espalha pelo País. De um lado a UDN reunia a oposição representada pela direita e a extrema direita, do outro lado com um discreto apoio oficial, a população beneficiada pelas leis trabalhistas e o empresariado simpático a Vargas lançava cada vez mais alto e longe o “Queremos Getúlio” o queremismo.
A oposição de direita oficializa em 7 de abril de 1945 a União Democrática Nacional (UDN). Que mais do que a candidatura do Brigadeiro Eduardo Gomes era uma reunião de oposicionistas a Getúlio. Oposicionistas de todos os estilos e de todas as filosofias, militares e intelectuais, donos de jornais e fazendeiros. E como esse partido era composto da elite financeira do Brasil, uma forte campanha na imprensa foi realizada em favor do brigadeiro, mas nas camadas mais pobres e dos trabalhadores era o nome de Vargas que surgia espontaneamente.
O imaginário trabalhista referido no título deste texto começa a se manifestar quando o queremismo se organiza politicamente com comitês e comícios. A oposição mistifica a adoração por Getúlio como coisas sobrenaturais, citando eventos praticados por Pais-de-Santo e jogando na imprensa uma grande sombra sobre as práticas dos queremistas. Já os partidários de Getúlio mitificam o ditador, atribuindo a eles qualidades de um ser ideal, perfeito, digno de ser adorado e imitado.
Foi em 20 de agosto de 1945 que o Largo da Carioca no Rio de Janeiro presenciou a maior manifestação de apoio do queremismo. A oposição estava com sérios problemas, pois, apesar de todos os ataques, a população a cada dia adorava mais a Getúlio. O apoio crescia tanto que levou o PSD e o PTB a apoiarem Vargas, mas ao fim do prazo de descompatibilização, Vargas permaneceu na Presidência, deixando claro que não concorreria. Caía o Estado Novo, mas crescia o prestígio de Vargas.
Depois de todas as pressões para que Vargas convocasse uma assembléia constituinte e somente a partir dela seja marcada uma nova eleição presidencial. Pressão que culminou na Assembléia Geral do Povo Brasileiro, ato realizado simultânea mente em todo o Brasil, exigindo de Getúlio, aqui já aclamado como herói do povo, que tomasse estas providencias. Em discurso neste mesmo dia 3 de outubro Vargas revela que não pretende se candidatar e que pretende descansar. Os trabalhadores são encorajados a entrarem nas fileiras do PTB.
Em 29 de outubro Vargas nomeia seu irmão Benjamim para chefe da polícia do Distrito Federal, foi o ato que faltava para desencadear o golpe militar contra Vargas. Liderados por Góis Monteiro e Eurico Dutra e ainda com apoio do DOPS, Getúlio foi deposto e presidente do STF assumiu a presidência até as eleições. Vargas se retira para São Borja e Eduardo Gomes é o virtual vencedor das eleições. Mas o articulador Hugo Borghi consegue reverter um discurso de Eduardo Gomes e joga a população trabalhadora contra o General. Atendendo aos apelos de Borghi, Vargas declara apoio ao PDS de Dutra, desta forma, revertendo à situação e fazendo de Dutra o ganhador das eleições.
3 – O Carnaval da tristeza: os motins urbanos do 24 de agosto.
A manhã de 24 de agosto surpreendeu a todos com a notícia do suicídio do presidente Vargas. O último ato de Vargas foi o suficiente para impedir um golpe militar, suficiente não pelo ato em si, mas por desencadear uma onda de protestos e um sentimento de revolta na população que desarticulou a oposição de intenção golpista.
A UDN e as forças armadas atacavam sistematicamente o governo de Getúlio que já havia perdido todo o espaço de manobra para garantir sua governabilidade. E a apenas 41 dias da eleição Vargas percebeu que seria deposto, pois eram justamente as eleições que os militares e a oposição queriam evitar. Mas o suicídio de Vargas impediu esse golpe.
A conseqüência popular foi muito forte. Mesmo com a prisão de mais de 50 lideres sindicais que apoiavam e eram apoiados por Vargas. Uma multidão tomou conta do centro do Rio. Destruiu comitês da oposição, faixas e cartazes. Depredaram veículos de comunicação, como a fachada da radio Globo e só puderam ser contidos, mas não dispersados pela polícia especial.
Do velório a despedida no aeroporto Santos Dummont a multidão que a cada momento só crescia, amotino-se contra a base da aeronáutica, onde disparos de arma do fogo foram feitos contra a multidão. Refugiados na Cinelândia o povo foi novamente incitado a lutar contra a oposição, somente a chegada da “Polícia de Getúlio” a Polícia Especial que a multidão foi convencida a voltar para casa e evitar em massacre proporcionado pelo exercito que já se aproximava do local.
Em Porto Alegre a mesma revolta popular teve caminhos diferentes. Primeiro pelos ataques serem direcionados não somente a adversários políticos diretos de Vargas, mas também a símbolos representativos do governa Norte Americano, embaixada e empresas foram atacadas e destruídas. O Governador primo de Vargas propositalmente demorou a solicitar ajuda ao exercito, só o fazendo quando a cidade em um todo estava ameaçada.
Já em menor escala os protestos em São Paulo limitaram-se a uma greve geral. Casos violentos só foram registrados contra as empresas que se recusaram a fechar suas portas e acompanhar o movimento grevista. Em Belo Horizonte símbolos Norte Americanos foram atacados e destruídos, além da propaganda oposicionista. Por todo o nordeste principalmente nas capitais houve uma grande manifestação de pesar. Prejudicada pela distancia geográfica dos acontecimentos as manifestações não tiveram a intensidade registrada nos estados do sul e do sudeste.
Restava ao PTB assumir a bandeira de defensor trabalhista e social e iniciar uma onda de propostas cada vez mais ousadas e reformistas mobilizando trabalhadores, sindicalistas, estudantes e militares.
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