quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
A Muralha Mesológica
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
A Muralha Mesológica
De: Nireu Cavalcanti
Matéria: História do Rio de Janeiro
Professor: Ana Lúcia
Macaé/RJ
Assentamentos da cidade provisória: Prolegômenos.
A expedição de Pero Lopez de Souza e Martin Afonso de Souza passa pela baía da Guanabara em 1531, onde permanecem pro três meses. Nesse período exploram o interior do continente em busca de metais preciosos. Seguindo em frente aportam em São Vicente. Martin recebe está capitania para administrar, enquanto Pero recebe a região da Guanabara. São Vicente prosperou e por fim adicionou a capitânia de Pero Lopez de Souza.
Em 1555 Villegaignon chega a Guanabara para começar a França Antártica. Aliaram-se aos tupinambás e resistiram por cinco anos. Em 1560 o governador geral do Brasil, Men de Sá, enfrenta os franceses e destrói suas fortificações, forçando uma fuga dos sobreviventes para o interior. Mas Men de Sá não permanece após a vitória. Logo os derrotados voltam a se estabelecer na região. Portugal envia Estácio de Sá, sobrinho de Mem de Sá, que desembarca aos pés do morro Cara de Cão em 1° de março de 1565, sua tarefa era novamente expulsar os franceses e ocupar a região.
Estácio de Sá dividiu a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro em duas partes desiguais. A maior doada a Companhia de Jesus e a menor para todos os demais. Deixando claro que a presença do Jesuíta Manoel da Nóbrega em sua expedição não seria sem consequencias benéficas para a Igreja.
O sítio definitivo: primeira malha urbana.
Estácio de Sá morre pouco tempo depois da ultima batalha contra os Franceses, assim como o padroeiro da cidade São Sebastião, por conseqüência de uma flechada. Quem organiza a nova cidade é seu tio Mem de Sá. Este preocupou-se em construir uma cidade com o objetivo de defesa territorial e comercial. As moradias possuíam dois ou três pavimentos e a sede da cidade foi transferida para o alto do morro do Descanso (Castelo). Com a chegada de diversos religiosos e suas denominações, os morros da cidade foram ocupados como sede destas ordens religiosas e os caminhos que interligavam estes morros deram origem as primeiras ruas da cidade do Rio de Janeiro, que mal passavam de trilhas lamacentas e escuras.
O novo ordenamento urbano ganha forma em 1637, quando os vereadores aprovam construir na parte baixa da cidade a nova Câmara e a cadeia. O morro do castelo fica com os Jesuítas. O local passa a ser freqüentado por estudantes e fiéis e fica conhecido como Cidade Velha. Mesmo com poucos anos de utilização.
Ocupação das várzeas: aterramentos e drenagem
Por razões estratégicas a cidade foi erguida sobre mangues, alagados e lagoas. Um preço seria cobrado por essa insistência em desafiar as condições naturais do terreno. Transcorreram-se 200 anos para que as principais lagoas da cidade fossem aterradas, apenas em 1783 Mestre Valentim inaugura o primeiro Jardim Público. E pela chegada da família real em 1808 as poucas ruas calçadas e planejadas começam a se multiplicar. Ainda em 1726 o governador Luis Vahia Monteiro sugeriu o amuralhamento da cidade e a construção de um canal extravasador para que as águas pluviais passassem pela cidade sem deixar estragos. Sua proposta não foi aceita e os aterros continuaram na cidade. A consequência foi constantes atoleiros, enchentes e mosquitos entre outras mazelas.
Quando a cidade não sofria por conseqüência das águas era pela falta dela. Nos períodos de estiagem a poeira e a insolação transformavam a vida de europeus em um martírio. E quando as chuvas fortes voltavam a cair a lama e os alagamentos se misturavam com esgoto, água que corria dos cemitérios, hospitais e matadouros. Multiplicando os casos de doenças na cidade.
Em busca de boa água.
A população da cidade crescia e a dificuldade de abastecimento de água também. O comercio de barris de água era comum e as queixas da sociedade também. Foi colocado em ação o projeto de canalização do rio Carioca, que ficava no Flamengo, até chafarizes no centro da cidade, para que água de boa qualidade e gratuita seja oferecida a população. A obra durou 18 anos até que o chafariz da rua da carioca fosse inaugurado. Este chafariz contava com 16 bicas de bronze. Um marco desta obra permanece até os dias de hoje, que são os Arcos da Lapa. Trecho original da canalização do rio Carioca. Quando o carioca atingiu sua capacidade de abastecimento outros rios foram utilizados como o rio Maracanã que levou água até o campo de Santana.
Clima e insalubridade.
O clima no Rio de Janeiro era considerado doentio. A nobreza não suportava o calor e a umidade. Os europeus que desembarcavam na cidade não conseguiam trabalhar como na Europa e logo solicitavam transferência. Queixas sobre calor, sufocamento, cansaço, umidade, chuva, insolação. A década de 1760não foi agradável para os estrangeiros no Rio de Janeiro.
O ideário urbano – sanitarista.
Em 1798 um encontro ambientalista foi promovido pelos vereadores do Rio de Janeiro. Deste encontro foram estabelecidas medidas para sanear a cidade. Como a construção de valas de escoamento, elevação do nível do piso das casas em 50 centímetros, arborização dos morros, proibição de sepultamento no interior das igrejas, criação de cemitérios e higienização dos matadouros. Além do incentivo ao exercício físico, consumo de frutas e verduras.
A muralha do medo.
O medo em face dos inimigos de primeira hora.
As primeiras ocupações para construir a cidade do Rio de Janeiro forma marcas pelo extermínio dos índios tupinambás que Men de Sá relatava que milhares forma exterminados e os poucos que eram poupados eram escravizados. O Segundo passo foi a construção de uma muralha para proteger a cidade.
O Medo em face dos inimigos ocasionais
Alguns inimigos sequer eram conhecidos dos habitantes da cidade. Os desacordo políticos na metrópole resultavam em consequencias belicosas na colônia.
O medo originário da relação senhor – escravo.
A população escrava da cidade crescia a cada momento e os conflitos eram inevitáveis. A desconfiança era onipresente, pois os senhores temiam uma revolta contra eles próprios ou contra seus meios de produção. Além dos desejos de fuga, que eram apaziguados com instrumentos políticos, militares e religiosos.
O Medo vira realidade: aconteceram as invasões.
7 de agosto de 1710 uma esquadra francesa entra na baía da Guanabara com bandeiras inglesas, mas o eficiente serviço de espionagem português permitiu que os canhões defendessem a cidade, forçando que os invasores aportassem apenas na Ilha Grande. Os franceses seguem a pé passando por Guaratiba, Jacarepaguá, Engenho Novo e chegado até a Praça XV. No confronto do centro da cidade os franceses foram derrotados com 400 mortos franceses e 70 do Rio de Janeiro.
A resposta francesa chega um ano depois, em 7 de junho de 1711. A França envia 17 navios e mais de 4 mil homens que atravessa a baía da Guanabara sob a proteção da névoa e desembarcam tomado a cidade, saqueando seus bens e expulsando os moradores. A invasão foi tão brutal e os saques tão violentos que os comandantes franceses precisaram decapitar três soldados por excessos cometidos. Mas os franceses não ficaram na cidade, receberam uma indenização de 240 contos de réis (uma fortuna), 100 caixas de açúcar (outra riqueza da época) e 200 bois. Além de revenderem aos antigos donos os bens saqueados.
O medo questiona as técnicas e estratégias de defesa
O governo português resolve levar a sério a defesa da cidade do Rio de Janeiro. Em 1713 chega a cidade o especialista em fortificações e engenheiro militar João Massé. A missão dele era reavaliar as defesas da cidade e propor novas obras para garantir a defesa da cidade.
O medo constrói sua muralha de pedra.
Uma nova muralha de proteção é construída, mesmo a antiga ainda estando pronta e as áreas dentro da antiga muralha ainda não estando totalmente preenchidas. A cidade, mais uma vez, agia precipitadamente, pois aumentava seu espaço sem ocupar primeiro seus espaços internos. E o erro teve como consequência o desprezo da sociedade carioca pela nova ora que foi completamente ignorada e a muralha se tornou alvo de vandalismo e destruição da população que utilizava seu material para obras particulares.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
O Rio Antes do Rio
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Sétimo Período
O Rio Antes do Rio
De: Armelle Enders
Matéria: História do Rio de Janeiro
Professor: Ana Lúcia
Macaé/RJ
Portugal do início de século XVI, 1502 exatamente, possuía pouco interesse nas terras descobertas dois anos antes. Todo o interesse estava voltado para as índias que podia ser considerada toda a Ásia. Apesar de muito contestada a versão sobre o descobrimento do Rio de Janeiro publicada pelo historiador Francisco Adolfo Varnhagen no século XIX, foi considerada como válida. Atribuindo a Gonçalo Coelho a descoberta da Bahia de Guanabara em 1º de janeiro de 1502. Os mapas só confirmariam o “Rio de Janeiro” em 1519, local que os marinheiros chamavam de Bahia de Santa Luzia ou dos Inocentes.
A Terra dos Tupinambás.
Curiosamente o interior do território brasileiro foi ocupado primeiro do que o litoral, seis mil anos antes, para um calculo aproximado. A população Tupi-Guarani deixou as bacias dos rios Paraná e Paraguai para, no século V, chegar a região do Rio de Janeiro. Em 1500 eles dominavam da foz do Rio Amazonas até o litoral de Santa Catarina. A baia de Guanabara era ocupada pelos Tamoios de cultura Tupi.
Em 1500 a população indígena do Rio de Janeiro era estimada em 14 habitantes por quilometro quadrado, população muito semelhante a da Península Ibérica. Um século depois de São Vicente a Cabo Frio a população foi reduzida para cerca de 5 mil índios. Foi como dizimar a Europa em apenas cem anos, principalmente pelas epidemias, escravidão e guerras contra os invasores.
Os tupis viviam em aldeias de cerca de 600 indivíduos que pescavam e caçavam. Além de cultivarem a mandioca, o feijão, o milho e o algodão. Permaneciam no mesmo lugar por cerca de dois anos depois deixavam o lugar onde a floresta voltava a ocupar seu lugar original. Mas a guerra era a vocação Tupi. Jean Lery relata campanhas de oito a dez mil homens que lutavam a cerca de 30 quilômetros de suas terras. Os prisioneiros eram escravizados e depois serviam para o ritual de antropofagia.
O Comércio do Pau Brasil.
A presença portuguesa na baia de Guanabara é rara. Regista-se apenas a frota de João Dias de Solis em 1515 quando ia em direção a bacia do Prata e Fernão de Magalhães em 1519 que descansa por dez dias na região. Esses contatos revelam que a terra dos Papagaios, assim conhecida pelos marinheiros, não revelam metais preciosos, apenas a árvore ibirapitanga ou pau Brasil. A extração desta madeira acontece em Pernambuco, no sul da Bahia e de Cabo Frio ao Rio de Janeiro. O governo português intensifica suas ações ao norte do Brasil deixando os normandos europeus livres para traficar na região do Rio de Janeiro. A expressão terra brasilis aos poucos substitui a Terra de Santa Cruz.
Em 1517 o navegador português Cristovão Jacques abandona Cabo Frio que logo é ocupado pelos franceses que permanecem no local por muito tempo. Francisco I da França consegue um interpretação melhor do Papa Clemente VII, onde as terras não ocupadas por portugueses e espanhóis eram livres para quem os ocupar. Em reação a essa medida em 1530 Martin Afonso de Souza é nomeado governador do Brasil e organiza uma expedição que marca o território brasileiro com rochas esculpidas com as armas portuguesas. Ele permanece no Rio de Janeiro de 30 da março a 1º de agosto de 1530 onde constrói uma casa que é batizada pelos índios de Carioca (Casa de Branco).
Em 1532 é implantado o sistema de capitanias no Brasil e em 1534 Martin Afonso de Souza recebe as capitânias de São Vicente e Rio de Janeiro. A primeira recebe os investimentos de seu dono, enquanto o Rio de Janeiro fica entregue a corsários franceses e sem nenhuma proteção. Até em 1550 Pero Góis escreve a D. João III que o Rio de Janeiro é a maior escala de corsários do país. Prova disto é em 1552 quando Tomé de Souza tenta desembarcar no Rio de Janeiro e é expulso por franceses e indígenas.
A França Antártica.
Malta Nicolas Durand de Villegagnon foi o principal personagem da mal sucedida França Antártica. Chegando ao Rio de Janeiro em novembro de 1555 estabelece uma fortaleza na pequena ilha próxima ao litoral que é batizada de Coligny. A ilha seria o ponto de partida para a construção da Henriville em homenagem a Henrique II da França. Estabelecendo uma cooperação com os indígenas os colonos calvinistas garantem um suporte para estabelecer a colônia. Mas os índios são resistentes a aculturação pretendida por Villeganon permanecendo nus e não se submetendo a imposição protestante. Villegagnon proíbe a fornicação com as índias e a expansão da colônia fica comprometida. Em 1557 o comandante rompe com Calvino o que deixa a colônia ainda mais conflituosa. Para buscar apoio Villegagnon retorna a França e deixa seu sobrinho Bois-Le-Comte governando a colônia.
A Ofensiva Portuguesa.
Um ano antes da partida do comandante francês Men de Sá é nomeado governador geral do Brasil e solicita apoio militar para reforçar os domínios do sul do Brasil. Em 15 de março de 1560 Men de Sá inicia um ataque que de dois dias a ilha Coligny, contando com a presença do jesuíta Manoel da Nóbrega, chegado ao Brasil em 1549, cumpre a expectativa e expulsa os franceses que se espalham pelo continente. Na sequencia atacam os índios matando muitos deles. Para o jesuíta a ilha era um ninho de calvinistas prontos a semear a heresia entre os indígenas. Em carta enviada ao infante português D. Henrique, Manoel da Nóbrega afirma ser necessário povoar o Rio de Janeiro e fundar mais uma cidade, para garantir a expulsão dos franceses e dos índios hostis.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Fazenda Campos Novos, uma História de troca de posses.
Fazenda Campos Novos, uma História de troca de posses.
Por mais absurdo que possa parecer essa é placa de entrada da Fazenda Campos Novos em Cabo Frio – RJ. Completo absurdo por ser uma placa incrivelmente simples e mesmo assim mal cuidada. A placa ainda informa ser um Sítio Histórico, quando na verdade foi uma fazenda Jesuíta e ainda informa estar sob a administração da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, fato inaceitável, pois a fazenda é tombada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), processo nº 01500.005719/2010-49 e foi publicado no Diário Oficial da União em 23 de novembro de 2011.
Logo na entrada da fazenda encontro a senzala ou o que restou dela, hoje já reformada e utilizada como depósito de material da Secretaria de Agricultura de Cabo Frio. É possível observar que é uma grande senzala e que não seguia o modelo familiar, isto é, todos os negros permaneciam juntos e ficavam trancados enquanto não trabalhavam. Mesmo já bastante modificada é importante ressaltar que ela permanece no local original, cerca de 50 metros dos fundos da casa grande e ao lado de uma antiga horta.
As terras da Fazenda Campos Novos tinham de testada quatro léguas e meia principiando a mesma no sítio chamado de Genipapo partindo da parte do Norte com os moradores da baía Formosa, do Sul com as terras da aldeia dos índios de São Pedro e da do Norte correndo rumo ao Nordeste por costa do mesmo mar até a praia do Rio de São João e do Poente com o sertão até intestar nas terras de Bacaxá... (Carta de Sesmaria).
Já bastante alterada de sua forma original aqui se pode ver a Casa Grande da visão de quem está na senzala. É o fundos onde fica a cozinha (portas abertas ao centro da imagem). Acima e a direita é a varanda com ligação a igreja que fica do outro lado da casa.
A fazenda fica no caminho entre Campos dos Goytacazes e a cidade do Rio de Janeiro e servia de descanso e engorda para o gado que seguia para a capital. A fazenda produzia açúcar e depois café. A produção era levada para a lagoa de Araruama por carros de boi e de lá seguiam para o Rio de Janeiro.
Em 1759 a fazenda é tomada pelo governo português e recebe o nome de Fazenda D’el Rey e é colocada a venda. O fazendeiro Manoel Pereira Gonçalves compra a fazenda. Durante esse período a fazenda recebe a visita de Auguste de Saint-Hilaire em 1820 onde o naturalista francês recolhe espécies de plantas e deixa registrada a decadência da região em seus livros.
Outro importante visita a fazenda foi de D. Pedro II que em 1847 almoçou na fazenda em uma viajem para Campos dos Goytacazes. Naquele ano o proprietário da fazenda era o padre Joaquim Gonçalves Porto. A fazenda troca de donos diversas vezes até que na década de 50 do século XX o proprietário Antonio Paterno faz um completo loteamento da fazenda, cedendo terras para loteamento e grileiros. Depois de uma disputa judicial com os ocupantes da fazenda Antonio Paterno vendeu 25% das terras a Destilaria Medelin S.A. O restante foi vendido ao Sr. Henrique da Cunha Bueno que até os 1970 tentou expulsar os colonos da terra. Mas ainda em 1960 um jagunço foi contratado para expulsar os colonos a força, ele era conhecido como “Goaquica” que atacava violentamente os moradores da fazenda e apoiava os grileiros que também tinham interesse em expulsar estes colonos. O resultado deste conflito foi a criação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cabo Frio, propondo a reforma agrária já em 1961.
O novo dono da Fazenda, na época chamada Companhia Agrícola, Jamil Miziara, havia recebi a posse das terras de volta no fim dos anos 60, pois o golpe de 64 temia os movimentos sociais, chamando-os de comunistas, expulsou os movimentos sindicais da terra a garantiu a propriedade particular. As únicas vozes que defendiam os colonos eram do padre Aldo e do vereador José Bonifácio Ferreira Novelino.
Entre os anos de 1972 e 1976 o Sr. Jamil loteou a fazenda e vendou alguns lotes com a autorização do prefeito de Cabo Frio Antonio Castro. Mas o fracasso das vendas e a improdutividade da terra levou a fazenda a ser incluída no projeto de reforma agrária em 1982, promovida pelo governo Figueiredo.
Já em 1993, José Bonifácio se torna prefeito de Cabo Frio e depois de um período de lutas e assassinatos locais, desapropriou a fazenda e deu direito de uso aos antigos colonos que lutaram pela terra.
A sede da fazenda continua mesmo tombada pelo IPHAN, sendo utilizada pelo governo municipal e não permitindo que a população tenha acesso a essa importante obra e fundamental história para compreender a região de Cabo Frio de forma ampla e esclarecedora.
Para finalizar deixo a foto de um tumulo do cemitério local, sem identificação e sem data, mas informado pelo coveiro local que se trata da cova mais antiga do local.
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Macaé 2012: As diferenças sociais.
Macaé 2012:
As diferenças sociais.
No dia 26 de novembro de 2012 aconteceu na cidade do Rio de Janeiro mais uma manifestação em defesa dos Royalties do petróleo que desde a década de 1980 chega aos municípios da região no norte e lagos fluminense como compensação pelos impactos produzidos pela extração do petróleo. Recentemente o Brasil atravessa uma discussão sobre uma divisão igualitária destes recursos para todos os municípios brasileiros. Os chamados “municípios produtores” protestam e todos os demais reclamam esses recursos. Matematicamente qualquer votação política resultará em vitória para os “não produtores” que são em número muito maior, mas como a questão é política pode-se esperar qualquer resultado em um futuro próximo.
Mas o que seria uma fonte de soluções se torna a origem dos problemas políticos, econômicos e sociais. Políticos pela guerra pelo poder nesses municípios milionários. Campanhas políticas que fogem do seu principal objetivo que é o debate de idéias e se transformam em uma novela de intrigas, fofocas e agressões. Problemas econômicos que percebemos claramente nas grandes cifras divulgadas pela imprensa e que pouco resulta em benefícios para a população. Em todos os municípios que recebem a maior parte dos recursos é possível identificar um grande crescimento da máquina pública como: Grande numero de secretarias, contratações e assessorias que pouco resulta em bom serviço prestado a sociedade. Socialmente os impactos são ainda mais devastadores bolsões de excluídos se formam nas cidades, bairros nobres tornam-se cada vez mais elitizados e hiper valorizados, enquanto os excluídos estão distantes, sem assistência governamental e quase sempre muito fiscalizado pelos órgãos de meio ambiente, de posturas ou policiais.
Um elemento geográfico divide socialmente a cidade. O Rio Macaé divide a cidade em norte e sul, onde o norte é prejudicado pela falta de políticas públicas e o sul, parcialmente, recebe grande parte dos investimentos. Neste ano de 2012 foi iniciada a obra de reurbanização da Imbetiba, iniciada porque até o momento, mês de novembro, a obra está parada. Enquanto bairros que jamais foram urbanizados, como o Jardim Carioca, não receberam qualquer serviço publico. As ruas continuam feitas de terra, sem água, sem esgoto e de frente para um valão (canal Campos – Macaé) sem tratamento e completamente abandonado. Imbetiba fica no lado sul e o Jardim Carioca no lado norte.
O lado sul recebeu a sede administrativa da Petrobras e o Parque de Tubos, local onde a base operacional funciona. Bairros como Miramar, Visconde, Sol y Mar, Glória, Cavaleiros e Lagoa experimentaram um crescimento quando não espetacular, pelo menos, notável. Mas como em toda cidade que não planeja seu crescimento bairros adjacentes cresceram ou surgiram de forma desordenada e sem receber as políticas de desenvolvimento urbano. São bairros populosos como Aroeira, Malvinas e Botafogo que não recebem uma estrutura mínima para garantir o bem estar social. Como: postos de saúde, creches e escolas, além de transporte público de qualidade.
O lado norte concentrou a maior parte da população da cidade, grandes bairros como Barra, Aeroporto e Lagomar estão sempre em destaque, pois protagonizam as mazelas da cidade. Problemas de abastecimento de água, esgoto não tratado, transportes lotados e postos de saúde que não atendem os casos com média ou alta complexidade deixam os moradores com a certeza do abandono e da mesma forma, estes moradores, tornam-se alvo das especulações políticas. Política que sempre chega mas nunca garante efetivação das promessas feitas.
Portanto a cidade continua divida e se apresenta, a quem decide circular de norte a sul, como um espetáculo de desigualdades de exemplo como o Parque Valentina Miranda( lado sul) e a Nova Holanda (lado norte)
sexta-feira, 22 de junho de 2012
A História é Moderna
A História é Moderna
Sempre que ouvimos ou falamos sobre a matéria História imaginamos reis, impérios, caravelas e pirâmides. Não posso deixar de concordar que esse pensamento é correto, mas que representa apenas uma parte da história. Mas antes de entrar diretamente nesse assunto é importante deixar claro que estudar ou ensinar a História tem que ser um prazer, uma tarefa agradável e que possamos interagir com ela (a História) de uma forma simples e inteligente. Complicar ou tentar ser “intelectual” sem necessidade é só uma forma de afastar as pessoas da matéria que tanto amo.
É impossível negar que a História conta o passado, qualquer coisa diferente disso é discutir o que não é verdadeiramente importante. Para prever o futuro deixamos essa tarefa para praticantes de outras artes. Mas nem tudo é tão exato assim, afinal, estudamos uma ciência chamada de “humana”, não que a matemática ou a física não seja feita por homens e mulheres, assim como a História é feita.
Agora sim chego ao ponto de nossa conversa. O que é a História? E quem faz essa História?
A História é a nossa vida, nossa data de nascimento, nossas formaturas, filhos, casamentos, falecimentos, títulos no futebol ou viagens inesquecíveis. Nossa História particular nasce e vive junto a toda a História mundial. Sabemos ou procuramos saber o que estava acontecendo no mundo no ano em que nascemos, ou o que era importante na época. Por exemplo: Muitos nomes de bebês foram escolhidos por influência de nome de personagens de novelas, musicas ou acontecimentos marcantes. O casamento da princesa Diana em 29 de julho de 1981(por coincidência aniversário de Macaé), levou a um grande número de mães a registrarem suas filhas como o mesmo nome da princesa.
E é justamente ligar os fatos que dá a história esse caráter interessante. Colocar esses fatos na nossa vida e ao mesmo tempo estar dentro destes fatos. Como o 29 de julho de 1981 que é aniversário de Macaé, o casamento da princesa Diana e o nascimento do piloto Fernando Alonzo. É possível lembrar onde estávamos nesse dia devido aos fatos importantes que aconteceram nesta data. Assim como é fácil lembrar onde estávamos em finais de campeonatos, natais e aniversários.
Por isso é importante lembrar essa cara moderna da História. A História que nós mesmos construímos. Nossos filhos, trabalhos e atividades que exercemos em sociedade são a nossa contribuição para a História. A História é moderna também, está viva e fazemos parte dela. Ela não é um peso morto e mofado do passado. Afinal o passado já foi o presente e o que vivemos hoje, logo será passado. Agora pense bem. O que vivemos hoje não é importante?
Até a próxima oportunidade de falar sobre a História viva.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
O Feudalismo: Economia e Sociedade
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Quinto Período
O Feudalismo: Economia e Sociedade
De: Hamilton M. Monteiro
Matéria: História Geral
Professor: Rodolfo Maia
Macaé/RJ
Do século IV ao VII a sociedade européia rompe os limites políticos, geográficos e culturais impostos pelo Império Romano e o resultado foi a chamada sociedade feudal ou Feudalismo. Sociedade baseada no regime de servidão. Onde a nobreza domina os servos para que a sociedade funcione.
A servidão é a elevação do escravo, que eram utilizados pelos romanos, a condição de servo e na mesma medida a opressão e destituição do camponês, rebaixado a condição de servo. A terra que só pertence a nobreza é trabalhada pelo servo que paga ao nobre, como sua produção, o direito de usar a terra e ainda deve trabalhar na terra dos nobres. Os elementos que mantinham essas relações em funcionamento eram o Rei e a igreja. O poder real é lentamente ursupado pelos proprietários das terras que se estabelecem como senhores feudais. É importante ressaltar que o feudalismo não era a ausência de comercio, mas sim a interiorização das praticas comerciais. Os feudos fechavam-se em si mesmo na primeira fase do feudalismo.
O Império romano que teve seu auge no século I entra em crise devido ao esgotamento da mão de obra escravista, o aumento da população e o esgotamento dos recursos naturais. As cidades se esvaziam, pois não há alimentos para todos e o colonato passa a ser o método de utilização da terra.
Um dos principais povos que invadiram o fragilizado Império Romano foi os germânicos. Um povo que não conhecia a propriedade privada e conviviam em uma sociedade compartilhada e comunal. Foi a influencia destes povos, com a dissolução das cidades romanas que surgiu o feudalismo. Uma síntese de modos de vidas em transformação. Outro aspecto que não pode deixar de ser considerado é de que o modelo feudal não foi único. Na região de Inglaterra, Espanha, Alemanha e Itália, vários foram as formas de funcionamento do feudalismo.
Na primeira idade feudal o vazio demográfico caracterizou a forma de ocupação do espaço. As guerras, a falta de alimentos e as epidemias contribuíram para este quadro até o século VII. O crescimento passa a ser significativo do século VII ao IX devido ao fim das invasões que geravam as guerras e o controle das epidemias. Após o século IX o crescimento se intensifica devido ao progresso das técnicas agrícolas.
A produção desta primeira idade feudal era caracterizada pela pequena produção camponesa para atender as suas próprias necessidades. O pouco de excedente da produção era comercializado, mas sempre em curtas distancias.
Os senhores feudais se estabeleceram pela prática dos monarcas de ceder terras para seus guerreiros em forma de pagamento e de terras a igreja com a particularidade de imunidade de taxas as terras da igreja. Esses donos de terras reproduziam a atitude dos monarcas cedendo porções menores de suas terras. A hierarquização se completa no processo de vassalagem onde o vassalo se entrega a proteção do suserano que em troca promete servi-lo. Este juramento é feito diante de algum objeto religioso para sacralizar o compromisso. Esses servos se dividiam em rês categorias: o Camponês, o livre e o escravo. Já no século VI era visível na sociedade a minoria de grandes proprietários de terras e ocupantes de cargos públicos e a maioria que vivia em estado de penúria, pagando altos impostos e a mercê das guerras. E pelas guerras uma nova classe dominante, mas intermediária, se estabelece. A elite armada e militar. Certamente que a servidão na era a única forma de trabalho neste período, mas era a mais utilizada.
A exploração do servo podia ser de duas formas. Pela corvéia, que é o trabalho gratuito para o senhor. Que pode ser na terra ou na reforma de pontes e estradas ou ainda em qualquer outro bem pertencente ao senhor feudal. Ou as cobranças em gêneros ou produtos manufaturados pelos servos.
O crescimento populacional se deve ao aprimoramento da metalurgia e o emprego do ferro na fabricação de instrumentos de trabalho e até da utilização do moinho de água na produção. As técnicas de plantio melhoram a produção gerando um excedente de produção, intensificando a necessidade de comercializar esse excedente.
O crescimento populacional separa a figura do artesão da figura do lavrador e as cidades se tornam o centro da produção secundária e terciária. Desta forma as cidades se estabelecem com centros mercantis.
O comércio se desenvolve a margem do mediterrâneo tendo como destaque as cidades de Genova e Veneza que controlam o comércio dos os produtos que tem origem na Ásia. Outras cidades se destacam no comércio, como Kiev e Birka pelo mar Báltico e depois de século X com o crescimento de Bruges. O norte da Europa cresce comercialmente e o resultado deste crescimento é a hansa Teutônica. Uma liga de cidades da região.
O crescimento das cidades é também o crescimento do campo. Pois a produção de alimentos e de matéria prima para a manufatura era o fortalecimento do campo na sociedade feudal.
A declaração de independência dos Estados Unidos.
A declaração de independência dos Estados Unidos.
Como a grande maioria dos países que se tornam independentes nas Américas, os Estados Unidos, nascem como uma república. Moderna para o seu tempo, liberal e humanista. Sua declaração de independência era uma forma de motivar seu povo e manter acessa a chama da liberdade. Mas de certa forma está declaração também incutia no povo Norte Americano as idéias de superioridade e liderança entre as nações.
O contexto que leva a independência norte americana pode ser traçado tendo como início o Tratado de Paris. A partir de então as posses britânicas se estendem de forma espetacular pelo mundo, exigindo maior controle e esforço administrativo. Atingidos por uma crise financeira, em virtude da Guerra dos Sete Anos, a Inglaterra estabelece que as colônias Américas devem ser responsáveis por gerar seu próprio sustento, criando assim, uma situação de virtual independência da metrópole.
A Lei do Açúcar que aumentava taxas de importação e restringia ainda mais o comercio da colônia, a Lei do Selo que taxava todos os documentos ou publicações emitidos nas treze colônias, as Leis de Townshend que aumentava as taxas dos produtos importados pela colônia e a Lei do Chá que entregou a Companhia das Índias o monopólio de comercio com a colônia foram motivo de revoltas e conflitos. Os congressos continentais buscavam uma solução americana para a crise e a solução, a princípio não era a independência e sim o autogoverno. Mas o governo inglês não estava mais disposto a negociar e declarou que as colônias estavam em estado de rebelião, determinando que a força militar fosse utilizada.
Thomaz Paine foi o autor, em 1774, de um panfleto chamado Senso Comum, onde ataca o regime monárquico e pela primeira vez, de forma pública, menciona a independência das colônias. A repercussão popular chegou ao congresso continental e gradualmente as colônias foram se mobilizando até que a decisão por uma república independente foi tomada.
A confecção do texto da declaração foi conduzida por Thomas Jefferson que não negou a influência de escritores como John Locke ou de autores clássicos como Aristóteles por exemplo. Mas como principal influência pode-se considerar o desconhecido Algernon Sidney que é antecessor ao pensamento liberal, mas já em sua obra defendia que o povo tem o direito de criar, eleger e dissolver seus governantes conforme a vontade do próprio povo.
Neste período antes da independência, as declarações eram instrumentos institucionais utilizados para determinar uma política oficial dos governantes. O próprio governo inglês utilizou esse instrumento em diversos momentos de sua história. A constituição da Virgínia, com prefácio de Thomas Jefferson, foi um documento base para a Declaração de Independência americana. Muito pelo fato de todas as outras colônias, também, redigirem suas constituições liberais. O texto final de Thomaz Jefferson foi submetido ao congresso americano que promoveu algumas alterações. Mesmo com essas retificações o texto se destaca pela qualidade e importância para o pensamento liberal.
Após a assinatura das ex colônias o próximo passo foi imprimir e divulgar pelo país a declaração. Copias foram impressas para mostrar a população que uma decisão definitiva havia sido tomada. O principal instrumento de divulgação da declaração foi a leitura pública, onde uma grande festa era montada para completar a cerimônia.
A Declaração era tão importante que foi considerada um objeto de valor inestimável para o país. Durante a guerra com os ingleses e as mudanças de cidade do Congresso americano a declaração era levada junto com os congressistas e mantida segura como símbolo nacional.
Aula de História: Que bagagem levar? De: Helenice Rocha
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Quinto Período
Aula de História: Que bagagem levar?
De: Helenice Rocha
Matéria: Metodologia do ensino de História
Professor: Rodolfo Maia
Macaé/RJ
Idéia central: A autora procura desvendar alguns mitos sobre o ensino da História, tais como a diferença entre as escolas públicas e particulares e o envolvimento dos professores no sentido de superar essas dificuldades. Sua pesquisa de campo direciona o leitor para o entendimento prático de como os alunos percebem e reage a abordagem dos professores. Tendo como finalidade mostras problemas e apontar soluções no ensino da História.
Não se pode fugir do ensino ou do aprendizado de História sem a leitura de textos. Leitura necessariamente liga ao entendimento do texto. Já essa compreensão é o ponto mais variável e pessoal desta questão. A forma em que esse texto é entendido pelo aluno ou pelo professor é uma forma única que depende, em um dos aspectos possíveis, do acúmulo de conhecimento relativo a outros textos, como a autora descreve a bagagem que o leitor trás.
Na página 83 ao fim do primeiro parágrafo a autora escreve.
“No ensino de História, a escrita das tarefas escolares se apresenta como tecnologias da memória”
Em seu trabalho de pesquisa a autora relata que muitos professores de História da rede pública, atribuem a uma má alfabetização, os problemas de entendimento dos textos da matéria. O que de fato não deixa de contribuir para esse problema. Mas cabe ao professor, em sala de aula e em tarefas fora dela, promover e incentivar a escrita dos alunos. Para que eles possam, de forma natural, adquirir está bagagem ou biblioteca pessoal. E, cada vez mais, ter uma relação mais dinâmica e prazerosa com os textos da matéria. Já a mesma dificuldade não ocorreu nas escolas particulares, onde os alunos possuem um letramento maior e de melhor qualidade, deixando os problemas encontrados apenas a alguns alunos de forma isolada.
A excelente pesquisa da autora deve ser analisada de forma mais abrangente, pois se trata de alunos das séries inicias e de escolas públicas. Na página 87, no primeiro parágrafo a autora escreve:
“Eles (os alunos) parafraseiam o que seus professores definem como História, como estudo do passado, mais ou menos remoto. Assim, constituem um tautologia, prática escolar de repetição sempre presente em exercícios escolares.”
Os alunos do nível fundamental, e ainda mais intensamente, os de escolas públicas, refletem inevitavelmente os pensamentos e ensinamentos transferidos por seus professores. Certamente os resultados serão diferentes se a mesma pesquisa for executada em séries superiores. De certo que é um alerta é uma significante abordagem sobre esse problema. Mas deve ser contextualizada e ponderada. A medida que as séries avançam e os professores são alterados por outros de formação ainda mais específica ou atualizada. Certamente as resposta serão diferentes.
Citando o ultimo parágrafo da página 90:
“Na escola, o capital cultural constitui uma biblioteca partilhada entre alunos e professores, pois as referências culturais são próximas, e uns e outros vivenciam práticas culturais semelhantes. Muitas vezes, como observamos, vêem os mesmos filmes e noticiários, conhecem as mesmas histórias, conversam sobre assuntos semelhantes, com diferenças de preferências relativas a faixa etária.”
Esse parágrafo reflete a perigosa aproximação entre o professor, que na sua maioria das vezes é um profissional de classe média, como o seu público semelhante, que são os jovens de classe média/alta. As conseqüências são o distanciamento das escolas que atendem as classes mais baixas da sociedade. A dificuldade de se expressar, de aplicar seus planos de aula, de utilizar recursos matérias e de motivar seus alunos. O professor de história deve utilizar essas dificuldades como motivação para superar essa distancia. Deve buscar caminhos alternativos para que sua aula funcione não de forma uniforme onde quer que ele atue, mas como um elemento que se adapta ao lugar e ao aluno que frequenta suas aulas.
Estimular o acúmulo de memória é uma ferramenta eficiente para iniciar o processo de recuperação dos alunos que não conseguiram adquirir essa bagagem histórica. Criatividade, bom senso e dedicação são instrumentos indispensáveis para essa tarefa. E ninguém melhor que o professor de história para criar os métodos necessários para que essa falta de bagagem seja supera em um tempo menor do que o habitualmente se faria com outras matérias e assim garantir um equilíbrio de informação e aprendizado para todos os alunos. Independente de sua escola ou classe social.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Resenha da segunda parte de Leviatã de Thomas Hobbes.
Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé
Graduação em História
Bruno Botelho Horta
Resenha da segunda parte
de Leviatã de Thomas Hobbes.
Matéria: História da América
Professor: Meynardo.
Macaé/RJ
Leviatã
Segunda Parte - Do Estado
Thomas Hobbes escreve Leviatã em 1651, onde procura explicar e justificar a dominação e controle do estado absolutista, fundamentando e estabelecendo está forma de governo. Podemos entender que o texto que justifica o Estado Absolutista, também pode justificar o movimento de independência e as forças revoltosas ansiosas por estabelecer o seu próprio estado e o seu próprio poder. Portanto pretendo, nesta resenha, utilizar o texto de Hobbes para entender e justificar os movimentos de independência da América Espanhola. E de alguma forma inverter o sentido do pensamento dominador. Explicando a revolta pelo ponto de vista dos revoltosos.
O início do texto pode ser muito bem relacionado com o momento em que viviam os habitantes das colônias espanholas no início do século XIX. Principalmente antes dos movimentos por independência. Pode-se citar o trecho “o desejo de sair daquela mísera condição de guerra que é a conseqüência necessária (conforme se mostrou) das paixões naturais dos homens, quando não há um poder visível capaz de mantê-los em respeito (...)” A península atravessava a crise napoleônica e as colônias, refletindo a crise peninsular, buscava sua nova organização reagindo as fatos que ocorriam na metrópole.
A formação social das colônias espanholas era caracterizada por uma maioria nativa indígena, um segundo grupos de descendentes peninsulares nascidos na América e outro menor de peninsulares, que dominavam os principais cargos de poder. Como a maioria da população era formada por nativos a justificação encontrada no livro explica o início do pensamento libertador “A multidão que pode ser considerada suficiente para garantir nossa segurança não pode ser definida por um número exato, mas apenas por comparação com o inimigo que tememos”. A superioridade numérica dos nativos era evidente no início de século XIX. Este foi mais um motivo que ajudou na transformação do pensamento colonial.
O capítulo “Dos direitos dos soberanos por instituição” trata exatamente da formação da base de pensamento que ocorreu na colônia. Os colonos formavam um grupo que adquiria personalidade e pensamentos em comum. A formação de um Estado era cada vez mais necessária. A metrópole representava cada vez menos o interesse das colônias e esses colonos precisavam ser representados. Os americanos queriam o poder e a formação de um novo Estado para expressão de seus pensamentos. O desejo pela formação dos Estados americanos pode ser justificado pelo mesmo motivo da formação do estado espanhol. Onde a cultura em comum e a necessidade de fortalecimento político e militar para combater ou expulsar invasores ou conquistadores foram fundamentais para as transformações visando a unificação e independência.
As justificativas absolutistas utilizadas pelo autor certamente seriam utilizadas nos Estados americanos que se formavam, mesmo sem que os revolucionários não tenham lido ao menos uma linha de O Leviatã, o pensamento revolucionário que busca o poder desenvolve práticas absolutistas para manter suas posições conquistadas e defender seu novo Estado.
Hobbes fundamenta a necessidade de que o governo, seja ele qual for: Monarquia, Democracia ou Oligarquia deve ser estável e não sofrer ataques ou possibilidade de divisão. Uma vez em que o povo determinasse quem seria seu representante, ou representantes, essa vontade deveria ser respeitada e mantida a todo custo. E certamente esse desejo foi sentido pelos habitantes da colônia que necessitavam escolher seus representantes, diferente dos peninsulares, que já possuíam seus representantes estabelecidos. O povo nativo necessitava passar pelo processo de escolha de seus líderes e a crise imposta por Napoleão apenas reforçou esse sentimento nativo colonial.
Hobbes justifica e praticamente normatiza como os processos sucessórios devem acontecer no Estado monárquico. Certamente essa dominação do Estado monárquico foi reproduzida após a independência das colônias espanholas, onde os governos constituídos expropriaram bens, confiscam terras e estipulam pesados impostos para manter no novo regime funcionando.
A definição de liberdade utilizada pelo autor é de perfeito entendimento quando se analisa as questões coloniais. Por definir liberdade como ausência de oposição e essa oposição entendida como impedimentos externos. Pode-se entender que os movimentos colônias, que buscavam a liberdade, possuíam essas características definidas por Hobbes e as utilizavam na tentativa de libertação do controle externo.
Após a conquista desta liberdade vem a necessidade de mantê-la. Então criam regras, leis e elegem representantes. É o chamado “Homem Artificial” ou o Estado. E esse Estado constituído tem o direito de exigir que o homem combata em seu nome, que defenda esse novo Estado com sua própria vida. A recusa a servir esse novo estado é passível de morte. A liberdade individual deve ser submetida a vontade do Estado e neste ponto de vista a antiga colônia e agora um Estado independente começa a reproduzir as práticas da ex metrópole.
No mérito das partes que constituem o Estado. Hobbes valoriza e reconhece apenas os sistemas, isto é, onde um homem ou um conjunto de homens representa os demais. O significado de província abordado no texto faz referência a porção territorial afasta da metrópole e que são governadas por delegação de poder. Esse poder delegado deve ser exercido e representado por uma assembléia: “Primeiro, o governo de uma província pode ser delegado a uma assembléia, cujas resoluções dependem todas do voto da maioria; esta assembléia será um corpo político, e seu poder será limitado pela delegação.” Essa representação foi, por muitas vezes, o maior motivo de tensão entre colonos e colonizadores. O sentimento de independência só amadureceu pela opressão e pela exploração exercida pela metrópole. Se o pensamento do autor fosse colocado em prática, como por exemplo, instituindo uma assembléia popular colonial, muitos conflitos teriam sido evitados e as revoltas por independência não surgiriam com tanta força.
Sobre a divisão do Estado é admitido abertamente pelo autor a possibilidade de que uma colônia se torne um Estado, onde apenas se mantém laços e amizade. “E, depois de estabelecida a colônia, ou esta constitui por si só um Estado, dispensado da sujeição ao soberano que a enviou”. Esta parte do texto deixa claro que qualquer submissão não se sustentaria por muito tempo e que o pensamento das colônias é alcançar a independência. Hobbes sabia disso e as colônias mesmo sem conhecer o pensamento teórico do autor, também sabiam e buscavam, na prática, a sua independência.
Hobbes afirma que o Estado é finito e que o principal responsável por esse fim é o próprio homem. Ele determina que o homem, por não ser a todo tempo um ser racional, perde o controle sobre si e sobre os outros homem, possibilitando assim, o fim do Estado, que sem margem para dúvidas é substituído por um novo Estado. E é atribuído aos “males internos” a força responsável por essa destruição. Analisando esse pensamento de Hobbes podemos justificar todos os movimentos revolucionários da América espanhola. Pois foi a má administração da metrópole que permitiu que os “males internos”, isto é, os nativos das colônias, concretizassem o movimento de independência, confirmando assim, a teoria do autor.
Hosni Mubarak
1979 - acordo de Camp David é assinado
6 Outubro de 1981 – Hosni Mubarak chega ao poder após o assassinato do presidente Anwar Sadat. Mubarak era Vice Presidente e chega ao poder após um referendo popular. Militar de carreira na Força Aérea chegou a Ministro da Defesa e então a Vice Presidente.
Ferido no atentado que matou o presidente Anwar Sadat assumiu o poder com mão de ferro, justificada pelo atentado, decretou estado de sítio no país que perdurou enquanto esteve no poder.
Aliado de Washington na região, o ditador usufruía de boas relações com o Ocidente embora fosse fato conhecido de que seu governo era uma ditadura de mão de ferro.
Mubarak também era bem visto por ter mantido um acordo de paz com Israel, assinado em 1979, país com o qual o Egito travou três guerras.
Ganha apoio dos EUA e de Israel. Fortaleceu relações militares com os EUA de onde recebia verbas para aparelhar e treinar seu exército.
1987, 1993, 1999 e 2005 foram as reeleições consecutivas de Hosni Mubarak em processos eleitorais cada vez mais obscuros.
As eleições de 2005 permitiram mais de um candidato, antes apenas a população dizia sim ou não.
1995 foi alvo de tentativa de assassinato na Etiópia, em 1995.
25 – 1 – 2011 – dia de fúria mais de um milhão de pessoas pedindo a saída de Hosni Mubarak
Apesar do forte crescimento econômico dos 30 anos que esteve no poder. A sociedade ficou pobre enquanto o Estado enriquecia. E foi as péssimas condições de vida que impulsionaram os protestos contra Hosni Mubarack.
Mohamed ElBaradei
3-2-11 Hosni Mubarak anuncia que não tentará mais a reeleição. Quando perde o apoio dos EUA.
11-2-2011 Hosni Mubarak renuncia e entrega o poder ao comando militar.
Neste mesmo dia a Praça Tahrir amanheceu tomada por opositores e o prédio da Tv estatal e o palácio de governo cercado por populares a pressão foi tanta que o vice renunciou no dia seguinte.
Para 2011, o Presidente norte-americano, Barack Obama, preparava-se para pedir ao Congresso para aprovar um novo pacote de apoio militar. Quando a Casa Branca já condenava publicamente a resposta musculada do regime de Mubarak ao início da vaga de protestos no Egito, ainda choviam sobre os manifestantes granadas de gás lacrimogêneo de fabrico norte-americano.
Assinar:
Postagens (Atom)