sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Antropologia e História

Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História




Lorena Santos Domingues
Quarto Período - História

Bruno Botelho Horta
Quarto Período - História






Antropologia e História
De: Roberto Damata

Matéria: Antropologia Cultural
Professor: Dauro







1 – Introdução.
Partindo do posicionamento de que um encontro com o começo não é a garantia de um sucesso intelectual, o autor inicia o capítulo alertando para esse tipo de erro, pois analisando antropologicamente a civilização da Grécia antiga é possível dividir o mundo em dois tipos de homens os gregos e os bárbaros. Outro alerta é a atenção para diferenciar história, estória, mitos e relatos de viagens. Relatórios de viajantes que descrevem a fauna e a flora de um lugar costumam não tomar em vista o ponto dou “outro” e sim seu próprio ponto de vista. O principal objetivo do autor não é somente apresentar uma história antropológica, mas sim relacionar os fenômenos antropológicos com a dimensão temporal. Tendo desta forma informações de grande importância para demostrar fatos e estudar o comportamento do homem.

2 – História da Antropologia.
Especular sobre como os homens percebem suas diferenças ao longo do tempo. E desta análise pode-se justificar diversos comportamentos, como dominações e destruições de sociedades inteiras. Para que esse pensamento não seja dominante e justificador de barbaridades criou-se a Teoria das Diferenças, onde uma capa de responsabilidade científica protege o sentido e o valor da existência do outro.
Foi esse pensamento dominador que justificou as colonizações européias dos séculos XV e XVI. Mas também justificou os movimentos contrários de reação e independência.
O pensamento antropológico fica dividido em duas correntes que Edmund Leach exemplifica como o Evolucionismo de James Frazer e o funcionalismo de Bronislaw Malinowski. Frazer em sua linha vitoriana e eurocentrista com certezas racistas e superioridade política, econômica e intelectual. E Malinowski com seu relativismo que impede sínteses grandiosas.



A) O Evolucionismo.

Esse método de pesquisa separa e classifica todos os elementos dos dados sociais ou culturais. Mas não como o cientista que logo depois reúne todos os elementos para uma análise completa, mas deixa a classificação e separação como uma via de mão única. Separando os fatos dos conceitos de onde surgiam. Os evolucionistas não comparavam os fatos dentro de seu próprio contexto e sim com outras sociedades. Trabalhavam com o método de classificar tudo, de anexar tudo ao pensamento evolucionista situando-os em uma escala apropriada. O evolucionismo pode ser caracterizado por quatro ideias gerais.
Primeira, as sociedades humanas devem ser comparadas entre si. E seus costumes são definidos pelo investigador. Exemplificando-se temos o exemplo de Morgan para a família que no século XIX era nucleado por pai, mãe e filhos. Seguindo a linha evolucionista em tempos anteriores teríamos famílias onde não de diferencia pais e mães, isto é, seus genitores seriam inseridos no contexto dos adultos da mesma faixa de idade, sem diferença entre eles. Hoje sabemos que tal forma de explicação não passa de uma fantasia sociológica.
Segunda, os costumes têm uma origem, uma individualidade e um fim. O fim não é discutido pelos pesquisadores, pois é a atual sociedade do século XIX que representa o modelo final de evolução. A síntese religiosa é um dos problemas apontados para o evolucionismo. O fato de sintetizar religiosidade a crença em almas coloca a religião dos romanos e dos Neures no mesmo plano. Essa falha de argumentação reduz o jogo dos fatos sócias é uma lógica psicologizante.
Terceira, as sociedades se desenvolvem de modo linear, onde os eventos possuem causas e consequências, formando assim a ideia de progresso e determinação. O pensamento evolucionista segue pelo conceito de processo civilizatório, onde o contato com o mundo capitalista era o momento de a força social atuante romper com as amarras do atraso e do primitivismo da sociedade referida.
O determinismo evolucionista é baseado em forças das quais a sociedade não tem consciência e nem controle. Mas sua fraqueza é não considerar o múltiplo jogo de realidades que atuam no mundo das consciências e desta forma aprisionar o espírito.
Quarta o evolucionista trata as diferenças como se tratam etapas reduzindo-as ao eixo do tempo, situando no sistema classificatório e explicando essas diferenças como atraso evolucionista no eixo deste tempo. O tempo não conduz uma dimensão genética exclusiva, com um caminho único, que leva ao progresso da sociedade.

B) O Funcionalismo.
A palavra funcionalismo é usada dentro dos conceitos estabelecidos por Malinowski e Radcliffe Brown, onde primeiramente é uma reação as teorias evolucionistas. O funcionalismo busca a sobra que ocorre na passagem do tempo, o resíduo da instituição ou do costume que sobrevive ao tempo e que indica o passado no meio do presente.
Existe a possibilidade de estudar a sociedade como um sistema coerentemente e interligado de relações sociais. Um sentido básico ao funcionalismo é de que nada num sistema ocorre ao acaso ou está definitivamente errado ou deslocado. A postura definidora do papel social é de que nada deixa restos, tudo desempenha um papel, tudo tem sentido ainda que esse sentido não seja facilmente localizável e os costumes e hábitos sociais devem ser compreendidos dentro do sistema do qual provém. O funcionalismo se preocupa com alguns fenômenos sociais. Como as sociedades que temem o conflito e se armam de um aparato repressivo para isso e sociedades com dinâmicas de conflitos. O centro de referencia é a própria tribo, segmento ou cultura em análise.


3. Uma antropologia da História?
O funcionalismo revelou que a pesquisa antropológica era um caminho de duplo movimento, um em direção ao desconhecido e outro de volta ao etnólogo que reexamina seus dados e os integra no plano das escolhas humanas. E revela-se que o que se chamava de exótico ou irracional é apenas um traço conhecido para a própria sociedade. A sociedade marcada pela mudança do eixo do tempo tem valores que estão fora da temporalidade, relíquias reais ou religiosas marcam uma dimensão que atravessa o tempo. Esse entendimento pela via temporal é uma linha contínua onde um evento provoca outro, onde os acontecimentos têm antecedentes e consequentes.
A antropologia social pode relativizar o tempo e utilizar vertentes comparativas que podem substituir o tempo para refletir sobre as semelhanças e diferenças entre as sociedades. Tudo que o homem está realizando em todas as suas manifestações sociais de todos os tempos e lugares são formas sociais imperfeitas quando relacionadas com outras formas sociais da mesma forma que não existe uma cultura ou sociedade mais acabada que outra.
Para Lévi-Strauss o inconsciente não é uma substancia social, moral ou filosófica, mas um lugar ou uma posição em que podemos tomar consciência das diferenças e por meio delas alcançar as semelhanças entre as sociedades. Esse lugar não se situa mais no tempo mas no seu espaço complementar, um ponto vazio de conteúdo e de tempo, onde o observador pode se situar para observar as diferenças e semelhanças entre as sociedades humanas.

4. Tempo e História.
As críticas ao estruturalismo de Lévi-Strauss pregam uma forma de consciência continua aonde estruturas cada vez mais desalienadas vão substituindo as outras mais atrasadas. Já a antropologia funcionalista se aproxima do olhar do selvagem que foi uma abordagem inovadora de Malinowski. Atitude que levou a uma separação epistemológica dos pontos de vista e fundamentando uma teoria baseada na descontinuidade do tempo.
A temporariedade histórica se situa em uma idéia de passagem do tempo onde nem todas as sociedades o percebem ou o operam da mesma forma. Utilizando o tempo como uma ideologia que serve para expressar sua própria identidade.
Algumas perguntas surgem no plano estruturalista. Quem realmente faz história? Os homens do passado que deixam seus resíduos. Ou os resíduos são próprios da história humana? E qual história escolherá o historiador para contar a história dos homens?
Uma percepção diferente do tempo é do povo Apinayé. Onde o passado e o presente se refletem um no outro, a sociedade não possuiu interpretes do passado e nem transformadores do presente, não existe o herói histórico, a grande personalidade e nem um admirável mundo novo no futuro. Existe o presente anterior e um presente presente. Mas é importante salientar que as sociedades construídas desta forma são formadas por grupos, segmentos, categorias, classes, indivíduos e elementos absolutamente descontínuos e em conflito.
Para Lévi-Strauss a história também precisa de um significado, pois quando se escolhe um período histórico ao mesmo tempo se condena a escolher regiões, épocas, grupos de homens e indivíduos nestes grupos e se fazem parecerem figuras descontínuas.
O significado só aparecerá na forma de um jogo complexo entre o esquecido e o permanentemente lembrado. Um tempo totalizado é um absurdo para Lévi-Strauss, pois o seu próprio sentido se perderia.
O romancista Thomas Manm trás uma análise de tempo que mercê uma reflexão. Ele trás a narrativa temporal como um aspecto relevante do tempo, onde diferenciamos o tempo que se pode cronometrar e o tempo de duração. Um tempo visto de fora, como uma musica ou a leitura de um livro ou o tempo vivido por uma peça de teatro ou de um livro que conta a história de um homem que viveu 80 anos.
O estudo da história é abordado por Van Gennep na sua dificuldade em se estudar fatos recentes e em desenvolvimento. Restando aos fatos mais antigos a facilidade de estudo devido a sua consolidação. Lévi-Strauss qualifica como eventos frios ou quentes, dependendo da distância em que se encontram do presente.
Outro problema abordado pela perspectiva histórica são as restrições metodológicas quando se trabalha em uma sociedade desconhecida. Uma abordagem religiosa, por exemplo, vai excluir de imediato as abordagens financeiras ou políticas.

5. A Lógica do Totemismo e a Lógica da História.
Em muitos sistemas tribais a continuidade social é obtida por meio das diferenciações como a identificação com a natureza, a identidade entre homens e grupos de homens, espécies de plantas, animais, fenômenos meteorológicos e geográficos. Este sistema foi definido como Totemismo por Claude Lévi-Strauss. Essa mentalidade pré-lógica é um tipo de inteligência que segundo Levy-Bruhl se caracteriza pela confusão mental, que mistura a classificação das coisas do universo.
A relação entre historicidade e a lógica totêmica é de que a historicidade trás a ideia de que uma forma social sai de dentre de outra anterior que lhe causou o nascimento. Já a totêmica relaciona homes com plantas, animais e fenômenos naturais e geográficos.
Chega-se ao indivíduo, razão do nosso sistema social que possui esferas que lhes são ligadas como o amor, a justiça, a igualdade, o trabalho e a arte. Isto é o indivíduo precisa criar um espaço interno onde as coisas particulares possam ter livre curso.
Descobrimos na música popular, na publicidade, na moralidade, no amor e na arte em geral a atuação da lógica totêmica que aspiram à junção de tudo com tudo dando significado a nossa sociedade.
A Antropologia propõe um diálogo aberto e sistemático com a temporalidade vivida pelos homens de diversas sociedades para poder relativiza-los e conseguir alcançar tudo aquilo que pode oferecer.

O Homem, Reflexo dos Deuses

Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História







Bruno Botelho Horta
Quarto Período







O Homem, Reflexo dos Deuses
Capitulo VI de O Candomblé da Bahia
de Roger Bastide
Matéria: Antropologia Cultural
Professor: Dauro









O homem simboliza o divino, desde nosso nascimento até nossa morte são os orixás que comandam nosso destino.
E a sociedade se forma na comunhão entre os indivíduos e a divindade.
Foi a passagem da África para a América que o pensamento africano sofreu transformações que originaram perdas e metamorfoses e hoje só restam fragmentos desta concepção de sociedade.

I

O mundo foi criado pelo enlace sexual entre o céu e a terra, onde não se pode dizer quem é o masculino e quem é o feminino.
É partindo da idéia da androgenia de Oxalá é que partimos da fundamental idéia da unidade masculina e feminina em um só ser.
Com a separação do céu e da terra o homem perde a união dos princípios masculinos e femininos e passa a buscar no casamento refazer essa união.
E é o ato sexual que vai refazer esse caminho perdido. Guiado por Exú que tem o papel cósmico de unir o que está separado. É o restabelecimento da ordem humana que é reflexo da ordem divina.
Por isso na Bahia não basta pedir aos antepassados bênçãos para o casamento é preciso ainda pedir a Exú que “abra os caminhos” para uma união feliz.
Exú preside o ato sexual, mas não a fecundação, está cabe a Ogum que limpa as estradas e cuida das vias do mundo. Por isso dois meses antes das núpcias se faz a oferenda a Ogum.
Exú permite o processo de geração no ventre feminino, mas a missão de gerar é de Oxalá. No momento do parto Exú foge por 16 dias por ficar enjoado e por isso na Bahia as relações sexuais só podem ser retomadas 16 dias depois do parto.
Há casamentos proibidos e preferenciados que seguem normas místicas no Brasil.
Na África os Orixás são considerados antepassados do homem e suas normas de parentescos devem ser respeitadas pelos homens de hoje. Assim os filhos dos mesmos Orixás não podem se casar.
Mas quando o amor não que se submeter as origens divinas o que se deve fazer é, através de um babalorixá mudar a “cabeça” da noiva para um Orixá compatível.
Assim como o batismo católico, a criança deve passar pelo batismo africano onde o babalaô vai conhecer a “cabeça” de orixá da criança, na África só é possível saber qual é esse orixá depois de três dias de nascido. Mas a verdadeira iniciação se dá na adolescência.
Mas para verdadeiramente se tornar um filho de candomblé é necessário ter passado por esse rito no início da fase adulta e receber o seu nome divino. Com o nome profano (da terra) e o nome divino (do candomblé) é que o individuo se torna um filho de santo.

II


O homem só repete os deuses porque participa do caráter deles, porque um pouco do que eles são penetrou-lhes a cabeça.
Participar da natureza e da força dos orixás é parte da cultura africana que se reflete em boa sorte, prosperidade e triunfo amoroso.
Uma vendedora de acarajé apesar de sua pobreza e de sua vida trabalhosa, apesar de sua condição social, considera-se superior as outras pessoas, mais ricas ou mais prestigiosas, pois é filha de Xangô.
O status social no Candomblé não se traduz pela hierarquia e sim pela quantidade de orixá que o indivíduo possui.
Para nós, os indivíduos mais altamente colocados podem desfrutar de tudo que nos é proibido. Diretos reais, direito ao ócio, direito aos prazeres, direito de não trabalhar. E isso está em oposição a maneira africana de ver.
Subir na hierarquia do Candomblé é adquirir responsabilidades e limitações, é incorporar tabus, obedecer a normas. Estes títulos nada mais passam do que mais encargos. E isso repele os jovens influenciados pelos prazeres do mundo moderno.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Resenha de Gramsci, Materialismo e Relações Internacionais. De: Stephen Gill

Bruno Botelho Horta
Quarto Período







Resenha de Gramsci,
Materialismo e Relações Internacionais.
De: Stephen Gill

Matéria: História da América
Professor: Victor






Macaé/RJ
Setembro de 2011.
Gramsci, Hegemonia e relações internacionais: Um ensaio sobre o método. – Robert W. Cox

Baseada na leitura de Os Cadernos do Cárcere do ex líder do partido comunista italiano Gramsci, o autor ressalta a importância do estudo do conceito de hegemonia. Principalmente nas teorias e estudos das relações internacionais.

Gramsci e hegemonia.

Gramsci utiliza sua própria experiência pessoal pra adaptar e evoluir conceitos que, segundo ele, não podem ser abstraídos de suas aplicações, evitando assim contradições e ambigüidades. A validade dos conceitos só pode ser confirmada se postos em prática resolvem situações e as deixam claras.



Origens do conceito de hegemonia.

Partindo da terceira internacional comunista e passando pelos conceitos de Maquiavel o pensamento de Gramsci nos caminhos do e Lênin leva a definição de liderança com consentimento das classes aliadas. Mas adaptando esse pensamento Gramsci aplica a classe burguesa o conceito de hegemonia observando ainda que para se estabelecer no comando e no controle a burguesia até oferece concessões para manter a subordinação das classes assalariadas. Essa hegemonia permanecerá enquanto a classe dominada permanecer passiva, mas os casos em que a ordem for ameaçada a latente coerção se fará sentir pela classe dominante.
Para combater essa hegemonia das sociedades européias Gramsci defendia a utilização da guerra de posição e não a de movimento, pois a hegemonia só seria derrubada com ataques constantes a base de sustentação da hegemonia, que são os aspectos sóciais do estado.
Esse combate é a construção da contra hegemonia, que se forma no interior da atuante hegemonia, e que deve resistir as tentações de não ser incorporado pela atual hegemonia.



Revolução Passiva


Para Gramsci existiam dois tipos de sociedades que haviam se transformado socialmente: as completas como Inglaterra e França. E as que a nova ordem havia sido imposta, ordem esta criada no estrangeiro. A principal característica desta segunda sociedade é a dialética revolução-restauração. Aqui mesmo no Brasil podemos ver as constantes revoluções e golpes que transformaram a sociedade e mudou, por diversas vezes o pode de mãos.
Achei importante e esclarecedora pra mim a definição “progressistas, quando o governo forte preside um processo mais ordenado de criação de um novo Estado; reacionárias, quando estabiliza o poder existente.”
O transformismo definido por Gramsci era uma coalização de forças de amplo aspecto formando um grupo de interesses com objetivos comuns e transformadores.


Bloco Histórico


A estrutura formada por estado e sociedade representa um contexto estabelecido e que só poderiam ser modificados por um evento catastrófico que derrubando a atual estrutura possibilitaria a o surgimento de um novo bloco, o bloco histórico.
O bloco histórico não existe sem uma estabilidade da conjuntura dominante. Só a permanência de um Estado, suas forças sociais, políticas e econômicas caracterizam o bloco histórico. Para manter a estabilidade do bloco histórico os intelectuais desempenham um papel importante em manter imagens mentais da funcionalidade da organização ou, ao contrario, para derruba-la.

Teoria da dependência, neoliberalismo e desenvolvimento: Reflexões para os 30 anos da teoria

Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História






Bruno Botelho Horta
Quarto Período








Teoria da dependência, neoliberalismo e desenvolvimento:
Reflexões para os 30 anos da teoria
Matéria: História da América
Professor: Victor Tempone.





Macaé/RJ
Setembro de 2011.




Duas principais teorizações da dependência podem ser definidas como:
I – A marxista onde a luta de classes é a principal conseqüência da dominação, onde essas classes buscam na periferia uma organização socialista.
II – E a weberiana onde as estruturas de dominação são as responsáveis por manter o sistema dominante operando.

Para Cardoso foi o crescimento da unidade nacional que iniciou o rompimento com as estruturas dominadoras caracterizou o verdadeiro insucesso dos países que, no contexto internacional, não conseguiram encontrar os seus nichos internacionais de mercado, terminando como grupos irrelevantes para o mercado global.
A vertente econômica da dominação é a mais esmagadora e eficaz. Impões que estruturas internas só funcionem para manter ou abastecer as estruturas externas e dominadoras. A estrutura política pouco pode contribuir para buscar um ajuste que diminua ou termine com a dependência, pois esta se encontra funcionando apenas na ordem interna, sem poder, verdadeiramente influencias em estruturas internacionais.
Para fugir das estruturas de dependência Cardoso sugere que a centralidade do mercado se estabeleça no aspecto político, nas relações internacionais e no desenvolvimento econômico. Voltando para o lado da ética as ações dominadoras. Colocando, desta forma, barreiras morais para evitar dominações e massacres econômicos.
Ainda para Cardoso a globalização trouxe práticas ainda mais negativas, pois o capital especulatório se movimentava de forma muito dinâmica no mercado internacional, gerando crises e ainda mais dependência do sistema financeiro. E para Cardoso somente quando os mercados se tornarem únicos internacionalmente que os problemas gerados pela globalização poderão ser controlados.
A entrada do capital internacional nos mercados internos primeiro funcionou como amortização das tensões sociais, mas logo se transformou em mais uma forma de ameaçar as estruturas de desenvolvimento interno.
O caminho proposto para fugir das armadilhas impostas pelo capital internacional é abrir o mercado para atrair investimentos e manter a moeda forte para escapar de ataques especulativos.
A saída marxista para a dominação é a integração nacional para comandar os processos criados pela entrada do capital estrangeiro. A melhor distribuição das indústrias no território nacional, investimentos sociais para a qualificação do trabalhador, seriam políticas de integração nacional que fortaleceria as estruturas internas, diminuindo a dominação e a dependência externa a cada momento.

Características gerais da colonização portuguesa do Brasil: formação de uma sociedade agrária, escravocrata e híbrida.

Características gerais da colonização portuguesa do Brasil: formação de uma sociedade agrária, escravocrata e híbrida.

O primeiro destaque é a tendência histórica do povo português em se miscigenar e conviver com outras raças e culturas. “o ar da África, um ar quente, oleoso, amolecendo nas instituições e nas formas de cultura as durezas germânicas; corrompendo a rigidez moral e doutrinária da Igreja medieval; tirando os ossos ao cristianismo, ao feudalismo, à arquitetura gótica, à disciplina canônica, ao direito visigótico, ao latim, ao próprio caráter do povo.” Fica clara a idéia de miscigenação e da constante influência dos mais variados povos e culturas por toda a história de Portugal. Um país caracterizado pelo bi continentarismo. O caráter do povo definido por suas contradições entre o cristão e o mulçumano. E ainda uma miscigenação semita que levou a mobilidade e adaptabilidade resultando no perfil do português colonizador que chegou ao Brasil.
Essa mobilidade combinada com a facilidade de miscigenação facilitou a expansão de um povo diminuto em recursos humanos “dominando espaços enormes e onde quer que pousassem, na África ou na América, emprenhando mulheres e fazendo filhos,” A aclimatabilidade foi outro fator que facilitou a adaptação portuguesa em terras brasileiras, por seu clima único da Europa, devido a sua proximidade com a África, os portugueses não encontraram muitas dificuldades para as adaptarem ao clima tropical. Ingleses, franceses, holandeses entre outros tentaram suas aventuras pelos trópicos e suas empreitadas invariavelmente amoleceram pelo clima quente, que impediu seu estabelecimento nas terras das novas colônias. Foi pro motivos como estes que as metrópoles utilizaram a exploração comercial e não a dominação étnica para continuarem dominando suas colônias.
Foi o colonizador português o primeiro a iniciar o trabalho na terra e não apenas retirar dela sua riqueza natural. Foi a “Colônia de Plantação” a nova atividade imposta pelos portugueses, utilizando para isso escravos na produção agrícola. Foi essa sociedade que estabeleceu a formação de uma família patriarcal e aristocrática. A descrição resumida deste inicio de colonização feita por Ruediger Bilden. Resume bem esse momento que o Brasil atravessava. “no Brasil a colonização particular, muito mais que a ação oficial, promoveu a mistura de raças, a agricultura latifundiária e a escravidão, tornando possível, sobre tais alicerces, a fundação e o desenvolvimento de grande e estável colônia agrícola nos trópicos.”
O português tinha uma tendência de espalhar-se ao invés de condensar-se e foi assim com os bandeirantes desde o século XVI, fundando subcolônias e expandindo as fronteiras.
Um outro fator que foi importante no início e por um bom período da colonização brasileira foi a questão religiosa onde transformar os índios em novos cristãos foi motivos de expansão das atividades colonizadoras. O sentimento de antagonismo permanece quando os jesuítas ampliam suas conversões, atingindo os escravos e assim contrariando os interesses dos fazendeiros, que usavam de duras medidas para manter seus escravos em uma condição abaixo da humanidade, evitando assim, revolta e conseqüente prejuízo.
Mesmo com todas as dificuldades climáticas, geográficas, intelectuais, raciais e religiosas a sociedade colonial foi harmonizando-se e criando mecanismos de manter funcionando suas estruturas sócias e estruturas de poder. Os fatores que facilitaram a chegada do português ao território brasileiro continuaram existindo em favor de sua permanência e estabilização. A miscigenação entre europeus e índios, europeus e negros, negros e índios teve continuidade. Criando um povo cada vez mais adaptado a terra em que viveram. Essa adaptação tanto no início da colonização, quando durante o seu processo contou, além da mobilidade de seu povo sua adaptação a mudança de atividades e de residência. A característica hospitalidade deste povo contribuiu ainda mais para expandir o processo de estabilização da colonização. Ampliadas ainda por facilidades geográficas por não contar com uma importante cadeia de montanhas ou um rio que de forma importante consista em barreira realmente dificultadora de um processo de expansão.

Um Visionário na Corte de D. João V. Cap. V De: Adriana Romeiro.

Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História







Bruno Botelho Horta
Quarto Período







Um Visionário na Corte de D. João V
Cap. V
De: Adriana Romeiro.
Matéria: Historia do Brasil Colônia
Professor: Meynardo.







Macaé/RJ
Outubro de 2011.


Pedro de Rates Hanequim é um português que no Brasil se tornou um minerador. Suas práticas o levaram a ser acusado, preso e morto por crime de Lesa-Majestade. Hanequim era milenarista e acreditava na vinda do quinto reino para o Brasil. Crenças que o colocava diretamente em conflito com o governo português. Seu caso foi conduzido em segredo e os registros destruídos. Fato que dificultou o trabalho de historiadores que pesquisaram seu caso. As partes das investigações que puderam ser esclarecidas sobre o episódio, deixaram claro que Hanequim ou havia agido sozinho ou ocultou seus cúmplices.
O desembargador Santa Marta, responsável pelo caso de conspiração, restringiu sua área de ação limitando suas investigações somente a este aspecto e encobrindo provas documentais do processo de Hanequim. É entendendo sua cultura e sua política que estava ambientada em Minas Gerais é que podemos entender o que se passava nessa região.
Para entender o ambiente em que Hanequim circulava é preciso entender que ele vivia sob um viés subversivo que seu pensamento foi construído na relação com letrados e acadêmicos.
Dos poucos registros que restaram da inquisição de Hanequim, o que se pode confirmar é que ele permaneceu por cerca de vinte anos na região de Sabará, Vila Rica, Serro Frio, Ribeirão do Carmo, entre outras. O interessante é observar que o regime de D. João V teve grande preocupação em apagar todos os vestígios do ocorrido com o mineiro Hanequim, provavelmente para manter a estabilidade do regime e impedir que idéias inconfidentes tomem conta do pensamento popular. Principalmente em uma região rica em ouro e diamantes. Durante seu interrogatório em Portugal foi constatado que o auxilio do padre Inocêncio de Carvalho era verdadeiro e que também o ouro descoberto e minerado por ele foi quintado de acordo com a lei portuguesa, mostrando que seus atos estavam todos dentro da lei.
O caso de Hanequim revelava implicações maiores e que demonstravam a complicada política econômica na colônia no início do século XVIII. Uma testemunha citada por Hanequim, durante o processo de inquisição, foi o capitão mor João Ferreira dos Santos. Dono de uma sesmaria na região do Caeté, ele foi influente na região ajudando com escravos no combate a invasão francesa no Rio de Janeiro, onde conseguiu seu título militar. Suas atividades auríferas foram exercidas de forma ilegal, falsificando o selo real sonegou impostos à coroa portuguesa, foi preso e condenado. Não foi queimado por uma manobra legal onde conseguiu provar que reconhecendo o crime e fornecendo informações a seus inquisidores poderia reduzir sua pena. Conseguiu escapar da morte e do exílio em Angola, permanecendo em Lisboa. O caso do capitão revela que grandes manobrar ilegais ocorriam na região para lesar a coroa na taxação do ouro. Por ser um minerador Hanequim, que viveu na mesma região que o capitão, certamente conviveu com ele, mas o capitão negou conhecer o condenado Hanequim. Provavelmente por temer se envolver em ainda mais problemas com Portugal.
Para fugir do casamento Hanequim chegou a usurpar a identidade de Frei Simão de Santa Teresa. Este frei que realmente habitava a região. Era um religioso culto e pagador de impostos, além de ter uma participação importante na guerra dos emboabas. O frei ocupou funções de destaques no governo ilegítimo dos emboabas. Certamente uma estratégia pra fugir do controle da coroa portuguesa e de sua dominação.
Oficialmente Hanequim chegou a ser registrado em um livro de pagamento de impostos na Vila de Sabará entre 1714 e 1715, descartando assim, a possibilidade de sempre utilizar nomes falsos para escapar de alguma perseguição real. Os registros sempre foram muito contraditórios. Durante o tribunal do ofício testemunhas alegaram que Hanequim possuiu grandes posses e outras já afirmavam que ele nada tinha. Sua vida foi marcada por uma grande variedade de acontecimentos, onde Hanequim demonstrava sua inteligência e capacidade de adaptação. Tentou assumir a responsabilidade da descoberta do ouro para os espanhóis, participou de estudos das escrituras e foi escrivão em Rio das Velhas entre 1709 e 1710 onde atuava no ato de apreensão de entrada ilegal de mercadorias em Minas Gerais.
Acredito ser uma estratégia de Hanequim, onde ao pagar e impostos e trabalhar em serviços oficiais proporcionava a ele uma aparência de legalidade, para esconder seus atos revolucionários contra a coroa portuguesa.
Foi ainda no início do século XVIII que Portugal intensifica as ações de controle sobre sua colônia e a região das minas sofre intenso combate aos desvios de pedras preciosas. Uma das medidas é a proibição de comércio com a Bahia e posteriormente a instauração de postos de controle para selar o ouro. Portugal precisava explorar ao máximo esse empreendimento de metais preciosos e coibir movimentos revoltosos que foram surgindo e sendo debelados, como foi a guerra dos emboabas.
É importante notar como o governo colonialista estabelece uma hierarquia de imposição do poder. Os governadores nomeados pela coroa nomeiam seus assessores, que por sua vez possuem outros assessores que até quando não remunerados tem grande interesse em ocupar um cargo oficial. Como no caso de uma carta régia de 7 de maio de 1703, autorizando que a superintendência nomeasse os guardas mores sem a obrigação de aprovação do rei. Estes “registradores” não possuíam salários, só recebiam de acordo com os emolumentos que praticavam, mas era um cargo de boa visibilidade social, mas que ainda assim, permanecia sob os domínios da coroa portuguesa e precisavam trabalhar de acordo com os interesses do rei..
Hanequim viveu em um mundo em que ele construiu com seus conhecimentos religiosos e milenaristas, acreditava em uma América longe dos domínios de Portugal. E justamente por isso pagou com a vida perante a inquisição. A imposição do regime colonial não poderia permitir que idéias separatistas, ainda mais em uma região aurífera, progredissem. Era uma clara ameaça a ordem vigente do antigo regime.

sábado, 24 de setembro de 2011

Macaé e sua História recente no contexto da segurança pública. Uma visão da segurança municipal.

Vivemos em uma cidade em constante transformação, desde os anos 70 Macaé, nossa cidade, vive uma constante transformação de seu próprio tempo, de seu próprio espaço, de sua própria gente. Os anos 80 trouxeram a tecnologia e o aparelhamento governamental. A cidade cresce e com ela sua população. Uma profunda transformação social é vivenciada por seus novos e antigos habitantes. E no fim dos anos 90 um avanço social é proposto pelo governo municipal. A reestruturação da já tradicional Guarda Municipal.

Um concurso público é realizado unindo filhos originais desta terra e novos filhos adotivos que chegavam para trabalhar por esta cidade. Mas o grande diferencial deste concurso foi o de trabalhar de forma civil, solidária e servindo a toda a população. Os jovens que aqui chegavam traziam um sopro de renovação para suas vidas e para a vida da própria cidade. Macaé crescia em recursos, em visibilidade, em população e em oportunidades. Sua crescente população necessitava de atenção, precisava de servidores no melhor aspecto da palavra e a Guarda Municipal veio preencher justamente este espaço.

Em contato direto com a sua população o Guarda Municipal era o maior representante do governo nas ruas. Ouvia as queixas da população, providenciava soluções para os seus problemas, que quando não resolvidos de forma imediata, eram encaminhados diretamente da Guarda Municipal para as demais secretárias municipais. A Guarda Municipal estava nas ruas, nas escolas, nos hospitais e postos de saúdes, nas secretarias, nas praias e nas serras e matas da cidade. O sentimento de pertencer a cidade passou a habitar o coração de todos nós. Atendemos nas tragédias e nas alegrias. Nas enchentes, acidentes, afogamentos e incêndios florestais, nos parques, nos desfiles, nas comemorações, nos shows e nas datas festivas. A sociedade estava integrada a Guarda Municipal e nós nos sentíamos parte desta sociedade.

Éramos jovens, idealistas, defensores e amantes desta cidade. Limpos, íntegros e honestos. Mas a constante evolução da cidade não premiou a nossa Guarda Municipal com a mesma evolução.

De secretaria, viramos empresa, autarquia e agora uma subsecretaria. Nossa função de controlar e organizar o crescente trânsito e o emergente sistema de transporte público nos foi tirado. Depois de construímos todo o conhecimento de como evoluir junto com a cidade, tudo foi cortado e recomeçado do zero em outro lugar. Tornamos-nos órfão de uma função que nasceu junto com nossa vida na cidade. Até hoje se olha para um agente de trânsito na cidade e o chamamos de “Guarda”, é a referencia que ultrapassou medidas administrativas e políticas que não atendiam ao real interesse da cidade e da população. Sem referencia e atendida por contratados a cidade mergulhou em um grande conflito e em uma grande confusão que transformou transitar pela cidade uma verdadeira Via Crucis.

Os veículos apreendidos pelas ruas da cidade eram guardados e administrados pela Guarda Municipal. Um órgão ainda sólido, que garantia a tranqüilidade de quem já passava por momentos difíceis inevitáveis quando temos nossos veículos apreendidos. Mas mesmo nesse momento difícil o cidadão era tratado por funcionários que carregavam seu nome no peito e o brasão da cidade em seus braços. O cidadão sabia com quem estava resolvendo seus problemas, hoje uma empresa particular que defende interesses desconhecidos administra esse intricado circulo de medidas e conta medidas constantes.

Mas nossas perdas continuavam, nossos Salva-Vidas nas praias deixaram de apoiar o corpo de bombeiros, nossa apreensão de animas que atuava 24 horas por dia foi desfeita, nossa fiscalização de posturas foi abolida, nossa personalidade diminuída.

Perdemos ainda o monitoramento por câmeras de segurança na cidade, depois de sucateada e sem nenhuma manutenção ou investimento, toda a estrutura foi entregue ao governo do estado que hoje opera de forma obscura e sem consulta a sociedade de qual seria os benefícios que ela mesma espera deste importante serviço.

Hoje perdemos nossa casa, mesmo ainda tendo nosso quintal. É triste e desolador chegar ao trabalho e encontrar paredes destruídas, teto caído, pó e poeira no lugar em que vivemos momentos de satisfação e alegria por servir e se sentir parte de uma estrutura que funcionava.

Nosso grupo tão forte e tão unido não resistiu a tantas perdas. Afinidades políticas se tornaram mais importantes que o bem estar coletivo. Projetos pessoais se tornaram mais importantes que a própria instituição. Apadrinhamentos, injustiças, perseguições e desmandos se tornaram comuns. Um rico orçamento se transformou em pó. Sem rádios, sem uniformes, sem viaturas, sem ao menos um lugar para se proteger do tempo ficamos. Ninguém resistira, ninguém suportaria, ninguém viveria assim.

Mas nós vivemos, nós suportamos e resistimos. Servimos a população em tudo que está ao nosso alcance, em poucas escolas e em raros prédios municipais, em que ainda trabalhamos. Em poucas praças e alguns parques. Ainda somos íntegros, limpos e honestos. Afinal caráter é para sempre. Os jovens que aqui chegavam para renovar hoje precisam de uma renovação, necessitam do fresco vento da mudança.

Pois exatamente hoje, no dia em que escrevo nossa moral afunda ainda mais, nossa identidade é ainda mais destruída e rezo por em breve poder voltar aqui e apagar esse último parágrafo e escrever uma nova história. Que venha a mudança, que os ventos mudem, que as pessoas vivam.

Bruno Horta.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Resenha da História dos Estados Unidos de Leandro Karnal, Purdy, Fernandez e de Morais.

Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História







Bruno Botelho Horta
Quarto Período







Resenha da História dos Estados Unidos de Leandro Karnal, Purdy, Fernandez e de Morais.

Matéria: História da América
Professor: Victor Temprone







Macaé/RJ
Agosto de 2011.



Os Estados Unidos permaneceram entre 1814 e 1898 longe da política internacional e mergulhados na doutrina Monroe. Mas os interessem sempre estiveram nesta direção, pois a própria doutrina Moroe era uma política internacional. Os EUA sempre tiveram interesse em expandir o seu mercado consumidor, principalmente para o extremo oriente e montar um protetorado no Havaí. Historiadores apontam uma elite bélica na costa leste direcionando esforços para uma marinha de guerra. Nomes como o de Willian H. Seward, secretário de estado, Theodore Roosevelt, então secretário assistente da marinha, o presidente Grant e o secretário james G. Elaine.
Cuba era o maior interesse dos EUA para ampliar sua política expansionista, seria a porta de entrada para o caribe. Uma lei das tarifas chamada lei McKinley de 1890, isentava o açúcar cubano de pagar impostos aduaneiros, quando essa lei foi suspensa a ilha entrou em crise uma revolta foi massacrada pela Espanha e mesmo com uma pressão para ajudar Cuba o presidente Cleveland não atacou os espanhóis da ilha, isso só viria a acontecer em 11 de abril de 1898, depois do navio de guerra americano U.S. Maines sofrer um taque durante uma visita a Havana onde 260 marinheiros morreram. Para evitar uma política imperialista opositores do congresso aprovaram uma lei que não autorizava os EUA a montar uma base em Cuba. Simultaneamente o Comodoro George Dewey recebe ordens de atacar a capital das Filipinas, Manila, que também enfrentava uma luta colonial contra a Espanha. Os EUA saem vitoriosos. Cuba e as Filipinas não foram anexadas ao território dos EUA por questões constitucionais, racistas e estrategistas.
As Filipinas só se estabeleceriam como república após a segunda guerra, Cuba permaneceu orbitando os EUA, Porto Rico se tornou um estado livre associado aos EUA. Paralelamente a esses acontecimentos a Inglaterra reconhecia e apoiava a política dos EUA no caribe e no oriente.
O expansionismo dos EUA foi crescendo com acordos com o Japão para garantir as Filipinas para os EUA e a Manchúria para o Japão. Financiou a revolução do Panamá para construir o canal, separando-o da Colômbia. Em resumo de 1900 a 1920 os EUA interviram em Cuba, no Haiti, na República Dominicana, na Nicarágua e no México.
Duas teses tentam explicar o caráter expansionista dos EUA. O primeiro é econômico onde o mercado americano necessitava de matérias primas para seu mercado interno, outra de que os EUA eram exemplo de ética e retidão protestante e deveriam levar essa retidão aos povos não remidos do pecado do México e de toda a América do Sul.



De um século a outro

Um país sem nome que de 1800 com 16 estados chega a 1900 com 45, banhado por dois oceanos, a mesma constituição e sonhando com o futuro.



O Século Americano
A Era progressista: 1900 – 1920.


No início do século XX os EUA possuem um grande parque industrial, comandado por grandes monopólios, superando as nações europeias. O Darwinismo social justificava as políticas opressoras. Horas excedentes de trabalho, baixos salários e péssimas condições de trabalho eram justificadas pela capacidade de raciocinar e trabalhar do povo americano. Capacidade superior a índios, latinos e a demais imigrantes.

Capitalismo monopolista e trabalho.

A economia que era agrícola e artesanal na virada do século se torna industrial. A expansão das ferrovias facilitou os acessos e a expansão agrícola, de extração de ferro e na abertura do mercado. Grandes empresas dominavam o mercado dos EUA. J. P. Morgan e John D. Rockfeller controlavam 48 e 37 empresas respectivamente. Os salários eram muito baixos e os benefícios trabalhistas não existiam. As empresas preferiam empregar mulheres e crianças, pois os salários eram mais baratos.


Imigrantes e o sonho de “fazer a América”


Cerca de 25 milhões de imigrantes chegaram aos EUA entre 1865 e 1915. No ano de 1890 a grande maioria da população das grandes cidades era formada por imigrantes 87% em Chicago, 80% em Nova Iorque e 84% em Milwaukee. Dos imigrantes os que mais sofreram discriminação foram os negros, os latino americanos e os asiáticos. Segundo o economista Francis Amasa Walker a sociedade americana considerava que a fibra da sociedade estava se enfraquecendo, pois os imigrantes estavam ultrapassando os números de pessoas anglo saxônicas. Mesmo com todo o preconceito as leis não impediam as imigrações de forma mais efetiva, pois a mão de obra era muito necessária para a indústria do país.



Racismo e a grande migração de afro-americanos.

O sul dos EUA trataram os negros de uma forma bastante discriminatória no início do século XX. Os negros não tinham direito a voto, usavam repartições públicas diferenciadas. Sofriam violência social e policial. Chegando a média de 2 espancamentos por semana entre 1889 e 1903. Em 1900 90% dos negros dos EUA estavam nos sul do país trabalhando nas plantações de algodão. O êxodo em direção ao norte se seguiu de forma intensa, mas mesmo no norte do país os negros sofriam uma discriminação já enraizada na cultura era uma segregação informal mas impunha limitações sócias.



O Jazz e o Blues.

Basicamente uma mistura de ritmos africanos e europeus o blues se originou nas cantigas de trabalho e toadas da época da escravidão. Por fim se transformou em uma das maiores contribuições dos EUA para a música mundial.


O impulso progressista e seus críticos.

Essa era progressista fez surgir diversos segmentos na sociedade preocupados em controlar e prevenir um caos social. Em 1905 duzentos sindicalistas de Chicago fundaram o Idustrial Workes of the World (IWW) popularmente conhecidos como Wobblies. Fundamentalmente anarquistas buscavam um organização social ampla, onde somente a greve e o enfrentamento levariam a classe operária ao poder. Milhares de ativistas foram presos, torturados e executados. Pela polícia e por milícias de industriais.


O partido socialista da América.

Fundado em 1901 misturava ideias marxistas e a necessidade de acabar com a propriedade privada. Seu programa previa a estatização de bancos e ferrovias, trazia benefícios sócias e trabalhistas. Se desenvolveu a ponto de em 1912 seu candidato a presidência receber cerca de 1 milhão de votos. Sua influência chega ao fim junto com o início da primeira guerra.

Fichamento do livro: Historia da África, uma introdução. De: Ana Mônica Lopes e Luiz Arnaut

Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História







Bruno Botelho Horta
Quarto Período







Fichamento do livro: Historia da África, uma introdução.
De: Ana Mônica Lopes e Luiz Arnaut
Matéria: história da América e Cultura Afro-brasileira.
Professor: Marcelo Abreu







Macaé/RJ
de 2011.

Introdução.

Na introdução os autores alertam que este livro se trata de apenas uma introdução aos temas africanos. Alerta pra a cultura euro centrista em que estamos submetidos. Destaca que o continente africano possui escritores, cineastas, músicos e intelectuais que são completamente desconhecidos da nossa cultura. Os autores indicam que tratarão dos grandes temas africanos para iniciar o e estudo do continente. Estudo esse regulamentado em lei como matéria obrigatória nas escolas de nível médio e superior no Brasil.

Idéia de África.

Estudar a África não é simplesmente realizar uma descrição física do continente e entre seus desertos, montanhas, rios e florestas, colocar o homem africano entra as zebras, elefantes e girafas. O Homem africano não pode ser naturalizado. São pessoas vivendo em grupo, criando culturas, vivendo e amando.
Culturalmente a África entrou no imaginário europeu como uma terra bestializada. No século XIII o continente era definido pela igreja como uma terra de seres fantásticos e longe das terras dos homens. Mas essa estigmatização não acompanha o pensamento anteriormente defendido e estudado no período clássico de nossa história, Heródoto, Plínio e Solino em seus escritos, fazem muitas referências ao continente africano, essas referências foram completamente deixadas de lado na Idade Média. Contribuindo para rechear o imaginário europeu com lendas e mitos a respeito do continente africano.
Existe um pensamento generalizante que trata toda a África como um só bloco, um pensamento que transforma todo um continente em uma só unidade monolítica. Mesmo durante a colonização do continente, nunca houve um esforço na diferenciação dos conjuntos populacionais.

Os africanos

Apesar da simples definição de que africanos são os nascidos na África, devemos ficar atentos para evitar que as simplificações reduzam a grande diversidade cultural, humana, linguística, alimentar, religiosa entre outras que compõe os vários africanos que habitam a África.
O “fardo moral dos homens brancos” foi um pensamento europeu em relação aos homens da África. Por não reconhecer na sociedade africana seus padrões de vida, sua estrutura política, sua semelhança em comportamento. O europeu considerou que alí, na África não havia humanidade.


Religiões

As religiões na África podem começar a serem analisadas a partir do norte. Onde o cristianismo partindo da Grécia e do posterior domínio do império romano. Logo se verifica uma penetração mulçumana através do vale do Nilo, devido a proximidade com a península arábica. Essa expansão mulçumana se estende por todas as regiões do Saara. O protestantismo com suas missões atingiram pontualmente algumas regiões do continente, mas nas regiões cristãs do que nas mulçumanas. De forma geral para cada dez convertidos apenas um era cristão e nove mulçumanos.
As religiões africanas de forma geral apresentam um ser superior que criou o universo, cercado por entidades menores que o auxiliam nas tarefas da terra. Além de uma forte ligação com os ancestrais. Mas a falta de livros sagrados e a forte tendência da tradição oral podem levar, erroneamente, a uma generalização das religiões africanas.




História e Historiadores

Não podemos esperar da natureza aquilo que só a cultura pode nos dar, ou seja, a história dos povos que habitavam e habitam o continente.
A concepção de história do século XIX fundamentada na definição de Hegel definia o continente como um lugar sem história, sem cultura, sem política, sem registros. Durante muito tempo a história do continente africano foi confundida com a história do europeu na África. Esse panorama só foi mudado a partir de 1950 com as primeiras independências mais significativas conquistadas e a inclusão da matéria história da África nas escolas e academias.


As organizações políticas.

As organizações politicas do continente são tão variadas que não permitem uma síntese conclusiva. Variando de impérios a pequenos clãs familiares os lideres eram erguidos das mais diversas formas. Uma visão panorâmica para facilitar o entendimento dos grupos políticos e suas formações pode ser dividida em três pontos:
1 – Até o século VI as grandes civilizações a militarização e multiplicidade religiosa caracterizou a região.
2 – Até o século XV o islamismo e o catolicismo formaram a base estrutural da sociedade na porção norte. Ao sul os movimentos migratórios formaram alguns estados políticos.
3 – Até 1880 com forte influência europeia, supratribalização e dominação militar.








Partilha européia e conquista da África.

O século XIX marcou a invasão europeia para o interior do continente africano. Motivada por diversos fatores tais como econômicos, religiosos, militares ou sócios, essa invasão foi tão intensa que esse período ficou conhecido como África europeia.
No século anterior o continente já contava com uma estrutura politica definida por grandes impérios como o Zulu, o Tucolor, e o Ashanti. Foi a resistência a invasão política europeia que transformou essa invasão em uma ação militar que, também, funcionou para um equilíbrio de forças entre as nações europeias.
Os europeus não encontram uma África unida e imaculada na sua chegada. Ao contrário, encontram uma um continente um luta por terras para a agricultura e constantes tensões e conflitos internos.
Por fim o que se planejou ser uma invasão comercial se transformou numa invasão militar devido a resistências de todos os povos africanos. “O mascate e sua mala foram substituídos pelo soldado e sua arma”


Congresso de Berlim.

Realizado em 1884 este congresso foi importante para regulamentar a ocupação do continente africano, pois os constantes movimentos militares e os interesses contrariados iram resultar em uma guerra entre os países da Europa.








A África sob o domínio colonial.

Quando o litoral já não era mais suficiente para os europeus e a conquista do interior começou os principais motivos para a vitória européia foram: Superioridade militar e logística, estabilidade associada a instabilidade africana, maior recurso material e financeiro, maior conhecimento do continente, avanço da medicina tropical.
A conquista européia trouxe duas profundas modificações na vida do africano: a expropriação das terras e o trabalho escravo.
Os nativos eram obrigados a pagar impostos aos conquistadores, mas estes impostos tinham que ser pagos com moeda européia, isso obrigava ao nativo a ter que trabalhar ou se escravizar para conseguir a moeda européia.



Pensar as independências africanas.

O movimento de independência africano que tomou força após o fim da segunda guerra mundial. Foi chamado, por alguns, de descolonização. Termo esse que mais do que uma diferença semântica para independência é uma personificação da volta a um passado pré-colonial, mas que não é o passado natural da região. A definição de libertação ou independência é a que mais se ajusta ao movimento ocorrido nesse período.
O movimento de libertação se tornou uma luta armada principalmente a partir de 1975 e as independências das colônias portuguesas.


Sul da África racismo e resistência.

Por se um ponto estratégico nas navegações da companhia das índias o Cabo da Boa Esperança recebeu ingleses e holandeses que logo se desprenderam dos costumes de seus países de origens e passaram a viver com novos costumes, originários desta nova região. O século XX já trouxe uma forte característica separatória na região. Mas foi a partir do fim da segunda guerra mundial que as politicas se endureceram e a África do Sul programou em toda a sua força de opressão o Apartheid.
O governo dos Boers realizou a separação dos povos por raças e isolou os negros em estados independes de forma forçada, onde eles perderam a cidadania sul-africana.

Avaliação de História da Africa.

1. Um breve exame do mapa físico da África basta para mostrar a importância da Núbia como elo entre a África central – a dos Grandes Lagos e da bacia do Congo – e o mundo mediterrânico. O vale do Nilo, que em sua maior parte corre paralelo ao mar Vermelho, em direção ao “corredor” núbio, entre o Saara, a oeste, e o deserto arábico ou núbio, a leste, permitiu um contato direto entre as antigas civilizações do Mediterrâneo e as da África negra. Assim, não deve causar espanto a descoberta de uma admirável cabeça de bronze de Augusto em Meroé, a menos de 200 km de Cartum.
Descreva as principais características das civilizações núbias, estabelecendo uma relação com a citação acima. Em outras palavras, pesquise a importância do comércio nas atividades econômicas dos povos núbios.

Os núbios possuíam algumas riquezas em seu território como o ouro, ébano e marfim que atraiam a atenção dos egípcios iniciando atividades comerciais e também guerras de conquista. Mas esses materiais também eram exportados para o Egito na época da dominação egípcia. A Núbia desenvolveu a produção de manufaturados, como camas e sofás, que também eram exportados para o Egito. Mostrando assim o avanço do povo núbio.
Mas foi sua estratégica posição geográfica que facilitou seu acesso a todo o continente. O contato ao norte com o vale do Nilo e ao sul, servindo de elo para a África negra subsaariana. Foi principalmente no segundo período intermediário que a Núbia intensificou seu comércio com o vale do Nilo. A cidade de Kush intensificou seu comércio na região obtendo muito lucro nas negociações.
Foram os monarcas de Assuã que perceberam a importância do comercio na fronteira entre Núbia e Egito. Por se tratar de um ponto estratégico de acesso a toda a região.
Meroé era um entreposto para as caravanas comerciais do mar vermelho para o Nilo e para o Chade. A abundância de madeira foi um incremento do comércio de ferro para a Núbia onde seu arenito fornecia minério para a fundição do metal. O ponto alto do comércio núbio foi sua dominação do Egito, onde tiveram contato com os romanos, foi na saída do Egito que o episódio da cabeça de Augusto aconteceu, ela foi levada para o território núbio na cidade de Maroé. E ficou enterrada na entrada na soleira do palácio para que todos pisassem sobre a cabeça do imperador romano.


2. “A observação arqueológica e o produto das escavações constituem sem duvida a principal fonte documentaria a respeito da civilização axumita. A partir do século XIX, viajantes começam a registrar a existência de sítios, monumentos e inscrições. Publicaram‑se inúmeros estudos, alguns do maior interesse – como, por exemplo, a obra fartamente documentada da missão alemã para Axum (1906). Criado em 1952, o Instituto Etíope de Arqueologia deu inicio a trabalhos sistemáticos. Diversos sítios foram objeto de pesquisas exaustivas, caso de Axum, Melazo, Haulti, Yeha e Matara. Ao mesmo tempo, o mapa de povoamentos antigos cresceu consideravelmente. Sabe‑se hoje da existência de aproximadamente quarenta sítios importantes, numero que por certo crescera com a realização de novas prospecções. Estas, no entanto, são ainda insuficientes, donde a precariedade do nosso atual conhecimento. A datação da maioria dos vestígios descobertos não e precisa, sendo as inscrições praticamente as únicas evidencias que nos permitem esboçar um quadro cronológico, mesmo assim nem sempre definitivo. Os dados disponíveis não são suficientes sequer para se traçar as linhas mais gerais da civilização axumita.”
A civilização de Axum teve grande parte de sua História revelada pelo trabalho dos arqueólogos. Descreva qual a importância da Arqueologia como Ciência “reveladora do passado”. Aproveite a ocasião e descreva resumidamente a civilização axumita.

Acompanhar a evolução de uma sociedade extinta ou o passado remoto de uma sociedade atual é o principal foco da arqueologia. Utilizando-se de vestígios históricos escritos ou não, como: ossos, restos de fogueiras, pinturas rupestres, artesanato e ruínas, entre outros artefatos. A arqueologia é importante para diversas ciências sociais, como a etnologia, a história e sociologia. Estas ciências se valem das descobertas arqueológicas para estabelecerem suas pesquisas e seus estudos. Elaboram teses, entendem acontecimentos e propõe novas verdades quando o passado se revela de forma consistente pela arqueologia.
O reino de Axum se localizava nos planaltos da Etiópia.A população foi basicamente formada por povos locais e alguns imigrantes da Arábia que atravessaram o mar vermelho pra contribuir com a formação do povo. Estabeleceram um forte comércio como os Kushitas e se estabeleceram como importante centro comercial. Dominavam o mar vermelho e estabeleceram contatos com muitos reinos arábicos.

3. “Em Cerna, os fenícios [isto e, os cartagineses] ancoram seus gauloi (assim se chamavam seus navios mercantes) e armam suas tendas na ilha. Apos ter descarregado suas mercadorias, eles as transportam em pequenas canoas para o continente; ai vivem os etíopes [isto e, os negros] com os quais negociam. Os fenícios trocam suas mercadorias por peles de veado, de leão e de leopardo, couros e presas de elefantes [...] os fenícios trazem perfume, pedras egípcias [cerâmica?], loucas e ânforas atenienses.”(Enciclopédia da História da África, Unesco, 2010, Volume 2)
Na formação de Cartago há importantes contribuições berberes e fenícias, embora a História narre com muita propriedade apenas o legado fenício. Quem foram os berberes (pesquise), e qual a contribuição de um grupo e de outro a civilização cartaginesa?

Os berberes eram povos nômades que ocupavam o norte da África, principalmente na área do atual Saara. A área em que viviam os berberes é o atual Marrocos, Tunísia e a Argélia. Receberam a influência inicial dos fenícios, depois dos gregos.
O Cártago teve sua ocupação realizada pelos povos fenícios que partiram da cidade de Tiro. Os fenícios eram povos semitas e vieram do Golfo Pérsico. Foi a expansão das cidades estados se transformando em federação que levou os fenícios a conquistar e construir a cidade de Cártago. Os fenícios já dominavam a metalurgia, fato que coloca seu povo entre os mais desenvolvidos da época. Um ponto negativo da história cartaginesa é de que os gregos e os romanos destruíram quase todo o legado deixado pela sociedade cartaginesa, principalmente seus escritos. Mas em pouco tempo a cidade se desenvolve grandemente, superando inclusive a própria Tiro. Já que as cidades estados eram constantemente atacadas e Cartago pode, livre das guerras, se desenvolver e dominar todo o mediterrâneo, tornando-se especialistas na navegação. Administrada pelos Sufetes, pelo conselho de anciões e uma assembleia do povo. Conheceu o crescimento por conquistas territoriais e pelo comercio.


4. A aceitação geral da hipótese da origem monogenésica e africana da humanidadesuscitada pelos trabalhos do professor Leakey tomou possível colocar em termos totalmente novos a questão do povoamento do Egito, e mesmo do mundo. Ha mais de 150 mil anos, a única parte do mundo em que viviam seres morfologicamente iguais aos homens de hoje era a região dos Grandes Lagos, nas nascentes do Nilo. Essa noção – e outras que não nos cabe recapitular aqui– constitui a essência do ultimo relatório apresentado pelo Dr. Leakey no VII Congresso Pan‑Africano de Pré‑Historia, em Adis Abeba, em 19711. Isso quer dizer que toda a raça humana teve sua origem, exatamente como supunham os antigos, aos pés das montanhas da Lua. Contra todas as expectativas e a despeito das hipóteses recentes, foi desse lugar que o homem partiu para povoar o resto do mundo. Disso resultam dois fatos de capital importância: (a) necessariamente, os primeiros homens eram etnicamente homogêneos e negroides. A leide Gloger, que parece ser aplicável também aos seres humanos, estabelece que os animais de sangue quente, desenvolvendo‑se em clima quente e úmido, secretam um pigmento negro (melanina). Portanto, se a humanidade teve origem nos trópicos, em tomo da latitude dos Grandes Lagos, ela certamente apresentava,no inicio, pigmentação escura, e foi pela diferenciação em outros climas que a matriz original se dividiu, mais tarde, em diferentes raças; havia apenas duas rotas através das quais esses primeiros homens poderiam se deslocar, indo povoar os outros continentes: o Saara e o vale do Nilo. E esta ultima região queserá discutida aqui. A partir do Paleolítico Superior ate a época dinástica, toda a bacia do rio foiprogressivamente ocupada por esses povos negroides.
Descreva o processo de surgimento do homem, estendendo sua explanação até o povoamento do vale do rio Nilo e a unificação dos reinos que originou o Egito histórico, como o conhecemos, ou seja, a civilização.

Existem fortes motivos para se acreditar que os primeiros hominídeos surgiram na África, seguidos da postura ereta e do andar sobre dois pés. O continente sempre ofereceu boas condições para o desenvolvimento da vida, seus planaltos e o clima equatorial, permitia melhores condições para que os primeiros homens se estabeleçam, mudando de ambiente caso o clima esfrie ou esquente demais, sem ter que percorrer grandes distâncias. Estudos apontam que a origem do homem pode datar de mais de cem mil anos e que o aprofundamento dos estudos podem estender essa data até a duzentos mil anos.
Mas há oito ou dez mil anos o clima da África era muito úmido e os homens tinham o costume de acompanhar os cursos das águas. Desenvolvendo técnicas de navegação e aproveitando as boas condições de cheias nos rios e ainda a pequena extensão do Saara o homem consegue descer todo o vale do Nilo e alcançar o mediterrâneo.
O início da utilização da cerâmica marca a fixação do homem na terra e a redução dos movimentos nômades. Pois a utilização deste frágil material, inadequado para ser transportado pelos povos nômades, marca definitivamente a estabilização das primeiras aldeias. Estas sempre junto aos lagos e aos rios, mas ainda sem registro de utilização da agricultura.
Aproximadamente 5 mil anos antes da era cristã o clima começa a ficar mais seco, o nível dos lagos e o curso dos rios diminuíram. Isto fixou ainda mais o homem junto às margens do dos rios e algumas atividades agropecuárias começaram a se desenvolver, principalmente vindas da Etiópia. Esse sedentarização fixou o homem as margens do Nilo, junto veio a agricultura, a domesticação do gado e a cerâmica. As pequenas aldeias que começavam a sofrer a queda de pluviosidade e o aumento do Saara tiveram que estreitar seus laços regionais e se cooperarem para superar as dificuldades. Com isso a forma igualitária de sociedade deu lugar a uma iniciativa centralizadora que levou a região a se unificar politicamente e dar origem ao Estado Nacional Egípcio.