1. Baseando-se no livro O Egito Antigo de Ciro Flamarion, percebe-se que o autor desenvolve uma discussão sobre a “Hipótese Causal Hidráulica”, que debate a possibilidade da “questão hidráulica” ter sido fundamental na formação do Egito enquanto Estado unificado. Comente a discussão desenvolvida pelo autor: defina a hipótese, descrevendo-a, escreva sobre suas possibilidades de certezas e incertezas, ou seja, porque ela era considerada uma hipótese viável e porque deixou de sê-lo.
Por milhares da nos a região do Saara era formada por uma vegetação de savana, habitada por pescadores, caçadores, agricultores e criadores de gado. O gradual ressecamento da região transformando a savana em deserto obrigou o movimento dos homens em direção ao maior rio perene da região, o rio Nilo. O principal debate e fonte de muitas dúvidas sobre esta hipótese é a carência de documentos, fontes, restos humanos, iconografia, dados linguísticos e etnológicos para comprovar ou refutar a afirmação de que foi o ressecamento da região saariana que determinou a fixação das populações nas margens do rio Nilo. Estudos comprovaram que entre 3300 e 3000 A.C. houve uma acentuada queda de pluviosidade, reduzindo a área de abrangência das cheias do rio, limitando as possibilidades de agricultura a uma faixa estreita ao longo do curso do Nilo. É neste período que se pode determinar as três áreas mais importantes da região: O delta do Nilo, com grande faixa alagada e pantanosa, o vale onde as cheias do Nilo irrigava sua margens fixando o homem no vale e as grandes regiões desérticas. E foi a necessidade de administrar esse sistema que envolvia obras de irrigação e o funcionamento da agricultura que se pode avaliar como fatos fundamentais para a unificação do reino egípcio.
Mas foi a partir do final do século XIX e início do século XX que a hipótese casual hidráulica foi combatida, primeiro pela falta de uma maior documentação sobre os trabalhos de irrigação. Os diques e represas são uma prática comum na região e existem desde a era dos faraós e essas constantes transformações acabam por apagar os traços das primeiras obras realizadas. Outro fato que pode combater a hipótese casual hidráulica é o relato de escritos que revelam o sentimento/devoção em relação as águas do rio que não poderiam ser sujas pelos homens. Ainda sobre o regime das águas é levantada a hipótese de que as inundações eram bastante regulares e previsíveis não sendo necessária, desta forma, importantes obras de complementação e auxílio a agricultura. Trabalhos recentes demostram que o sistema de tanques de irrigação eram realizados de forma local e que não existem provas de uma administração centralizada até o Reino Médio. A agricultura irrigada funcionava dentro das organizações tribais contribuindo, desta fora, para a fragmentação da região e não a sua centralização e consequente formação de reino.
2. Há semelhanças e diferenças entre os povos mesopotâmios e os egípcios. Uma das semelhanças advêm do fato de que ambas eram sociedades hidráulicas, ou seja, relacionadas aos rios Nilo, Tigre e Eufrates, respectivamente. Uma das diferenças está na estrutura política estatal, onde o reino e império egípcio contrastava com as cidades-estado mesopotâmicas. Comente este contraste, baseando-se nas definições, semelhanças e diferenças entre as cidades-estado e o reino/império do Egito.
A semelhante condição natural, por habitarem terras alagadiças, estabeleceu algumas semelhanças entre os dois modelos apresentados, como o sistema de irrigação, mas as diferenças entre os sistemas eram significativos. Partindo-se da grande unificação egípcia, onde o poder divino do faraó comandava a grande região do vale até o Delta do Nilo. Sistema de poder que foi transmitido por diversas dinastias e que mesmo em períodos de crise, ressurge logo adiante nas mesmas bases de governo. Centralizado e personificado no faraó. Diferente se faz a organização na região da Mesopotâmia, onde as principais cidades estabelecem independentemente suas formas de organização e liderança. Cada cidade governava suas terras e suas redes de irrigação. Mas a grande diferença era o comércio realizado entre estas cidades, agora classificadas como Cidades-estados, que proporcionava uma grande incremento de atividades comercias. Estas Cidades-estados também se uniam ocasionalmente pra alguma estratégia militar ou política, mas depois de cumprido o desejado era desfeito os laços e os governos permaneciam independentes. Bem diferente da organização egípcia que manteve a centralização do poder e mesmo quando dominada ou invadida, permanecia nas mãos de um só governante. A característica das cidades- estado, foi também um fator determinante para o seu fim, pois os conflitos entre as cidades acabaram enfraquecendo o poder que elas ostentavam e se tornaram alvo de invasões como a dos Acádios
3. Gordon Child em A Evolução Cultural do Homem, disse: “O surgimento do homem sobre a terra é indicado pelos instrumentos que ele faz (p.122).” Engels em Origem da Família, Propriedade Privada e do Estado, diz que : “O Estado não é, pois, de modo algum, um poder que se impôs à sociedade de fora para dentro; [...] É antes um produto da sociedade, quando esta chega a um determinado grau de desenvolvimento; é a confissão de que essa sociedade se enredou numa irremediável contradição com ela própria e está dividida por antagonismos irreconciliáveis que não consegue conjurar (p.135-136).” Considerando as citações de Child e Engels, analisando os livros que você leu e fichou sobre Arqueologia e Pré-História:
a. Discorra sobre o papel da Arqueologia nos estudos das comunidades ágrafas e o fato de que o homem não dominar a escrita deve ser um diferencial para separar História e Pré-História.
b. Relacione a citação de Engels a Revolução Neolítica e a formação dos Estados dando início a Antiguidade.
A – A arqueologia, ciência responsável por resgatar os sinais deixados por antigas civilizações tem o importante papel de traduzir o ambiente social e político de sociedades que não chegaram ao estágio da escrita. Interpretando pinturas, artefatos e restos humanos, ela permite determinar o estágio de evolução em que uma sociedade já extinta, seja em que época for, deixou para ser estudado. Este estudo permite que se entendam as mudanças ocorridas na sociedade humana. A escrita é um fator determinante para a classificação das sociedades, deixando de lado a discussão do conceito da palavra história dentro da expressão “Pré-História” e aceitando a classificação de que os povos pré-históricos são aqueles que não dominavam a escrita para “documentar” a sua história, podemos entender que a pré-história ocorreu em tempos diferentes nas mais variadas sociedades pelo mundo. Pois foi ao longo de cada história particular, de cada civilização estudada, é que o arqueólogo pode determinar em que momento se dá a passagem da pré-história pra a história. Somente quando estas civilizações estudadas passam a escrever sua própria história é que se pode determinar com maior exatidão quais eram as formas de governo, como se organizava a sociedade, quais eram os seus costumes religiosos e suas relações com outras sociedades.
B - A formação dos estados dando início a antiguidade é um movimento natural de fixação de povos nômades quando iniciam o domínio da agricultura, são estes pequenos aglomerados humanos que iniciarão a experiência do convívio sedentário, convívio que inicia o estabelecimento das primeiras regras sociais. As necessidades de liderança começam a ser supridas por lideres naturais é a sociedade criando suas próprias regras, estabelecendo seus limites e o poder de seus líderes. A evolução da sociedade é, também, a evolução das normas que a conduzem, os conflitos internos e os grupos excluídos realizam movimentos antagônicos dentro desta sociedade, criando conflitos, lutas e movimentos separatistas, que por fim dão origem a novas sociedades. Construindo cidades, reinos e impérios.
4. “O pobre está melhor morto que vivo;
Se tem pão, não tem sal;
Se tem sal, não tem pão;
Ser tem carne, não tem cordeiro;
Ser tem cordeiro, não tem carne”.
O ditado acima foi escrito há quase cinco mil anos na Suméria. Ele demonstra (além do humor), uma insatisfação popular com a situação de exclusão de boa parte da sociedade sumeriana.
Observando o que você leu, fichou, descreva os aspectos sociais e econômicos das sociedades do Egito Antigo e da Mesopotâmia, destacando o caráter de sociedades onde não igualdade.
Na mesopotâmia as classes ou castas sociais eram rígidas e permanentes. A classe dominada era formada por artesãos, camponeses e escravos formando a maior classe social, desde o seu nascimento já estavam determinados a permanecerem nas mesmas condições. Comerciantes, aristocratas e militares compunham uma classe intermediária da sociedade mesopotâmica, onde desempenhavam um papel mais relevante, mais continuavam fora do circulo do poder e de influência governamental. Sacerdotes e nobres eram a mais alta representação da sociedade e da mesma forma que as classes anteriores seu nascimento era que determinava definitivamente sua condição social. As terras eram pertencentes ao governo real que permitia aos camponeses ocupa-las. Um agravante da exploração das classes superiores era a obrigatoriedade da entrega dos excedentes da produção para a classe dominante. O que deixava os camponeses trabalhando para a sua subsistência e para abastecer as classes dominantes do clero e da nobreza.
Semelhantes fatos sociais ocorriam no Egito que tinha a agricultura, assim como os mesopotâmios, a base de sua atividade econômica. O fato que beneficiava a sociedade egípcia era a regularidade das cheias do rio Nilo. Proporcionando um planejamento que evitava a fome no reino. Mas o lado perverso da sociedade egípcia era dos trabalhos forçados exigidos pelo faraó, as obras de arquitetura e de construção de diques eram obrigações impostas pelo estado. Assim como os mesopotâmios, os egípcios tinham uma pequena classe dominante, formada logo abaixo do faraó, que era a personificação do Deus Horus, essa classe dominante era formada por nomarcas, sacerdotes e escribas. A classe dominada era composta por soldados, artesãos, comerciantes e escravos.
5. Faça um quadro destacando informações sobre sociedades igualitárias e estatais, conforme o modelo abaixo:
Sociedade Economia Cultura/Religião Herança Cultural Política
Pré-História Igualitária Igualitária Igualitária Igualitária Igualitária
Egito Antigo estatais estatais estatais Igualitária estatais
Mesopotâmia estatais estatais Igualitária Igualitária estatais
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
A antropologia no quadro das ciências
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período
A antropologia no quadro das ciências
Matéria: Antropologia Cultural
Professor: Dauro
O estudo das Ciências da natureza ou naturais e das Ciências sociais ou humanas pode ser situado no campo da antropologia social ou cultural aproximando-as, ainda mais, do homem em uma visão e uma prática por ele executadas.
Os fatos fundamentalmente mais simples são estudados pelas ciências naturais. São descritos como mais simples por serem facilmente isoláveis. E serem recorrentes e sincrônicos. Essa recorrência pode ser provada ou testada quando uma teoria feita por dois observadores diferentes, situados em lugares diferentes e até com perspectivas opostas podem produzir o mesmo fenômeno. Esta mesma possibilidade não pode ser construída nas ciências sociais, que estudam sistemas complexos e com elementos de casualidade e de complexa determinação. Mesmo que consigamos reunir todos os elementos de um fato social, seria impossível recriar todo ambiente e todo clima da um determinado momento. Fato que ocorre inversamente nas ciências naturais, onde a repetição de elementos gera a repetição de resultados. Da mesma forma podemos diferenciar os fatos naturais dos sociais quando analisamos a possibilidade de existência dos fatos na atualidade. Os naturais acontecem de forma igual a todo o momento, já os sociais possuem um caráter único, impossível de ser realizado no presente exatamente como foi no passado.
Mesmo sendo algo desejável para alguns cientistas sociais é impossível reproduzir um fato social em laboratório. Alguns pedaços de realidade podem até ser reproduzidos, mas a reconstrução verdadeira, incluindo todos os fatos em questão é uma totalização impossível. É relevante para analisar a abordagem diferente de cada ciência que o observador da ciência social pode julgar, por seus interesses ou motivações, diferentemente do natural que só tem um resultado fixo.
Estas duas ciências possuem alguns elementos em comum. Certamente que esses elementos não invalidam ou põem em duvida qualquer das fundamentações expostas anteriormente, mas são pontos de convergência entre elas.
A Antropologia Biológica utiliza o conhecimento estatístico e se dedica ao estudo dos primatas superiores, sendo assim um campo das ciências sociais que se aproxima das ciências naturais. Assim como a Antropologia Arqueológica que apesar de estudar as sociedades, estuda sociedades já desaparecidas, isto é, sociedades que não se modificam mais. Sendo um objeto estático de estudo.
Desta forma em alguns aspectos as ciências se misturam, mas não perdem suas características nem invalidam os fundamentos da outra. Ampliando o campo da formação humana e sua evolução antropológica e cultural.
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período
A antropologia no quadro das ciências
Matéria: Antropologia Cultural
Professor: Dauro
O estudo das Ciências da natureza ou naturais e das Ciências sociais ou humanas pode ser situado no campo da antropologia social ou cultural aproximando-as, ainda mais, do homem em uma visão e uma prática por ele executadas.
Os fatos fundamentalmente mais simples são estudados pelas ciências naturais. São descritos como mais simples por serem facilmente isoláveis. E serem recorrentes e sincrônicos. Essa recorrência pode ser provada ou testada quando uma teoria feita por dois observadores diferentes, situados em lugares diferentes e até com perspectivas opostas podem produzir o mesmo fenômeno. Esta mesma possibilidade não pode ser construída nas ciências sociais, que estudam sistemas complexos e com elementos de casualidade e de complexa determinação. Mesmo que consigamos reunir todos os elementos de um fato social, seria impossível recriar todo ambiente e todo clima da um determinado momento. Fato que ocorre inversamente nas ciências naturais, onde a repetição de elementos gera a repetição de resultados. Da mesma forma podemos diferenciar os fatos naturais dos sociais quando analisamos a possibilidade de existência dos fatos na atualidade. Os naturais acontecem de forma igual a todo o momento, já os sociais possuem um caráter único, impossível de ser realizado no presente exatamente como foi no passado.
Mesmo sendo algo desejável para alguns cientistas sociais é impossível reproduzir um fato social em laboratório. Alguns pedaços de realidade podem até ser reproduzidos, mas a reconstrução verdadeira, incluindo todos os fatos em questão é uma totalização impossível. É relevante para analisar a abordagem diferente de cada ciência que o observador da ciência social pode julgar, por seus interesses ou motivações, diferentemente do natural que só tem um resultado fixo.
Estas duas ciências possuem alguns elementos em comum. Certamente que esses elementos não invalidam ou põem em duvida qualquer das fundamentações expostas anteriormente, mas são pontos de convergência entre elas.
A Antropologia Biológica utiliza o conhecimento estatístico e se dedica ao estudo dos primatas superiores, sendo assim um campo das ciências sociais que se aproxima das ciências naturais. Assim como a Antropologia Arqueológica que apesar de estudar as sociedades, estuda sociedades já desaparecidas, isto é, sociedades que não se modificam mais. Sendo um objeto estático de estudo.
Desta forma em alguns aspectos as ciências se misturam, mas não perdem suas características nem invalidam os fundamentos da outra. Ampliando o campo da formação humana e sua evolução antropológica e cultural.
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Bruno Horta
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sexta-feira, dezembro 02, 2011
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A Antropologia no quadro das ciências
A Crítica de Jessé Souza ao Você sabe com quem está falando? De Roberto da Matta.
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período
A Crítica de Jessé Souza ao Você sabe com quem está falando? De Roberto da Matta.
Matéria: Antropologia Cultural
Professor: Dauro Santos.
Jessé Souza doutor em sociologia, formado pela Karl Ruprecht Universität Heidelberg na Alemanha. Em seu livro “A Modernização Seletiva” de 2000, lançado pela Universidade de Brasília, critica o capítulo “Você sabe com quem está falando? Um ensaio sobre a distinção entre indivíduo e pessoa no Brasil” de Roberto da Matta. Antropólogo e professor. Publicado no livro “Carnavais, Malandros e Heróis. Para uma sociologia do dilema brasileiro” de 1979.
Com a pretensão de traduzir a sociedade brasileira além das suas aparências. Roberto da Matta tem seu texto criticado em vários aspectos por Jessé Souza e aqui vou destacar algum deles.
Da Matta considerava a sociedade brasileira sob duas possibilidades de leitura. A institucionalista que abrange os processos políticos e econômicos e a culturalista onde o dia a dia é o principal elemento de composição. Desta forma ele acreditava chegar a “gramática profunda” do universo social brasileiro. Essa conclusão é logo de início rebatida por Jessé que alerta que para entender essa gramática necessitaria que o próprio dualismo proposto fosse superado.
Ao separar a vida de casa e vida da rua Da Matta, segundo Jessé, não define qual o elemento dominante dificultando assim a análise da organização social. E ainda ao denominar o sistema como núcleo ou esqueleto é uma forma equivocada de representar uma estrutura que na verdade é aparente e não interiorizada como a figura de um esqueleto ou a idéia que se tem sobre núcleo.
A pré definição e determinação proposta por Da Matta é contestada por supor que todos os brasileiros se comportam de forma igual, perante as pressões sociais e econômicas impostas pelo Estado e pelo mercado.
A sociedade tem acessos diferenciados a bens ideais ou materias, essa estratificação social diferencia a forma que cada individuo reagirá as questões que são enfrentadas no dia a dia por isso essa dualidade estática proposta por Da Matta não responde as questões levantadas pelo próprio autor.
As classes ou os grupos sociais são ignorados por Da Matta em seu estudo e essa questão é importante para que a própria “gramática social” proposta por ele não seja entendida de forma completa. E para o mundo individual e “do lar” proposto por Da Matta entraríamos, necessariamente no particular, no sentimental, em uma hierarquia baseada na afeição que é sempre gradativa e particularizante, não dando espaços para generalismos.
O estado moderno que se apropria da violência e da coerção e que desde modo transforma o individuo de tantas formas possíveis dentro das mais variadas classes sociais, levam para as casas os traços influentes desta dominação, desta forma contaminando o ambiente da casa com o ambiente da rua.
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período
A Crítica de Jessé Souza ao Você sabe com quem está falando? De Roberto da Matta.
Matéria: Antropologia Cultural
Professor: Dauro Santos.
Jessé Souza doutor em sociologia, formado pela Karl Ruprecht Universität Heidelberg na Alemanha. Em seu livro “A Modernização Seletiva” de 2000, lançado pela Universidade de Brasília, critica o capítulo “Você sabe com quem está falando? Um ensaio sobre a distinção entre indivíduo e pessoa no Brasil” de Roberto da Matta. Antropólogo e professor. Publicado no livro “Carnavais, Malandros e Heróis. Para uma sociologia do dilema brasileiro” de 1979.
Com a pretensão de traduzir a sociedade brasileira além das suas aparências. Roberto da Matta tem seu texto criticado em vários aspectos por Jessé Souza e aqui vou destacar algum deles.
Da Matta considerava a sociedade brasileira sob duas possibilidades de leitura. A institucionalista que abrange os processos políticos e econômicos e a culturalista onde o dia a dia é o principal elemento de composição. Desta forma ele acreditava chegar a “gramática profunda” do universo social brasileiro. Essa conclusão é logo de início rebatida por Jessé que alerta que para entender essa gramática necessitaria que o próprio dualismo proposto fosse superado.
Ao separar a vida de casa e vida da rua Da Matta, segundo Jessé, não define qual o elemento dominante dificultando assim a análise da organização social. E ainda ao denominar o sistema como núcleo ou esqueleto é uma forma equivocada de representar uma estrutura que na verdade é aparente e não interiorizada como a figura de um esqueleto ou a idéia que se tem sobre núcleo.
A pré definição e determinação proposta por Da Matta é contestada por supor que todos os brasileiros se comportam de forma igual, perante as pressões sociais e econômicas impostas pelo Estado e pelo mercado.
A sociedade tem acessos diferenciados a bens ideais ou materias, essa estratificação social diferencia a forma que cada individuo reagirá as questões que são enfrentadas no dia a dia por isso essa dualidade estática proposta por Da Matta não responde as questões levantadas pelo próprio autor.
As classes ou os grupos sociais são ignorados por Da Matta em seu estudo e essa questão é importante para que a própria “gramática social” proposta por ele não seja entendida de forma completa. E para o mundo individual e “do lar” proposto por Da Matta entraríamos, necessariamente no particular, no sentimental, em uma hierarquia baseada na afeição que é sempre gradativa e particularizante, não dando espaços para generalismos.
O estado moderno que se apropria da violência e da coerção e que desde modo transforma o individuo de tantas formas possíveis dentro das mais variadas classes sociais, levam para as casas os traços influentes desta dominação, desta forma contaminando o ambiente da casa com o ambiente da rua.
Antropologia e História
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Lorena Santos Domingues
Quarto Período - História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período - História
Antropologia e História
De: Roberto Damata
Matéria: Antropologia Cultural
Professor: Dauro
1 – Introdução.
Partindo do posicionamento de que um encontro com o começo não é a garantia de um sucesso intelectual, o autor inicia o capítulo alertando para esse tipo de erro, pois analisando antropologicamente a civilização da Grécia antiga é possível dividir o mundo em dois tipos de homens os gregos e os bárbaros. Outro alerta é a atenção para diferenciar história, estória, mitos e relatos de viagens. Relatórios de viajantes que descrevem a fauna e a flora de um lugar costumam não tomar em vista o ponto dou “outro” e sim seu próprio ponto de vista. O principal objetivo do autor não é somente apresentar uma história antropológica, mas sim relacionar os fenômenos antropológicos com a dimensão temporal. Tendo desta forma informações de grande importância para demostrar fatos e estudar o comportamento do homem.
2 – História da Antropologia.
Especular sobre como os homens percebem suas diferenças ao longo do tempo. E desta análise pode-se justificar diversos comportamentos, como dominações e destruições de sociedades inteiras. Para que esse pensamento não seja dominante e justificador de barbaridades criou-se a Teoria das Diferenças, onde uma capa de responsabilidade científica protege o sentido e o valor da existência do outro.
Foi esse pensamento dominador que justificou as colonizações européias dos séculos XV e XVI. Mas também justificou os movimentos contrários de reação e independência.
O pensamento antropológico fica dividido em duas correntes que Edmund Leach exemplifica como o Evolucionismo de James Frazer e o funcionalismo de Bronislaw Malinowski. Frazer em sua linha vitoriana e eurocentrista com certezas racistas e superioridade política, econômica e intelectual. E Malinowski com seu relativismo que impede sínteses grandiosas.
A) O Evolucionismo.
Esse método de pesquisa separa e classifica todos os elementos dos dados sociais ou culturais. Mas não como o cientista que logo depois reúne todos os elementos para uma análise completa, mas deixa a classificação e separação como uma via de mão única. Separando os fatos dos conceitos de onde surgiam. Os evolucionistas não comparavam os fatos dentro de seu próprio contexto e sim com outras sociedades. Trabalhavam com o método de classificar tudo, de anexar tudo ao pensamento evolucionista situando-os em uma escala apropriada. O evolucionismo pode ser caracterizado por quatro ideias gerais.
Primeira, as sociedades humanas devem ser comparadas entre si. E seus costumes são definidos pelo investigador. Exemplificando-se temos o exemplo de Morgan para a família que no século XIX era nucleado por pai, mãe e filhos. Seguindo a linha evolucionista em tempos anteriores teríamos famílias onde não de diferencia pais e mães, isto é, seus genitores seriam inseridos no contexto dos adultos da mesma faixa de idade, sem diferença entre eles. Hoje sabemos que tal forma de explicação não passa de uma fantasia sociológica.
Segunda, os costumes têm uma origem, uma individualidade e um fim. O fim não é discutido pelos pesquisadores, pois é a atual sociedade do século XIX que representa o modelo final de evolução. A síntese religiosa é um dos problemas apontados para o evolucionismo. O fato de sintetizar religiosidade a crença em almas coloca a religião dos romanos e dos Neures no mesmo plano. Essa falha de argumentação reduz o jogo dos fatos sócias é uma lógica psicologizante.
Terceira, as sociedades se desenvolvem de modo linear, onde os eventos possuem causas e consequências, formando assim a ideia de progresso e determinação. O pensamento evolucionista segue pelo conceito de processo civilizatório, onde o contato com o mundo capitalista era o momento de a força social atuante romper com as amarras do atraso e do primitivismo da sociedade referida.
O determinismo evolucionista é baseado em forças das quais a sociedade não tem consciência e nem controle. Mas sua fraqueza é não considerar o múltiplo jogo de realidades que atuam no mundo das consciências e desta forma aprisionar o espírito.
Quarta o evolucionista trata as diferenças como se tratam etapas reduzindo-as ao eixo do tempo, situando no sistema classificatório e explicando essas diferenças como atraso evolucionista no eixo deste tempo. O tempo não conduz uma dimensão genética exclusiva, com um caminho único, que leva ao progresso da sociedade.
B) O Funcionalismo.
A palavra funcionalismo é usada dentro dos conceitos estabelecidos por Malinowski e Radcliffe Brown, onde primeiramente é uma reação as teorias evolucionistas. O funcionalismo busca a sobra que ocorre na passagem do tempo, o resíduo da instituição ou do costume que sobrevive ao tempo e que indica o passado no meio do presente.
Existe a possibilidade de estudar a sociedade como um sistema coerentemente e interligado de relações sociais. Um sentido básico ao funcionalismo é de que nada num sistema ocorre ao acaso ou está definitivamente errado ou deslocado. A postura definidora do papel social é de que nada deixa restos, tudo desempenha um papel, tudo tem sentido ainda que esse sentido não seja facilmente localizável e os costumes e hábitos sociais devem ser compreendidos dentro do sistema do qual provém. O funcionalismo se preocupa com alguns fenômenos sociais. Como as sociedades que temem o conflito e se armam de um aparato repressivo para isso e sociedades com dinâmicas de conflitos. O centro de referencia é a própria tribo, segmento ou cultura em análise.
3. Uma antropologia da História?
O funcionalismo revelou que a pesquisa antropológica era um caminho de duplo movimento, um em direção ao desconhecido e outro de volta ao etnólogo que reexamina seus dados e os integra no plano das escolhas humanas. E revela-se que o que se chamava de exótico ou irracional é apenas um traço conhecido para a própria sociedade. A sociedade marcada pela mudança do eixo do tempo tem valores que estão fora da temporalidade, relíquias reais ou religiosas marcam uma dimensão que atravessa o tempo. Esse entendimento pela via temporal é uma linha contínua onde um evento provoca outro, onde os acontecimentos têm antecedentes e consequentes.
A antropologia social pode relativizar o tempo e utilizar vertentes comparativas que podem substituir o tempo para refletir sobre as semelhanças e diferenças entre as sociedades. Tudo que o homem está realizando em todas as suas manifestações sociais de todos os tempos e lugares são formas sociais imperfeitas quando relacionadas com outras formas sociais da mesma forma que não existe uma cultura ou sociedade mais acabada que outra.
Para Lévi-Strauss o inconsciente não é uma substancia social, moral ou filosófica, mas um lugar ou uma posição em que podemos tomar consciência das diferenças e por meio delas alcançar as semelhanças entre as sociedades. Esse lugar não se situa mais no tempo mas no seu espaço complementar, um ponto vazio de conteúdo e de tempo, onde o observador pode se situar para observar as diferenças e semelhanças entre as sociedades humanas.
4. Tempo e História.
As críticas ao estruturalismo de Lévi-Strauss pregam uma forma de consciência continua aonde estruturas cada vez mais desalienadas vão substituindo as outras mais atrasadas. Já a antropologia funcionalista se aproxima do olhar do selvagem que foi uma abordagem inovadora de Malinowski. Atitude que levou a uma separação epistemológica dos pontos de vista e fundamentando uma teoria baseada na descontinuidade do tempo.
A temporariedade histórica se situa em uma idéia de passagem do tempo onde nem todas as sociedades o percebem ou o operam da mesma forma. Utilizando o tempo como uma ideologia que serve para expressar sua própria identidade.
Algumas perguntas surgem no plano estruturalista. Quem realmente faz história? Os homens do passado que deixam seus resíduos. Ou os resíduos são próprios da história humana? E qual história escolherá o historiador para contar a história dos homens?
Uma percepção diferente do tempo é do povo Apinayé. Onde o passado e o presente se refletem um no outro, a sociedade não possuiu interpretes do passado e nem transformadores do presente, não existe o herói histórico, a grande personalidade e nem um admirável mundo novo no futuro. Existe o presente anterior e um presente presente. Mas é importante salientar que as sociedades construídas desta forma são formadas por grupos, segmentos, categorias, classes, indivíduos e elementos absolutamente descontínuos e em conflito.
Para Lévi-Strauss a história também precisa de um significado, pois quando se escolhe um período histórico ao mesmo tempo se condena a escolher regiões, épocas, grupos de homens e indivíduos nestes grupos e se fazem parecerem figuras descontínuas.
O significado só aparecerá na forma de um jogo complexo entre o esquecido e o permanentemente lembrado. Um tempo totalizado é um absurdo para Lévi-Strauss, pois o seu próprio sentido se perderia.
O romancista Thomas Manm trás uma análise de tempo que mercê uma reflexão. Ele trás a narrativa temporal como um aspecto relevante do tempo, onde diferenciamos o tempo que se pode cronometrar e o tempo de duração. Um tempo visto de fora, como uma musica ou a leitura de um livro ou o tempo vivido por uma peça de teatro ou de um livro que conta a história de um homem que viveu 80 anos.
O estudo da história é abordado por Van Gennep na sua dificuldade em se estudar fatos recentes e em desenvolvimento. Restando aos fatos mais antigos a facilidade de estudo devido a sua consolidação. Lévi-Strauss qualifica como eventos frios ou quentes, dependendo da distância em que se encontram do presente.
Outro problema abordado pela perspectiva histórica são as restrições metodológicas quando se trabalha em uma sociedade desconhecida. Uma abordagem religiosa, por exemplo, vai excluir de imediato as abordagens financeiras ou políticas.
5. A Lógica do Totemismo e a Lógica da História.
Em muitos sistemas tribais a continuidade social é obtida por meio das diferenciações como a identificação com a natureza, a identidade entre homens e grupos de homens, espécies de plantas, animais, fenômenos meteorológicos e geográficos. Este sistema foi definido como Totemismo por Claude Lévi-Strauss. Essa mentalidade pré-lógica é um tipo de inteligência que segundo Levy-Bruhl se caracteriza pela confusão mental, que mistura a classificação das coisas do universo.
A relação entre historicidade e a lógica totêmica é de que a historicidade trás a ideia de que uma forma social sai de dentre de outra anterior que lhe causou o nascimento. Já a totêmica relaciona homes com plantas, animais e fenômenos naturais e geográficos.
Chega-se ao indivíduo, razão do nosso sistema social que possui esferas que lhes são ligadas como o amor, a justiça, a igualdade, o trabalho e a arte. Isto é o indivíduo precisa criar um espaço interno onde as coisas particulares possam ter livre curso.
Descobrimos na música popular, na publicidade, na moralidade, no amor e na arte em geral a atuação da lógica totêmica que aspiram à junção de tudo com tudo dando significado a nossa sociedade.
A Antropologia propõe um diálogo aberto e sistemático com a temporalidade vivida pelos homens de diversas sociedades para poder relativiza-los e conseguir alcançar tudo aquilo que pode oferecer.
Graduação em História
Lorena Santos Domingues
Quarto Período - História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período - História
Antropologia e História
De: Roberto Damata
Matéria: Antropologia Cultural
Professor: Dauro
1 – Introdução.
Partindo do posicionamento de que um encontro com o começo não é a garantia de um sucesso intelectual, o autor inicia o capítulo alertando para esse tipo de erro, pois analisando antropologicamente a civilização da Grécia antiga é possível dividir o mundo em dois tipos de homens os gregos e os bárbaros. Outro alerta é a atenção para diferenciar história, estória, mitos e relatos de viagens. Relatórios de viajantes que descrevem a fauna e a flora de um lugar costumam não tomar em vista o ponto dou “outro” e sim seu próprio ponto de vista. O principal objetivo do autor não é somente apresentar uma história antropológica, mas sim relacionar os fenômenos antropológicos com a dimensão temporal. Tendo desta forma informações de grande importância para demostrar fatos e estudar o comportamento do homem.
2 – História da Antropologia.
Especular sobre como os homens percebem suas diferenças ao longo do tempo. E desta análise pode-se justificar diversos comportamentos, como dominações e destruições de sociedades inteiras. Para que esse pensamento não seja dominante e justificador de barbaridades criou-se a Teoria das Diferenças, onde uma capa de responsabilidade científica protege o sentido e o valor da existência do outro.
Foi esse pensamento dominador que justificou as colonizações européias dos séculos XV e XVI. Mas também justificou os movimentos contrários de reação e independência.
O pensamento antropológico fica dividido em duas correntes que Edmund Leach exemplifica como o Evolucionismo de James Frazer e o funcionalismo de Bronislaw Malinowski. Frazer em sua linha vitoriana e eurocentrista com certezas racistas e superioridade política, econômica e intelectual. E Malinowski com seu relativismo que impede sínteses grandiosas.
A) O Evolucionismo.
Esse método de pesquisa separa e classifica todos os elementos dos dados sociais ou culturais. Mas não como o cientista que logo depois reúne todos os elementos para uma análise completa, mas deixa a classificação e separação como uma via de mão única. Separando os fatos dos conceitos de onde surgiam. Os evolucionistas não comparavam os fatos dentro de seu próprio contexto e sim com outras sociedades. Trabalhavam com o método de classificar tudo, de anexar tudo ao pensamento evolucionista situando-os em uma escala apropriada. O evolucionismo pode ser caracterizado por quatro ideias gerais.
Primeira, as sociedades humanas devem ser comparadas entre si. E seus costumes são definidos pelo investigador. Exemplificando-se temos o exemplo de Morgan para a família que no século XIX era nucleado por pai, mãe e filhos. Seguindo a linha evolucionista em tempos anteriores teríamos famílias onde não de diferencia pais e mães, isto é, seus genitores seriam inseridos no contexto dos adultos da mesma faixa de idade, sem diferença entre eles. Hoje sabemos que tal forma de explicação não passa de uma fantasia sociológica.
Segunda, os costumes têm uma origem, uma individualidade e um fim. O fim não é discutido pelos pesquisadores, pois é a atual sociedade do século XIX que representa o modelo final de evolução. A síntese religiosa é um dos problemas apontados para o evolucionismo. O fato de sintetizar religiosidade a crença em almas coloca a religião dos romanos e dos Neures no mesmo plano. Essa falha de argumentação reduz o jogo dos fatos sócias é uma lógica psicologizante.
Terceira, as sociedades se desenvolvem de modo linear, onde os eventos possuem causas e consequências, formando assim a ideia de progresso e determinação. O pensamento evolucionista segue pelo conceito de processo civilizatório, onde o contato com o mundo capitalista era o momento de a força social atuante romper com as amarras do atraso e do primitivismo da sociedade referida.
O determinismo evolucionista é baseado em forças das quais a sociedade não tem consciência e nem controle. Mas sua fraqueza é não considerar o múltiplo jogo de realidades que atuam no mundo das consciências e desta forma aprisionar o espírito.
Quarta o evolucionista trata as diferenças como se tratam etapas reduzindo-as ao eixo do tempo, situando no sistema classificatório e explicando essas diferenças como atraso evolucionista no eixo deste tempo. O tempo não conduz uma dimensão genética exclusiva, com um caminho único, que leva ao progresso da sociedade.
B) O Funcionalismo.
A palavra funcionalismo é usada dentro dos conceitos estabelecidos por Malinowski e Radcliffe Brown, onde primeiramente é uma reação as teorias evolucionistas. O funcionalismo busca a sobra que ocorre na passagem do tempo, o resíduo da instituição ou do costume que sobrevive ao tempo e que indica o passado no meio do presente.
Existe a possibilidade de estudar a sociedade como um sistema coerentemente e interligado de relações sociais. Um sentido básico ao funcionalismo é de que nada num sistema ocorre ao acaso ou está definitivamente errado ou deslocado. A postura definidora do papel social é de que nada deixa restos, tudo desempenha um papel, tudo tem sentido ainda que esse sentido não seja facilmente localizável e os costumes e hábitos sociais devem ser compreendidos dentro do sistema do qual provém. O funcionalismo se preocupa com alguns fenômenos sociais. Como as sociedades que temem o conflito e se armam de um aparato repressivo para isso e sociedades com dinâmicas de conflitos. O centro de referencia é a própria tribo, segmento ou cultura em análise.
3. Uma antropologia da História?
O funcionalismo revelou que a pesquisa antropológica era um caminho de duplo movimento, um em direção ao desconhecido e outro de volta ao etnólogo que reexamina seus dados e os integra no plano das escolhas humanas. E revela-se que o que se chamava de exótico ou irracional é apenas um traço conhecido para a própria sociedade. A sociedade marcada pela mudança do eixo do tempo tem valores que estão fora da temporalidade, relíquias reais ou religiosas marcam uma dimensão que atravessa o tempo. Esse entendimento pela via temporal é uma linha contínua onde um evento provoca outro, onde os acontecimentos têm antecedentes e consequentes.
A antropologia social pode relativizar o tempo e utilizar vertentes comparativas que podem substituir o tempo para refletir sobre as semelhanças e diferenças entre as sociedades. Tudo que o homem está realizando em todas as suas manifestações sociais de todos os tempos e lugares são formas sociais imperfeitas quando relacionadas com outras formas sociais da mesma forma que não existe uma cultura ou sociedade mais acabada que outra.
Para Lévi-Strauss o inconsciente não é uma substancia social, moral ou filosófica, mas um lugar ou uma posição em que podemos tomar consciência das diferenças e por meio delas alcançar as semelhanças entre as sociedades. Esse lugar não se situa mais no tempo mas no seu espaço complementar, um ponto vazio de conteúdo e de tempo, onde o observador pode se situar para observar as diferenças e semelhanças entre as sociedades humanas.
4. Tempo e História.
As críticas ao estruturalismo de Lévi-Strauss pregam uma forma de consciência continua aonde estruturas cada vez mais desalienadas vão substituindo as outras mais atrasadas. Já a antropologia funcionalista se aproxima do olhar do selvagem que foi uma abordagem inovadora de Malinowski. Atitude que levou a uma separação epistemológica dos pontos de vista e fundamentando uma teoria baseada na descontinuidade do tempo.
A temporariedade histórica se situa em uma idéia de passagem do tempo onde nem todas as sociedades o percebem ou o operam da mesma forma. Utilizando o tempo como uma ideologia que serve para expressar sua própria identidade.
Algumas perguntas surgem no plano estruturalista. Quem realmente faz história? Os homens do passado que deixam seus resíduos. Ou os resíduos são próprios da história humana? E qual história escolherá o historiador para contar a história dos homens?
Uma percepção diferente do tempo é do povo Apinayé. Onde o passado e o presente se refletem um no outro, a sociedade não possuiu interpretes do passado e nem transformadores do presente, não existe o herói histórico, a grande personalidade e nem um admirável mundo novo no futuro. Existe o presente anterior e um presente presente. Mas é importante salientar que as sociedades construídas desta forma são formadas por grupos, segmentos, categorias, classes, indivíduos e elementos absolutamente descontínuos e em conflito.
Para Lévi-Strauss a história também precisa de um significado, pois quando se escolhe um período histórico ao mesmo tempo se condena a escolher regiões, épocas, grupos de homens e indivíduos nestes grupos e se fazem parecerem figuras descontínuas.
O significado só aparecerá na forma de um jogo complexo entre o esquecido e o permanentemente lembrado. Um tempo totalizado é um absurdo para Lévi-Strauss, pois o seu próprio sentido se perderia.
O romancista Thomas Manm trás uma análise de tempo que mercê uma reflexão. Ele trás a narrativa temporal como um aspecto relevante do tempo, onde diferenciamos o tempo que se pode cronometrar e o tempo de duração. Um tempo visto de fora, como uma musica ou a leitura de um livro ou o tempo vivido por uma peça de teatro ou de um livro que conta a história de um homem que viveu 80 anos.
O estudo da história é abordado por Van Gennep na sua dificuldade em se estudar fatos recentes e em desenvolvimento. Restando aos fatos mais antigos a facilidade de estudo devido a sua consolidação. Lévi-Strauss qualifica como eventos frios ou quentes, dependendo da distância em que se encontram do presente.
Outro problema abordado pela perspectiva histórica são as restrições metodológicas quando se trabalha em uma sociedade desconhecida. Uma abordagem religiosa, por exemplo, vai excluir de imediato as abordagens financeiras ou políticas.
5. A Lógica do Totemismo e a Lógica da História.
Em muitos sistemas tribais a continuidade social é obtida por meio das diferenciações como a identificação com a natureza, a identidade entre homens e grupos de homens, espécies de plantas, animais, fenômenos meteorológicos e geográficos. Este sistema foi definido como Totemismo por Claude Lévi-Strauss. Essa mentalidade pré-lógica é um tipo de inteligência que segundo Levy-Bruhl se caracteriza pela confusão mental, que mistura a classificação das coisas do universo.
A relação entre historicidade e a lógica totêmica é de que a historicidade trás a ideia de que uma forma social sai de dentre de outra anterior que lhe causou o nascimento. Já a totêmica relaciona homes com plantas, animais e fenômenos naturais e geográficos.
Chega-se ao indivíduo, razão do nosso sistema social que possui esferas que lhes são ligadas como o amor, a justiça, a igualdade, o trabalho e a arte. Isto é o indivíduo precisa criar um espaço interno onde as coisas particulares possam ter livre curso.
Descobrimos na música popular, na publicidade, na moralidade, no amor e na arte em geral a atuação da lógica totêmica que aspiram à junção de tudo com tudo dando significado a nossa sociedade.
A Antropologia propõe um diálogo aberto e sistemático com a temporalidade vivida pelos homens de diversas sociedades para poder relativiza-los e conseguir alcançar tudo aquilo que pode oferecer.
O Homem, Reflexo dos Deuses
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período
O Homem, Reflexo dos Deuses
Capitulo VI de O Candomblé da Bahia
de Roger Bastide
Matéria: Antropologia Cultural
Professor: Dauro
O homem simboliza o divino, desde nosso nascimento até nossa morte são os orixás que comandam nosso destino.
E a sociedade se forma na comunhão entre os indivíduos e a divindade.
Foi a passagem da África para a América que o pensamento africano sofreu transformações que originaram perdas e metamorfoses e hoje só restam fragmentos desta concepção de sociedade.
I
O mundo foi criado pelo enlace sexual entre o céu e a terra, onde não se pode dizer quem é o masculino e quem é o feminino.
É partindo da idéia da androgenia de Oxalá é que partimos da fundamental idéia da unidade masculina e feminina em um só ser.
Com a separação do céu e da terra o homem perde a união dos princípios masculinos e femininos e passa a buscar no casamento refazer essa união.
E é o ato sexual que vai refazer esse caminho perdido. Guiado por Exú que tem o papel cósmico de unir o que está separado. É o restabelecimento da ordem humana que é reflexo da ordem divina.
Por isso na Bahia não basta pedir aos antepassados bênçãos para o casamento é preciso ainda pedir a Exú que “abra os caminhos” para uma união feliz.
Exú preside o ato sexual, mas não a fecundação, está cabe a Ogum que limpa as estradas e cuida das vias do mundo. Por isso dois meses antes das núpcias se faz a oferenda a Ogum.
Exú permite o processo de geração no ventre feminino, mas a missão de gerar é de Oxalá. No momento do parto Exú foge por 16 dias por ficar enjoado e por isso na Bahia as relações sexuais só podem ser retomadas 16 dias depois do parto.
Há casamentos proibidos e preferenciados que seguem normas místicas no Brasil.
Na África os Orixás são considerados antepassados do homem e suas normas de parentescos devem ser respeitadas pelos homens de hoje. Assim os filhos dos mesmos Orixás não podem se casar.
Mas quando o amor não que se submeter as origens divinas o que se deve fazer é, através de um babalorixá mudar a “cabeça” da noiva para um Orixá compatível.
Assim como o batismo católico, a criança deve passar pelo batismo africano onde o babalaô vai conhecer a “cabeça” de orixá da criança, na África só é possível saber qual é esse orixá depois de três dias de nascido. Mas a verdadeira iniciação se dá na adolescência.
Mas para verdadeiramente se tornar um filho de candomblé é necessário ter passado por esse rito no início da fase adulta e receber o seu nome divino. Com o nome profano (da terra) e o nome divino (do candomblé) é que o individuo se torna um filho de santo.
II
O homem só repete os deuses porque participa do caráter deles, porque um pouco do que eles são penetrou-lhes a cabeça.
Participar da natureza e da força dos orixás é parte da cultura africana que se reflete em boa sorte, prosperidade e triunfo amoroso.
Uma vendedora de acarajé apesar de sua pobreza e de sua vida trabalhosa, apesar de sua condição social, considera-se superior as outras pessoas, mais ricas ou mais prestigiosas, pois é filha de Xangô.
O status social no Candomblé não se traduz pela hierarquia e sim pela quantidade de orixá que o indivíduo possui.
Para nós, os indivíduos mais altamente colocados podem desfrutar de tudo que nos é proibido. Diretos reais, direito ao ócio, direito aos prazeres, direito de não trabalhar. E isso está em oposição a maneira africana de ver.
Subir na hierarquia do Candomblé é adquirir responsabilidades e limitações, é incorporar tabus, obedecer a normas. Estes títulos nada mais passam do que mais encargos. E isso repele os jovens influenciados pelos prazeres do mundo moderno.
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período
O Homem, Reflexo dos Deuses
Capitulo VI de O Candomblé da Bahia
de Roger Bastide
Matéria: Antropologia Cultural
Professor: Dauro
O homem simboliza o divino, desde nosso nascimento até nossa morte são os orixás que comandam nosso destino.
E a sociedade se forma na comunhão entre os indivíduos e a divindade.
Foi a passagem da África para a América que o pensamento africano sofreu transformações que originaram perdas e metamorfoses e hoje só restam fragmentos desta concepção de sociedade.
I
O mundo foi criado pelo enlace sexual entre o céu e a terra, onde não se pode dizer quem é o masculino e quem é o feminino.
É partindo da idéia da androgenia de Oxalá é que partimos da fundamental idéia da unidade masculina e feminina em um só ser.
Com a separação do céu e da terra o homem perde a união dos princípios masculinos e femininos e passa a buscar no casamento refazer essa união.
E é o ato sexual que vai refazer esse caminho perdido. Guiado por Exú que tem o papel cósmico de unir o que está separado. É o restabelecimento da ordem humana que é reflexo da ordem divina.
Por isso na Bahia não basta pedir aos antepassados bênçãos para o casamento é preciso ainda pedir a Exú que “abra os caminhos” para uma união feliz.
Exú preside o ato sexual, mas não a fecundação, está cabe a Ogum que limpa as estradas e cuida das vias do mundo. Por isso dois meses antes das núpcias se faz a oferenda a Ogum.
Exú permite o processo de geração no ventre feminino, mas a missão de gerar é de Oxalá. No momento do parto Exú foge por 16 dias por ficar enjoado e por isso na Bahia as relações sexuais só podem ser retomadas 16 dias depois do parto.
Há casamentos proibidos e preferenciados que seguem normas místicas no Brasil.
Na África os Orixás são considerados antepassados do homem e suas normas de parentescos devem ser respeitadas pelos homens de hoje. Assim os filhos dos mesmos Orixás não podem se casar.
Mas quando o amor não que se submeter as origens divinas o que se deve fazer é, através de um babalorixá mudar a “cabeça” da noiva para um Orixá compatível.
Assim como o batismo católico, a criança deve passar pelo batismo africano onde o babalaô vai conhecer a “cabeça” de orixá da criança, na África só é possível saber qual é esse orixá depois de três dias de nascido. Mas a verdadeira iniciação se dá na adolescência.
Mas para verdadeiramente se tornar um filho de candomblé é necessário ter passado por esse rito no início da fase adulta e receber o seu nome divino. Com o nome profano (da terra) e o nome divino (do candomblé) é que o individuo se torna um filho de santo.
II
O homem só repete os deuses porque participa do caráter deles, porque um pouco do que eles são penetrou-lhes a cabeça.
Participar da natureza e da força dos orixás é parte da cultura africana que se reflete em boa sorte, prosperidade e triunfo amoroso.
Uma vendedora de acarajé apesar de sua pobreza e de sua vida trabalhosa, apesar de sua condição social, considera-se superior as outras pessoas, mais ricas ou mais prestigiosas, pois é filha de Xangô.
O status social no Candomblé não se traduz pela hierarquia e sim pela quantidade de orixá que o indivíduo possui.
Para nós, os indivíduos mais altamente colocados podem desfrutar de tudo que nos é proibido. Diretos reais, direito ao ócio, direito aos prazeres, direito de não trabalhar. E isso está em oposição a maneira africana de ver.
Subir na hierarquia do Candomblé é adquirir responsabilidades e limitações, é incorporar tabus, obedecer a normas. Estes títulos nada mais passam do que mais encargos. E isso repele os jovens influenciados pelos prazeres do mundo moderno.
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sexta-feira, dezembro 02, 2011
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sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Resenha de Gramsci, Materialismo e Relações Internacionais. De: Stephen Gill
Bruno Botelho Horta
Quarto Período
Resenha de Gramsci,
Materialismo e Relações Internacionais.
De: Stephen Gill
Matéria: História da América
Professor: Victor
Macaé/RJ
Setembro de 2011.
Gramsci, Hegemonia e relações internacionais: Um ensaio sobre o método. – Robert W. Cox
Baseada na leitura de Os Cadernos do Cárcere do ex líder do partido comunista italiano Gramsci, o autor ressalta a importância do estudo do conceito de hegemonia. Principalmente nas teorias e estudos das relações internacionais.
Gramsci e hegemonia.
Gramsci utiliza sua própria experiência pessoal pra adaptar e evoluir conceitos que, segundo ele, não podem ser abstraídos de suas aplicações, evitando assim contradições e ambigüidades. A validade dos conceitos só pode ser confirmada se postos em prática resolvem situações e as deixam claras.
Origens do conceito de hegemonia.
Partindo da terceira internacional comunista e passando pelos conceitos de Maquiavel o pensamento de Gramsci nos caminhos do e Lênin leva a definição de liderança com consentimento das classes aliadas. Mas adaptando esse pensamento Gramsci aplica a classe burguesa o conceito de hegemonia observando ainda que para se estabelecer no comando e no controle a burguesia até oferece concessões para manter a subordinação das classes assalariadas. Essa hegemonia permanecerá enquanto a classe dominada permanecer passiva, mas os casos em que a ordem for ameaçada a latente coerção se fará sentir pela classe dominante.
Para combater essa hegemonia das sociedades européias Gramsci defendia a utilização da guerra de posição e não a de movimento, pois a hegemonia só seria derrubada com ataques constantes a base de sustentação da hegemonia, que são os aspectos sóciais do estado.
Esse combate é a construção da contra hegemonia, que se forma no interior da atuante hegemonia, e que deve resistir as tentações de não ser incorporado pela atual hegemonia.
Revolução Passiva
Para Gramsci existiam dois tipos de sociedades que haviam se transformado socialmente: as completas como Inglaterra e França. E as que a nova ordem havia sido imposta, ordem esta criada no estrangeiro. A principal característica desta segunda sociedade é a dialética revolução-restauração. Aqui mesmo no Brasil podemos ver as constantes revoluções e golpes que transformaram a sociedade e mudou, por diversas vezes o pode de mãos.
Achei importante e esclarecedora pra mim a definição “progressistas, quando o governo forte preside um processo mais ordenado de criação de um novo Estado; reacionárias, quando estabiliza o poder existente.”
O transformismo definido por Gramsci era uma coalização de forças de amplo aspecto formando um grupo de interesses com objetivos comuns e transformadores.
Bloco Histórico
A estrutura formada por estado e sociedade representa um contexto estabelecido e que só poderiam ser modificados por um evento catastrófico que derrubando a atual estrutura possibilitaria a o surgimento de um novo bloco, o bloco histórico.
O bloco histórico não existe sem uma estabilidade da conjuntura dominante. Só a permanência de um Estado, suas forças sociais, políticas e econômicas caracterizam o bloco histórico. Para manter a estabilidade do bloco histórico os intelectuais desempenham um papel importante em manter imagens mentais da funcionalidade da organização ou, ao contrario, para derruba-la.
Quarto Período
Resenha de Gramsci,
Materialismo e Relações Internacionais.
De: Stephen Gill
Matéria: História da América
Professor: Victor
Macaé/RJ
Setembro de 2011.
Gramsci, Hegemonia e relações internacionais: Um ensaio sobre o método. – Robert W. Cox
Baseada na leitura de Os Cadernos do Cárcere do ex líder do partido comunista italiano Gramsci, o autor ressalta a importância do estudo do conceito de hegemonia. Principalmente nas teorias e estudos das relações internacionais.
Gramsci e hegemonia.
Gramsci utiliza sua própria experiência pessoal pra adaptar e evoluir conceitos que, segundo ele, não podem ser abstraídos de suas aplicações, evitando assim contradições e ambigüidades. A validade dos conceitos só pode ser confirmada se postos em prática resolvem situações e as deixam claras.
Origens do conceito de hegemonia.
Partindo da terceira internacional comunista e passando pelos conceitos de Maquiavel o pensamento de Gramsci nos caminhos do e Lênin leva a definição de liderança com consentimento das classes aliadas. Mas adaptando esse pensamento Gramsci aplica a classe burguesa o conceito de hegemonia observando ainda que para se estabelecer no comando e no controle a burguesia até oferece concessões para manter a subordinação das classes assalariadas. Essa hegemonia permanecerá enquanto a classe dominada permanecer passiva, mas os casos em que a ordem for ameaçada a latente coerção se fará sentir pela classe dominante.
Para combater essa hegemonia das sociedades européias Gramsci defendia a utilização da guerra de posição e não a de movimento, pois a hegemonia só seria derrubada com ataques constantes a base de sustentação da hegemonia, que são os aspectos sóciais do estado.
Esse combate é a construção da contra hegemonia, que se forma no interior da atuante hegemonia, e que deve resistir as tentações de não ser incorporado pela atual hegemonia.
Revolução Passiva
Para Gramsci existiam dois tipos de sociedades que haviam se transformado socialmente: as completas como Inglaterra e França. E as que a nova ordem havia sido imposta, ordem esta criada no estrangeiro. A principal característica desta segunda sociedade é a dialética revolução-restauração. Aqui mesmo no Brasil podemos ver as constantes revoluções e golpes que transformaram a sociedade e mudou, por diversas vezes o pode de mãos.
Achei importante e esclarecedora pra mim a definição “progressistas, quando o governo forte preside um processo mais ordenado de criação de um novo Estado; reacionárias, quando estabiliza o poder existente.”
O transformismo definido por Gramsci era uma coalização de forças de amplo aspecto formando um grupo de interesses com objetivos comuns e transformadores.
Bloco Histórico
A estrutura formada por estado e sociedade representa um contexto estabelecido e que só poderiam ser modificados por um evento catastrófico que derrubando a atual estrutura possibilitaria a o surgimento de um novo bloco, o bloco histórico.
O bloco histórico não existe sem uma estabilidade da conjuntura dominante. Só a permanência de um Estado, suas forças sociais, políticas e econômicas caracterizam o bloco histórico. Para manter a estabilidade do bloco histórico os intelectuais desempenham um papel importante em manter imagens mentais da funcionalidade da organização ou, ao contrario, para derruba-la.
Teoria da dependência, neoliberalismo e desenvolvimento: Reflexões para os 30 anos da teoria
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período
Teoria da dependência, neoliberalismo e desenvolvimento:
Reflexões para os 30 anos da teoria
Matéria: História da América
Professor: Victor Tempone.
Macaé/RJ
Setembro de 2011.
Duas principais teorizações da dependência podem ser definidas como:
I – A marxista onde a luta de classes é a principal conseqüência da dominação, onde essas classes buscam na periferia uma organização socialista.
II – E a weberiana onde as estruturas de dominação são as responsáveis por manter o sistema dominante operando.
Para Cardoso foi o crescimento da unidade nacional que iniciou o rompimento com as estruturas dominadoras caracterizou o verdadeiro insucesso dos países que, no contexto internacional, não conseguiram encontrar os seus nichos internacionais de mercado, terminando como grupos irrelevantes para o mercado global.
A vertente econômica da dominação é a mais esmagadora e eficaz. Impões que estruturas internas só funcionem para manter ou abastecer as estruturas externas e dominadoras. A estrutura política pouco pode contribuir para buscar um ajuste que diminua ou termine com a dependência, pois esta se encontra funcionando apenas na ordem interna, sem poder, verdadeiramente influencias em estruturas internacionais.
Para fugir das estruturas de dependência Cardoso sugere que a centralidade do mercado se estabeleça no aspecto político, nas relações internacionais e no desenvolvimento econômico. Voltando para o lado da ética as ações dominadoras. Colocando, desta forma, barreiras morais para evitar dominações e massacres econômicos.
Ainda para Cardoso a globalização trouxe práticas ainda mais negativas, pois o capital especulatório se movimentava de forma muito dinâmica no mercado internacional, gerando crises e ainda mais dependência do sistema financeiro. E para Cardoso somente quando os mercados se tornarem únicos internacionalmente que os problemas gerados pela globalização poderão ser controlados.
A entrada do capital internacional nos mercados internos primeiro funcionou como amortização das tensões sociais, mas logo se transformou em mais uma forma de ameaçar as estruturas de desenvolvimento interno.
O caminho proposto para fugir das armadilhas impostas pelo capital internacional é abrir o mercado para atrair investimentos e manter a moeda forte para escapar de ataques especulativos.
A saída marxista para a dominação é a integração nacional para comandar os processos criados pela entrada do capital estrangeiro. A melhor distribuição das indústrias no território nacional, investimentos sociais para a qualificação do trabalhador, seriam políticas de integração nacional que fortaleceria as estruturas internas, diminuindo a dominação e a dependência externa a cada momento.
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período
Teoria da dependência, neoliberalismo e desenvolvimento:
Reflexões para os 30 anos da teoria
Matéria: História da América
Professor: Victor Tempone.
Macaé/RJ
Setembro de 2011.
Duas principais teorizações da dependência podem ser definidas como:
I – A marxista onde a luta de classes é a principal conseqüência da dominação, onde essas classes buscam na periferia uma organização socialista.
II – E a weberiana onde as estruturas de dominação são as responsáveis por manter o sistema dominante operando.
Para Cardoso foi o crescimento da unidade nacional que iniciou o rompimento com as estruturas dominadoras caracterizou o verdadeiro insucesso dos países que, no contexto internacional, não conseguiram encontrar os seus nichos internacionais de mercado, terminando como grupos irrelevantes para o mercado global.
A vertente econômica da dominação é a mais esmagadora e eficaz. Impões que estruturas internas só funcionem para manter ou abastecer as estruturas externas e dominadoras. A estrutura política pouco pode contribuir para buscar um ajuste que diminua ou termine com a dependência, pois esta se encontra funcionando apenas na ordem interna, sem poder, verdadeiramente influencias em estruturas internacionais.
Para fugir das estruturas de dependência Cardoso sugere que a centralidade do mercado se estabeleça no aspecto político, nas relações internacionais e no desenvolvimento econômico. Voltando para o lado da ética as ações dominadoras. Colocando, desta forma, barreiras morais para evitar dominações e massacres econômicos.
Ainda para Cardoso a globalização trouxe práticas ainda mais negativas, pois o capital especulatório se movimentava de forma muito dinâmica no mercado internacional, gerando crises e ainda mais dependência do sistema financeiro. E para Cardoso somente quando os mercados se tornarem únicos internacionalmente que os problemas gerados pela globalização poderão ser controlados.
A entrada do capital internacional nos mercados internos primeiro funcionou como amortização das tensões sociais, mas logo se transformou em mais uma forma de ameaçar as estruturas de desenvolvimento interno.
O caminho proposto para fugir das armadilhas impostas pelo capital internacional é abrir o mercado para atrair investimentos e manter a moeda forte para escapar de ataques especulativos.
A saída marxista para a dominação é a integração nacional para comandar os processos criados pela entrada do capital estrangeiro. A melhor distribuição das indústrias no território nacional, investimentos sociais para a qualificação do trabalhador, seriam políticas de integração nacional que fortaleceria as estruturas internas, diminuindo a dominação e a dependência externa a cada momento.
Características gerais da colonização portuguesa do Brasil: formação de uma sociedade agrária, escravocrata e híbrida.
Características gerais da colonização portuguesa do Brasil: formação de uma sociedade agrária, escravocrata e híbrida.
O primeiro destaque é a tendência histórica do povo português em se miscigenar e conviver com outras raças e culturas. “o ar da África, um ar quente, oleoso, amolecendo nas instituições e nas formas de cultura as durezas germânicas; corrompendo a rigidez moral e doutrinária da Igreja medieval; tirando os ossos ao cristianismo, ao feudalismo, à arquitetura gótica, à disciplina canônica, ao direito visigótico, ao latim, ao próprio caráter do povo.” Fica clara a idéia de miscigenação e da constante influência dos mais variados povos e culturas por toda a história de Portugal. Um país caracterizado pelo bi continentarismo. O caráter do povo definido por suas contradições entre o cristão e o mulçumano. E ainda uma miscigenação semita que levou a mobilidade e adaptabilidade resultando no perfil do português colonizador que chegou ao Brasil.
Essa mobilidade combinada com a facilidade de miscigenação facilitou a expansão de um povo diminuto em recursos humanos “dominando espaços enormes e onde quer que pousassem, na África ou na América, emprenhando mulheres e fazendo filhos,” A aclimatabilidade foi outro fator que facilitou a adaptação portuguesa em terras brasileiras, por seu clima único da Europa, devido a sua proximidade com a África, os portugueses não encontraram muitas dificuldades para as adaptarem ao clima tropical. Ingleses, franceses, holandeses entre outros tentaram suas aventuras pelos trópicos e suas empreitadas invariavelmente amoleceram pelo clima quente, que impediu seu estabelecimento nas terras das novas colônias. Foi pro motivos como estes que as metrópoles utilizaram a exploração comercial e não a dominação étnica para continuarem dominando suas colônias.
Foi o colonizador português o primeiro a iniciar o trabalho na terra e não apenas retirar dela sua riqueza natural. Foi a “Colônia de Plantação” a nova atividade imposta pelos portugueses, utilizando para isso escravos na produção agrícola. Foi essa sociedade que estabeleceu a formação de uma família patriarcal e aristocrática. A descrição resumida deste inicio de colonização feita por Ruediger Bilden. Resume bem esse momento que o Brasil atravessava. “no Brasil a colonização particular, muito mais que a ação oficial, promoveu a mistura de raças, a agricultura latifundiária e a escravidão, tornando possível, sobre tais alicerces, a fundação e o desenvolvimento de grande e estável colônia agrícola nos trópicos.”
O português tinha uma tendência de espalhar-se ao invés de condensar-se e foi assim com os bandeirantes desde o século XVI, fundando subcolônias e expandindo as fronteiras.
Um outro fator que foi importante no início e por um bom período da colonização brasileira foi a questão religiosa onde transformar os índios em novos cristãos foi motivos de expansão das atividades colonizadoras. O sentimento de antagonismo permanece quando os jesuítas ampliam suas conversões, atingindo os escravos e assim contrariando os interesses dos fazendeiros, que usavam de duras medidas para manter seus escravos em uma condição abaixo da humanidade, evitando assim, revolta e conseqüente prejuízo.
Mesmo com todas as dificuldades climáticas, geográficas, intelectuais, raciais e religiosas a sociedade colonial foi harmonizando-se e criando mecanismos de manter funcionando suas estruturas sócias e estruturas de poder. Os fatores que facilitaram a chegada do português ao território brasileiro continuaram existindo em favor de sua permanência e estabilização. A miscigenação entre europeus e índios, europeus e negros, negros e índios teve continuidade. Criando um povo cada vez mais adaptado a terra em que viveram. Essa adaptação tanto no início da colonização, quando durante o seu processo contou, além da mobilidade de seu povo sua adaptação a mudança de atividades e de residência. A característica hospitalidade deste povo contribuiu ainda mais para expandir o processo de estabilização da colonização. Ampliadas ainda por facilidades geográficas por não contar com uma importante cadeia de montanhas ou um rio que de forma importante consista em barreira realmente dificultadora de um processo de expansão.
O primeiro destaque é a tendência histórica do povo português em se miscigenar e conviver com outras raças e culturas. “o ar da África, um ar quente, oleoso, amolecendo nas instituições e nas formas de cultura as durezas germânicas; corrompendo a rigidez moral e doutrinária da Igreja medieval; tirando os ossos ao cristianismo, ao feudalismo, à arquitetura gótica, à disciplina canônica, ao direito visigótico, ao latim, ao próprio caráter do povo.” Fica clara a idéia de miscigenação e da constante influência dos mais variados povos e culturas por toda a história de Portugal. Um país caracterizado pelo bi continentarismo. O caráter do povo definido por suas contradições entre o cristão e o mulçumano. E ainda uma miscigenação semita que levou a mobilidade e adaptabilidade resultando no perfil do português colonizador que chegou ao Brasil.
Essa mobilidade combinada com a facilidade de miscigenação facilitou a expansão de um povo diminuto em recursos humanos “dominando espaços enormes e onde quer que pousassem, na África ou na América, emprenhando mulheres e fazendo filhos,” A aclimatabilidade foi outro fator que facilitou a adaptação portuguesa em terras brasileiras, por seu clima único da Europa, devido a sua proximidade com a África, os portugueses não encontraram muitas dificuldades para as adaptarem ao clima tropical. Ingleses, franceses, holandeses entre outros tentaram suas aventuras pelos trópicos e suas empreitadas invariavelmente amoleceram pelo clima quente, que impediu seu estabelecimento nas terras das novas colônias. Foi pro motivos como estes que as metrópoles utilizaram a exploração comercial e não a dominação étnica para continuarem dominando suas colônias.
Foi o colonizador português o primeiro a iniciar o trabalho na terra e não apenas retirar dela sua riqueza natural. Foi a “Colônia de Plantação” a nova atividade imposta pelos portugueses, utilizando para isso escravos na produção agrícola. Foi essa sociedade que estabeleceu a formação de uma família patriarcal e aristocrática. A descrição resumida deste inicio de colonização feita por Ruediger Bilden. Resume bem esse momento que o Brasil atravessava. “no Brasil a colonização particular, muito mais que a ação oficial, promoveu a mistura de raças, a agricultura latifundiária e a escravidão, tornando possível, sobre tais alicerces, a fundação e o desenvolvimento de grande e estável colônia agrícola nos trópicos.”
O português tinha uma tendência de espalhar-se ao invés de condensar-se e foi assim com os bandeirantes desde o século XVI, fundando subcolônias e expandindo as fronteiras.
Um outro fator que foi importante no início e por um bom período da colonização brasileira foi a questão religiosa onde transformar os índios em novos cristãos foi motivos de expansão das atividades colonizadoras. O sentimento de antagonismo permanece quando os jesuítas ampliam suas conversões, atingindo os escravos e assim contrariando os interesses dos fazendeiros, que usavam de duras medidas para manter seus escravos em uma condição abaixo da humanidade, evitando assim, revolta e conseqüente prejuízo.
Mesmo com todas as dificuldades climáticas, geográficas, intelectuais, raciais e religiosas a sociedade colonial foi harmonizando-se e criando mecanismos de manter funcionando suas estruturas sócias e estruturas de poder. Os fatores que facilitaram a chegada do português ao território brasileiro continuaram existindo em favor de sua permanência e estabilização. A miscigenação entre europeus e índios, europeus e negros, negros e índios teve continuidade. Criando um povo cada vez mais adaptado a terra em que viveram. Essa adaptação tanto no início da colonização, quando durante o seu processo contou, além da mobilidade de seu povo sua adaptação a mudança de atividades e de residência. A característica hospitalidade deste povo contribuiu ainda mais para expandir o processo de estabilização da colonização. Ampliadas ainda por facilidades geográficas por não contar com uma importante cadeia de montanhas ou um rio que de forma importante consista em barreira realmente dificultadora de um processo de expansão.
Um Visionário na Corte de D. João V. Cap. V De: Adriana Romeiro.
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período
Um Visionário na Corte de D. João V
Cap. V
De: Adriana Romeiro.
Matéria: Historia do Brasil Colônia
Professor: Meynardo.
Macaé/RJ
Outubro de 2011.
Pedro de Rates Hanequim é um português que no Brasil se tornou um minerador. Suas práticas o levaram a ser acusado, preso e morto por crime de Lesa-Majestade. Hanequim era milenarista e acreditava na vinda do quinto reino para o Brasil. Crenças que o colocava diretamente em conflito com o governo português. Seu caso foi conduzido em segredo e os registros destruídos. Fato que dificultou o trabalho de historiadores que pesquisaram seu caso. As partes das investigações que puderam ser esclarecidas sobre o episódio, deixaram claro que Hanequim ou havia agido sozinho ou ocultou seus cúmplices.
O desembargador Santa Marta, responsável pelo caso de conspiração, restringiu sua área de ação limitando suas investigações somente a este aspecto e encobrindo provas documentais do processo de Hanequim. É entendendo sua cultura e sua política que estava ambientada em Minas Gerais é que podemos entender o que se passava nessa região.
Para entender o ambiente em que Hanequim circulava é preciso entender que ele vivia sob um viés subversivo que seu pensamento foi construído na relação com letrados e acadêmicos.
Dos poucos registros que restaram da inquisição de Hanequim, o que se pode confirmar é que ele permaneceu por cerca de vinte anos na região de Sabará, Vila Rica, Serro Frio, Ribeirão do Carmo, entre outras. O interessante é observar que o regime de D. João V teve grande preocupação em apagar todos os vestígios do ocorrido com o mineiro Hanequim, provavelmente para manter a estabilidade do regime e impedir que idéias inconfidentes tomem conta do pensamento popular. Principalmente em uma região rica em ouro e diamantes. Durante seu interrogatório em Portugal foi constatado que o auxilio do padre Inocêncio de Carvalho era verdadeiro e que também o ouro descoberto e minerado por ele foi quintado de acordo com a lei portuguesa, mostrando que seus atos estavam todos dentro da lei.
O caso de Hanequim revelava implicações maiores e que demonstravam a complicada política econômica na colônia no início do século XVIII. Uma testemunha citada por Hanequim, durante o processo de inquisição, foi o capitão mor João Ferreira dos Santos. Dono de uma sesmaria na região do Caeté, ele foi influente na região ajudando com escravos no combate a invasão francesa no Rio de Janeiro, onde conseguiu seu título militar. Suas atividades auríferas foram exercidas de forma ilegal, falsificando o selo real sonegou impostos à coroa portuguesa, foi preso e condenado. Não foi queimado por uma manobra legal onde conseguiu provar que reconhecendo o crime e fornecendo informações a seus inquisidores poderia reduzir sua pena. Conseguiu escapar da morte e do exílio em Angola, permanecendo em Lisboa. O caso do capitão revela que grandes manobrar ilegais ocorriam na região para lesar a coroa na taxação do ouro. Por ser um minerador Hanequim, que viveu na mesma região que o capitão, certamente conviveu com ele, mas o capitão negou conhecer o condenado Hanequim. Provavelmente por temer se envolver em ainda mais problemas com Portugal.
Para fugir do casamento Hanequim chegou a usurpar a identidade de Frei Simão de Santa Teresa. Este frei que realmente habitava a região. Era um religioso culto e pagador de impostos, além de ter uma participação importante na guerra dos emboabas. O frei ocupou funções de destaques no governo ilegítimo dos emboabas. Certamente uma estratégia pra fugir do controle da coroa portuguesa e de sua dominação.
Oficialmente Hanequim chegou a ser registrado em um livro de pagamento de impostos na Vila de Sabará entre 1714 e 1715, descartando assim, a possibilidade de sempre utilizar nomes falsos para escapar de alguma perseguição real. Os registros sempre foram muito contraditórios. Durante o tribunal do ofício testemunhas alegaram que Hanequim possuiu grandes posses e outras já afirmavam que ele nada tinha. Sua vida foi marcada por uma grande variedade de acontecimentos, onde Hanequim demonstrava sua inteligência e capacidade de adaptação. Tentou assumir a responsabilidade da descoberta do ouro para os espanhóis, participou de estudos das escrituras e foi escrivão em Rio das Velhas entre 1709 e 1710 onde atuava no ato de apreensão de entrada ilegal de mercadorias em Minas Gerais.
Acredito ser uma estratégia de Hanequim, onde ao pagar e impostos e trabalhar em serviços oficiais proporcionava a ele uma aparência de legalidade, para esconder seus atos revolucionários contra a coroa portuguesa.
Foi ainda no início do século XVIII que Portugal intensifica as ações de controle sobre sua colônia e a região das minas sofre intenso combate aos desvios de pedras preciosas. Uma das medidas é a proibição de comércio com a Bahia e posteriormente a instauração de postos de controle para selar o ouro. Portugal precisava explorar ao máximo esse empreendimento de metais preciosos e coibir movimentos revoltosos que foram surgindo e sendo debelados, como foi a guerra dos emboabas.
É importante notar como o governo colonialista estabelece uma hierarquia de imposição do poder. Os governadores nomeados pela coroa nomeiam seus assessores, que por sua vez possuem outros assessores que até quando não remunerados tem grande interesse em ocupar um cargo oficial. Como no caso de uma carta régia de 7 de maio de 1703, autorizando que a superintendência nomeasse os guardas mores sem a obrigação de aprovação do rei. Estes “registradores” não possuíam salários, só recebiam de acordo com os emolumentos que praticavam, mas era um cargo de boa visibilidade social, mas que ainda assim, permanecia sob os domínios da coroa portuguesa e precisavam trabalhar de acordo com os interesses do rei..
Hanequim viveu em um mundo em que ele construiu com seus conhecimentos religiosos e milenaristas, acreditava em uma América longe dos domínios de Portugal. E justamente por isso pagou com a vida perante a inquisição. A imposição do regime colonial não poderia permitir que idéias separatistas, ainda mais em uma região aurífera, progredissem. Era uma clara ameaça a ordem vigente do antigo regime.
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período
Um Visionário na Corte de D. João V
Cap. V
De: Adriana Romeiro.
Matéria: Historia do Brasil Colônia
Professor: Meynardo.
Macaé/RJ
Outubro de 2011.
Pedro de Rates Hanequim é um português que no Brasil se tornou um minerador. Suas práticas o levaram a ser acusado, preso e morto por crime de Lesa-Majestade. Hanequim era milenarista e acreditava na vinda do quinto reino para o Brasil. Crenças que o colocava diretamente em conflito com o governo português. Seu caso foi conduzido em segredo e os registros destruídos. Fato que dificultou o trabalho de historiadores que pesquisaram seu caso. As partes das investigações que puderam ser esclarecidas sobre o episódio, deixaram claro que Hanequim ou havia agido sozinho ou ocultou seus cúmplices.
O desembargador Santa Marta, responsável pelo caso de conspiração, restringiu sua área de ação limitando suas investigações somente a este aspecto e encobrindo provas documentais do processo de Hanequim. É entendendo sua cultura e sua política que estava ambientada em Minas Gerais é que podemos entender o que se passava nessa região.
Para entender o ambiente em que Hanequim circulava é preciso entender que ele vivia sob um viés subversivo que seu pensamento foi construído na relação com letrados e acadêmicos.
Dos poucos registros que restaram da inquisição de Hanequim, o que se pode confirmar é que ele permaneceu por cerca de vinte anos na região de Sabará, Vila Rica, Serro Frio, Ribeirão do Carmo, entre outras. O interessante é observar que o regime de D. João V teve grande preocupação em apagar todos os vestígios do ocorrido com o mineiro Hanequim, provavelmente para manter a estabilidade do regime e impedir que idéias inconfidentes tomem conta do pensamento popular. Principalmente em uma região rica em ouro e diamantes. Durante seu interrogatório em Portugal foi constatado que o auxilio do padre Inocêncio de Carvalho era verdadeiro e que também o ouro descoberto e minerado por ele foi quintado de acordo com a lei portuguesa, mostrando que seus atos estavam todos dentro da lei.
O caso de Hanequim revelava implicações maiores e que demonstravam a complicada política econômica na colônia no início do século XVIII. Uma testemunha citada por Hanequim, durante o processo de inquisição, foi o capitão mor João Ferreira dos Santos. Dono de uma sesmaria na região do Caeté, ele foi influente na região ajudando com escravos no combate a invasão francesa no Rio de Janeiro, onde conseguiu seu título militar. Suas atividades auríferas foram exercidas de forma ilegal, falsificando o selo real sonegou impostos à coroa portuguesa, foi preso e condenado. Não foi queimado por uma manobra legal onde conseguiu provar que reconhecendo o crime e fornecendo informações a seus inquisidores poderia reduzir sua pena. Conseguiu escapar da morte e do exílio em Angola, permanecendo em Lisboa. O caso do capitão revela que grandes manobrar ilegais ocorriam na região para lesar a coroa na taxação do ouro. Por ser um minerador Hanequim, que viveu na mesma região que o capitão, certamente conviveu com ele, mas o capitão negou conhecer o condenado Hanequim. Provavelmente por temer se envolver em ainda mais problemas com Portugal.
Para fugir do casamento Hanequim chegou a usurpar a identidade de Frei Simão de Santa Teresa. Este frei que realmente habitava a região. Era um religioso culto e pagador de impostos, além de ter uma participação importante na guerra dos emboabas. O frei ocupou funções de destaques no governo ilegítimo dos emboabas. Certamente uma estratégia pra fugir do controle da coroa portuguesa e de sua dominação.
Oficialmente Hanequim chegou a ser registrado em um livro de pagamento de impostos na Vila de Sabará entre 1714 e 1715, descartando assim, a possibilidade de sempre utilizar nomes falsos para escapar de alguma perseguição real. Os registros sempre foram muito contraditórios. Durante o tribunal do ofício testemunhas alegaram que Hanequim possuiu grandes posses e outras já afirmavam que ele nada tinha. Sua vida foi marcada por uma grande variedade de acontecimentos, onde Hanequim demonstrava sua inteligência e capacidade de adaptação. Tentou assumir a responsabilidade da descoberta do ouro para os espanhóis, participou de estudos das escrituras e foi escrivão em Rio das Velhas entre 1709 e 1710 onde atuava no ato de apreensão de entrada ilegal de mercadorias em Minas Gerais.
Acredito ser uma estratégia de Hanequim, onde ao pagar e impostos e trabalhar em serviços oficiais proporcionava a ele uma aparência de legalidade, para esconder seus atos revolucionários contra a coroa portuguesa.
Foi ainda no início do século XVIII que Portugal intensifica as ações de controle sobre sua colônia e a região das minas sofre intenso combate aos desvios de pedras preciosas. Uma das medidas é a proibição de comércio com a Bahia e posteriormente a instauração de postos de controle para selar o ouro. Portugal precisava explorar ao máximo esse empreendimento de metais preciosos e coibir movimentos revoltosos que foram surgindo e sendo debelados, como foi a guerra dos emboabas.
É importante notar como o governo colonialista estabelece uma hierarquia de imposição do poder. Os governadores nomeados pela coroa nomeiam seus assessores, que por sua vez possuem outros assessores que até quando não remunerados tem grande interesse em ocupar um cargo oficial. Como no caso de uma carta régia de 7 de maio de 1703, autorizando que a superintendência nomeasse os guardas mores sem a obrigação de aprovação do rei. Estes “registradores” não possuíam salários, só recebiam de acordo com os emolumentos que praticavam, mas era um cargo de boa visibilidade social, mas que ainda assim, permanecia sob os domínios da coroa portuguesa e precisavam trabalhar de acordo com os interesses do rei..
Hanequim viveu em um mundo em que ele construiu com seus conhecimentos religiosos e milenaristas, acreditava em uma América longe dos domínios de Portugal. E justamente por isso pagou com a vida perante a inquisição. A imposição do regime colonial não poderia permitir que idéias separatistas, ainda mais em uma região aurífera, progredissem. Era uma clara ameaça a ordem vigente do antigo regime.
sábado, 24 de setembro de 2011
Macaé e sua História recente no contexto da segurança pública. Uma visão da segurança municipal.
Vivemos em uma cidade em constante transformação, desde os anos 70 Macaé, nossa cidade, vive uma constante transformação de seu próprio tempo, de seu próprio espaço, de sua própria gente. Os anos 80 trouxeram a tecnologia e o aparelhamento governamental. A cidade cresce e com ela sua população. Uma profunda transformação social é vivenciada por seus novos e antigos habitantes. E no fim dos anos 90 um avanço social é proposto pelo governo municipal. A reestruturação da já tradicional Guarda Municipal.
Um concurso público é realizado unindo filhos originais desta terra e novos filhos adotivos que chegavam para trabalhar por esta cidade. Mas o grande diferencial deste concurso foi o de trabalhar de forma civil, solidária e servindo a toda a população. Os jovens que aqui chegavam traziam um sopro de renovação para suas vidas e para a vida da própria cidade. Macaé crescia em recursos, em visibilidade, em população e em oportunidades. Sua crescente população necessitava de atenção, precisava de servidores no melhor aspecto da palavra e a Guarda Municipal veio preencher justamente este espaço.
Em contato direto com a sua população o Guarda Municipal era o maior representante do governo nas ruas. Ouvia as queixas da população, providenciava soluções para os seus problemas, que quando não resolvidos de forma imediata, eram encaminhados diretamente da Guarda Municipal para as demais secretárias municipais. A Guarda Municipal estava nas ruas, nas escolas, nos hospitais e postos de saúdes, nas secretarias, nas praias e nas serras e matas da cidade. O sentimento de pertencer a cidade passou a habitar o coração de todos nós. Atendemos nas tragédias e nas alegrias. Nas enchentes, acidentes, afogamentos e incêndios florestais, nos parques, nos desfiles, nas comemorações, nos shows e nas datas festivas. A sociedade estava integrada a Guarda Municipal e nós nos sentíamos parte desta sociedade.
Éramos jovens, idealistas, defensores e amantes desta cidade. Limpos, íntegros e honestos. Mas a constante evolução da cidade não premiou a nossa Guarda Municipal com a mesma evolução.
De secretaria, viramos empresa, autarquia e agora uma subsecretaria. Nossa função de controlar e organizar o crescente trânsito e o emergente sistema de transporte público nos foi tirado. Depois de construímos todo o conhecimento de como evoluir junto com a cidade, tudo foi cortado e recomeçado do zero em outro lugar. Tornamos-nos órfão de uma função que nasceu junto com nossa vida na cidade. Até hoje se olha para um agente de trânsito na cidade e o chamamos de “Guarda”, é a referencia que ultrapassou medidas administrativas e políticas que não atendiam ao real interesse da cidade e da população. Sem referencia e atendida por contratados a cidade mergulhou em um grande conflito e em uma grande confusão que transformou transitar pela cidade uma verdadeira Via Crucis.
Os veículos apreendidos pelas ruas da cidade eram guardados e administrados pela Guarda Municipal. Um órgão ainda sólido, que garantia a tranqüilidade de quem já passava por momentos difíceis inevitáveis quando temos nossos veículos apreendidos. Mas mesmo nesse momento difícil o cidadão era tratado por funcionários que carregavam seu nome no peito e o brasão da cidade em seus braços. O cidadão sabia com quem estava resolvendo seus problemas, hoje uma empresa particular que defende interesses desconhecidos administra esse intricado circulo de medidas e conta medidas constantes.
Mas nossas perdas continuavam, nossos Salva-Vidas nas praias deixaram de apoiar o corpo de bombeiros, nossa apreensão de animas que atuava 24 horas por dia foi desfeita, nossa fiscalização de posturas foi abolida, nossa personalidade diminuída.
Perdemos ainda o monitoramento por câmeras de segurança na cidade, depois de sucateada e sem nenhuma manutenção ou investimento, toda a estrutura foi entregue ao governo do estado que hoje opera de forma obscura e sem consulta a sociedade de qual seria os benefícios que ela mesma espera deste importante serviço.
Hoje perdemos nossa casa, mesmo ainda tendo nosso quintal. É triste e desolador chegar ao trabalho e encontrar paredes destruídas, teto caído, pó e poeira no lugar em que vivemos momentos de satisfação e alegria por servir e se sentir parte de uma estrutura que funcionava.
Nosso grupo tão forte e tão unido não resistiu a tantas perdas. Afinidades políticas se tornaram mais importantes que o bem estar coletivo. Projetos pessoais se tornaram mais importantes que a própria instituição. Apadrinhamentos, injustiças, perseguições e desmandos se tornaram comuns. Um rico orçamento se transformou em pó. Sem rádios, sem uniformes, sem viaturas, sem ao menos um lugar para se proteger do tempo ficamos. Ninguém resistira, ninguém suportaria, ninguém viveria assim.
Mas nós vivemos, nós suportamos e resistimos. Servimos a população em tudo que está ao nosso alcance, em poucas escolas e em raros prédios municipais, em que ainda trabalhamos. Em poucas praças e alguns parques. Ainda somos íntegros, limpos e honestos. Afinal caráter é para sempre. Os jovens que aqui chegavam para renovar hoje precisam de uma renovação, necessitam do fresco vento da mudança.
Pois exatamente hoje, no dia em que escrevo nossa moral afunda ainda mais, nossa identidade é ainda mais destruída e rezo por em breve poder voltar aqui e apagar esse último parágrafo e escrever uma nova história. Que venha a mudança, que os ventos mudem, que as pessoas vivam.
Bruno Horta.
Um concurso público é realizado unindo filhos originais desta terra e novos filhos adotivos que chegavam para trabalhar por esta cidade. Mas o grande diferencial deste concurso foi o de trabalhar de forma civil, solidária e servindo a toda a população. Os jovens que aqui chegavam traziam um sopro de renovação para suas vidas e para a vida da própria cidade. Macaé crescia em recursos, em visibilidade, em população e em oportunidades. Sua crescente população necessitava de atenção, precisava de servidores no melhor aspecto da palavra e a Guarda Municipal veio preencher justamente este espaço.
Em contato direto com a sua população o Guarda Municipal era o maior representante do governo nas ruas. Ouvia as queixas da população, providenciava soluções para os seus problemas, que quando não resolvidos de forma imediata, eram encaminhados diretamente da Guarda Municipal para as demais secretárias municipais. A Guarda Municipal estava nas ruas, nas escolas, nos hospitais e postos de saúdes, nas secretarias, nas praias e nas serras e matas da cidade. O sentimento de pertencer a cidade passou a habitar o coração de todos nós. Atendemos nas tragédias e nas alegrias. Nas enchentes, acidentes, afogamentos e incêndios florestais, nos parques, nos desfiles, nas comemorações, nos shows e nas datas festivas. A sociedade estava integrada a Guarda Municipal e nós nos sentíamos parte desta sociedade.
Éramos jovens, idealistas, defensores e amantes desta cidade. Limpos, íntegros e honestos. Mas a constante evolução da cidade não premiou a nossa Guarda Municipal com a mesma evolução.
De secretaria, viramos empresa, autarquia e agora uma subsecretaria. Nossa função de controlar e organizar o crescente trânsito e o emergente sistema de transporte público nos foi tirado. Depois de construímos todo o conhecimento de como evoluir junto com a cidade, tudo foi cortado e recomeçado do zero em outro lugar. Tornamos-nos órfão de uma função que nasceu junto com nossa vida na cidade. Até hoje se olha para um agente de trânsito na cidade e o chamamos de “Guarda”, é a referencia que ultrapassou medidas administrativas e políticas que não atendiam ao real interesse da cidade e da população. Sem referencia e atendida por contratados a cidade mergulhou em um grande conflito e em uma grande confusão que transformou transitar pela cidade uma verdadeira Via Crucis.
Os veículos apreendidos pelas ruas da cidade eram guardados e administrados pela Guarda Municipal. Um órgão ainda sólido, que garantia a tranqüilidade de quem já passava por momentos difíceis inevitáveis quando temos nossos veículos apreendidos. Mas mesmo nesse momento difícil o cidadão era tratado por funcionários que carregavam seu nome no peito e o brasão da cidade em seus braços. O cidadão sabia com quem estava resolvendo seus problemas, hoje uma empresa particular que defende interesses desconhecidos administra esse intricado circulo de medidas e conta medidas constantes.
Mas nossas perdas continuavam, nossos Salva-Vidas nas praias deixaram de apoiar o corpo de bombeiros, nossa apreensão de animas que atuava 24 horas por dia foi desfeita, nossa fiscalização de posturas foi abolida, nossa personalidade diminuída.
Perdemos ainda o monitoramento por câmeras de segurança na cidade, depois de sucateada e sem nenhuma manutenção ou investimento, toda a estrutura foi entregue ao governo do estado que hoje opera de forma obscura e sem consulta a sociedade de qual seria os benefícios que ela mesma espera deste importante serviço.
Hoje perdemos nossa casa, mesmo ainda tendo nosso quintal. É triste e desolador chegar ao trabalho e encontrar paredes destruídas, teto caído, pó e poeira no lugar em que vivemos momentos de satisfação e alegria por servir e se sentir parte de uma estrutura que funcionava.
Nosso grupo tão forte e tão unido não resistiu a tantas perdas. Afinidades políticas se tornaram mais importantes que o bem estar coletivo. Projetos pessoais se tornaram mais importantes que a própria instituição. Apadrinhamentos, injustiças, perseguições e desmandos se tornaram comuns. Um rico orçamento se transformou em pó. Sem rádios, sem uniformes, sem viaturas, sem ao menos um lugar para se proteger do tempo ficamos. Ninguém resistira, ninguém suportaria, ninguém viveria assim.
Mas nós vivemos, nós suportamos e resistimos. Servimos a população em tudo que está ao nosso alcance, em poucas escolas e em raros prédios municipais, em que ainda trabalhamos. Em poucas praças e alguns parques. Ainda somos íntegros, limpos e honestos. Afinal caráter é para sempre. Os jovens que aqui chegavam para renovar hoje precisam de uma renovação, necessitam do fresco vento da mudança.
Pois exatamente hoje, no dia em que escrevo nossa moral afunda ainda mais, nossa identidade é ainda mais destruída e rezo por em breve poder voltar aqui e apagar esse último parágrafo e escrever uma nova história. Que venha a mudança, que os ventos mudem, que as pessoas vivam.
Bruno Horta.
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