AVALIAÇÃO DE HISTÓRIA DA ÁFRICA E CULTURA AFROBRASILEIRA
2º BIMESTRE
1. Algumas manifestações culturais do Norte Fluminense, como manifestações carnavalescas, formas idiomáticas de linguagem, culinária, músicas e danças, nos remetem a ancestrais africanos ou afro-brasileiros. Mais que isso, algumas manifestações desse tipo só são encontradas em estados nordestinos como Alagoas, Maranhão e Pernambuco, principalmente. Segundo uma pesquisa baseada em entrevistas, depoimentos, cruzamento de dados, estatísticas que relacionam o fim do tráfico Atlântico ao aumento da população escrava, é possível se atribuir essa presença de elementos culturais nordestinos ao tráfico interno de escravos.
1.1 Aproveitando seus elevados conhecimentos e o texto anterior, faça uma explanação considerando a definição de escravidão (Moderna), de tráfico de escravos e da Lei Eusébio de Queirós (1850).
Contextualizando para o Brasil colonial, os escravos eram os prisioneiros das guerras entre tribos africanas. Onde os vencedores vendiam seus prisioneiros para os portugueses, que os utilizava para fazer a economia do Brasil colonial funcionar. Quando da aprovação da lei e o fim oficial do tráfico interatlantico uma rota de tráfico interna de escravos se estabeleceu. Escravos que estavam fixados no nordeste foram transferidos para as lavouras do sul e sudeste do país, principalmente para o plantio de café. Com isso as tradições praticadas no nordeste foram estabelecidas, também, nesta nova região. Desta forma foi possível explicar os traços em comum encontrados no cruzamento de dados.
1.2 Compare a escravidão Moderna com as formas de escravidão existentes na África (pelo menos duas).
Desde antes da presença dos europeus no continente africano a prática escravocrata já estava estabelecida no continente. Diferente da prática posterior onde os escravos eram tratados como mercadorias.
Além da guerra a escravidão poderia ser também imposta como castigos penais por assassinato, adultério e roubo. O ainda para se saldar uma dívida ou adquirir um empréstimo. Uma pessoa da própria família poderia ser entregue a outra comunidade para ser escravizada. Além disso, a fome, obrigava a própria escravização ou a de um familiar. Pode ser citada, também, a Escravidão por dívida, onde a pessoa fica a serviço do credor por um prazo determinado combinado até que a dívida seja considerada paga.
E a escravidão voluntária, onde por já estar em uma situação ruim, a pessoa se submete a escravidão, onde trabalha por alimentos e por um lugar para morar.
Posteriormente algumas tribos africanas passaram a vender seus escravos para os povos mulçumanos do norte, que traficavam estes escravos/prisioneiros para Europa e para o Ceuta, agora com o “status” de mercadoria. Essa prática de venda de prisioneiros chegou a ser a principal estratégia econômica de alguns povos africanos.
1.3 O que foi o tráfico interno de escravos e qual sua relação com a difusão de elementos culturais nordestinos em nossa região?
Um dos principais movimentos de tráfico interno de escravos foi da Bahia para as plantações de café do sudeste. Segundo os dados de Robert W. Slenes, entre 1850 e 1881 entre 210 a 300 mil escravos foram deslocados do nordeste para estas culturas do sudeste e em particular da nossa região, trazendo seus hábitos e estabelecendo sua forma de viver em nossa região.
Estes escravos atuavam na criação de gado, na cultura da cana e depois na do café. E o número de escravos sofre um aumento de mais de 300% em nossa região após a fim do trafico internacional em 1850. E foram os escravos do nordeste que ocupam a região após o fim deste tráfico com destino as plantações de café.
Estudando estas origens é possível constatar que algumas manifestações culturais só podem ser encontradas no nordeste e em nossa região como: A Catirina e monstro Jaguará são encontrados em Conceição de Macabú. A dança folclórica Manachita é observada na região de Campos e Quissamã. Além dês expressões idiomáticas como: Cabrunco, Lamparão e Estopô que são encontradas no nordeste e em nossa região.
2. Vários foram os quilombos macaenses. Quase sempre seguiam o modelo “palmarino” – rebelião, fugas, resistência, guerra, destruição, etc. Entretanto, se compararmos os quilombos de Cruz Sena (1870-74) e o “lendário” Quilombo do Carukango (+/- 1817-1831), veremos que existem semelhanças e diferenças marcantes, que mostram as etapas da História da Escravidão no Norte Fluminense. Assim, discorra sobre ambos, resumindo suas Histórias, estabelecendo comparações e relacionando-as com essa “História da Escravidão”.
O quilombo de Cruz Sena era localizado no atual município de Conceição de Macabú, nas terras do fazendeiro Manuel da Cruz Sena na fazenda de Santo Antônio. Manuel enriqueceu no período do comércio escravocrata tanto no tráfico internacional quando no trafico interno. Era um home experiente e com habilidade para o comércio. A forma de administrar a fazenda foi a principal responsável pela revolta e fuga dos escravos que formaram o quilombo de Cruz Sena. Proibindo festas e atividades paralelas as das obrigações com a fazenda e deslocando escravos, e assim, desfazendo os laços familiares foram os principais atos que motivaram esta revolta.
e um ano 39 dos 42 escravos fugiram do cativeiro. Mas mantinham-se próximos da fazendo, onde ocasionalmente praticavam pequenos furtos de utensílios, armas e munições ou sementes da mesma fazenda da qual fugiram e no quilombo produziam seus alimentos, além da caça e da pesca.
A princípio se dando por vencido, mas depois procurando reaver seu investimento Manuel iniciou um movimento para retomar seus escravos. Esse movimento só tomou força e obteve apoio oficial quando um meeiro foi assassinado em uma tentativa de assalto. Como a culpa recaiu sob o quilombo o Coronel Amado, importante figura da sociedade escravocrata e delegado de polícia da região, precisou acalmar os demais fazendeiros e negociou a rendição dos escravos com o compromisso de serem vendidos para outros donos. A venda foi confirmada mesmo sob tentativa de Manuel de evitar a perda dos escravos. E um novo proprietário assume a fazenda com, praticamente, os mesmos escravos de antes.
Um pouco mais cedo, ainda no início do século XIX, já no atual município de Macaé um formidável quilombo, o maior do Estado do Rio de Janeiro já registrado se formou e são os seus traços peculiares que serão analisados e comparados com o quilombo anteriormente descrito.
Tal como em Cruz Sena o quilombo de Carucango foi formado por uma fuga em massa da fazenda e com a fixação dos escravos em uma região próxima a antiga fazenda. Os furtos da fazenda original, também eram a uma fonte de sobrevivência para os fugitivos. Sementes, ferramentas e armas foram apossadas pelos escravos. Mas por ser um quilombo maior do que o de Cruz Sena, os da Carucango procuram um espaço maior para se estabelecerem e os furtos aconteciam em outras fazendas, não apenas na qual eles fugiram. Esse quilombo adquiriu força e as milícias de Macaé e Cabo Frio não tinham condições de enfrentá-los.
Foi somente com o apoio da milícia do Espírito Santo e de um estrategista português que as tropas alcançaram o quilombo. Ali encontraram uma sociedade organizada e auto-sustentável, diferente de Cruz Sena, que dependia da proximidade das fazendas, Carucango já vivia de forma semi independente. A destruição foi completa e não houve a preocupação de preservar os escravos, que eram propriedade de outros senhores, foram todos mortos para que o exemplo e as idéias não se espalhassem.
3. Em “Escravidão e Engenhos” João Oscar discorre sobre episódios da “História da Escravidão no Norte Fluminense” em municípios como Macaé, Campos, São João da Barra. Segundo Oscar, 14.000 escravos habitaram o município de Macaé nos anos oitenta do século XIX, correspondendo a 55% da população total. Com tantos escravos, como era possível a manutenção da ordem nessa e em outras regiões similares do Brasil?
Ao analisar os casos dos quilombos de Cruz Sena e do Carucango é possível observar as estratégias sociais e políticas que envolviam a convivência com os escravos. O caso de Cruz Sena os escravos aceitaram uma negociação com seus donos e por isso foram preservadas e garantidas as suas reivindicações básicas. Desta forma, também, o interesse dos donos de escravos eram preservados, pois seus patrimônios estavam garantidos. A segurança pública era mantida e a população em geral se sentia segura. Mas o caso do Carucango extrapolou esse limite quando um caso de assassinato foi ligado aos quilombolas. O Carucango, além deste problema, já se estabelecia de forma a chamar a atenção de outros escravos pela dimensão que tomava, tanto em tamanho quanto em fama, como exemplo a ser seguido por outros escravos. A reação policial e política foram arrasadoras, todos os membros foram mortos pelas autoridades e o líder do movimento o negro Carucango foi esquartejado e sua cabeça posta em exposição pública para aterrorizar novas tentativas. E foi, também, essa ausência de um líder que facilitou o desfecho pacífico do caso Cruz Sena.
4. Gana, Monomotapa, Congo, Timbuctu, Gao, são exemplos de culturas e ciivilizações africanas imediatamente anteriores a presença européia naquele continente. Selecione duas dessas culturas caracterizando-as.
Reino de Gana.
Uma região que se destaca na África subsaariana é o SAEL( região de savanas ao sul do Saara). Os povos desta região também eram conhecidos como sudaneses (Bilad al-Sudan, em árabe significa terra dos negros). Além de agricultores, era povos que dominavam a pesca a caça e a metalurgia.
O reino de Gana era um destes povos sudaneses. Região rica em ouro desde cedo se tornou um ponto de comércio com o norte do continente e essa característica natural ajudou a transformar a mentalidade do povo formando um reino estruturado. Nobres, homens livres, servos e escravos compunham a sociedade ganesa. A religião era tradicional e ligada a própria região somente com o incremento das trocas com o norte é que o islamismo se desenvolveu na sociedade.
Pouco desenvolvida militarmente o reino ganes se estabilizou valorizando o comércio e cobrando taxas oficiais aos postos comerciais. O apogeu de sua economia aconteceu no século VIII onde o domínio ganes alcança a região do Nilo, passando pelo Sudão. Desta forma todo o norte da África estava sujeita a influência do reino de Gana.
Dois fatores contribuíram para o declínio do reino. Primeiro a exaustão das jazidas de ouro e depois o avanço da dominação mulçumana.
Reino do Congo.
Foi no final do século XIV que uma unificação ocorreu na região do Congo. Tendo como núcleo inicial a cidade de Mbanza Kongo, um forte laço comercial uniu os demais centros regionais, formando assim o reino do Congo. O poder exercido pelo Mani Congo e um conselho real formado por 12 membros, mantinha a estabilidade política e comercial através de casamentos e arranjos familiares.
Em 1485 acontece o primeiro contato entre Portugal e o Reino do Congo através de Diogo Cão. Teve início um processo de cristianização da sociedade congolesa. Missões entre os dois reinos foram estabelecidas e alguns congoleses foram levados a Portugal para aprender os costumes e levá-los ao seu reino de origem.
Com tradições ligadas a terra e a fundição de metais o Reino do Congo não tinha características bélicas e militares, mantendo sua administração intimamente ligada as linhagens hereditárias e aos casamentos de ocasião.
As relações com Portugal foram se desgastando até que em 1665 aconteceu o confronto chamado “batalha de Mbwila” onde os portugueses vencem o confronto e dominam a região.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Avaliação de História da Africa.
1. Um breve exame do mapa físico da África basta para mostrar a importância da Núbia como elo entre a África central – a dos Grandes Lagos e da bacia do Congo – e o mundo mediterrânico. O vale do Nilo, que em sua maior parte corre paralelo ao mar Vermelho, em direção ao “corredor” núbio, entre o Saara, a oeste, e o deserto arábico ou núbio, a leste, permitiu um contato direto entre as antigas civilizações do Mediterrâneo e as da África negra. Assim, não deve causar espanto a descoberta de uma admirável cabeça de bronze de Augusto em Meroé, a menos de 200 km de Cartum.
Descreva as principais características das civilizações núbias, estabelecendo uma relação com a citação acima. Em outras palavras, pesquise a importância do comércio nas atividades econômicas dos povos núbios.
Os núbios possuíam algumas riquezas em seu território como o ouro, ébano e marfim que atraiam a atenção dos egípcios iniciando atividades comerciais e também guerras de conquista. Mas esses materiais também eram exportados para o Egito na época da dominação egípcia. A Núbia desenvolveu a produção de manufaturados, como camas e sofás, que também eram exportados para o Egito. Mostrando assim o avanço do povo núbio.
Mas foi sua estratégica posição geográfica que facilitou seu acesso a todo o continente. O contato ao norte com o vale do Nilo e ao sul, servindo de elo para a África negra subsaariana. Foi principalmente no segundo período intermediário que a Núbia intensificou seu comércio com o vale do Nilo. A cidade de Kush intensificou seu comércio na região obtendo muito lucro nas negociações.
Foram os monarcas de Assuã que perceberam a importância do comercio na fronteira entre Núbia e Egito. Por se tratar de um ponto estratégico de acesso a toda a região.
Meroé era um entreposto para as caravanas comerciais do mar vermelho para o Nilo e para o Chade. A abundância de madeira foi um incremento do comércio de ferro para a Núbia onde seu arenito fornecia minério para a fundição do metal. O ponto alto do comércio núbio foi sua dominação do Egito, onde tiveram contato com os romanos, foi na saída do Egito que o episódio da cabeça de Augusto aconteceu, ela foi levada para o território núbio na cidade de Maroé. E ficou enterrada na entrada na soleira do palácio para que todos pisassem sobre a cabeça do imperador romano.
2. “A observação arqueológica e o produto das escavações constituem sem duvida a principal fonte documentaria a respeito da civilização axumita. A partir do século XIX, viajantes começam a registrar a existência de sítios, monumentos e inscrições. Publicaram‑se inúmeros estudos, alguns do maior interesse – como, por exemplo, a obra fartamente documentada da missão alemã para Axum (1906). Criado em 1952, o Instituto Etíope de Arqueologia deu inicio a trabalhos sistemáticos. Diversos sítios foram objeto de pesquisas exaustivas, caso de Axum, Melazo, Haulti, Yeha e Matara. Ao mesmo tempo, o mapa de povoamentos antigos cresceu consideravelmente. Sabe‑ se hoje da existência de aproximadamente quarenta sítios importantes, numero que por certo crescera com a realização de novas prospecções. Estas, no entanto, são ainda insuficientes, donde a precariedade do nosso atual conhecimento. A datação da maioria dos vestígios descobertos não e precisa, sendo as inscrições praticamente as únicas evidencias que nos permitem esboçar um quadro cronológico, mesmo assim nem sempre definitivo. Os dados disponíveis não são suficientes sequer para se traçar as linhas mais gerais da civilização axumita.”
A civilização de Axum teve grande parte de sua História revelada pelo trabalho dos arqueólogos. Descreva qual a importância da Arqueologia como Ciência “reveladora do passado”. Aproveite a ocasião e descreva resumidamente a civilização axumita.
Acompanhar a evolução de uma sociedade extinta ou o passado remoto de uma sociedade atual é o principal foco da arqueologia. Utilizando-se de vestígios históricos escritos ou não, como: ossos, restos de fogueiras, pinturas rupestres, artesanato e ruínas, entre outros artefatos. A arqueologia é importante para diversas ciências sociais, como a etnologia, a história e sociologia. Estas ciências se valem das descobertas arqueológicas para estabelecerem suas pesquisas e seus estudos. Elaboram teses, entendem acontecimentos e propõe novas verdades quando o passado se revela de forma consistente pela arqueologia.
O reino de Axum se localizava nos planaltos da Etiópia. A população foi basicamente formada por povos locais e alguns imigrantes da Arábia que atravessaram o mar vermelho pra contribuir com a formação do povo. Estabeleceram um forte comércio como os Kushitas e se estabeleceram como importante centro comercial. Dominavam o mar vermelho e estabeleceram contatos com muitos reinos arábicos.
3. “Em Cerna, os fenícios [isto e, os cartagineses] ancoram seus gauloi (assim se chamavam seus navios mercantes) e armam suas tendas na ilha. Apos ter descarregado suas mercadorias, eles as transportam em pequenas canoas para o continente; ai vivem os etíopes [isto e, os negros] com os quais negociam. Os fenícios trocam suas mercadorias por peles de veado, de leão e de leopardo, couros e presas de elefantes [...] os fenícios trazem perfume, pedras egípcias [cerâmica?], loucas e ânforas atenienses.”(Enciclopédia da História da África, Unesco, 2010, Volume 2)
Na formação de Cartago há importantes contribuições berberes e fenícias, embora a História narre com muita propriedade apenas o legado fenício. Quem foram os berberes (pesquise), e qual a contribuição de um grupo e de outro a civilização cartaginesa?
Os berberes eram povos nômades que ocupavam o norte da África, principalmente na área do atual Saara. A área em que viviam os berberes é o atual Marrocos, Tunísia e a Argélia. Receberam a influência inicial dos fenícios, depois dos gregos.
O Cártago teve sua ocupação realizada pelos povos fenícios que partiram da cidade de Tiro. Os fenícios eram povos semitas e vieram do Golfo Pérsico. Foi a expansão das cidades estados se transformando em federação que levou os fenícios a conquistar e construir a cidade de Cártago. Os fenícios já dominavam a metalurgia, fato que coloca seu povo entre os mais desenvolvidos da época. Um ponto negativo da história cartaginesa é de que os gregos e os romanos destruíram quase todo o legado deixado pela sociedade cartaginesa, principalmente seus escritos. Mas em pouco tempo a cidade se desenvolve grandemente, superando inclusive a própria Tiro. Já que as cidades estados eram constantemente atacadas e Cartago pode, livre das guerras, se desenvolver e dominar todo o mediterrâneo, tornando-se especialistas na navegação. Administrada pelos Sufetes, pelo conselho de anciões e uma assembleia do povo. Conheceu o crescimento por conquistas territoriais e pelo comercio.
4. A aceitação geral da hipótese da origem monogenésica e africana da humanidade suscitada pelos trabalhos do professor Leakey tomou possível colocar em termos totalmente novos a questão do povoamento do Egito, e mesmo do mundo. Ha mais de 150 mil anos, a única parte do mundo em que viviam seres morfologicamente iguais aos homens de hoje era a região dos Grandes Lagos, nas nascentes do Nilo. Essa noção – e outras que não nos cabe recapitular aqui – constitui a essência do ultimo relatório apresentado pelo Dr. Leakey no VII Congresso Pan‑Africano de Pré‑ Historia, em Adis Abeba, em 19711. Isso quer dizer que toda a raça humana teve sua origem, exatamente como supunham os antigos, aos pés das montanhas da Lua. Contra todas as expectativas e a despeito das hipóteses recentes, foi desse lugar que o homem partiu para povoar o resto do mundo. Disso resultam dois fatos de capital importância: (a) necessariamente, os primeiros homens eram etnicamente homogêneos e negroides. A lei de Gloger, que parece ser aplicável também aos seres humanos, estabelece que os animais de sangue quente, desenvolvendo‑ se em clima quente e úmido, secretam um pigmento negro (melanina). Portanto, se a humanidade teve origem nos trópicos, em tomo da latitude dos Grandes Lagos, ela certamente apresentava, no inicio, pigmentação escura, e foi pela diferenciação em outros climas que a matriz original se dividiu, mais tarde, em diferentes raças; havia apenas duas rotas através das quais esses primeiros homens poderiam se deslocar, indo povoar os outros continentes: o Saara e o vale do Nilo. E esta ultima região que será discutida aqui. A partir do Paleolítico Superior ate a época dinástica, toda a bacia do rio foi progressivamente ocupada por esses povos negroides.
Descreva o processo de surgimento do homem, estendendo sua explanação até o povoamento do vale do rio Nilo e a unificação dos reinos que originou o Egito histórico, como o conhecemos, ou seja, a civilização.
Existem fortes motivos para se acreditar que os primeiros hominídeos surgiram na África, seguidos da postura ereta e do andar sobre dois pés. O continente sempre ofereceu boas condições para o desenvolvimento da vida, seus planaltos e o clima equatorial, permitia melhores condições para que os primeiros homens se estabeleçam, mudando de ambiente caso o clima esfrie ou esquente demais, sem ter que percorrer grandes distâncias. Estudos apontam que a origem do homem pode datar de mais de cem mil anos e que o aprofundamento dos estudos podem estender essa data até a duzentos mil anos.
Mas há oito ou dez mil anos o clima da África era muito úmido e os homens tinham o costume de acompanhar os cursos das águas. Desenvolvendo técnicas de navegação e aproveitando as boas condições de cheias nos rios e ainda a pequena extensão do Saara o homem consegue descer todo o vale do Nilo e alcançar o mediterrâneo.
O início da utilização da cerâmica marca a fixação do homem na terra e a redução dos movimentos nômades. Pois a utilização deste frágil material, inadequado para ser transportado pelos povos nômades, marca definitivamente a estabilização das primeiras aldeias. Estas sempre junto aos lagos e aos rios, mas ainda sem registro de utilização da agricultura.
Aproximadamente 5 mil anos antes da era cristã o clima começa a ficar mais seco, o nível dos lagos e o curso dos rios diminuíram. Isto fixou ainda mais o homem junto às margens do dos rios e algumas atividades agropecuárias começaram a se desenvolver, principalmente vindas da Etiópia. Esse sedentarização fixou o homem as margens do Nilo, junto veio a agricultura, a domesticação do gado e a cerâmica. As pequenas aldeias que começavam a sofrer a queda de pluviosidade e o aumento do Saara tiveram que estreitar seus laços regionais e se cooperarem para superar as dificuldades. Com isso a forma igualitária de sociedade deu lugar a uma iniciativa centralizadora que levou a região a se unificar politicamente e dar origem ao Estado Nacional Egípcio.
Descreva as principais características das civilizações núbias, estabelecendo uma relação com a citação acima. Em outras palavras, pesquise a importância do comércio nas atividades econômicas dos povos núbios.
Os núbios possuíam algumas riquezas em seu território como o ouro, ébano e marfim que atraiam a atenção dos egípcios iniciando atividades comerciais e também guerras de conquista. Mas esses materiais também eram exportados para o Egito na época da dominação egípcia. A Núbia desenvolveu a produção de manufaturados, como camas e sofás, que também eram exportados para o Egito. Mostrando assim o avanço do povo núbio.
Mas foi sua estratégica posição geográfica que facilitou seu acesso a todo o continente. O contato ao norte com o vale do Nilo e ao sul, servindo de elo para a África negra subsaariana. Foi principalmente no segundo período intermediário que a Núbia intensificou seu comércio com o vale do Nilo. A cidade de Kush intensificou seu comércio na região obtendo muito lucro nas negociações.
Foram os monarcas de Assuã que perceberam a importância do comercio na fronteira entre Núbia e Egito. Por se tratar de um ponto estratégico de acesso a toda a região.
Meroé era um entreposto para as caravanas comerciais do mar vermelho para o Nilo e para o Chade. A abundância de madeira foi um incremento do comércio de ferro para a Núbia onde seu arenito fornecia minério para a fundição do metal. O ponto alto do comércio núbio foi sua dominação do Egito, onde tiveram contato com os romanos, foi na saída do Egito que o episódio da cabeça de Augusto aconteceu, ela foi levada para o território núbio na cidade de Maroé. E ficou enterrada na entrada na soleira do palácio para que todos pisassem sobre a cabeça do imperador romano.
2. “A observação arqueológica e o produto das escavações constituem sem duvida a principal fonte documentaria a respeito da civilização axumita. A partir do século XIX, viajantes começam a registrar a existência de sítios, monumentos e inscrições. Publicaram‑se inúmeros estudos, alguns do maior interesse – como, por exemplo, a obra fartamente documentada da missão alemã para Axum (1906). Criado em 1952, o Instituto Etíope de Arqueologia deu inicio a trabalhos sistemáticos. Diversos sítios foram objeto de pesquisas exaustivas, caso de Axum, Melazo, Haulti, Yeha e Matara. Ao mesmo tempo, o mapa de povoamentos antigos cresceu consideravelmente. Sabe‑ se hoje da existência de aproximadamente quarenta sítios importantes, numero que por certo crescera com a realização de novas prospecções. Estas, no entanto, são ainda insuficientes, donde a precariedade do nosso atual conhecimento. A datação da maioria dos vestígios descobertos não e precisa, sendo as inscrições praticamente as únicas evidencias que nos permitem esboçar um quadro cronológico, mesmo assim nem sempre definitivo. Os dados disponíveis não são suficientes sequer para se traçar as linhas mais gerais da civilização axumita.”
A civilização de Axum teve grande parte de sua História revelada pelo trabalho dos arqueólogos. Descreva qual a importância da Arqueologia como Ciência “reveladora do passado”. Aproveite a ocasião e descreva resumidamente a civilização axumita.
Acompanhar a evolução de uma sociedade extinta ou o passado remoto de uma sociedade atual é o principal foco da arqueologia. Utilizando-se de vestígios históricos escritos ou não, como: ossos, restos de fogueiras, pinturas rupestres, artesanato e ruínas, entre outros artefatos. A arqueologia é importante para diversas ciências sociais, como a etnologia, a história e sociologia. Estas ciências se valem das descobertas arqueológicas para estabelecerem suas pesquisas e seus estudos. Elaboram teses, entendem acontecimentos e propõe novas verdades quando o passado se revela de forma consistente pela arqueologia.
O reino de Axum se localizava nos planaltos da Etiópia. A população foi basicamente formada por povos locais e alguns imigrantes da Arábia que atravessaram o mar vermelho pra contribuir com a formação do povo. Estabeleceram um forte comércio como os Kushitas e se estabeleceram como importante centro comercial. Dominavam o mar vermelho e estabeleceram contatos com muitos reinos arábicos.
3. “Em Cerna, os fenícios [isto e, os cartagineses] ancoram seus gauloi (assim se chamavam seus navios mercantes) e armam suas tendas na ilha. Apos ter descarregado suas mercadorias, eles as transportam em pequenas canoas para o continente; ai vivem os etíopes [isto e, os negros] com os quais negociam. Os fenícios trocam suas mercadorias por peles de veado, de leão e de leopardo, couros e presas de elefantes [...] os fenícios trazem perfume, pedras egípcias [cerâmica?], loucas e ânforas atenienses.”(Enciclopédia da História da África, Unesco, 2010, Volume 2)
Na formação de Cartago há importantes contribuições berberes e fenícias, embora a História narre com muita propriedade apenas o legado fenício. Quem foram os berberes (pesquise), e qual a contribuição de um grupo e de outro a civilização cartaginesa?
Os berberes eram povos nômades que ocupavam o norte da África, principalmente na área do atual Saara. A área em que viviam os berberes é o atual Marrocos, Tunísia e a Argélia. Receberam a influência inicial dos fenícios, depois dos gregos.
O Cártago teve sua ocupação realizada pelos povos fenícios que partiram da cidade de Tiro. Os fenícios eram povos semitas e vieram do Golfo Pérsico. Foi a expansão das cidades estados se transformando em federação que levou os fenícios a conquistar e construir a cidade de Cártago. Os fenícios já dominavam a metalurgia, fato que coloca seu povo entre os mais desenvolvidos da época. Um ponto negativo da história cartaginesa é de que os gregos e os romanos destruíram quase todo o legado deixado pela sociedade cartaginesa, principalmente seus escritos. Mas em pouco tempo a cidade se desenvolve grandemente, superando inclusive a própria Tiro. Já que as cidades estados eram constantemente atacadas e Cartago pode, livre das guerras, se desenvolver e dominar todo o mediterrâneo, tornando-se especialistas na navegação. Administrada pelos Sufetes, pelo conselho de anciões e uma assembleia do povo. Conheceu o crescimento por conquistas territoriais e pelo comercio.
4. A aceitação geral da hipótese da origem monogenésica e africana da humanidade suscitada pelos trabalhos do professor Leakey tomou possível colocar em termos totalmente novos a questão do povoamento do Egito, e mesmo do mundo. Ha mais de 150 mil anos, a única parte do mundo em que viviam seres morfologicamente iguais aos homens de hoje era a região dos Grandes Lagos, nas nascentes do Nilo. Essa noção – e outras que não nos cabe recapitular aqui – constitui a essência do ultimo relatório apresentado pelo Dr. Leakey no VII Congresso Pan‑Africano de Pré‑ Historia, em Adis Abeba, em 19711. Isso quer dizer que toda a raça humana teve sua origem, exatamente como supunham os antigos, aos pés das montanhas da Lua. Contra todas as expectativas e a despeito das hipóteses recentes, foi desse lugar que o homem partiu para povoar o resto do mundo. Disso resultam dois fatos de capital importância: (a) necessariamente, os primeiros homens eram etnicamente homogêneos e negroides. A lei de Gloger, que parece ser aplicável também aos seres humanos, estabelece que os animais de sangue quente, desenvolvendo‑ se em clima quente e úmido, secretam um pigmento negro (melanina). Portanto, se a humanidade teve origem nos trópicos, em tomo da latitude dos Grandes Lagos, ela certamente apresentava, no inicio, pigmentação escura, e foi pela diferenciação em outros climas que a matriz original se dividiu, mais tarde, em diferentes raças; havia apenas duas rotas através das quais esses primeiros homens poderiam se deslocar, indo povoar os outros continentes: o Saara e o vale do Nilo. E esta ultima região que será discutida aqui. A partir do Paleolítico Superior ate a época dinástica, toda a bacia do rio foi progressivamente ocupada por esses povos negroides.
Descreva o processo de surgimento do homem, estendendo sua explanação até o povoamento do vale do rio Nilo e a unificação dos reinos que originou o Egito histórico, como o conhecemos, ou seja, a civilização.
Existem fortes motivos para se acreditar que os primeiros hominídeos surgiram na África, seguidos da postura ereta e do andar sobre dois pés. O continente sempre ofereceu boas condições para o desenvolvimento da vida, seus planaltos e o clima equatorial, permitia melhores condições para que os primeiros homens se estabeleçam, mudando de ambiente caso o clima esfrie ou esquente demais, sem ter que percorrer grandes distâncias. Estudos apontam que a origem do homem pode datar de mais de cem mil anos e que o aprofundamento dos estudos podem estender essa data até a duzentos mil anos.
Mas há oito ou dez mil anos o clima da África era muito úmido e os homens tinham o costume de acompanhar os cursos das águas. Desenvolvendo técnicas de navegação e aproveitando as boas condições de cheias nos rios e ainda a pequena extensão do Saara o homem consegue descer todo o vale do Nilo e alcançar o mediterrâneo.
O início da utilização da cerâmica marca a fixação do homem na terra e a redução dos movimentos nômades. Pois a utilização deste frágil material, inadequado para ser transportado pelos povos nômades, marca definitivamente a estabilização das primeiras aldeias. Estas sempre junto aos lagos e aos rios, mas ainda sem registro de utilização da agricultura.
Aproximadamente 5 mil anos antes da era cristã o clima começa a ficar mais seco, o nível dos lagos e o curso dos rios diminuíram. Isto fixou ainda mais o homem junto às margens do dos rios e algumas atividades agropecuárias começaram a se desenvolver, principalmente vindas da Etiópia. Esse sedentarização fixou o homem as margens do Nilo, junto veio a agricultura, a domesticação do gado e a cerâmica. As pequenas aldeias que começavam a sofrer a queda de pluviosidade e o aumento do Saara tiveram que estreitar seus laços regionais e se cooperarem para superar as dificuldades. Com isso a forma igualitária de sociedade deu lugar a uma iniciativa centralizadora que levou a região a se unificar politicamente e dar origem ao Estado Nacional Egípcio.
Postado por
Bruno Horta
às
sexta-feira, dezembro 02, 2011
Nenhum comentário:
Links para esta postagem
Marcadores:
Avaliação de História da Africa.
Relatório do filme Pro Dia Nascer Feliz.
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período
Relatório do filme Pro Dia Nascer Feliz.
Direção João Jardim (2007)
Matéria: Educação Inclusiva
Professor: Francisco
O primeiro e grave alerta do filme é um relato de 1962, onde o jornalista mostra o problema da educação que não atinge a todos, pois somente a metade dos que iniciam a vida escolar conseguem terminar o primeiro grau. Comparando 1962 e 2011, podemos facilmente constatar que pouca coisa mudou.
O filme inicialmente nos leva a Manari – PE. Uma das cidades mais pobres do Brasil. E a ironia inicial sobre a verba escolar de mil e duzentos reais que o personagem revela “Quem dera que fosse por mês”. Logo chegamos a uma sala de aula e a excelente iniciativa de uma aula sobre história regional. Não seria adequado ter exatamente o mesmo conteúdo em todo o país, respeitar a história regional de cada população é uma iniciativa que facilita o aprendizado e diminui a evasão escolar. O que mais impressiona no relato da menina Clécia, de 13 anos, além das tristes condições de estudo, é a sua pequena estatura da personagem, certamente por viver em deficientes condições alimentares. E para fugir dos generalismos podemos encontrar Valéria de 16 anos que admira e lê Vinícius de Moraes e Manuel Bandeira. E ainda enfrenta a dúvida dos professores que não acreditam que ela é a autora de seus próprios textos, certamente pelo próprio professor não ser capaz de produzir textos melhores do que o da aluna, não por culpa do professor, mas sim do contexto ruim em que ele se encontra. Falta de transporte, evasão de professores e evasão escolar são outros graves problemas denunciados ao fim da reportagem da cidade.
Tendo agora a cidade de Duque de Caxias – RJ. Como pano de fundo, encontramos a mesma precariedade de estrutura só que agora é a pobreza urbana retratada. Alunos dispensados e professores faltosos demostram que mesmo mudando de cidade os problemas são os mesmos. O agravante é o maior nível de influência negativa da vida urbana, concorrendo com a vida escolar. O aluno Deivison retrata muito bem o aluno descompromissado e que, da mesma forma que na cidade de Manari só frequenta o ambiente escolar para adquirir um status social e ter acesso a outros objetivos que não educacionais. Por fim o conselho aprova o aluno sem notas, muito mais para passar o problema pra frente do que para tentar resolve-lo.
A influência de bailes funkes, armas, mulheres é uma concorrência desleal para uma educação sem atrativos para o jovem de periferia da cidade grande. O único motivo para o Daivison continuar na escola é a banda de tambores, que representa mais um status social do que uma integração cultural. A escola em nada atrai o aluno, não o estimula e não consegue mantê-lo no circulo escolar, perdendo-o facilmente para qualquer outra atividade.
O filme chega a Itaquaquecetuba – SP. A escola bem organizada, limpa e com bons resultados consegue se destacar em uma periferia sem recursos. Na mesma faixa de idade dos personagens anteriores Ronaldo de 16 anos tem uma visão crítica sobre os avanços da educação no país, contestando as políticas de educação e os falsos resultados positivos. Mas os problemas de falta de professores são recorrentes. A professora Suzana é muito consciente ao afirmar que a escola tem que ser repensada. E certamente o formato já se esgotou, hoje, para o jovem em geral, tudo é mais importante que a escola, tudo é mais divertido que a escola, tudo dá mais resultados positivos que a escola. O fanzine feito por alunos dentro da escola foi uma atividade transformadora que aproximou os dois mundos, o escolar e o social, transformando realidades e criando um elo entre educação escolar e a vida cotidiana.
Ainda em São Paulo entramos em um colégio de classe alta. Onde o discurso do jovem já muda, entendendo porque o colégio deve exigir dos alunos, mas ao mesmo tempo se colocando em uma “bolha” social diferente e justificando sua condição social pelo acaso e ainda não procurando meios de diminuir essa distancia. Mostrando que mesmo os jovens que tiveram acesso a uma educação privilegiada tem um comportamento de exclusão social. Mas os índices de reprovação são grandes também. Mostrando que alguns dos problemas se repetem independente de condição social. Tanto os problemas educacionais quanto os sociais. Pode-se encontrar neste ambiente social de maior poder financeiro o reverso da moeda, o comércio da educação, o controle dos pais sobre o futuro dos filhos e a falta de controle sobre o próprio futuro.
O filme começa a retratar o problema das famílias desestruturadas em todas as classes sócias, de como essa falta de base familiar dificulta a formação de um bom ambiente escolar. Os problemas de relacionamento interno como briga entre alunos e a falta de apoio especializado para resolver esses conflitos.
O filme termina de forma chocante com os depoimentos de casos extremos mostrando o caminho que a grande maioria dos jovens pode tomar se a desassistência, o comodismo e a falta de ações efetivas continuarem. Por fim todos, por mais diversos que pareçam ser, são muito parecidos em seus problemas, suas dúvidas e suas necessidades.
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período
Relatório do filme Pro Dia Nascer Feliz.
Direção João Jardim (2007)
Matéria: Educação Inclusiva
Professor: Francisco
O primeiro e grave alerta do filme é um relato de 1962, onde o jornalista mostra o problema da educação que não atinge a todos, pois somente a metade dos que iniciam a vida escolar conseguem terminar o primeiro grau. Comparando 1962 e 2011, podemos facilmente constatar que pouca coisa mudou.
O filme inicialmente nos leva a Manari – PE. Uma das cidades mais pobres do Brasil. E a ironia inicial sobre a verba escolar de mil e duzentos reais que o personagem revela “Quem dera que fosse por mês”. Logo chegamos a uma sala de aula e a excelente iniciativa de uma aula sobre história regional. Não seria adequado ter exatamente o mesmo conteúdo em todo o país, respeitar a história regional de cada população é uma iniciativa que facilita o aprendizado e diminui a evasão escolar. O que mais impressiona no relato da menina Clécia, de 13 anos, além das tristes condições de estudo, é a sua pequena estatura da personagem, certamente por viver em deficientes condições alimentares. E para fugir dos generalismos podemos encontrar Valéria de 16 anos que admira e lê Vinícius de Moraes e Manuel Bandeira. E ainda enfrenta a dúvida dos professores que não acreditam que ela é a autora de seus próprios textos, certamente pelo próprio professor não ser capaz de produzir textos melhores do que o da aluna, não por culpa do professor, mas sim do contexto ruim em que ele se encontra. Falta de transporte, evasão de professores e evasão escolar são outros graves problemas denunciados ao fim da reportagem da cidade.
Tendo agora a cidade de Duque de Caxias – RJ. Como pano de fundo, encontramos a mesma precariedade de estrutura só que agora é a pobreza urbana retratada. Alunos dispensados e professores faltosos demostram que mesmo mudando de cidade os problemas são os mesmos. O agravante é o maior nível de influência negativa da vida urbana, concorrendo com a vida escolar. O aluno Deivison retrata muito bem o aluno descompromissado e que, da mesma forma que na cidade de Manari só frequenta o ambiente escolar para adquirir um status social e ter acesso a outros objetivos que não educacionais. Por fim o conselho aprova o aluno sem notas, muito mais para passar o problema pra frente do que para tentar resolve-lo.
A influência de bailes funkes, armas, mulheres é uma concorrência desleal para uma educação sem atrativos para o jovem de periferia da cidade grande. O único motivo para o Daivison continuar na escola é a banda de tambores, que representa mais um status social do que uma integração cultural. A escola em nada atrai o aluno, não o estimula e não consegue mantê-lo no circulo escolar, perdendo-o facilmente para qualquer outra atividade.
O filme chega a Itaquaquecetuba – SP. A escola bem organizada, limpa e com bons resultados consegue se destacar em uma periferia sem recursos. Na mesma faixa de idade dos personagens anteriores Ronaldo de 16 anos tem uma visão crítica sobre os avanços da educação no país, contestando as políticas de educação e os falsos resultados positivos. Mas os problemas de falta de professores são recorrentes. A professora Suzana é muito consciente ao afirmar que a escola tem que ser repensada. E certamente o formato já se esgotou, hoje, para o jovem em geral, tudo é mais importante que a escola, tudo é mais divertido que a escola, tudo dá mais resultados positivos que a escola. O fanzine feito por alunos dentro da escola foi uma atividade transformadora que aproximou os dois mundos, o escolar e o social, transformando realidades e criando um elo entre educação escolar e a vida cotidiana.
Ainda em São Paulo entramos em um colégio de classe alta. Onde o discurso do jovem já muda, entendendo porque o colégio deve exigir dos alunos, mas ao mesmo tempo se colocando em uma “bolha” social diferente e justificando sua condição social pelo acaso e ainda não procurando meios de diminuir essa distancia. Mostrando que mesmo os jovens que tiveram acesso a uma educação privilegiada tem um comportamento de exclusão social. Mas os índices de reprovação são grandes também. Mostrando que alguns dos problemas se repetem independente de condição social. Tanto os problemas educacionais quanto os sociais. Pode-se encontrar neste ambiente social de maior poder financeiro o reverso da moeda, o comércio da educação, o controle dos pais sobre o futuro dos filhos e a falta de controle sobre o próprio futuro.
O filme começa a retratar o problema das famílias desestruturadas em todas as classes sócias, de como essa falta de base familiar dificulta a formação de um bom ambiente escolar. Os problemas de relacionamento interno como briga entre alunos e a falta de apoio especializado para resolver esses conflitos.
O filme termina de forma chocante com os depoimentos de casos extremos mostrando o caminho que a grande maioria dos jovens pode tomar se a desassistência, o comodismo e a falta de ações efetivas continuarem. Por fim todos, por mais diversos que pareçam ser, são muito parecidos em seus problemas, suas dúvidas e suas necessidades.
Postado por
Bruno Horta
às
sexta-feira, dezembro 02, 2011
Nenhum comentário:
Links para esta postagem
Marcadores:
Relatório do filme Pro Dia Nascer Feliz.
A Reorganização do trabalho pedagógico
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período
A Reorganização do trabalho pedagógico
- A Escola pode ser um espaço inclusivo?
- Currículo e adaptações curriculares: Do que estamos falando?
De: Rosita Edier Carvalho
Matéria: Educação Inclusiva
Professor: Francisco
A autora inicia afirmando que a escola tem assumido funções cada vez mais complexas e que para uma verdadeira transformação as ações comunicativas devem ser o foco das relações escolares.
Buscando a resposta para a pergunta do capitulo algumas análises e críticas são levantadas. Primeiro a respeito do projeto político pedagógico da escola. Onde, geralmente, apenas um pequeno grupo da escola participa da elaboração sem maiores interações com todos os setores que formam a proposta de uma escola moderna. E ainda as relações de poder que ocorrem dentro da escola e as intencionalidades da educação. Isto é, onde o projeto político pedagógico pretende chegar.
Na intencionalidade educativa e político pedagógica é proposto que alunos e professores discutam o que é a escola e qual o seu sentido e seu significado.
Uma análise realizada em projetos pedagógicos é possível notar a tendência a manter modelos de características comportamentalistas ou racionalistas que prendem o desenvolvimento escolar a raízes tradicionalistas.
A escola excludente é trada no capítulo “Resultados do Ensino”. Esta escola excludente que se maquia sob o aspecto funcionalista, privilegiando e valorizando o aluno que se enquadra as exigências de demonstração de aprendizagem somente através de notas e conceitos. Os alunos que possuem outros recursos para demonstrar aprendizagem se tornam excluídos dentro da própria sala de aula.
Assim como os currículos que são elaborados para sem utilizados apenas por esses alunos “normais”, pois são eles que “conseguem” aproveitar esse conteúdo, restando aos demais a exclusão.
As atividades de aprendizagem devem andar em conjunto com as atividades de ensino. O aluno de vê ser estimulado a tomar decisões, ter um papel ativo e desenvolver a cultura do pensamento em sala de aula.
A escola pode ser um espaço inclusivo sim, mas se, ao começar pela sua arquitetura e planejamento físico adaptado a todas as necessidades e se as políticas públicas integrarem uma articulação com a sociedade para exercer o pleno direito a educação.
A educação inclusiva não atinge apenas aos alunos portadores de algum tipo de necessidade especial. Deve atingir a todo o alunato e promover a inclusão de todo o sistema e não apenas a escola. Deve incluir as famílias e escola e a sociedade, para que estas
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período
A Reorganização do trabalho pedagógico
- A Escola pode ser um espaço inclusivo?
- Currículo e adaptações curriculares: Do que estamos falando?
De: Rosita Edier Carvalho
Matéria: Educação Inclusiva
Professor: Francisco
A autora inicia afirmando que a escola tem assumido funções cada vez mais complexas e que para uma verdadeira transformação as ações comunicativas devem ser o foco das relações escolares.
Buscando a resposta para a pergunta do capitulo algumas análises e críticas são levantadas. Primeiro a respeito do projeto político pedagógico da escola. Onde, geralmente, apenas um pequeno grupo da escola participa da elaboração sem maiores interações com todos os setores que formam a proposta de uma escola moderna. E ainda as relações de poder que ocorrem dentro da escola e as intencionalidades da educação. Isto é, onde o projeto político pedagógico pretende chegar.
Na intencionalidade educativa e político pedagógica é proposto que alunos e professores discutam o que é a escola e qual o seu sentido e seu significado.
Uma análise realizada em projetos pedagógicos é possível notar a tendência a manter modelos de características comportamentalistas ou racionalistas que prendem o desenvolvimento escolar a raízes tradicionalistas.
A escola excludente é trada no capítulo “Resultados do Ensino”. Esta escola excludente que se maquia sob o aspecto funcionalista, privilegiando e valorizando o aluno que se enquadra as exigências de demonstração de aprendizagem somente através de notas e conceitos. Os alunos que possuem outros recursos para demonstrar aprendizagem se tornam excluídos dentro da própria sala de aula.
Assim como os currículos que são elaborados para sem utilizados apenas por esses alunos “normais”, pois são eles que “conseguem” aproveitar esse conteúdo, restando aos demais a exclusão.
As atividades de aprendizagem devem andar em conjunto com as atividades de ensino. O aluno de vê ser estimulado a tomar decisões, ter um papel ativo e desenvolver a cultura do pensamento em sala de aula.
A escola pode ser um espaço inclusivo sim, mas se, ao começar pela sua arquitetura e planejamento físico adaptado a todas as necessidades e se as políticas públicas integrarem uma articulação com a sociedade para exercer o pleno direito a educação.
A educação inclusiva não atinge apenas aos alunos portadores de algum tipo de necessidade especial. Deve atingir a todo o alunato e promover a inclusão de todo o sistema e não apenas a escola. Deve incluir as famílias e escola e a sociedade, para que estas
Postado por
Bruno Horta
às
sexta-feira, dezembro 02, 2011
Nenhum comentário:
Links para esta postagem
Marcadores:
A Reorganização do trabalho pedagógico
Fichamento de O Egito antigo de Ciro Flamarion S. Cardoso.
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período
Fichamento de O Egito antigo
de Ciro Flamarion S. Cardoso.
Matéria: Arqueologia
Professor: Marcelo Abreu
Introdução:
Reconhecidamente como o primeiro reino unificado da história e com registros documentados de sua política e cultura. Que mesmo em seus períodos de anarquia e domínio estrangeiro, manteve sua identidade política reconhecível.
Certamente os registros da civilização egípcia se dão voltado aos feitos dos monarcas e as questões religiosas. É a história dos poderosos, pois nada justificaria o registro um ato quase sagrado retratar a vida comum da sociedade.
A Falência da hipótese casual hidráulica.
Com a desertificação da região do Saara o vale do Nilo passou a receber os povos da África branca na região do Egito iniciando, assim, o povoamento do lugar. Alguns estudiosos africanos, ligados ao Pan-africanismo defendem a idéia de que o Egito, na sua formação, era de origem negra. O mais sensato a se admitir é que na região em questão a diversidade de agentes certamente influenciaram a formação de um povo miscigenado. A região recebia asiáticos que atravessavam o mar vermelho. E negros que desciam o vale do Nilo, proporcionando, assim, uma grande variedade de etnias que comporam o Egito.
O rio Nilo que se tornou a base de toda a estrutura egípcia podia ser caracterizado em três aspectos. o Delta, com maior extensão de terras aráveis e de pastos, e contendo também muitos pântanos; o Vale, estreita faixa de terra arável apertada entre desertos, que na Antiguidade continha igualmente manchas pantanosas; e o deserto estéril.
J. Vercoutter atribuiu a unificação do Egito à necessidade de centralizar as tarefas de irrigação na região. Mas estudos recentes revelaram que a administração dos diques tinha caráter apenas regional não contribuindo para a formação de um estado nacional centralizado. Seja como for, tudo indica que o processo de formação do Egito como reino centralizado dependeu de numerosos fatores demográficos, ecológicos, políticos etc. Entre os quais a irrigação, pelo menos indiretamente, foi elemento de peso.
Economia e sociedade.
Uma comparação entre o Egito e a Mesopotâmia leva a constatar que os egípcios estavam atrasados tecnologicamente em relação a Mesopotâmia. O uso do metal substituindo a madeira, do cobre pelo bronze, o uso ineficiente do torno para cerâmica e o não conhecimento do shaduf, contrapeso para elevação da água, marcam claramente esse atraso.
Mas simplificar a história egípcia ao ponto de negar toda sua origem não é uma fato aceitável. A solução dada pelos egípcios para a agricultura e para a escrita prova que a originalidade do povo.
A agricultura era a atividade fundamental do Egito antigo e ela se desenvolvia em três épocas do ano: A Inundação, a “Saída”, quando as terras reaparecem, e a Semeadura e colheita. Este período durava aproximadamente seis meses, deixando a outra metade do ano livre para se dedicarem a obras de engenharia, cerimônias e sepulcros reais. A caça e a pesca funcionavam como atividades complementares.
A domesticação de animais passou pelas hienas, antílopes e pelicanos. Também domesticaram bois e cavalos, que só serviam para carga e arado, mas não para montaria.
Mesmo sem informações mais atualizadas estima-se que a população girava em torno de 7 milhões de pessoas, um verdadeiro formigueiro humano para a época.
Quanto a propriedade é falsa a ideia de que o faraó era o dono de todas as terras. Algumas propriedades eram doadas e isentas de impostos, além de altos funcionários terem suas terras particulares.
A mão de obra era camponesa, onde os impostos eram pagos em forma de mercadorias ou na forma de trabalho forçado para o estado.
A sociedade se formava pelo Faraó (um Deus), a família real, os sacerdotes, a alta hierarquia, as famílias provinciais, hierarquia inferior, camponeses e trabalhadores braçais.
O Poder sinopse da história faraônica
A unificação.
A história do Egito se inicia no período pré-dinástico. Dividido em Nagada I e II. Em Nagada II, mais adiantada, já podemos encontrar a manipulação do cobre e socialmente uma estratificação da sociedade. Além de contatos comerciais e culturais com a Ásia. O fim desse segundo período se deu após sucessivas guerras que resultaram em duas grandes confederações a do Vale sob o deus Seth e a do Delta sob o deus Hórus. Uma sequencia de avanços no sentido sul – norte leva a unificação do reino e iniciando a primeira dinastia comprovada com Men o primeiro rei Aha.
O III milênio:
Dinástico primitivo, Reino antigo e Primeiro período intermediário.
O Dinástico primitivo compreende as três primeiras dinastias. Período de poucos documentos escritos e ainda de organização administrativa. O reino antigo está compreendido entre as dinastias de IV a VIII. Na fase inicial esse período fica marcado pela construção das três grandes pirâmides: Queóps, Quéfren e Miquerinos. O primeiro período intermediário se dá nas dinastias IX e X, onde a anarquização é a forma dominante da sociedade. A principal causa da desestabilização foi a insuficiente inundação e um grande período de fome. Somente na dinastia XI os asiáticos invasores são expulsos e o reino reunificado.
A primeira metade do II milênio: Reino Médio e Segundo Período
Intermediário
No Reino Médio temos os últimos reis das dinastias XI e de XII a XIV. Onde um período de descentralização foi experimentado, mas a principal característica foi a modernização administrativa e uma maior aproximação do Rei com os súditos. Um lento declínio aconteceu até o fim da XIV dinastia e o inicio do segundo período de transição.
A segunda metade do II milênio: o Reino Novo
As dinastias XVIII a XX representam o auge do poder faraônico. É também o período de maior riqueza de textos arqueológicos. Além de apresentar uma maior aproximação com o oriente e a dominação da Núbia até a Síria-Palestina. Esta agressiva expansão implica em um maior avanço militar e político da civilização egípcia. O avanço político resultou na transmissão do poder administrativo para uma serie de altos funcionários, onde o faraó somente administrava os conflitos resultantes desta disseminação do poder. Essa expansão se justifica para evitar que o território egípcio seja novamente invadido. A região arábica dominada pelo Egito permaneceu como um protetorado, sem que a cultura egípcia seja influente na sociedade local. Diferente da Núbia, que sofreu forte egipcianização.
A origem divina dos faraós era transmitida pelas mães, portanto eram comuns os casamentos com irmãs e filhas para manter a linhagem real e divina.
A descoberta do túmulo de Tutankhamon com muitos tesouros elevou a dinastia XVIII ao patamar da mais famosa dinastia egípcia.
Depois de Ramsés III e seus oito homônimos sucessores o Egito experimentou uma grande decadência com períodos de carestia, perdeu seu protetorado na Arábia.
O I milênio (até 332): Terceiro Período Intermediário e Época Tardia
Das dinastias XXI a XXIV foi um período de muitas subdivisões e de dinastias paralelas, foi a fragmentação do poder e da política no Egito.
O domínio assírio, as duas ocupações persas, a reunificação da Núbia, os militares mercenários e os conflitos como oriente próximo apesar de trazerem uma confusão política, trouxa alguns avanços tecnológicos e influencias culturais para o Egito.
Conclusão
Entre 3000 e 332 A.C. o Egito viveu a unidade e a centralização alternada por curtos períodos de dinastias paralelas, domínios estrangeiros e descentralização. Apesar de uma língua e uma religião básica em comum o distanciamento de algumas regiões eram suficientes para que os dialetos causassem problemas de comunicação dentro do próprio Egito.
ASPECTOS DA VIDA INTELECTUAL
O pensamento egípcio antigo
Pode-se descrever o pensamento egípcio como conservador e conformista. Existia uma ordem que mesmo com as mudanças e períodos que a região viveu, permaneceu quase que inalterada. Religiosamente acreditavam no poder das palavras, das imagens, dos gestos e dos símbolos.
A Religião
Não havia um dogma central. As regiões possuíam divindades supremas. Foi com a unificação que uma hierarquização foi realizada para manter a função de todos os deuses. Existia uma forte diferença entre o culto oficial, destinado a monarquia e o culto do homem comum. Deuses e rituais eram diferentes. As crenças funerárias levavam a acreditar em uma vida após a morte. Onde os egípcios passavam por um julgamento e alcançavam a vida eterna.
Língua, escrita e literatura.
Considerada uma língua africana os textos passaram por três fases: egípcio arcaico, clássico e médio. A escrita começou a ser desenvolvida desde o período pré-dinástico. Os testos tinham um caráter científico e na matemática não utilizavam o zero mas realizavam a soma e a subtração.
Artes Plásticas.
A visão de arte era voltada para a utilização de objetos práticos para o dia a dia. E não para desenvolvimento intelectual. Ou possuíam o aspecto religioso.
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período
Fichamento de O Egito antigo
de Ciro Flamarion S. Cardoso.
Matéria: Arqueologia
Professor: Marcelo Abreu
Introdução:
Reconhecidamente como o primeiro reino unificado da história e com registros documentados de sua política e cultura. Que mesmo em seus períodos de anarquia e domínio estrangeiro, manteve sua identidade política reconhecível.
Certamente os registros da civilização egípcia se dão voltado aos feitos dos monarcas e as questões religiosas. É a história dos poderosos, pois nada justificaria o registro um ato quase sagrado retratar a vida comum da sociedade.
A Falência da hipótese casual hidráulica.
Com a desertificação da região do Saara o vale do Nilo passou a receber os povos da África branca na região do Egito iniciando, assim, o povoamento do lugar. Alguns estudiosos africanos, ligados ao Pan-africanismo defendem a idéia de que o Egito, na sua formação, era de origem negra. O mais sensato a se admitir é que na região em questão a diversidade de agentes certamente influenciaram a formação de um povo miscigenado. A região recebia asiáticos que atravessavam o mar vermelho. E negros que desciam o vale do Nilo, proporcionando, assim, uma grande variedade de etnias que comporam o Egito.
O rio Nilo que se tornou a base de toda a estrutura egípcia podia ser caracterizado em três aspectos. o Delta, com maior extensão de terras aráveis e de pastos, e contendo também muitos pântanos; o Vale, estreita faixa de terra arável apertada entre desertos, que na Antiguidade continha igualmente manchas pantanosas; e o deserto estéril.
J. Vercoutter atribuiu a unificação do Egito à necessidade de centralizar as tarefas de irrigação na região. Mas estudos recentes revelaram que a administração dos diques tinha caráter apenas regional não contribuindo para a formação de um estado nacional centralizado. Seja como for, tudo indica que o processo de formação do Egito como reino centralizado dependeu de numerosos fatores demográficos, ecológicos, políticos etc. Entre os quais a irrigação, pelo menos indiretamente, foi elemento de peso.
Economia e sociedade.
Uma comparação entre o Egito e a Mesopotâmia leva a constatar que os egípcios estavam atrasados tecnologicamente em relação a Mesopotâmia. O uso do metal substituindo a madeira, do cobre pelo bronze, o uso ineficiente do torno para cerâmica e o não conhecimento do shaduf, contrapeso para elevação da água, marcam claramente esse atraso.
Mas simplificar a história egípcia ao ponto de negar toda sua origem não é uma fato aceitável. A solução dada pelos egípcios para a agricultura e para a escrita prova que a originalidade do povo.
A agricultura era a atividade fundamental do Egito antigo e ela se desenvolvia em três épocas do ano: A Inundação, a “Saída”, quando as terras reaparecem, e a Semeadura e colheita. Este período durava aproximadamente seis meses, deixando a outra metade do ano livre para se dedicarem a obras de engenharia, cerimônias e sepulcros reais. A caça e a pesca funcionavam como atividades complementares.
A domesticação de animais passou pelas hienas, antílopes e pelicanos. Também domesticaram bois e cavalos, que só serviam para carga e arado, mas não para montaria.
Mesmo sem informações mais atualizadas estima-se que a população girava em torno de 7 milhões de pessoas, um verdadeiro formigueiro humano para a época.
Quanto a propriedade é falsa a ideia de que o faraó era o dono de todas as terras. Algumas propriedades eram doadas e isentas de impostos, além de altos funcionários terem suas terras particulares.
A mão de obra era camponesa, onde os impostos eram pagos em forma de mercadorias ou na forma de trabalho forçado para o estado.
A sociedade se formava pelo Faraó (um Deus), a família real, os sacerdotes, a alta hierarquia, as famílias provinciais, hierarquia inferior, camponeses e trabalhadores braçais.
O Poder sinopse da história faraônica
A unificação.
A história do Egito se inicia no período pré-dinástico. Dividido em Nagada I e II. Em Nagada II, mais adiantada, já podemos encontrar a manipulação do cobre e socialmente uma estratificação da sociedade. Além de contatos comerciais e culturais com a Ásia. O fim desse segundo período se deu após sucessivas guerras que resultaram em duas grandes confederações a do Vale sob o deus Seth e a do Delta sob o deus Hórus. Uma sequencia de avanços no sentido sul – norte leva a unificação do reino e iniciando a primeira dinastia comprovada com Men o primeiro rei Aha.
O III milênio:
Dinástico primitivo, Reino antigo e Primeiro período intermediário.
O Dinástico primitivo compreende as três primeiras dinastias. Período de poucos documentos escritos e ainda de organização administrativa. O reino antigo está compreendido entre as dinastias de IV a VIII. Na fase inicial esse período fica marcado pela construção das três grandes pirâmides: Queóps, Quéfren e Miquerinos. O primeiro período intermediário se dá nas dinastias IX e X, onde a anarquização é a forma dominante da sociedade. A principal causa da desestabilização foi a insuficiente inundação e um grande período de fome. Somente na dinastia XI os asiáticos invasores são expulsos e o reino reunificado.
A primeira metade do II milênio: Reino Médio e Segundo Período
Intermediário
No Reino Médio temos os últimos reis das dinastias XI e de XII a XIV. Onde um período de descentralização foi experimentado, mas a principal característica foi a modernização administrativa e uma maior aproximação do Rei com os súditos. Um lento declínio aconteceu até o fim da XIV dinastia e o inicio do segundo período de transição.
A segunda metade do II milênio: o Reino Novo
As dinastias XVIII a XX representam o auge do poder faraônico. É também o período de maior riqueza de textos arqueológicos. Além de apresentar uma maior aproximação com o oriente e a dominação da Núbia até a Síria-Palestina. Esta agressiva expansão implica em um maior avanço militar e político da civilização egípcia. O avanço político resultou na transmissão do poder administrativo para uma serie de altos funcionários, onde o faraó somente administrava os conflitos resultantes desta disseminação do poder. Essa expansão se justifica para evitar que o território egípcio seja novamente invadido. A região arábica dominada pelo Egito permaneceu como um protetorado, sem que a cultura egípcia seja influente na sociedade local. Diferente da Núbia, que sofreu forte egipcianização.
A origem divina dos faraós era transmitida pelas mães, portanto eram comuns os casamentos com irmãs e filhas para manter a linhagem real e divina.
A descoberta do túmulo de Tutankhamon com muitos tesouros elevou a dinastia XVIII ao patamar da mais famosa dinastia egípcia.
Depois de Ramsés III e seus oito homônimos sucessores o Egito experimentou uma grande decadência com períodos de carestia, perdeu seu protetorado na Arábia.
O I milênio (até 332): Terceiro Período Intermediário e Época Tardia
Das dinastias XXI a XXIV foi um período de muitas subdivisões e de dinastias paralelas, foi a fragmentação do poder e da política no Egito.
O domínio assírio, as duas ocupações persas, a reunificação da Núbia, os militares mercenários e os conflitos como oriente próximo apesar de trazerem uma confusão política, trouxa alguns avanços tecnológicos e influencias culturais para o Egito.
Conclusão
Entre 3000 e 332 A.C. o Egito viveu a unidade e a centralização alternada por curtos períodos de dinastias paralelas, domínios estrangeiros e descentralização. Apesar de uma língua e uma religião básica em comum o distanciamento de algumas regiões eram suficientes para que os dialetos causassem problemas de comunicação dentro do próprio Egito.
ASPECTOS DA VIDA INTELECTUAL
O pensamento egípcio antigo
Pode-se descrever o pensamento egípcio como conservador e conformista. Existia uma ordem que mesmo com as mudanças e períodos que a região viveu, permaneceu quase que inalterada. Religiosamente acreditavam no poder das palavras, das imagens, dos gestos e dos símbolos.
A Religião
Não havia um dogma central. As regiões possuíam divindades supremas. Foi com a unificação que uma hierarquização foi realizada para manter a função de todos os deuses. Existia uma forte diferença entre o culto oficial, destinado a monarquia e o culto do homem comum. Deuses e rituais eram diferentes. As crenças funerárias levavam a acreditar em uma vida após a morte. Onde os egípcios passavam por um julgamento e alcançavam a vida eterna.
Língua, escrita e literatura.
Considerada uma língua africana os textos passaram por três fases: egípcio arcaico, clássico e médio. A escrita começou a ser desenvolvida desde o período pré-dinástico. Os testos tinham um caráter científico e na matemática não utilizavam o zero mas realizavam a soma e a subtração.
Artes Plásticas.
A visão de arte era voltada para a utilização de objetos práticos para o dia a dia. E não para desenvolvimento intelectual. Ou possuíam o aspecto religioso.
AVALIAÇÃO DE ARQUEOLOGIA, PRÉ-HISTÓRIA E HISTÓRIA ANTIGA
AVALIAÇÃO DE ARQUEOLOGIA, PRÉ-HISTÓRIA E HISTÓRIA ANTIGA
Bruno Botelho Horta. 4º História.
Conteúdos:
• Hebreus
• Persas
• Grécia
• Roma
Questões:
1. Observe o desenho abaixo:
Trata-se da gravura representativa da vitória de Ramsés III contra os “Povos do Mar”.
A bacia do Mediterrâneo foi o palco de inúmeros conflitos entre invasores pouco conhecidos historicamente e civilizações que sucumbiram aos seus ataques. Além disso, cataclismos ambientais (erupções, maremotos, secas...) provocaram a destruição de civilizações, como a Cretense.
Faça uma pesquisa com resultados sucintos mostrando a interferência de invasores como os “Povos do Mar” e os cataclismos na História dos Cretenses, Hebreus e Micênicos.
Povos do Mar são os que se estabeleceram na costa do mediterrâneo mesmo que de forma fixa ou nômade sempre influenciaram ou determinaram a transformação ou extinção de povos que habitavam esta região.
Os cretas se tornaram uma sociedade rica e fortemente desenvolvida principalmente pelo domínio de técnicas de navegação e o desenvolvimento do comércio em função deste domínio tecnológico. Desastres naturais foram os principais responsáveis pelo declínio da Ilha de Creta, terremotos e erupções reduziram drasticamente sua população, deixando assim, seu território sem defesas contra invasões dos povos mediterrâneos. Os aqueus que dominaram a região Creta e a partir de sua miscigenação deu origem a civilização micênica.
Os povos do mar, principalmente representados pelos filisteus, conquistaram a região da Palestina e dominaram os hebreus, impondo sua cultura e construindo cidades entre elas Gaza. O principal fator que determinou a derrota dos hebreus foi a sofisticação tecnológica dos filisteus como o domínio do ferro. Além dos conflitos os hebreus sucumbiram a uma terrível seca que obrigou a migração para o Egito.
Já os micênicos que conquistaram Creta e aos poucos se tornaram poderosos e grandes comerciantes, sendo que a cidade de Micenas, que dá nome à civilização se tornou a mais poderosa cidade grega. A decadência micênica foi causada por povos invasores, principalmente os dórios, talvez por causas naturais ou crises internas, na realidade, não se sabe ao certo. O que ocorre é que com a decadência da civilização micênica, acaba o poder marítimo de Creta.
2. Sobre os Hebreus, pesquise sua História sob o ponto de vista científico e faça uma cronologia da mesma, passo-a-passo das origens (Abraão) até a diáspora romana no século I d.C., enfatizando o Patriarcado, os Juízes, a Monarquia, a divisão dos reinos de Judá e Israel, o domínio estrangeiro, as diásporas e êxodos.
Originalmente identificada como um grupo de pastores semi-nômades os hebreus foram liderados por Abraão que conduziu seu povo da cidade de Ur para a costa do mediterrâneo a terra de Canaã (atual Israel). Vivendo sob um ponto de vista religioso e monoteísta tinham como base de seu pensamento o patriarcado, que era constituído pelos três primeiros líderes do povo: Abraão e seu filho Issac e ainda seu neto Jacó. Mas a idéia de patriarcado deve ser compreendida, também, como um sistema de governança masculino onde cada patriarca é responsável por um grupo de pessoas, onde ele é o líder e conselheiro religioso.
Foram as contínuas guerras pela defesa de seu território que levou aos hebreus a aperfeiçoarem seu sistema político centralizando as decisões estratégicas na figura emergente dos Juízes, onde o governo estava centralizado e a defesa da palestina era uma prioridade. Os juízes mais conhecidos foram Sansão e Samuel.
A continuidade do sistema de juízes ou a sua evolução, como queiram, foi a instituição da monarquia hebréia e a fundação do reino de Israel. Iniciando o período dos reis. Foi esta contínua centralização que consolidou a defesa e manutenção da Palestina, levando a cidade de Jerusalém ao status de capital do Estado Hebreu em 996 A.C. O apogeu do período de reis foi o governo de Salomão, onde o comércio com povos vizinhos foi estabelecido e o exército consolidado.
A necessidade de manter um estado e a monarquia levou a medidas para o povo, dentre elas a cobrança de impostos e a obrigação de trabalhos forçados, isto levou a separação do reino em Israel ao norte e Judá ao sul.
O enfraquecimento do Estado possibilitou a invasão do território pelos assírios em Israel em 722 A.C. e Judá pelos babilônicos em 587 A.C. Onde foram escravizados na Babilônia entre 587 e 538 A.C. Os hebreus só seriam libertados por Ciro rei persa que conquista a babilônia e liberta os hebreus permitindo que eles retornem a Palestina.
As invasões continuaram tanto as dos macedônios em 333 A.C. e pelos romanos em 63 A.C. Em 70 D.C. essa dominação romana culmina com a destruição total de Jerusalém pelo imperador Tito. Até o ano de 131 o império romano perseguiu o povo judeu espalhando-o por todo o mundo, foi a chamada diáspora romana.
3. Religiosamente havia uma grande diferença entre persas, cretenses, fenícios, hebreus. Do politeísmo ao monoteísmo, entre outras diferenças. Faça um quadro comparativo entre as características religiosas desses povos. Que povos? Compare persas, hebreus, gregos e romanos.
Religião Principal Divindade Característica
Persas Dualista Zoroastro Existência do bem e mal
Hebreus Monoteísta Deus Dez mandamentos
Gregos Politeísta Zeus Antropomórficos
Romanos Politeísta Júpter Antropomórficos
4. Segundo Marx :
“A História de todas as sociedades que existiram até hoje tem sido a História da luta de classes. Livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre de corporação e jornaleiro, numa palavra, opressor e oprimido, em constante oposição, têm vivido numa luta ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma luta que terminou, sempre, um uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela ruína das classes em luta. Nas primeiras etapas da História, encontramos, quase por toda parte, uma complexa divisão da sociedade em várias ordens, uma graduação variada de posições sociais. Na Roma antiga, encontramos patrícios, cavaleiros, plebeus, escravos”.
Considerando a visão marxista contida na citação e seus estudos, caracterize o escravismo grego e romano. Além de caracterizá-los descreva detalhadamente de que maneira o fim do sistema escravista romano, com a Pax e a extensão da cidadania afetaram a estrutura do Império conduzindo a sua ruína.
Na Grécia os escravos eram adquiridos em conseqüência das guerras na região da Ásia Menor e o sistema de comércio funcionava como qualquer outra mercadoria. Uma característica grega foi a ocupação, pelos escravos, de outras camadas da sociedade que não apenas a base do sistema social ou até mesmo, estar fora deste sistema. Na Grécia os escravos ocupavam até postos de policiamento, outros mais habilidosos ocupavam posições de artesões e artistas, gozando até de alguns privilégios sociais. Os escravos que estavam na cidade possuíam, em alguns casos, renda própria, o que possibilitava a compra de sua própria liberdade. Diferente dos escravos rurais que viviam em condições muito piores. Foi a classe escrava que, assumindo as funções produtivas da sociedade grega, permitiu o desenvolvimento político e filosófico dos gregos.
Em Roma a relação com os escravos era bastante semelhante com os gregos, na sociedade romana os escravos trabalhavam e tinham a possibilidade e comprar a própria liberdade, mas os donos dos escravos eram os patrícios, a classe média romana. Os escravos tinham a oportunidade de viver quase plenamente a vida como um romano, sendo impossibilitado apenas de assumir um cargo público. Já no início da era cristã os romanos gradualmente permitiram avanços no trato com os escravos. Chegando a permitir a punição ao senhor que não tratasse bens seus escravos.
O constante progresso nos direitos dos escravos culminou com a sua libertação. A força escrava que era responsável por cerca de 30% da população do império romano do ocidente quando liberta migraram ou permaneceram no campo, iniciando o que seria um pouco mais tarde o sistema feudal europeu. Esse distanciamento dos centros urbanos e a sua peculiar autonomia enfraqueceram a sociedade e o governo romano. Por conseqüência seu exército ficou sem o número necessário de homens pra garantir a segurança do império contra os bárbaros.
5. Descreva os fatores, as estratégias, as crises sociais e políticas que tornaram a Monarquia Romana numa República e esta num Império.
A monarquia romana era caracterizada, fundamentalmente, pela eleição do rei através do voto do povo. E pela administração do reino em conjunto com o senado e a cúria.
O primeiro rei de origem etrusca, Tarquínio Prisco, deu início a um período de invasão etrusca em Roma. O sucessor de Prisco, Sérvio Túlio, seu genro, que também tem origem etrusca deu continuidade a uma série de avanços no reino de Roma. Mas foi com o assassinato de Túlio em uma conspiração familiar e a ascensão de Tarquínio ao poder que a dominação etrusca se estabelece em Roma. A principal característica do governo de Tarquínio foi a violência e a opressão contra os romanos, revogando direitos constitucionais e perseguindo opositores. Foi condescendente com a violação de Lucrécia, uma dama de importância na sociedade romana, que se suicida após o abuso do filho Sexto de Tarquínio. Esse abuso e final trágico, gerou uma revolta política que culminou com a decisão do senado de expulsar Tarquínio, iniciando assim o período da republica romana.
A república iniciada em 509 A.C. teve como seus dois primeiros cônsules Lúcio Júnio Bruto e Lúcio Tarquínio Colatino, viúvo de Lucrécia.
Foi a partir da república que Roma inicia sua transformação de cidade estado, em um império. Iniciando primeiramente a conquista da península itálica e se expandindo por toda a costa mediterrânea. Essa expansão do domínio romano foi transformando o poderio de Roma em um império. E essa expansão que se realizou de forma armada e por imposição da força transformou a sociedade romana além do sentido comercial. O poderio militar garantia a facilidade do comércio e com isso os comandantes militares, isto é, os generais, se tornaram cargos importantes com forte influência sobre a sociedade. Esse aumento do poder do chefe militar levou ao primeiro triunvirato, conseqüência direta da expansão do império romano.
6. Voltando a Grécia, descreva:
6.1 Cidade-Estado.
Eram centros urbanos auto governados. No caso grego não havia uma unidade nacional ou territorial. As cidades Estado vivem politicamente independentes e seus habitantes, independente de classe sócias, tinham direitos políticos dentro de suas cidades.
6.2 Guerras Médicas.
Eram as guerras dos gregos contra os persas que ocorreram no período clássico da Grécia entre 492 a 449 A.C. Após o avanço persa sobre as cidades do oriente, principalmente no caso de Mileto, onde os gregos enviaram reforços militares para combater os persas. Os persas avançam contra a Grécia européia e mesmo com a morte de Darío continuam na tentativa de tomar Atenas, mas mesmo em quantidade menor os gregos resistem aos persas. Xerxes que com uma quantidade maior de homens tentou por duas vezes conquistar Atenas não obteve sucesso e ainda, por fim, perdeu algumas das cidades anteriormente conquistadas em uma contra ofensiva grega. Sendo assim obrigado a assinar um acordo de não atacar mais o território grego. A partir daí a Grécia vive um período de esplendor comercial.
6.3 Jogos Olímpicos.
Era uma homenagem a Zeus, onde todas as cidades estados se reuniam na cidade de Olímpia pra eventos religiosos e competitivos. Que se realizavam a cada 4 anos, interrompendo, inclusive as guerras.
6.4 Guerra do Peloponeso.
Foi a guerra entre a confederação de Delos, comandada por Atenas, contra a confederação do Peloponeso comandada por Esparta. Teve como principal motivo a rivalidade de Esparta, que possuía um exercito altamente qualificado, com Atenas que possuiu um grande comércio e domínio marítimo. Durou 27 anos e teve Esparta como vencedora.
6.5 Cultura Helênica e Helenismo.
Foi um período em que a Grécia foi dominada pelos macedônios e as culturas se misturaram. Teve, ironicamente, seu apogeu após a morte de Alexandre, o grande, até a dominação romana. A cultura grega foi amplamente divulgada em todo o território macedônico. Neste período as artes, a literatura e as ciências foram impulsionadas e a cultura grega passou por um processo semelhante a um processo de globalização, indo da própria Grécia até a Pérsia, passando pelo Egito e pela Mesopotâmia.
6.6 Conquistas Macedônicas.
Iniciando pelo norte da Grécia, onde Felipe II após estruturar seu exército inicia a fabulosa expansão dos macedônios conquistando toda península, já enfraquecida pela guerra do Peloponeso. O próximo passo é dado pelo filho de Felipe II, Alexandre. Educado por Aristóteles, segue pela Ásia em direção Egito. No caminho conquista a Síria e a importante cidade de Tiro. A conquista do Egito foi como uma libertação, pois o povo já estava sob o domínio persa. No Egito Alexandre alcança o status de faraó. Alexandre segue em direção a Mesopotâmia e mesmo possuindo um exército menor conquista o reino persa. Ainda seguiu em direção ao atual Afeganistão e ao norte da Índia onde conquistou alguns territórios.
Bruno Botelho Horta. 4º História.
Conteúdos:
• Hebreus
• Persas
• Grécia
• Roma
Questões:
1. Observe o desenho abaixo:
Trata-se da gravura representativa da vitória de Ramsés III contra os “Povos do Mar”.
A bacia do Mediterrâneo foi o palco de inúmeros conflitos entre invasores pouco conhecidos historicamente e civilizações que sucumbiram aos seus ataques. Além disso, cataclismos ambientais (erupções, maremotos, secas...) provocaram a destruição de civilizações, como a Cretense.
Faça uma pesquisa com resultados sucintos mostrando a interferência de invasores como os “Povos do Mar” e os cataclismos na História dos Cretenses, Hebreus e Micênicos.
Povos do Mar são os que se estabeleceram na costa do mediterrâneo mesmo que de forma fixa ou nômade sempre influenciaram ou determinaram a transformação ou extinção de povos que habitavam esta região.
Os cretas se tornaram uma sociedade rica e fortemente desenvolvida principalmente pelo domínio de técnicas de navegação e o desenvolvimento do comércio em função deste domínio tecnológico. Desastres naturais foram os principais responsáveis pelo declínio da Ilha de Creta, terremotos e erupções reduziram drasticamente sua população, deixando assim, seu território sem defesas contra invasões dos povos mediterrâneos. Os aqueus que dominaram a região Creta e a partir de sua miscigenação deu origem a civilização micênica.
Os povos do mar, principalmente representados pelos filisteus, conquistaram a região da Palestina e dominaram os hebreus, impondo sua cultura e construindo cidades entre elas Gaza. O principal fator que determinou a derrota dos hebreus foi a sofisticação tecnológica dos filisteus como o domínio do ferro. Além dos conflitos os hebreus sucumbiram a uma terrível seca que obrigou a migração para o Egito.
Já os micênicos que conquistaram Creta e aos poucos se tornaram poderosos e grandes comerciantes, sendo que a cidade de Micenas, que dá nome à civilização se tornou a mais poderosa cidade grega. A decadência micênica foi causada por povos invasores, principalmente os dórios, talvez por causas naturais ou crises internas, na realidade, não se sabe ao certo. O que ocorre é que com a decadência da civilização micênica, acaba o poder marítimo de Creta.
2. Sobre os Hebreus, pesquise sua História sob o ponto de vista científico e faça uma cronologia da mesma, passo-a-passo das origens (Abraão) até a diáspora romana no século I d.C., enfatizando o Patriarcado, os Juízes, a Monarquia, a divisão dos reinos de Judá e Israel, o domínio estrangeiro, as diásporas e êxodos.
Originalmente identificada como um grupo de pastores semi-nômades os hebreus foram liderados por Abraão que conduziu seu povo da cidade de Ur para a costa do mediterrâneo a terra de Canaã (atual Israel). Vivendo sob um ponto de vista religioso e monoteísta tinham como base de seu pensamento o patriarcado, que era constituído pelos três primeiros líderes do povo: Abraão e seu filho Issac e ainda seu neto Jacó. Mas a idéia de patriarcado deve ser compreendida, também, como um sistema de governança masculino onde cada patriarca é responsável por um grupo de pessoas, onde ele é o líder e conselheiro religioso.
Foram as contínuas guerras pela defesa de seu território que levou aos hebreus a aperfeiçoarem seu sistema político centralizando as decisões estratégicas na figura emergente dos Juízes, onde o governo estava centralizado e a defesa da palestina era uma prioridade. Os juízes mais conhecidos foram Sansão e Samuel.
A continuidade do sistema de juízes ou a sua evolução, como queiram, foi a instituição da monarquia hebréia e a fundação do reino de Israel. Iniciando o período dos reis. Foi esta contínua centralização que consolidou a defesa e manutenção da Palestina, levando a cidade de Jerusalém ao status de capital do Estado Hebreu em 996 A.C. O apogeu do período de reis foi o governo de Salomão, onde o comércio com povos vizinhos foi estabelecido e o exército consolidado.
A necessidade de manter um estado e a monarquia levou a medidas para o povo, dentre elas a cobrança de impostos e a obrigação de trabalhos forçados, isto levou a separação do reino em Israel ao norte e Judá ao sul.
O enfraquecimento do Estado possibilitou a invasão do território pelos assírios em Israel em 722 A.C. e Judá pelos babilônicos em 587 A.C. Onde foram escravizados na Babilônia entre 587 e 538 A.C. Os hebreus só seriam libertados por Ciro rei persa que conquista a babilônia e liberta os hebreus permitindo que eles retornem a Palestina.
As invasões continuaram tanto as dos macedônios em 333 A.C. e pelos romanos em 63 A.C. Em 70 D.C. essa dominação romana culmina com a destruição total de Jerusalém pelo imperador Tito. Até o ano de 131 o império romano perseguiu o povo judeu espalhando-o por todo o mundo, foi a chamada diáspora romana.
3. Religiosamente havia uma grande diferença entre persas, cretenses, fenícios, hebreus. Do politeísmo ao monoteísmo, entre outras diferenças. Faça um quadro comparativo entre as características religiosas desses povos. Que povos? Compare persas, hebreus, gregos e romanos.
Religião Principal Divindade Característica
Persas Dualista Zoroastro Existência do bem e mal
Hebreus Monoteísta Deus Dez mandamentos
Gregos Politeísta Zeus Antropomórficos
Romanos Politeísta Júpter Antropomórficos
4. Segundo Marx :
“A História de todas as sociedades que existiram até hoje tem sido a História da luta de classes. Livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre de corporação e jornaleiro, numa palavra, opressor e oprimido, em constante oposição, têm vivido numa luta ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma luta que terminou, sempre, um uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela ruína das classes em luta. Nas primeiras etapas da História, encontramos, quase por toda parte, uma complexa divisão da sociedade em várias ordens, uma graduação variada de posições sociais. Na Roma antiga, encontramos patrícios, cavaleiros, plebeus, escravos”.
Considerando a visão marxista contida na citação e seus estudos, caracterize o escravismo grego e romano. Além de caracterizá-los descreva detalhadamente de que maneira o fim do sistema escravista romano, com a Pax e a extensão da cidadania afetaram a estrutura do Império conduzindo a sua ruína.
Na Grécia os escravos eram adquiridos em conseqüência das guerras na região da Ásia Menor e o sistema de comércio funcionava como qualquer outra mercadoria. Uma característica grega foi a ocupação, pelos escravos, de outras camadas da sociedade que não apenas a base do sistema social ou até mesmo, estar fora deste sistema. Na Grécia os escravos ocupavam até postos de policiamento, outros mais habilidosos ocupavam posições de artesões e artistas, gozando até de alguns privilégios sociais. Os escravos que estavam na cidade possuíam, em alguns casos, renda própria, o que possibilitava a compra de sua própria liberdade. Diferente dos escravos rurais que viviam em condições muito piores. Foi a classe escrava que, assumindo as funções produtivas da sociedade grega, permitiu o desenvolvimento político e filosófico dos gregos.
Em Roma a relação com os escravos era bastante semelhante com os gregos, na sociedade romana os escravos trabalhavam e tinham a possibilidade e comprar a própria liberdade, mas os donos dos escravos eram os patrícios, a classe média romana. Os escravos tinham a oportunidade de viver quase plenamente a vida como um romano, sendo impossibilitado apenas de assumir um cargo público. Já no início da era cristã os romanos gradualmente permitiram avanços no trato com os escravos. Chegando a permitir a punição ao senhor que não tratasse bens seus escravos.
O constante progresso nos direitos dos escravos culminou com a sua libertação. A força escrava que era responsável por cerca de 30% da população do império romano do ocidente quando liberta migraram ou permaneceram no campo, iniciando o que seria um pouco mais tarde o sistema feudal europeu. Esse distanciamento dos centros urbanos e a sua peculiar autonomia enfraqueceram a sociedade e o governo romano. Por conseqüência seu exército ficou sem o número necessário de homens pra garantir a segurança do império contra os bárbaros.
5. Descreva os fatores, as estratégias, as crises sociais e políticas que tornaram a Monarquia Romana numa República e esta num Império.
A monarquia romana era caracterizada, fundamentalmente, pela eleição do rei através do voto do povo. E pela administração do reino em conjunto com o senado e a cúria.
O primeiro rei de origem etrusca, Tarquínio Prisco, deu início a um período de invasão etrusca em Roma. O sucessor de Prisco, Sérvio Túlio, seu genro, que também tem origem etrusca deu continuidade a uma série de avanços no reino de Roma. Mas foi com o assassinato de Túlio em uma conspiração familiar e a ascensão de Tarquínio ao poder que a dominação etrusca se estabelece em Roma. A principal característica do governo de Tarquínio foi a violência e a opressão contra os romanos, revogando direitos constitucionais e perseguindo opositores. Foi condescendente com a violação de Lucrécia, uma dama de importância na sociedade romana, que se suicida após o abuso do filho Sexto de Tarquínio. Esse abuso e final trágico, gerou uma revolta política que culminou com a decisão do senado de expulsar Tarquínio, iniciando assim o período da republica romana.
A república iniciada em 509 A.C. teve como seus dois primeiros cônsules Lúcio Júnio Bruto e Lúcio Tarquínio Colatino, viúvo de Lucrécia.
Foi a partir da república que Roma inicia sua transformação de cidade estado, em um império. Iniciando primeiramente a conquista da península itálica e se expandindo por toda a costa mediterrânea. Essa expansão do domínio romano foi transformando o poderio de Roma em um império. E essa expansão que se realizou de forma armada e por imposição da força transformou a sociedade romana além do sentido comercial. O poderio militar garantia a facilidade do comércio e com isso os comandantes militares, isto é, os generais, se tornaram cargos importantes com forte influência sobre a sociedade. Esse aumento do poder do chefe militar levou ao primeiro triunvirato, conseqüência direta da expansão do império romano.
6. Voltando a Grécia, descreva:
6.1 Cidade-Estado.
Eram centros urbanos auto governados. No caso grego não havia uma unidade nacional ou territorial. As cidades Estado vivem politicamente independentes e seus habitantes, independente de classe sócias, tinham direitos políticos dentro de suas cidades.
6.2 Guerras Médicas.
Eram as guerras dos gregos contra os persas que ocorreram no período clássico da Grécia entre 492 a 449 A.C. Após o avanço persa sobre as cidades do oriente, principalmente no caso de Mileto, onde os gregos enviaram reforços militares para combater os persas. Os persas avançam contra a Grécia européia e mesmo com a morte de Darío continuam na tentativa de tomar Atenas, mas mesmo em quantidade menor os gregos resistem aos persas. Xerxes que com uma quantidade maior de homens tentou por duas vezes conquistar Atenas não obteve sucesso e ainda, por fim, perdeu algumas das cidades anteriormente conquistadas em uma contra ofensiva grega. Sendo assim obrigado a assinar um acordo de não atacar mais o território grego. A partir daí a Grécia vive um período de esplendor comercial.
6.3 Jogos Olímpicos.
Era uma homenagem a Zeus, onde todas as cidades estados se reuniam na cidade de Olímpia pra eventos religiosos e competitivos. Que se realizavam a cada 4 anos, interrompendo, inclusive as guerras.
6.4 Guerra do Peloponeso.
Foi a guerra entre a confederação de Delos, comandada por Atenas, contra a confederação do Peloponeso comandada por Esparta. Teve como principal motivo a rivalidade de Esparta, que possuía um exercito altamente qualificado, com Atenas que possuiu um grande comércio e domínio marítimo. Durou 27 anos e teve Esparta como vencedora.
6.5 Cultura Helênica e Helenismo.
Foi um período em que a Grécia foi dominada pelos macedônios e as culturas se misturaram. Teve, ironicamente, seu apogeu após a morte de Alexandre, o grande, até a dominação romana. A cultura grega foi amplamente divulgada em todo o território macedônico. Neste período as artes, a literatura e as ciências foram impulsionadas e a cultura grega passou por um processo semelhante a um processo de globalização, indo da própria Grécia até a Pérsia, passando pelo Egito e pela Mesopotâmia.
6.6 Conquistas Macedônicas.
Iniciando pelo norte da Grécia, onde Felipe II após estruturar seu exército inicia a fabulosa expansão dos macedônios conquistando toda península, já enfraquecida pela guerra do Peloponeso. O próximo passo é dado pelo filho de Felipe II, Alexandre. Educado por Aristóteles, segue pela Ásia em direção Egito. No caminho conquista a Síria e a importante cidade de Tiro. A conquista do Egito foi como uma libertação, pois o povo já estava sob o domínio persa. No Egito Alexandre alcança o status de faraó. Alexandre segue em direção a Mesopotâmia e mesmo possuindo um exército menor conquista o reino persa. Ainda seguiu em direção ao atual Afeganistão e ao norte da Índia onde conquistou alguns territórios.
Avaliação de Arqueologia e pré história
1. Baseando-se no livro O Egito Antigo de Ciro Flamarion, percebe-se que o autor desenvolve uma discussão sobre a “Hipótese Causal Hidráulica”, que debate a possibilidade da “questão hidráulica” ter sido fundamental na formação do Egito enquanto Estado unificado. Comente a discussão desenvolvida pelo autor: defina a hipótese, descrevendo-a, escreva sobre suas possibilidades de certezas e incertezas, ou seja, porque ela era considerada uma hipótese viável e porque deixou de sê-lo.
Por milhares da nos a região do Saara era formada por uma vegetação de savana, habitada por pescadores, caçadores, agricultores e criadores de gado. O gradual ressecamento da região transformando a savana em deserto obrigou o movimento dos homens em direção ao maior rio perene da região, o rio Nilo. O principal debate e fonte de muitas dúvidas sobre esta hipótese é a carência de documentos, fontes, restos humanos, iconografia, dados linguísticos e etnológicos para comprovar ou refutar a afirmação de que foi o ressecamento da região saariana que determinou a fixação das populações nas margens do rio Nilo. Estudos comprovaram que entre 3300 e 3000 A.C. houve uma acentuada queda de pluviosidade, reduzindo a área de abrangência das cheias do rio, limitando as possibilidades de agricultura a uma faixa estreita ao longo do curso do Nilo. É neste período que se pode determinar as três áreas mais importantes da região: O delta do Nilo, com grande faixa alagada e pantanosa, o vale onde as cheias do Nilo irrigava sua margens fixando o homem no vale e as grandes regiões desérticas. E foi a necessidade de administrar esse sistema que envolvia obras de irrigação e o funcionamento da agricultura que se pode avaliar como fatos fundamentais para a unificação do reino egípcio.
Mas foi a partir do final do século XIX e início do século XX que a hipótese casual hidráulica foi combatida, primeiro pela falta de uma maior documentação sobre os trabalhos de irrigação. Os diques e represas são uma prática comum na região e existem desde a era dos faraós e essas constantes transformações acabam por apagar os traços das primeiras obras realizadas. Outro fato que pode combater a hipótese casual hidráulica é o relato de escritos que revelam o sentimento/devoção em relação as águas do rio que não poderiam ser sujas pelos homens. Ainda sobre o regime das águas é levantada a hipótese de que as inundações eram bastante regulares e previsíveis não sendo necessária, desta forma, importantes obras de complementação e auxílio a agricultura. Trabalhos recentes demostram que o sistema de tanques de irrigação eram realizados de forma local e que não existem provas de uma administração centralizada até o Reino Médio. A agricultura irrigada funcionava dentro das organizações tribais contribuindo, desta fora, para a fragmentação da região e não a sua centralização e consequente formação de reino.
2. Há semelhanças e diferenças entre os povos mesopotâmios e os egípcios. Uma das semelhanças advêm do fato de que ambas eram sociedades hidráulicas, ou seja, relacionadas aos rios Nilo, Tigre e Eufrates, respectivamente. Uma das diferenças está na estrutura política estatal, onde o reino e império egípcio contrastava com as cidades-estado mesopotâmicas. Comente este contraste, baseando-se nas definições, semelhanças e diferenças entre as cidades-estado e o reino/império do Egito.
A semelhante condição natural, por habitarem terras alagadiças, estabeleceu algumas semelhanças entre os dois modelos apresentados, como o sistema de irrigação, mas as diferenças entre os sistemas eram significativos. Partindo-se da grande unificação egípcia, onde o poder divino do faraó comandava a grande região do vale até o Delta do Nilo. Sistema de poder que foi transmitido por diversas dinastias e que mesmo em períodos de crise, ressurge logo adiante nas mesmas bases de governo. Centralizado e personificado no faraó. Diferente se faz a organização na região da Mesopotâmia, onde as principais cidades estabelecem independentemente suas formas de organização e liderança. Cada cidade governava suas terras e suas redes de irrigação. Mas a grande diferença era o comércio realizado entre estas cidades, agora classificadas como Cidades-estados, que proporcionava uma grande incremento de atividades comercias. Estas Cidades-estados também se uniam ocasionalmente pra alguma estratégia militar ou política, mas depois de cumprido o desejado era desfeito os laços e os governos permaneciam independentes. Bem diferente da organização egípcia que manteve a centralização do poder e mesmo quando dominada ou invadida, permanecia nas mãos de um só governante. A característica das cidades- estado, foi também um fator determinante para o seu fim, pois os conflitos entre as cidades acabaram enfraquecendo o poder que elas ostentavam e se tornaram alvo de invasões como a dos Acádios
3. Gordon Child em A Evolução Cultural do Homem, disse: “O surgimento do homem sobre a terra é indicado pelos instrumentos que ele faz (p.122).” Engels em Origem da Família, Propriedade Privada e do Estado, diz que : “O Estado não é, pois, de modo algum, um poder que se impôs à sociedade de fora para dentro; [...] É antes um produto da sociedade, quando esta chega a um determinado grau de desenvolvimento; é a confissão de que essa sociedade se enredou numa irremediável contradição com ela própria e está dividida por antagonismos irreconciliáveis que não consegue conjurar (p.135-136).” Considerando as citações de Child e Engels, analisando os livros que você leu e fichou sobre Arqueologia e Pré-História:
a. Discorra sobre o papel da Arqueologia nos estudos das comunidades ágrafas e o fato de que o homem não dominar a escrita deve ser um diferencial para separar História e Pré-História.
b. Relacione a citação de Engels a Revolução Neolítica e a formação dos Estados dando início a Antiguidade.
A – A arqueologia, ciência responsável por resgatar os sinais deixados por antigas civilizações tem o importante papel de traduzir o ambiente social e político de sociedades que não chegaram ao estágio da escrita. Interpretando pinturas, artefatos e restos humanos, ela permite determinar o estágio de evolução em que uma sociedade já extinta, seja em que época for, deixou para ser estudado. Este estudo permite que se entendam as mudanças ocorridas na sociedade humana. A escrita é um fator determinante para a classificação das sociedades, deixando de lado a discussão do conceito da palavra história dentro da expressão “Pré-História” e aceitando a classificação de que os povos pré-históricos são aqueles que não dominavam a escrita para “documentar” a sua história, podemos entender que a pré-história ocorreu em tempos diferentes nas mais variadas sociedades pelo mundo. Pois foi ao longo de cada história particular, de cada civilização estudada, é que o arqueólogo pode determinar em que momento se dá a passagem da pré-história pra a história. Somente quando estas civilizações estudadas passam a escrever sua própria história é que se pode determinar com maior exatidão quais eram as formas de governo, como se organizava a sociedade, quais eram os seus costumes religiosos e suas relações com outras sociedades.
B - A formação dos estados dando início a antiguidade é um movimento natural de fixação de povos nômades quando iniciam o domínio da agricultura, são estes pequenos aglomerados humanos que iniciarão a experiência do convívio sedentário, convívio que inicia o estabelecimento das primeiras regras sociais. As necessidades de liderança começam a ser supridas por lideres naturais é a sociedade criando suas próprias regras, estabelecendo seus limites e o poder de seus líderes. A evolução da sociedade é, também, a evolução das normas que a conduzem, os conflitos internos e os grupos excluídos realizam movimentos antagônicos dentro desta sociedade, criando conflitos, lutas e movimentos separatistas, que por fim dão origem a novas sociedades. Construindo cidades, reinos e impérios.
4. “O pobre está melhor morto que vivo;
Se tem pão, não tem sal;
Se tem sal, não tem pão;
Ser tem carne, não tem cordeiro;
Ser tem cordeiro, não tem carne”.
O ditado acima foi escrito há quase cinco mil anos na Suméria. Ele demonstra (além do humor), uma insatisfação popular com a situação de exclusão de boa parte da sociedade sumeriana.
Observando o que você leu, fichou, descreva os aspectos sociais e econômicos das sociedades do Egito Antigo e da Mesopotâmia, destacando o caráter de sociedades onde não igualdade.
Na mesopotâmia as classes ou castas sociais eram rígidas e permanentes. A classe dominada era formada por artesãos, camponeses e escravos formando a maior classe social, desde o seu nascimento já estavam determinados a permanecerem nas mesmas condições. Comerciantes, aristocratas e militares compunham uma classe intermediária da sociedade mesopotâmica, onde desempenhavam um papel mais relevante, mais continuavam fora do circulo do poder e de influência governamental. Sacerdotes e nobres eram a mais alta representação da sociedade e da mesma forma que as classes anteriores seu nascimento era que determinava definitivamente sua condição social. As terras eram pertencentes ao governo real que permitia aos camponeses ocupa-las. Um agravante da exploração das classes superiores era a obrigatoriedade da entrega dos excedentes da produção para a classe dominante. O que deixava os camponeses trabalhando para a sua subsistência e para abastecer as classes dominantes do clero e da nobreza.
Semelhantes fatos sociais ocorriam no Egito que tinha a agricultura, assim como os mesopotâmios, a base de sua atividade econômica. O fato que beneficiava a sociedade egípcia era a regularidade das cheias do rio Nilo. Proporcionando um planejamento que evitava a fome no reino. Mas o lado perverso da sociedade egípcia era dos trabalhos forçados exigidos pelo faraó, as obras de arquitetura e de construção de diques eram obrigações impostas pelo estado. Assim como os mesopotâmios, os egípcios tinham uma pequena classe dominante, formada logo abaixo do faraó, que era a personificação do Deus Horus, essa classe dominante era formada por nomarcas, sacerdotes e escribas. A classe dominada era composta por soldados, artesãos, comerciantes e escravos.
5. Faça um quadro destacando informações sobre sociedades igualitárias e estatais, conforme o modelo abaixo:
Sociedade Economia Cultura/Religião Herança Cultural Política
Pré-História Igualitária Igualitária Igualitária Igualitária Igualitária
Egito Antigo estatais estatais estatais Igualitária estatais
Mesopotâmia estatais estatais Igualitária Igualitária estatais
Por milhares da nos a região do Saara era formada por uma vegetação de savana, habitada por pescadores, caçadores, agricultores e criadores de gado. O gradual ressecamento da região transformando a savana em deserto obrigou o movimento dos homens em direção ao maior rio perene da região, o rio Nilo. O principal debate e fonte de muitas dúvidas sobre esta hipótese é a carência de documentos, fontes, restos humanos, iconografia, dados linguísticos e etnológicos para comprovar ou refutar a afirmação de que foi o ressecamento da região saariana que determinou a fixação das populações nas margens do rio Nilo. Estudos comprovaram que entre 3300 e 3000 A.C. houve uma acentuada queda de pluviosidade, reduzindo a área de abrangência das cheias do rio, limitando as possibilidades de agricultura a uma faixa estreita ao longo do curso do Nilo. É neste período que se pode determinar as três áreas mais importantes da região: O delta do Nilo, com grande faixa alagada e pantanosa, o vale onde as cheias do Nilo irrigava sua margens fixando o homem no vale e as grandes regiões desérticas. E foi a necessidade de administrar esse sistema que envolvia obras de irrigação e o funcionamento da agricultura que se pode avaliar como fatos fundamentais para a unificação do reino egípcio.
Mas foi a partir do final do século XIX e início do século XX que a hipótese casual hidráulica foi combatida, primeiro pela falta de uma maior documentação sobre os trabalhos de irrigação. Os diques e represas são uma prática comum na região e existem desde a era dos faraós e essas constantes transformações acabam por apagar os traços das primeiras obras realizadas. Outro fato que pode combater a hipótese casual hidráulica é o relato de escritos que revelam o sentimento/devoção em relação as águas do rio que não poderiam ser sujas pelos homens. Ainda sobre o regime das águas é levantada a hipótese de que as inundações eram bastante regulares e previsíveis não sendo necessária, desta forma, importantes obras de complementação e auxílio a agricultura. Trabalhos recentes demostram que o sistema de tanques de irrigação eram realizados de forma local e que não existem provas de uma administração centralizada até o Reino Médio. A agricultura irrigada funcionava dentro das organizações tribais contribuindo, desta fora, para a fragmentação da região e não a sua centralização e consequente formação de reino.
2. Há semelhanças e diferenças entre os povos mesopotâmios e os egípcios. Uma das semelhanças advêm do fato de que ambas eram sociedades hidráulicas, ou seja, relacionadas aos rios Nilo, Tigre e Eufrates, respectivamente. Uma das diferenças está na estrutura política estatal, onde o reino e império egípcio contrastava com as cidades-estado mesopotâmicas. Comente este contraste, baseando-se nas definições, semelhanças e diferenças entre as cidades-estado e o reino/império do Egito.
A semelhante condição natural, por habitarem terras alagadiças, estabeleceu algumas semelhanças entre os dois modelos apresentados, como o sistema de irrigação, mas as diferenças entre os sistemas eram significativos. Partindo-se da grande unificação egípcia, onde o poder divino do faraó comandava a grande região do vale até o Delta do Nilo. Sistema de poder que foi transmitido por diversas dinastias e que mesmo em períodos de crise, ressurge logo adiante nas mesmas bases de governo. Centralizado e personificado no faraó. Diferente se faz a organização na região da Mesopotâmia, onde as principais cidades estabelecem independentemente suas formas de organização e liderança. Cada cidade governava suas terras e suas redes de irrigação. Mas a grande diferença era o comércio realizado entre estas cidades, agora classificadas como Cidades-estados, que proporcionava uma grande incremento de atividades comercias. Estas Cidades-estados também se uniam ocasionalmente pra alguma estratégia militar ou política, mas depois de cumprido o desejado era desfeito os laços e os governos permaneciam independentes. Bem diferente da organização egípcia que manteve a centralização do poder e mesmo quando dominada ou invadida, permanecia nas mãos de um só governante. A característica das cidades- estado, foi também um fator determinante para o seu fim, pois os conflitos entre as cidades acabaram enfraquecendo o poder que elas ostentavam e se tornaram alvo de invasões como a dos Acádios
3. Gordon Child em A Evolução Cultural do Homem, disse: “O surgimento do homem sobre a terra é indicado pelos instrumentos que ele faz (p.122).” Engels em Origem da Família, Propriedade Privada e do Estado, diz que : “O Estado não é, pois, de modo algum, um poder que se impôs à sociedade de fora para dentro; [...] É antes um produto da sociedade, quando esta chega a um determinado grau de desenvolvimento; é a confissão de que essa sociedade se enredou numa irremediável contradição com ela própria e está dividida por antagonismos irreconciliáveis que não consegue conjurar (p.135-136).” Considerando as citações de Child e Engels, analisando os livros que você leu e fichou sobre Arqueologia e Pré-História:
a. Discorra sobre o papel da Arqueologia nos estudos das comunidades ágrafas e o fato de que o homem não dominar a escrita deve ser um diferencial para separar História e Pré-História.
b. Relacione a citação de Engels a Revolução Neolítica e a formação dos Estados dando início a Antiguidade.
A – A arqueologia, ciência responsável por resgatar os sinais deixados por antigas civilizações tem o importante papel de traduzir o ambiente social e político de sociedades que não chegaram ao estágio da escrita. Interpretando pinturas, artefatos e restos humanos, ela permite determinar o estágio de evolução em que uma sociedade já extinta, seja em que época for, deixou para ser estudado. Este estudo permite que se entendam as mudanças ocorridas na sociedade humana. A escrita é um fator determinante para a classificação das sociedades, deixando de lado a discussão do conceito da palavra história dentro da expressão “Pré-História” e aceitando a classificação de que os povos pré-históricos são aqueles que não dominavam a escrita para “documentar” a sua história, podemos entender que a pré-história ocorreu em tempos diferentes nas mais variadas sociedades pelo mundo. Pois foi ao longo de cada história particular, de cada civilização estudada, é que o arqueólogo pode determinar em que momento se dá a passagem da pré-história pra a história. Somente quando estas civilizações estudadas passam a escrever sua própria história é que se pode determinar com maior exatidão quais eram as formas de governo, como se organizava a sociedade, quais eram os seus costumes religiosos e suas relações com outras sociedades.
B - A formação dos estados dando início a antiguidade é um movimento natural de fixação de povos nômades quando iniciam o domínio da agricultura, são estes pequenos aglomerados humanos que iniciarão a experiência do convívio sedentário, convívio que inicia o estabelecimento das primeiras regras sociais. As necessidades de liderança começam a ser supridas por lideres naturais é a sociedade criando suas próprias regras, estabelecendo seus limites e o poder de seus líderes. A evolução da sociedade é, também, a evolução das normas que a conduzem, os conflitos internos e os grupos excluídos realizam movimentos antagônicos dentro desta sociedade, criando conflitos, lutas e movimentos separatistas, que por fim dão origem a novas sociedades. Construindo cidades, reinos e impérios.
4. “O pobre está melhor morto que vivo;
Se tem pão, não tem sal;
Se tem sal, não tem pão;
Ser tem carne, não tem cordeiro;
Ser tem cordeiro, não tem carne”.
O ditado acima foi escrito há quase cinco mil anos na Suméria. Ele demonstra (além do humor), uma insatisfação popular com a situação de exclusão de boa parte da sociedade sumeriana.
Observando o que você leu, fichou, descreva os aspectos sociais e econômicos das sociedades do Egito Antigo e da Mesopotâmia, destacando o caráter de sociedades onde não igualdade.
Na mesopotâmia as classes ou castas sociais eram rígidas e permanentes. A classe dominada era formada por artesãos, camponeses e escravos formando a maior classe social, desde o seu nascimento já estavam determinados a permanecerem nas mesmas condições. Comerciantes, aristocratas e militares compunham uma classe intermediária da sociedade mesopotâmica, onde desempenhavam um papel mais relevante, mais continuavam fora do circulo do poder e de influência governamental. Sacerdotes e nobres eram a mais alta representação da sociedade e da mesma forma que as classes anteriores seu nascimento era que determinava definitivamente sua condição social. As terras eram pertencentes ao governo real que permitia aos camponeses ocupa-las. Um agravante da exploração das classes superiores era a obrigatoriedade da entrega dos excedentes da produção para a classe dominante. O que deixava os camponeses trabalhando para a sua subsistência e para abastecer as classes dominantes do clero e da nobreza.
Semelhantes fatos sociais ocorriam no Egito que tinha a agricultura, assim como os mesopotâmios, a base de sua atividade econômica. O fato que beneficiava a sociedade egípcia era a regularidade das cheias do rio Nilo. Proporcionando um planejamento que evitava a fome no reino. Mas o lado perverso da sociedade egípcia era dos trabalhos forçados exigidos pelo faraó, as obras de arquitetura e de construção de diques eram obrigações impostas pelo estado. Assim como os mesopotâmios, os egípcios tinham uma pequena classe dominante, formada logo abaixo do faraó, que era a personificação do Deus Horus, essa classe dominante era formada por nomarcas, sacerdotes e escribas. A classe dominada era composta por soldados, artesãos, comerciantes e escravos.
5. Faça um quadro destacando informações sobre sociedades igualitárias e estatais, conforme o modelo abaixo:
Sociedade Economia Cultura/Religião Herança Cultural Política
Pré-História Igualitária Igualitária Igualitária Igualitária Igualitária
Egito Antigo estatais estatais estatais Igualitária estatais
Mesopotâmia estatais estatais Igualitária Igualitária estatais
Postado por
Bruno Horta
às
sexta-feira, dezembro 02, 2011
Nenhum comentário:
Links para esta postagem
Marcadores:
Avaliação de Arqueologia e pré história
A antropologia no quadro das ciências
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período
A antropologia no quadro das ciências
Matéria: Antropologia Cultural
Professor: Dauro
O estudo das Ciências da natureza ou naturais e das Ciências sociais ou humanas pode ser situado no campo da antropologia social ou cultural aproximando-as, ainda mais, do homem em uma visão e uma prática por ele executadas.
Os fatos fundamentalmente mais simples são estudados pelas ciências naturais. São descritos como mais simples por serem facilmente isoláveis. E serem recorrentes e sincrônicos. Essa recorrência pode ser provada ou testada quando uma teoria feita por dois observadores diferentes, situados em lugares diferentes e até com perspectivas opostas podem produzir o mesmo fenômeno. Esta mesma possibilidade não pode ser construída nas ciências sociais, que estudam sistemas complexos e com elementos de casualidade e de complexa determinação. Mesmo que consigamos reunir todos os elementos de um fato social, seria impossível recriar todo ambiente e todo clima da um determinado momento. Fato que ocorre inversamente nas ciências naturais, onde a repetição de elementos gera a repetição de resultados. Da mesma forma podemos diferenciar os fatos naturais dos sociais quando analisamos a possibilidade de existência dos fatos na atualidade. Os naturais acontecem de forma igual a todo o momento, já os sociais possuem um caráter único, impossível de ser realizado no presente exatamente como foi no passado.
Mesmo sendo algo desejável para alguns cientistas sociais é impossível reproduzir um fato social em laboratório. Alguns pedaços de realidade podem até ser reproduzidos, mas a reconstrução verdadeira, incluindo todos os fatos em questão é uma totalização impossível. É relevante para analisar a abordagem diferente de cada ciência que o observador da ciência social pode julgar, por seus interesses ou motivações, diferentemente do natural que só tem um resultado fixo.
Estas duas ciências possuem alguns elementos em comum. Certamente que esses elementos não invalidam ou põem em duvida qualquer das fundamentações expostas anteriormente, mas são pontos de convergência entre elas.
A Antropologia Biológica utiliza o conhecimento estatístico e se dedica ao estudo dos primatas superiores, sendo assim um campo das ciências sociais que se aproxima das ciências naturais. Assim como a Antropologia Arqueológica que apesar de estudar as sociedades, estuda sociedades já desaparecidas, isto é, sociedades que não se modificam mais. Sendo um objeto estático de estudo.
Desta forma em alguns aspectos as ciências se misturam, mas não perdem suas características nem invalidam os fundamentos da outra. Ampliando o campo da formação humana e sua evolução antropológica e cultural.
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período
A antropologia no quadro das ciências
Matéria: Antropologia Cultural
Professor: Dauro
O estudo das Ciências da natureza ou naturais e das Ciências sociais ou humanas pode ser situado no campo da antropologia social ou cultural aproximando-as, ainda mais, do homem em uma visão e uma prática por ele executadas.
Os fatos fundamentalmente mais simples são estudados pelas ciências naturais. São descritos como mais simples por serem facilmente isoláveis. E serem recorrentes e sincrônicos. Essa recorrência pode ser provada ou testada quando uma teoria feita por dois observadores diferentes, situados em lugares diferentes e até com perspectivas opostas podem produzir o mesmo fenômeno. Esta mesma possibilidade não pode ser construída nas ciências sociais, que estudam sistemas complexos e com elementos de casualidade e de complexa determinação. Mesmo que consigamos reunir todos os elementos de um fato social, seria impossível recriar todo ambiente e todo clima da um determinado momento. Fato que ocorre inversamente nas ciências naturais, onde a repetição de elementos gera a repetição de resultados. Da mesma forma podemos diferenciar os fatos naturais dos sociais quando analisamos a possibilidade de existência dos fatos na atualidade. Os naturais acontecem de forma igual a todo o momento, já os sociais possuem um caráter único, impossível de ser realizado no presente exatamente como foi no passado.
Mesmo sendo algo desejável para alguns cientistas sociais é impossível reproduzir um fato social em laboratório. Alguns pedaços de realidade podem até ser reproduzidos, mas a reconstrução verdadeira, incluindo todos os fatos em questão é uma totalização impossível. É relevante para analisar a abordagem diferente de cada ciência que o observador da ciência social pode julgar, por seus interesses ou motivações, diferentemente do natural que só tem um resultado fixo.
Estas duas ciências possuem alguns elementos em comum. Certamente que esses elementos não invalidam ou põem em duvida qualquer das fundamentações expostas anteriormente, mas são pontos de convergência entre elas.
A Antropologia Biológica utiliza o conhecimento estatístico e se dedica ao estudo dos primatas superiores, sendo assim um campo das ciências sociais que se aproxima das ciências naturais. Assim como a Antropologia Arqueológica que apesar de estudar as sociedades, estuda sociedades já desaparecidas, isto é, sociedades que não se modificam mais. Sendo um objeto estático de estudo.
Desta forma em alguns aspectos as ciências se misturam, mas não perdem suas características nem invalidam os fundamentos da outra. Ampliando o campo da formação humana e sua evolução antropológica e cultural.
Postado por
Bruno Horta
às
sexta-feira, dezembro 02, 2011
Nenhum comentário:
Links para esta postagem
Marcadores:
A Antropologia no quadro das ciências
A Crítica de Jessé Souza ao Você sabe com quem está falando? De Roberto da Matta.
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período
A Crítica de Jessé Souza ao Você sabe com quem está falando? De Roberto da Matta.
Matéria: Antropologia Cultural
Professor: Dauro Santos.
Jessé Souza doutor em sociologia, formado pela Karl Ruprecht Universität Heidelberg na Alemanha. Em seu livro “A Modernização Seletiva” de 2000, lançado pela Universidade de Brasília, critica o capítulo “Você sabe com quem está falando? Um ensaio sobre a distinção entre indivíduo e pessoa no Brasil” de Roberto da Matta. Antropólogo e professor. Publicado no livro “Carnavais, Malandros e Heróis. Para uma sociologia do dilema brasileiro” de 1979.
Com a pretensão de traduzir a sociedade brasileira além das suas aparências. Roberto da Matta tem seu texto criticado em vários aspectos por Jessé Souza e aqui vou destacar algum deles.
Da Matta considerava a sociedade brasileira sob duas possibilidades de leitura. A institucionalista que abrange os processos políticos e econômicos e a culturalista onde o dia a dia é o principal elemento de composição. Desta forma ele acreditava chegar a “gramática profunda” do universo social brasileiro. Essa conclusão é logo de início rebatida por Jessé que alerta que para entender essa gramática necessitaria que o próprio dualismo proposto fosse superado.
Ao separar a vida de casa e vida da rua Da Matta, segundo Jessé, não define qual o elemento dominante dificultando assim a análise da organização social. E ainda ao denominar o sistema como núcleo ou esqueleto é uma forma equivocada de representar uma estrutura que na verdade é aparente e não interiorizada como a figura de um esqueleto ou a idéia que se tem sobre núcleo.
A pré definição e determinação proposta por Da Matta é contestada por supor que todos os brasileiros se comportam de forma igual, perante as pressões sociais e econômicas impostas pelo Estado e pelo mercado.
A sociedade tem acessos diferenciados a bens ideais ou materias, essa estratificação social diferencia a forma que cada individuo reagirá as questões que são enfrentadas no dia a dia por isso essa dualidade estática proposta por Da Matta não responde as questões levantadas pelo próprio autor.
As classes ou os grupos sociais são ignorados por Da Matta em seu estudo e essa questão é importante para que a própria “gramática social” proposta por ele não seja entendida de forma completa. E para o mundo individual e “do lar” proposto por Da Matta entraríamos, necessariamente no particular, no sentimental, em uma hierarquia baseada na afeição que é sempre gradativa e particularizante, não dando espaços para generalismos.
O estado moderno que se apropria da violência e da coerção e que desde modo transforma o individuo de tantas formas possíveis dentro das mais variadas classes sociais, levam para as casas os traços influentes desta dominação, desta forma contaminando o ambiente da casa com o ambiente da rua.
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período
A Crítica de Jessé Souza ao Você sabe com quem está falando? De Roberto da Matta.
Matéria: Antropologia Cultural
Professor: Dauro Santos.
Jessé Souza doutor em sociologia, formado pela Karl Ruprecht Universität Heidelberg na Alemanha. Em seu livro “A Modernização Seletiva” de 2000, lançado pela Universidade de Brasília, critica o capítulo “Você sabe com quem está falando? Um ensaio sobre a distinção entre indivíduo e pessoa no Brasil” de Roberto da Matta. Antropólogo e professor. Publicado no livro “Carnavais, Malandros e Heróis. Para uma sociologia do dilema brasileiro” de 1979.
Com a pretensão de traduzir a sociedade brasileira além das suas aparências. Roberto da Matta tem seu texto criticado em vários aspectos por Jessé Souza e aqui vou destacar algum deles.
Da Matta considerava a sociedade brasileira sob duas possibilidades de leitura. A institucionalista que abrange os processos políticos e econômicos e a culturalista onde o dia a dia é o principal elemento de composição. Desta forma ele acreditava chegar a “gramática profunda” do universo social brasileiro. Essa conclusão é logo de início rebatida por Jessé que alerta que para entender essa gramática necessitaria que o próprio dualismo proposto fosse superado.
Ao separar a vida de casa e vida da rua Da Matta, segundo Jessé, não define qual o elemento dominante dificultando assim a análise da organização social. E ainda ao denominar o sistema como núcleo ou esqueleto é uma forma equivocada de representar uma estrutura que na verdade é aparente e não interiorizada como a figura de um esqueleto ou a idéia que se tem sobre núcleo.
A pré definição e determinação proposta por Da Matta é contestada por supor que todos os brasileiros se comportam de forma igual, perante as pressões sociais e econômicas impostas pelo Estado e pelo mercado.
A sociedade tem acessos diferenciados a bens ideais ou materias, essa estratificação social diferencia a forma que cada individuo reagirá as questões que são enfrentadas no dia a dia por isso essa dualidade estática proposta por Da Matta não responde as questões levantadas pelo próprio autor.
As classes ou os grupos sociais são ignorados por Da Matta em seu estudo e essa questão é importante para que a própria “gramática social” proposta por ele não seja entendida de forma completa. E para o mundo individual e “do lar” proposto por Da Matta entraríamos, necessariamente no particular, no sentimental, em uma hierarquia baseada na afeição que é sempre gradativa e particularizante, não dando espaços para generalismos.
O estado moderno que se apropria da violência e da coerção e que desde modo transforma o individuo de tantas formas possíveis dentro das mais variadas classes sociais, levam para as casas os traços influentes desta dominação, desta forma contaminando o ambiente da casa com o ambiente da rua.
Antropologia e História
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Lorena Santos Domingues
Quarto Período - História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período - História
Antropologia e História
De: Roberto Damata
Matéria: Antropologia Cultural
Professor: Dauro
1 – Introdução.
Partindo do posicionamento de que um encontro com o começo não é a garantia de um sucesso intelectual, o autor inicia o capítulo alertando para esse tipo de erro, pois analisando antropologicamente a civilização da Grécia antiga é possível dividir o mundo em dois tipos de homens os gregos e os bárbaros. Outro alerta é a atenção para diferenciar história, estória, mitos e relatos de viagens. Relatórios de viajantes que descrevem a fauna e a flora de um lugar costumam não tomar em vista o ponto dou “outro” e sim seu próprio ponto de vista. O principal objetivo do autor não é somente apresentar uma história antropológica, mas sim relacionar os fenômenos antropológicos com a dimensão temporal. Tendo desta forma informações de grande importância para demostrar fatos e estudar o comportamento do homem.
2 – História da Antropologia.
Especular sobre como os homens percebem suas diferenças ao longo do tempo. E desta análise pode-se justificar diversos comportamentos, como dominações e destruições de sociedades inteiras. Para que esse pensamento não seja dominante e justificador de barbaridades criou-se a Teoria das Diferenças, onde uma capa de responsabilidade científica protege o sentido e o valor da existência do outro.
Foi esse pensamento dominador que justificou as colonizações européias dos séculos XV e XVI. Mas também justificou os movimentos contrários de reação e independência.
O pensamento antropológico fica dividido em duas correntes que Edmund Leach exemplifica como o Evolucionismo de James Frazer e o funcionalismo de Bronislaw Malinowski. Frazer em sua linha vitoriana e eurocentrista com certezas racistas e superioridade política, econômica e intelectual. E Malinowski com seu relativismo que impede sínteses grandiosas.
A) O Evolucionismo.
Esse método de pesquisa separa e classifica todos os elementos dos dados sociais ou culturais. Mas não como o cientista que logo depois reúne todos os elementos para uma análise completa, mas deixa a classificação e separação como uma via de mão única. Separando os fatos dos conceitos de onde surgiam. Os evolucionistas não comparavam os fatos dentro de seu próprio contexto e sim com outras sociedades. Trabalhavam com o método de classificar tudo, de anexar tudo ao pensamento evolucionista situando-os em uma escala apropriada. O evolucionismo pode ser caracterizado por quatro ideias gerais.
Primeira, as sociedades humanas devem ser comparadas entre si. E seus costumes são definidos pelo investigador. Exemplificando-se temos o exemplo de Morgan para a família que no século XIX era nucleado por pai, mãe e filhos. Seguindo a linha evolucionista em tempos anteriores teríamos famílias onde não de diferencia pais e mães, isto é, seus genitores seriam inseridos no contexto dos adultos da mesma faixa de idade, sem diferença entre eles. Hoje sabemos que tal forma de explicação não passa de uma fantasia sociológica.
Segunda, os costumes têm uma origem, uma individualidade e um fim. O fim não é discutido pelos pesquisadores, pois é a atual sociedade do século XIX que representa o modelo final de evolução. A síntese religiosa é um dos problemas apontados para o evolucionismo. O fato de sintetizar religiosidade a crença em almas coloca a religião dos romanos e dos Neures no mesmo plano. Essa falha de argumentação reduz o jogo dos fatos sócias é uma lógica psicologizante.
Terceira, as sociedades se desenvolvem de modo linear, onde os eventos possuem causas e consequências, formando assim a ideia de progresso e determinação. O pensamento evolucionista segue pelo conceito de processo civilizatório, onde o contato com o mundo capitalista era o momento de a força social atuante romper com as amarras do atraso e do primitivismo da sociedade referida.
O determinismo evolucionista é baseado em forças das quais a sociedade não tem consciência e nem controle. Mas sua fraqueza é não considerar o múltiplo jogo de realidades que atuam no mundo das consciências e desta forma aprisionar o espírito.
Quarta o evolucionista trata as diferenças como se tratam etapas reduzindo-as ao eixo do tempo, situando no sistema classificatório e explicando essas diferenças como atraso evolucionista no eixo deste tempo. O tempo não conduz uma dimensão genética exclusiva, com um caminho único, que leva ao progresso da sociedade.
B) O Funcionalismo.
A palavra funcionalismo é usada dentro dos conceitos estabelecidos por Malinowski e Radcliffe Brown, onde primeiramente é uma reação as teorias evolucionistas. O funcionalismo busca a sobra que ocorre na passagem do tempo, o resíduo da instituição ou do costume que sobrevive ao tempo e que indica o passado no meio do presente.
Existe a possibilidade de estudar a sociedade como um sistema coerentemente e interligado de relações sociais. Um sentido básico ao funcionalismo é de que nada num sistema ocorre ao acaso ou está definitivamente errado ou deslocado. A postura definidora do papel social é de que nada deixa restos, tudo desempenha um papel, tudo tem sentido ainda que esse sentido não seja facilmente localizável e os costumes e hábitos sociais devem ser compreendidos dentro do sistema do qual provém. O funcionalismo se preocupa com alguns fenômenos sociais. Como as sociedades que temem o conflito e se armam de um aparato repressivo para isso e sociedades com dinâmicas de conflitos. O centro de referencia é a própria tribo, segmento ou cultura em análise.
3. Uma antropologia da História?
O funcionalismo revelou que a pesquisa antropológica era um caminho de duplo movimento, um em direção ao desconhecido e outro de volta ao etnólogo que reexamina seus dados e os integra no plano das escolhas humanas. E revela-se que o que se chamava de exótico ou irracional é apenas um traço conhecido para a própria sociedade. A sociedade marcada pela mudança do eixo do tempo tem valores que estão fora da temporalidade, relíquias reais ou religiosas marcam uma dimensão que atravessa o tempo. Esse entendimento pela via temporal é uma linha contínua onde um evento provoca outro, onde os acontecimentos têm antecedentes e consequentes.
A antropologia social pode relativizar o tempo e utilizar vertentes comparativas que podem substituir o tempo para refletir sobre as semelhanças e diferenças entre as sociedades. Tudo que o homem está realizando em todas as suas manifestações sociais de todos os tempos e lugares são formas sociais imperfeitas quando relacionadas com outras formas sociais da mesma forma que não existe uma cultura ou sociedade mais acabada que outra.
Para Lévi-Strauss o inconsciente não é uma substancia social, moral ou filosófica, mas um lugar ou uma posição em que podemos tomar consciência das diferenças e por meio delas alcançar as semelhanças entre as sociedades. Esse lugar não se situa mais no tempo mas no seu espaço complementar, um ponto vazio de conteúdo e de tempo, onde o observador pode se situar para observar as diferenças e semelhanças entre as sociedades humanas.
4. Tempo e História.
As críticas ao estruturalismo de Lévi-Strauss pregam uma forma de consciência continua aonde estruturas cada vez mais desalienadas vão substituindo as outras mais atrasadas. Já a antropologia funcionalista se aproxima do olhar do selvagem que foi uma abordagem inovadora de Malinowski. Atitude que levou a uma separação epistemológica dos pontos de vista e fundamentando uma teoria baseada na descontinuidade do tempo.
A temporariedade histórica se situa em uma idéia de passagem do tempo onde nem todas as sociedades o percebem ou o operam da mesma forma. Utilizando o tempo como uma ideologia que serve para expressar sua própria identidade.
Algumas perguntas surgem no plano estruturalista. Quem realmente faz história? Os homens do passado que deixam seus resíduos. Ou os resíduos são próprios da história humana? E qual história escolherá o historiador para contar a história dos homens?
Uma percepção diferente do tempo é do povo Apinayé. Onde o passado e o presente se refletem um no outro, a sociedade não possuiu interpretes do passado e nem transformadores do presente, não existe o herói histórico, a grande personalidade e nem um admirável mundo novo no futuro. Existe o presente anterior e um presente presente. Mas é importante salientar que as sociedades construídas desta forma são formadas por grupos, segmentos, categorias, classes, indivíduos e elementos absolutamente descontínuos e em conflito.
Para Lévi-Strauss a história também precisa de um significado, pois quando se escolhe um período histórico ao mesmo tempo se condena a escolher regiões, épocas, grupos de homens e indivíduos nestes grupos e se fazem parecerem figuras descontínuas.
O significado só aparecerá na forma de um jogo complexo entre o esquecido e o permanentemente lembrado. Um tempo totalizado é um absurdo para Lévi-Strauss, pois o seu próprio sentido se perderia.
O romancista Thomas Manm trás uma análise de tempo que mercê uma reflexão. Ele trás a narrativa temporal como um aspecto relevante do tempo, onde diferenciamos o tempo que se pode cronometrar e o tempo de duração. Um tempo visto de fora, como uma musica ou a leitura de um livro ou o tempo vivido por uma peça de teatro ou de um livro que conta a história de um homem que viveu 80 anos.
O estudo da história é abordado por Van Gennep na sua dificuldade em se estudar fatos recentes e em desenvolvimento. Restando aos fatos mais antigos a facilidade de estudo devido a sua consolidação. Lévi-Strauss qualifica como eventos frios ou quentes, dependendo da distância em que se encontram do presente.
Outro problema abordado pela perspectiva histórica são as restrições metodológicas quando se trabalha em uma sociedade desconhecida. Uma abordagem religiosa, por exemplo, vai excluir de imediato as abordagens financeiras ou políticas.
5. A Lógica do Totemismo e a Lógica da História.
Em muitos sistemas tribais a continuidade social é obtida por meio das diferenciações como a identificação com a natureza, a identidade entre homens e grupos de homens, espécies de plantas, animais, fenômenos meteorológicos e geográficos. Este sistema foi definido como Totemismo por Claude Lévi-Strauss. Essa mentalidade pré-lógica é um tipo de inteligência que segundo Levy-Bruhl se caracteriza pela confusão mental, que mistura a classificação das coisas do universo.
A relação entre historicidade e a lógica totêmica é de que a historicidade trás a ideia de que uma forma social sai de dentre de outra anterior que lhe causou o nascimento. Já a totêmica relaciona homes com plantas, animais e fenômenos naturais e geográficos.
Chega-se ao indivíduo, razão do nosso sistema social que possui esferas que lhes são ligadas como o amor, a justiça, a igualdade, o trabalho e a arte. Isto é o indivíduo precisa criar um espaço interno onde as coisas particulares possam ter livre curso.
Descobrimos na música popular, na publicidade, na moralidade, no amor e na arte em geral a atuação da lógica totêmica que aspiram à junção de tudo com tudo dando significado a nossa sociedade.
A Antropologia propõe um diálogo aberto e sistemático com a temporalidade vivida pelos homens de diversas sociedades para poder relativiza-los e conseguir alcançar tudo aquilo que pode oferecer.
Graduação em História
Lorena Santos Domingues
Quarto Período - História
Bruno Botelho Horta
Quarto Período - História
Antropologia e História
De: Roberto Damata
Matéria: Antropologia Cultural
Professor: Dauro
1 – Introdução.
Partindo do posicionamento de que um encontro com o começo não é a garantia de um sucesso intelectual, o autor inicia o capítulo alertando para esse tipo de erro, pois analisando antropologicamente a civilização da Grécia antiga é possível dividir o mundo em dois tipos de homens os gregos e os bárbaros. Outro alerta é a atenção para diferenciar história, estória, mitos e relatos de viagens. Relatórios de viajantes que descrevem a fauna e a flora de um lugar costumam não tomar em vista o ponto dou “outro” e sim seu próprio ponto de vista. O principal objetivo do autor não é somente apresentar uma história antropológica, mas sim relacionar os fenômenos antropológicos com a dimensão temporal. Tendo desta forma informações de grande importância para demostrar fatos e estudar o comportamento do homem.
2 – História da Antropologia.
Especular sobre como os homens percebem suas diferenças ao longo do tempo. E desta análise pode-se justificar diversos comportamentos, como dominações e destruições de sociedades inteiras. Para que esse pensamento não seja dominante e justificador de barbaridades criou-se a Teoria das Diferenças, onde uma capa de responsabilidade científica protege o sentido e o valor da existência do outro.
Foi esse pensamento dominador que justificou as colonizações européias dos séculos XV e XVI. Mas também justificou os movimentos contrários de reação e independência.
O pensamento antropológico fica dividido em duas correntes que Edmund Leach exemplifica como o Evolucionismo de James Frazer e o funcionalismo de Bronislaw Malinowski. Frazer em sua linha vitoriana e eurocentrista com certezas racistas e superioridade política, econômica e intelectual. E Malinowski com seu relativismo que impede sínteses grandiosas.
A) O Evolucionismo.
Esse método de pesquisa separa e classifica todos os elementos dos dados sociais ou culturais. Mas não como o cientista que logo depois reúne todos os elementos para uma análise completa, mas deixa a classificação e separação como uma via de mão única. Separando os fatos dos conceitos de onde surgiam. Os evolucionistas não comparavam os fatos dentro de seu próprio contexto e sim com outras sociedades. Trabalhavam com o método de classificar tudo, de anexar tudo ao pensamento evolucionista situando-os em uma escala apropriada. O evolucionismo pode ser caracterizado por quatro ideias gerais.
Primeira, as sociedades humanas devem ser comparadas entre si. E seus costumes são definidos pelo investigador. Exemplificando-se temos o exemplo de Morgan para a família que no século XIX era nucleado por pai, mãe e filhos. Seguindo a linha evolucionista em tempos anteriores teríamos famílias onde não de diferencia pais e mães, isto é, seus genitores seriam inseridos no contexto dos adultos da mesma faixa de idade, sem diferença entre eles. Hoje sabemos que tal forma de explicação não passa de uma fantasia sociológica.
Segunda, os costumes têm uma origem, uma individualidade e um fim. O fim não é discutido pelos pesquisadores, pois é a atual sociedade do século XIX que representa o modelo final de evolução. A síntese religiosa é um dos problemas apontados para o evolucionismo. O fato de sintetizar religiosidade a crença em almas coloca a religião dos romanos e dos Neures no mesmo plano. Essa falha de argumentação reduz o jogo dos fatos sócias é uma lógica psicologizante.
Terceira, as sociedades se desenvolvem de modo linear, onde os eventos possuem causas e consequências, formando assim a ideia de progresso e determinação. O pensamento evolucionista segue pelo conceito de processo civilizatório, onde o contato com o mundo capitalista era o momento de a força social atuante romper com as amarras do atraso e do primitivismo da sociedade referida.
O determinismo evolucionista é baseado em forças das quais a sociedade não tem consciência e nem controle. Mas sua fraqueza é não considerar o múltiplo jogo de realidades que atuam no mundo das consciências e desta forma aprisionar o espírito.
Quarta o evolucionista trata as diferenças como se tratam etapas reduzindo-as ao eixo do tempo, situando no sistema classificatório e explicando essas diferenças como atraso evolucionista no eixo deste tempo. O tempo não conduz uma dimensão genética exclusiva, com um caminho único, que leva ao progresso da sociedade.
B) O Funcionalismo.
A palavra funcionalismo é usada dentro dos conceitos estabelecidos por Malinowski e Radcliffe Brown, onde primeiramente é uma reação as teorias evolucionistas. O funcionalismo busca a sobra que ocorre na passagem do tempo, o resíduo da instituição ou do costume que sobrevive ao tempo e que indica o passado no meio do presente.
Existe a possibilidade de estudar a sociedade como um sistema coerentemente e interligado de relações sociais. Um sentido básico ao funcionalismo é de que nada num sistema ocorre ao acaso ou está definitivamente errado ou deslocado. A postura definidora do papel social é de que nada deixa restos, tudo desempenha um papel, tudo tem sentido ainda que esse sentido não seja facilmente localizável e os costumes e hábitos sociais devem ser compreendidos dentro do sistema do qual provém. O funcionalismo se preocupa com alguns fenômenos sociais. Como as sociedades que temem o conflito e se armam de um aparato repressivo para isso e sociedades com dinâmicas de conflitos. O centro de referencia é a própria tribo, segmento ou cultura em análise.
3. Uma antropologia da História?
O funcionalismo revelou que a pesquisa antropológica era um caminho de duplo movimento, um em direção ao desconhecido e outro de volta ao etnólogo que reexamina seus dados e os integra no plano das escolhas humanas. E revela-se que o que se chamava de exótico ou irracional é apenas um traço conhecido para a própria sociedade. A sociedade marcada pela mudança do eixo do tempo tem valores que estão fora da temporalidade, relíquias reais ou religiosas marcam uma dimensão que atravessa o tempo. Esse entendimento pela via temporal é uma linha contínua onde um evento provoca outro, onde os acontecimentos têm antecedentes e consequentes.
A antropologia social pode relativizar o tempo e utilizar vertentes comparativas que podem substituir o tempo para refletir sobre as semelhanças e diferenças entre as sociedades. Tudo que o homem está realizando em todas as suas manifestações sociais de todos os tempos e lugares são formas sociais imperfeitas quando relacionadas com outras formas sociais da mesma forma que não existe uma cultura ou sociedade mais acabada que outra.
Para Lévi-Strauss o inconsciente não é uma substancia social, moral ou filosófica, mas um lugar ou uma posição em que podemos tomar consciência das diferenças e por meio delas alcançar as semelhanças entre as sociedades. Esse lugar não se situa mais no tempo mas no seu espaço complementar, um ponto vazio de conteúdo e de tempo, onde o observador pode se situar para observar as diferenças e semelhanças entre as sociedades humanas.
4. Tempo e História.
As críticas ao estruturalismo de Lévi-Strauss pregam uma forma de consciência continua aonde estruturas cada vez mais desalienadas vão substituindo as outras mais atrasadas. Já a antropologia funcionalista se aproxima do olhar do selvagem que foi uma abordagem inovadora de Malinowski. Atitude que levou a uma separação epistemológica dos pontos de vista e fundamentando uma teoria baseada na descontinuidade do tempo.
A temporariedade histórica se situa em uma idéia de passagem do tempo onde nem todas as sociedades o percebem ou o operam da mesma forma. Utilizando o tempo como uma ideologia que serve para expressar sua própria identidade.
Algumas perguntas surgem no plano estruturalista. Quem realmente faz história? Os homens do passado que deixam seus resíduos. Ou os resíduos são próprios da história humana? E qual história escolherá o historiador para contar a história dos homens?
Uma percepção diferente do tempo é do povo Apinayé. Onde o passado e o presente se refletem um no outro, a sociedade não possuiu interpretes do passado e nem transformadores do presente, não existe o herói histórico, a grande personalidade e nem um admirável mundo novo no futuro. Existe o presente anterior e um presente presente. Mas é importante salientar que as sociedades construídas desta forma são formadas por grupos, segmentos, categorias, classes, indivíduos e elementos absolutamente descontínuos e em conflito.
Para Lévi-Strauss a história também precisa de um significado, pois quando se escolhe um período histórico ao mesmo tempo se condena a escolher regiões, épocas, grupos de homens e indivíduos nestes grupos e se fazem parecerem figuras descontínuas.
O significado só aparecerá na forma de um jogo complexo entre o esquecido e o permanentemente lembrado. Um tempo totalizado é um absurdo para Lévi-Strauss, pois o seu próprio sentido se perderia.
O romancista Thomas Manm trás uma análise de tempo que mercê uma reflexão. Ele trás a narrativa temporal como um aspecto relevante do tempo, onde diferenciamos o tempo que se pode cronometrar e o tempo de duração. Um tempo visto de fora, como uma musica ou a leitura de um livro ou o tempo vivido por uma peça de teatro ou de um livro que conta a história de um homem que viveu 80 anos.
O estudo da história é abordado por Van Gennep na sua dificuldade em se estudar fatos recentes e em desenvolvimento. Restando aos fatos mais antigos a facilidade de estudo devido a sua consolidação. Lévi-Strauss qualifica como eventos frios ou quentes, dependendo da distância em que se encontram do presente.
Outro problema abordado pela perspectiva histórica são as restrições metodológicas quando se trabalha em uma sociedade desconhecida. Uma abordagem religiosa, por exemplo, vai excluir de imediato as abordagens financeiras ou políticas.
5. A Lógica do Totemismo e a Lógica da História.
Em muitos sistemas tribais a continuidade social é obtida por meio das diferenciações como a identificação com a natureza, a identidade entre homens e grupos de homens, espécies de plantas, animais, fenômenos meteorológicos e geográficos. Este sistema foi definido como Totemismo por Claude Lévi-Strauss. Essa mentalidade pré-lógica é um tipo de inteligência que segundo Levy-Bruhl se caracteriza pela confusão mental, que mistura a classificação das coisas do universo.
A relação entre historicidade e a lógica totêmica é de que a historicidade trás a ideia de que uma forma social sai de dentre de outra anterior que lhe causou o nascimento. Já a totêmica relaciona homes com plantas, animais e fenômenos naturais e geográficos.
Chega-se ao indivíduo, razão do nosso sistema social que possui esferas que lhes são ligadas como o amor, a justiça, a igualdade, o trabalho e a arte. Isto é o indivíduo precisa criar um espaço interno onde as coisas particulares possam ter livre curso.
Descobrimos na música popular, na publicidade, na moralidade, no amor e na arte em geral a atuação da lógica totêmica que aspiram à junção de tudo com tudo dando significado a nossa sociedade.
A Antropologia propõe um diálogo aberto e sistemático com a temporalidade vivida pelos homens de diversas sociedades para poder relativiza-los e conseguir alcançar tudo aquilo que pode oferecer.
Assinar:
Postagens (Atom)